Quinn abriu o armário e retirou um moedor de pimenta vazio. Encheu-o com uma colherada de pimenta do reino e caminhou até o balcão. A cozinha estava tão limpa que dava gosto, e era uma pena que, em alguns instantes, o brilho do granito do balcão fosse ser coberto por uma camada grossa de sujeira vinda da macarronada que Quinn planejava preparar.

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Um laptop estava aberto próximo ao fogão e era nele que o vídeo em que era ensinada a receita daquele tipo de macarrão estava passando. Uma senhora de olhos azuis com mais de meio século de idade, mas com uma aura tão vivaz que lhe concedia menos idade, agora moía a pimenta em um moedor muito parecido com o de Quinn em uma panela em fogo baixo. Quinn moeu a pimenta junto com a cozinheira, apanhou uma colher de madeira e pôs-se a mexer o molho.

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– Enquanto o molho não fica pronto, deixe o macarrão, do tipo espaguete, ferver em uma panela com uma quantidade de água que consiga cobri-lo – dizia a mulher, os olhos azuis voltados para Quinn como duas grandes bolas de gude. – Você saberá que o molho está pronto quando a mistura borbulhar. O macarrão, por outro lado, deve amolecer e preencher o fundo da panela, mas não é preciso prestar atenção nele por ora. Mantenha-se mexendo o molho e garanta que a mistura esteja o mais homogênea possível!

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– O mais homogênea possível! – Quinn repetiu. Estava quente na cozinha e sua testa estava gotejada de suor.

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– Podemos ligar uma música enquanto cozinhamos, não podemos? – disse a mulher, abandonando a colher mergulhada na panela para se voltar na direção de um rádio minúsculo ao lado de uma geladeira.

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– Claro que podemos! – Quinn respondeu e voltou-se na direção da dock station em que seu iPhone estava conectado. – Eu não podia ter pensado em uma ideia melhor!

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– Afinal, somos donos de casa, mas nem por isso o nosso trabalho deve ser menos divertido, vocês não concordam?

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Não, Quinn pensou, enfurecida. Não era uma dona de casa, e estava bem longe disso, na verdade. Só estava com vontade de cozinhar aquele macarrão porque queria comer uma refeição mais elaborada naquela noite. Tinha tempo para cozinhar, portanto, queria se aventurar no fogão, pelo menos naquele dia. A comida congelada teria que ficar para outra ocasião.

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– Então, solta o som, DJ! – a mulher disse, sacudindo o indicador no alto em uma coreografia antiquada que não durou muito tempo, pois logo a mão voltou a agarrar o cabo da colher. A música ao fundo era terrivelmente antiga, “Make Your Own Kind of Music”, Mama Cass Elliot.

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– Não sou obrigada a ouvir isso – disse Quinn e deu play na própria música. O shuffle selecionou uma também antiga, mas aceitável no conceito de Quinn: “Cherish”, da Madonna.

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O aroma vindo do molho do macarrão era incrivelmente delicioso, a ponto de trazer água à boca de Quinn. Estava faminta, não comera nada durante toda a tarde – depois do encontro com o entregador da UPS, perdera qualquer sinal de seu apetite –, e agora sofria as consequências disso.

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– Adicione sal se quiser – disse a mulher, quase tendo que gritar para se sobressair aos gritos do refrão que tocava ao fundo. – Mas eu não aconselho. Gosto do sabor natural dos alimentos.

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Foi então que a Madonna perdeu espaço para o som de um toque de celular. Quinn levou algum tempo para se dar conta de que estava recebendo uma ligação e, quando isso aconteceu, ela o desconectou da dock station com tanta pressa que nem se deu o trabalho de verificar o nome mostrado na tela.

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– Alô?

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– O-Oi – disse a voz longínqua, mecânica e grave de Sam Evans do outro lado da linha. – Aqui é o Sam, o...

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– Entregador da UPS? Sei quem você é. – Pensou em incluir um “Eu Jamais me esqueceria de você”, mas preferiu não soar tão aduladora. Saber que o louro de corpo másculo que andara rondando lhe ligara era um motivo enorme de felicidade, mas mulheres centralizadas precisam manter a calma sempre, mesmo diante de situações absurdamente empolgantes, e era nisso que Quinn acreditava.

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– Tudo bem com você?

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– Estou preparando um macarrão cujo aroma está sendo delicioso e ouvindo boa música, então, sim, estou ótima. E você?

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– Estou bem também.

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– Que bom.

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Make your own kind of music”, cantou Mama Cass Elliot durante o instante de silêncio que tomou conta da conversa. “Sing your own special song...”.

