A maneira como ele apertou os seus seios com ambas as mãos antes de descer uma delas e tocar sua vagina. A maneira como ele a beijava e, vez ou outra, mordia o seu lábio inferior, permitindo que seu hálito seco fosse sentido não só pelo nariz, mas pela sensibilidade dos lábios. Os sussurros baixos que rompiam por sua garganta, como se não fossem obra de Finn realmente, mas uma reação involuntária do seu corpo. Os detalhes eram tão claros na mente de Rachel que as sensações do momento quase podiam ser reproduzidas pelo corpo.

Finn tinha um toque suave e preciso, apesar da mão grande e das grandes chances de ele não saber como usá-las. Rachel sempre tivera a impressão de que homens altos demais não sabiam como ter controle sobre o próprio corpo, mas esse não era em definitivo o caso de Finn Hudson. Seus dedos compridos exploraram a entrada de sua vagina como uma criança curiosa que explora algo novo, sem medo de tocá-lo. Rachel não se lembrava da expressão que tomara o rosto do amante naquele momento porque fechara os olhos e se deixara levar pelas emoções. Pra que enxergar quando podia simplesmente sentir?

E então vinham aqueles beijos. Beijar e suspirar ao mesmo tempo era uma tarefa difícil – tremendamente difícil –, mas suspirar era algo que ela não conseguia evitar, e o toque dos lábios daquele homem eram tão inevitáveis quanto. A mão continuava a explorar o seu seio esquerdo, alisando-o, apalpando-o, segurando seu mamilo entre o polegar e o indicador, apertando-os levemente. Quando beijou-a por entre os seios, Rachel sentiu arrepios jamais sentidos subirem por todo o seu corpo como uma avalanche. O calor parecia emanar do toque dos dedos em sua vagina, que, àquela altura, já estava mais do que úmida. Incrível como não se sentia nem um pouco retraída, mesmo sendo a única nua naquele quarto.

Claro que não tardou para Finn retirar sua roupa também. Seu corpo, branco, com poucos pelos, era perfeito para alguém da altura que tinha – ou talvez fosse apenas o desejo que permitia a Rachel vê-lo com tanta positividade. Em meio a fios negros como os seus cabelos, porém ralos, havia um pênis rijo, incomum, com tamanho proporcional para um homem grande, portanto, preocupante. Rachel, durante um momento de inconsciência, imaginou que não conseguiria aguentar o que estava prestes a sofrer.

Mas aguentou.

Não sem uma série de suspiros e gemidos e gritos entrecortados, mas aguentou.

E Finn também suspirava à beira do seu ouvido enquanto movimentava o pênis dentro do corpo da mulher, enchendo-o de amor, desejo, satisfação. Rachel o agarrara pelas costas e arranhou-as com uma das mãos. Queria arranhá-lo muito mais, mas percebeu uma mudança de ritmo quando Finn deixou de suspirar pelo prazer do sexo para resmungar o arranhão nas costas. Não queria que aquilo acabasse de jeito nenhum, então foi mais cautelosa, embora refrear os impulsos, em um momento como aquele, parecesse uma façanha e tanto.

O tempo que o sexo demorou para ser feito não pôde ser calculado e muito menos estimado. Fora uma relação que podia ser medida em ondas de prazer, e não em minutos. Rachel sentira várias dessas ondas, uma mais intensa do que a outra, algo que, até aquele dia, ela imaginava que fosse impossível e improvável. Quando Finn ejaculou dentro da camisinha, Rachel sentiu a vibração dentro de si, o que foi ainda mais excitante. Quando a canseira tradicional de um fim de transa tomou o homem, Finn permitiu-se deitar de lado e puxar o rosto de Rachel para uma sucessão de beijos aparentemente interminável. Rachel o abraçou e retribuiu aos beijos com a mesma intensidade.

Lembrava-se de ter fitado a imensidão dos olhos negros de Finn por bastante tempo, embora o período ainda fosse imensurável. Sentira que poderia passar anos e anos observando-o daquela forma, vendo-o morder o lábio inferior daquele jeito sensual e sentir o seu hálito em si. O corpo pressionado contra o seu estava quente e acolhedor, como um cobertor muito mais do que bem-vindo. Era o corpo destinado a completar Rachel, disso não havia dúvidas.