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– Bem, eu só liguei pra perguntar se você tem algo para fazer na sexta-feira à noite – disse Sam de repente, fazendo cada palavra soar tão deliciosa quanto um marshmallow dentro da boca.

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Só isso?, Quinn pensou. Eu estive esperando por esse momento há tanto tempo e você faz soar como se um encontro entre mim e você não fosse nada de mais? Se seu corpo e sua aparência não fossem suficientemente sexies, a sua modéstia certamente teria tomado conta disso!

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– Não tenho nada para fazer na sexta-feira à noite – Quinn respondeu, mantendo a casualidade da conversa, muito embora já tivesse concedido aquela informação a Sam mais cedo, naquele mesmo dia. – Pensando em fazer o quê?

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– Um cinema, talvez. Gosta de ir ao cinema?

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– Gosto – Quinn mentiu. Mal assistia filmes em seu tempo livre, gostava mais de acompanhar histórias quando estavam escritas em livros. – E como a gente faz pra se encontrar...?

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– Eu vou até a sua casa com o meu carro – ele interrompeu, a ansiedade exalando de sua voz em torrentes. – Digo, com a minha van da UPS... Algum problema quanto a isso?

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– De jeito nenhum – disse Quinn, e dessa vez não estava mentido. – Vem me buscar às oito?

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– Tudo bem para você?

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– Sim, vou estar livre no horário.

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– Ótimo. Então... Te busco às oito.

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– Para mim, está perfeito.

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– Era só isso. Até mais, um beijo.

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– Beijo – disse Quinn e desligou.

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– Ah, como eu adoro essa música! – disse a mulher no vídeo. A mão, em nenhum instante, parava de mexer a colher na panela. – Faz a gente pensar em sonhos realizados, em vontades e em conquistas. Em amor. E amar é muito bom, vocês não acham, minhas amigas?

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– Com certeza – disse Quinn, mexendo a própria colher na panela.

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O carro de Finn Hudson já era um claro sinal de que o homem que Rachel acompanhava tinha posses, mas a casa em que ele morava, apesar de pertencer a uma rua não muito diferente daquela em que ela morava em Lima, Ohio, era definitivamente elegante, do tipo que se destacava facilmente em meio às outras de aspecto comum.

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O carro estacionou em uma garagem ao lado da casa e Finn guiou sua convidada pela entrada. Do lado de fora, as paredes eram de tábuas de madeira sobrepostas, mas o interior era todo forrado com papéis de parede clean, nenhuma cor berrante, como se, com aquela decoração, Finn quisesse dar importância às pessoas que estivessem no ambiente, e não à sua mobília.

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– Sinta-se à vontade – ele pediu, sumindo pelo portal de uma cozinha clara como seria a recepção do Céu, na opinião de Rachel.

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– Obrigada.

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– Vou pegar outra garrafa de vinho para nós dois.

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– Desculpa, eu nunca bebi vinho com álcool...

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– Bebeu no restaurante, não?

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– Na verdade, você bebeu a minha taça também.

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Finn deu de ombros.

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– Sempre há uma primeira vez pra tudo.

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Inclusive para se apaixonar pelo próprio chefe?, Rachel pensou com alguma espécie de desgosto. Temia que não tivesse sido uma boa ideia ir até a casa de Finn, muito embora a maneira como ele se comportava, andando de um cômodo a outro descalço, tão à vontade, a fizesse se sentir excitada. O que as pessoas falarão de mim se souberem disso?

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Mas você não vai deixar que saibam, vai?

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– De forma alguma.

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– Desculpa, o que disse? – disse Finn, oferecendo a taça a Rachel.

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– NNão era nada de mais – disse e agarrou a taça.

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Talvez um pouco de bebida me ajude a me soltar, pensava quando bebericou o vinho alcoolizado pela primeira vez. Ou, na melhor das hipóteses, a me esquecer do que quer que aconteça aqui.

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– Você está muito bonita hoje – Finn repetiu.

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– Obrigada – disse Rachel em agradecimento pela décima vez.

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O olhar negro de Finn a fuzilava como uma metralhadora. Não diziam nada, nem mesmo se moviam ou piscavam, mas eram intimidadores e sedutores, mesmo que estivessem simplesmente voltados na direção da mulher, em silêncio. Rachel os contemplava e bebia vez e outra de sua taça. O vinho não tinha um sabor bom, mas talvez o efeito fosse.

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– Eu pedi que se sentisse à vontade – disse Finn de repente.

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– Estou fazendo o possível.

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– Quer que eu te mostre o que eu prometi que iria mostrar?

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– O quê?

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– Os vidros de perfume.

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E quem se importa com eles?, Rachel pensou. Seria possível que Finn Hudson, aquele homem tão poderoso, tivesse acreditado que ela estava interessada em seus vidros de perfume? A hipótese era tão absurda que parecia ter surgido da mente de uma criança.

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Subindo as escadas para o quarto do homem, Rachel percebeu que talvez aquela não estivesse tão distante de ser a realidade.

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– Sua casa é bonita – disse para quebrar o silêncio.

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– Obrigado.

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– Aliás, não sei se já fiz isso, mas gostaria de aproveitar a oportunidade para agradecer as flores que você me mandou.

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– Ah, aquilo?

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– Sim. Foram flores muito bonitas. Deixaram o meu apartamento mais charmoso.

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– Você ainda vai me convidar para vê-las?

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– Se você estiver a fim, por que não? Posso servir um chá que uma vez um dos meus pais me ensinou e...

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O som que o trinco da fechadura do quarto de Finn fez ao ser aberto assustou e interrompeu Rachel.

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Então ela finalmente se encontraria com a intimidade daquele homem. Incrível como, em pensamento, a imagem parecia bem melhor.

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– Primeiro as damas – disse Finn e apontou um braço para dentro do ambiente.

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– Com licença.

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Rachel mal acreditou em seus olhos. A cama mais bonita e larga que já vira na vida estava definitivamente naquele quarto. O chão era acarpetado e Finn Hudson tinha uma TV de tela plana própria. Havia uma grande janela em uma das paredes, mas hoje ela estava fechada com persianas azuis verticais, da mesma cor do lençol que cobria a cama. Havia outra porta no aposento, a que Rachel imaginou pertencer a um banheiro.

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Pensou em elogiar o quarto do chefe, mas voltou atrás. Não estava ali para ficar – imaginava – por tanto, então achou melhor se ater ao objetivo principal da visita. Com sorte, estaria longe daquele quarto antes da meia noite.

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– Os vidros de perfume...? – perguntou.

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Finn apontou o indicador para uma cômoda grande de madeira, onde diversos frascos de perfume repousavam. Finn era claramente um homem vaidoso.

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Mesmo desinteressada, Rachel caminhou até a direção apontada. Observou os vidros de perfume de perto e soltou alguns suspiros, como se visse a mais interessante de todas as coisas.

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– São perfumes muito bonitos mesmo – comentou. – Imagino que o aroma vindo de cada um deles é tão bom quanto aquele que você usou naquele dia.

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Silêncio. Finn nem parecia mais estar no quarto de tão silencioso. Mesmo assim, Rachel não se atreveu a olhar para trás.

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– E parecem caros. Um homem que gasta dinheiro com perfumes caros para si próprio é algo raro, mas admiráv...

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Uma mão quente segurou sua cintura e depois outra, no outro lado.

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– Admirável – Rachel terminou.

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Finn girou seu corpo com um único e rápido movimento. Apesar de ser alguns centímetros mais baixa do que ele, a boca e o nariz do chefe estavam de repente tão próximos dos de Rachel que ela conseguia sentir nas próprias narinas o hálito carregado de vinho de Finn. Respirou fundo e encontrou seus olhos. Continuavam tão negros quanto antes, mas talvez as sobrancelhas estivessem mais unidas, tornando aquele um olhar sério e...

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...Sedutor.

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– Não viemos até aqui por causa do perfume, viemos? – Rachel sussurrou, os olhos se desviando de um olho para o outro no rosto do chefe.

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– Essa nunca foi a minha intenção – ele disse, rouco, e o movimentar dos seus lábios fez com que Rachel sentisse uma vontade incontrolável de tocá-los.

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Não com os dedos, mas com a boca.

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E foi por isso que o segurou pelo colarinho e o puxou para perto, colando seus lábios nos dele. O beijo foi mais intenso do que apaixonado, as línguas se massagearam com mais desejo do que amor, e, quando terminou, Rachel percebeu que não tinha fôlego.

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Finn soltou um longo suspiro.

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– Sinto muito – Rachel sussurrou, o rosto tomado por preocupação. Será que fora longe demais?

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Finn a contemplou em silêncio durante segundos que pareceram horas antes de dizer:

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– Você ainda não sentiu nada.

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Depois disso, Rachel só se lembrava de ter caído sobre o colchão de molas da cama de Finn e de soltar outro suspiro, um quase que assustado.

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E então percebeu que Finn desafivelava o cinto enquanto caminhava na sua direção.

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Ele estava prestes a deitar sobre ela.

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Quase se deitou.

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Apoiou-se sobre os braços fortes, mantendo o corpo distante do dela em um palmo, e abaixou a cabeça para beijá-la novamente.

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Quando encostou sua pélvis contra a dela foi que Rachel entendeu o que Finn quisera dizer ao afirmar que ela ainda não sentira nada.

Notas finais
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