Portanto, depois do que fizeram, Rachel não estava mais simplesmente apaixonada pelo chefe, mas morta de amores por ele. Não era mais um estranho qualquer e lindo que dividia a cama com ela agora, mas o homem da sua vida.

Mas até o homem da sua vida não teria medo de te demitir se te visse devaneando na própria mesa de trabalho, você não acha?

Rachel sacudiu a cabeça e os olhos finalmente voltaram a ver. Pilhas e pilhas de processos que funcionários deixaram sobre sua mesa na última hora, mensagens no Skype que pediam favores – não atendidos – com urgência e uma série de outras tarefas descritas em post-its cor-de-rosa. Suas pernas estavam cruzadas porque sentira a vagina se umedecer durante aqueles pensamentos tolos, e Rachel imaginava que isso fosse capaz de evitar os olhares na sua direção, uma paranoia sem fundamento.

Girou em sua cadeira e voltou-se para a parede de vidro às suas costas. Nas manhãs de sexta-feira, Finn costumava ter reuniões com os chefes de setor a fim de propor melhorias para determinados processos, portanto, no momento, ele não estava lá. Mas Rachel queria que estivesse. Passara a semana inteira ansiando por outro convite até a casa dele, para que pudessem reproduzir aquela noite tão incrível, mas o convite não viera, perdera espaço para a frustração.

Será que ele não quer mais me ver? Será que dar a ele o que ele queria de maneira tão fácil estragou tudo? Será que eu devia ter sido mais difícil...?

Rachel não conseguia mais ficar sentada. Sabia que havia horas e horas de trabalho em cima da sua mesa, mas sua produtividade seria ainda pior se ela não se levantasse para o terceiro copo de café do dia. Caminhou até a área do café que, por um milagre, estava vazia e o fez animada, sorrindo. Motivos para sorrir ela tinha aos montes. As lembranças da noite na casa de Finn ainda eram capazes de contagiá-la daquela forma.

Rachel estava prestes a retornar à mesa com um copo grande de café com chocolate, uma mistura dos deuses, em sua opinião, quando ouviu outra pessoa acionar um botão na máquina de café. Voltou-se para trás mais por instinto do que por curiosidade, e foi então que percebeu a bela Quinn Fabray em sua postura perfeita de mulher perfeita, as mãos pousadas em sua cintura, na altura de um cinto que servia de origem para uma linda saia rodada. Seus lábios estavam contorcidos em um sorriso e os olhos que ela voltou na direção de Rachel estavam brilhantes e mais lindos do que nunca, embora parecessem carregados de maldade.

– Isso me poupa o trabalho de ter que te chamar – ela disse e apanhou um copo pronto no compartimento da máquina. A julgar pela cor da bebida, não havia dúvidas de que aquilo era chá, e não café. – Aliás, que frieza da minha parte! Bom dia, Berry! – a mulher saudou enquanto caminhava na sua direção.

– Bom dia, Fabray.

– Você parece animada.

– Estou bem. – Rachel fazia uma força sem precedentes para soar casual enquanto falava, mas até a mais ingênua de todas as pessoas teria percebido uma oitava a mais em seu tom. Sua voz era típica de alguém que fizera algo fascinante no dia anterior e que não via a hora de alguém perguntar o quê. – É sexta-feira, o dia está ensolarado, amanhã vou dormir um pouco mais do que o normal – não muito, pois tenho uma rotina de exercícios para começar às nove em ponto! –, então, é, estou bem.

Rachel correu os olhos por Quinn. O jeito como ela mexia a pazinha em seu copo de chá, o meio sorriso, o brilho nos olhos... Quinn também não estava mal, mas não era só isso.

– Você parece radiante hoje – Rachel observou e bebericou o café pela primeira vez, aproveitando enquanto ele ainda estava quente.

– Obrigada. Acho que o mesmo bichinho que te mordeu me mordeu também.

– Não sei do que está falando...

– É uma metáfora.

– Ah, imaginei que fosse.

– Mas isso não quer dizer que não sei o que você fez.

Rachel arregalou os olhos e as narinas arderam. Por mais empolgada que estivesse sobre o que fizera, não queria – e achava que não devia – falar sobre o assunto com mais ninguém. Agarrou Quinn pelo ombro e empurrou-a de volta até a máquina de café.

Era como diziam: o que é conversado em torno da máquina de café permanece guardado e seguro no local.

– O que é que você sabe? – Rachel questionou.

– Você nasceu para ser uma artista, Berry, portanto, sabe melhor do que ninguém como expressar seus sentimentos.

– O que quer dizer com isso...? – Rachel perguntou, embora tivesse se arrependido de ir adiante no momento em que começara a pergunta.

– Os outros podem até não ter percebido, mas eu reconheço facilmente a cara de alguém que transou na noite passada quando vejo uma.

Oh, meu Deus, Quinn!

– E sabe o que é mais incrível? – Quinn prosseguiu. O modo como apoiava a mão na cintura era típico de uma princesa da Disney, mas as palavras que dizia não condiziam com as de uma. – O chefe-mor, o Finn Hudson, chegou com a mesma cara na terça-feira. A única diferença entre vocês dois foi que, depois de uma hora de trabalho, ele soube refrear o sorriso idiota, enquanto você, por outro lado...

Quinn!

Rachel não sabia ao certo o que dizer. Confirmar que fizera o que Quinn afirmava que ela fizera era como colocar a corda em seu pescoço, mas dizer que não transara com o chefe a levaria para a forca da mesma forma. Ela não sabia mentir.

– Não conte para mais ninguém, por favor – foi o que Rachel conseguiu dizer.

Quinn trancou os lábios e jogou a chave imaginária no decote.

– Seu segredo está guardado comigo.

Rachel não estava tão certa disso.

– Você sabia que isso pode ser um problema para os dois, não sabia? – Quinn prosseguiu. – Quer dizer, há toda uma política que envolve essa coisa de namorar colegas de trabalhos, e entrevistas que precisam ser feitas, e formulários que precisam ser preenchidos e assinados... Burocracia, entende?

Rachel engoliu em seco.

– Tudo em uma estratégia de impedir relações amorosas em ambiente de trabalho – disse Quinn. Sua mão não parava de mexer o chá. – Isso faz mal para a empresa, sabe? Faz com que ela perca dinheiro. – O que será que estava sendo mexido naquele chá? – Eu acho tudo isso uma bobagem, mas...

E então um celular tocou.

Salva pelo congo, Rachel pensou ao ver Quinn levantar um dedo para pedir que a mulher aguardasse um instante. A tela de seu celular piscava e vibrava com uma chamada.

– Preciso atender isso, tudo bem pra você? – Quinn perguntou.

– Tudo bem, sinta-se à vontade. Eu já estava indo para a minha mesa mesmo...

~//~

Quinn não ouviu o que Rachel disse antes de se afastar. Sam estava ligando para ela, e a voz da secretária, de repente, lhe pareceu algo sem importância.

Apertou o botão de atender e levou o aparelho ao ouvido.

– Alô?

– Alô – disse a voz de Sam em meio a ruídos. Devia estar dirigindo sua van da UPS enquanto falava. – Tudo bem?

– Tudo – Quinn não se deu ao trabalho de perguntar se ele estava bem também. Queria que ele fosse direto ao assunto, que dissesse o porquê da ligação, porque se o que ele estava pensando em fazer era desmarcar tudo, ela estava disposta a...

– Liguei para confirmar o encontro de hoje.

A mão de Quinn apertou com tanta força o copo de chá que o amassou. Por pouco não derramou a bebida no chão.

– Da minha parte, está tudo bem, por quê?

– Pensei em um restaurante mais remoto, um que serve frutos do mar e drinks elaborados.

– Por mim, tudo bem.

– O nome dele é Seafull, você conhece?

– Se... Se eu conheço?

É claro que conheço!, Quinn pensou, os olhos arregalados, o coração palpitando com ainda mais intensidade no peito. O Seafull ficava em um bairro próximo à sua casa, em uma região conhecida pelos...

Minha nossa, ele quer me levar para o motel!

Diante de tão grande silêncio, Sam se sentiu na obrigação de continuar:

– É, o Seafull tem aquela figura de um camarão na fachada, e ele usa um avental e um chapéu de cozinheiro daqueles altos, sabe? Está cozinhando camarõezinhos em uma panela grande também, o que eu acho um tanto canibal demais da parte dele, e...

– Eu conheço o restaurante, e não podia ter pensado em uma escolha melhor.

Quinn ouviu Sam sorrir.

– Ótimo. Então te pego às oito?

– Eu espero que sim.

– Desculpa, o que disse?

– Às oito, perfeito.

Sam se despediu com um abraço e desligou.

Quinn jogou fora o chá morno e se dirigiu à própria mesa.