Sam preferiu não olhar diretamente nos olhos de ninguém quando entrou na empresa em que Quinn trabalhava, porque sempre tinha a impressão de que os olhares que recebia eram hostis, como se o fato de o seu cabelo ser tão claro fosse uma ofensa ou se, por mostrar pele demais – detalhe ocasionado pelo uniforme da UPS, que não era dos mais abrangentes –, ele merecesse algum tipo de repreensão. Cumprimentou apenas a secretária de rosto quadrado e sorriso simpático que, apesar de olhar na sua direção, parecia sempre surpresa ao vê-lo, como se se esquecesse com frequência de quem era o entregador da UPS da região, e deu-se por satisfeito. Dirigiu-se automaticamente e sem ajuda de ninguém até o setor em que Quinn ficava, afinal, já fizera aquele caminho mais de uma vez e estava familiarizado com ele.

– Entrega da UPS – anunciou em um tom monótono, apoiado ao portal da baia em que ficava a loira e seu companheiro de setor.

– Mas que alegria em revê-lo! – exclamou Quinn, girando em sua cadeira, usando um tom irônico como se quisesse dizer exatamente o contrário do que acabara de dizer. Levantou-se e caminhou até Sam. – Quantos quilos de trabalho temos hoje, entregador da UPS?

– Cinco, quase seis – ele respondeu e apontou a caixa embaixo do braço. A indiferença com que a mulher o tratava era espantosa e nada pertinente. Como ela conseguia fazer de conta que não o tinha visto no fim de semana e ainda por cima ser bem sucedida nisso?

– Cinco, quase seis, horas de trabalho para mim então, entregador da UPS. – Quinn passou por ele, caminhando corredor adentro, e prosseguiu: – Eu não conseguiria pensar em nada mais animador! – Alguns passos à frente, parou no lugar e voltou-se na direção de Sam. – Não vai me acompanhar?

– C-Claro – Sam gaguejou e deu o mais desajeitado dos passos na direção de Quinn.

Acompanhou-a até um hall circundado por diversas portas, um que ele já conhecia bem. Cada uma delas exibia o nome de alguma cidade do mundo, passando por Paris, Stockholm e até Rio de Janeiro. Eram salas de reunião.

Quinn empurrou a porta de uma que se chamava Pittsburgh, revelando um ambiente pequeno, com uma mesa circular rodeada por cinco cadeiras. As persianas verticais estavam todas recolhidas a um canto, permitindo à luz do sol entrar sem culpa no lugar, trazendo um pouco de calor à sala que, naturalmente, era bastante fria.

– Deixe a caixa em cima da mesa – Quinn pediu e pôs-se a fechar a persiana. – Já cuido dela. – Uma vez com o ambiente mergulhado em escuridão, segurou um cabo, ligado a um aparelho eletrônico esquisito que havia sobre a mesa, e desconectou-o. – É um aparelho de videoconferência. Você sabe, para conversas por Skype com o mundo todo. Duvido que a câmera esteja em uso agora, mas não confio em ninguém que trabalhe em T.I. Conheço aqueles caras e sei que eles gostam de assistir às câmeras, como em um Big Brother, quando estão sem o que fazer.

Quinn afastou duas cadeiras, deixando um canto da mesa livre, e bateu duas vezes com a mão sobre ela.

– Sente – pediu diante do olhar espantado de Sam. – Você sabe o que vamos fazer, Sam. Não tenha medo.

Sam se sentou e, embora sentisse uma ereção apertada contra sua bermuda, sentia-se também um tanto intimidado. Será que algum dia se acostumaria com o jeito tão direto de Quinn?

Quinn se aproximou e apalpou seu pênis por cima da bermuda. Puxou seu rosto para um beijo e Sam o retribuiu com a mesma fome. Segurou-a pelo quadril, já sem nenhum pudor pelo que estava prestes a fazer. Começava a duvidar sobre o que diziam, que ser entregador da UPS era um trabalho monótono e chato. Sam nunca passara por tão fortes emoções em toda sua vida.

Quinn desabotoou a bermuda de Sam e puxou-a com ambas as mãos. O pênis de Sam, pressionado contra a pélvis de Quinn, parecia um brinquedo com o qual a mulher não tinha medo nenhum de brincar. Quinn não ficou nua, e também não exigiu que Sam ficasse, mas não precisou disso para consumar o sexo. Abaixou a fina calcinha de renda que cobria sua vagina com uma série de três puxões e, como estava de saia, só precisou se sentar sobre Sam, permitindo uma penetração que Sam nunca nem chegara perto de provar.

Segurada aos ombros do entregador, portanto, Quinn começou o seu movimento. Beijou-o durante todo o tempo, e Sam jamais pensou em deixar de retribuir o gesto. Teve que enfiar as mãos por baixo do terninho que cobria o tronco da mulher para segurar um de seus seios; com a mão livre, segurava o quadril de Quinn por baixo de sua saia, sentindo a maciez da pele da mulher com os dedos, imaginando se a sensação era real ou apenas fruto de uma grande admiração.

Quando chegou perto de ejacular, afastou sua boca, escancarando-a para o alto, e soltou uma espécie de lamento, apertando os olhos. Agarrou-se à borda da mesa, procurando força, enquanto Quinn, ainda apoiada em seus ombros, saltava em seu quadril. Com as pernas rígidas, ejaculou com força e voltou a suspirar. Quinn levou uma mão à sua boca, a fim de silenciá-lo, e, por fim, parou o que fazia. A umidade que sentiu escorrer por entre suas pernas era um claro sinal de que Quinn chegara a um orgasmo também.

– Me beija, Sam – Quinn pediu e, embora a ordem tivesse sido destinada ao homem, ela não hesitou em curvar-se para frente e roubar o beijo que desejava.

Sam a beijou com ainda mais amor. Levantou por inteiro o terninho de Quinn e a alisou, sedento por aquele toque, enchendo as mãos em seus seios, sentindo-se o homem mais sortudo do mundo – o que era uma terrível de uma pena, sabendo que, por mais que estivesse apaixonado por aquela mulher, as chances de ela não sentir o mesmo por ele eram grandes.

– O sexo com você é incrível! – ela disse e se retirou do colo do rapaz.

Muitos homens dariam o mundo para ouvir uma frase como aquela vinda de uma mulher linda como Quinn, mas o que Sam sentiu naquele momento estava mais próximo do desgosto. Uma sensação muito parecida costumava ser proporcionada ao jovem quando ele tinha um orgasmo, mas Sam estava certo de que não era esse o caso, e que o desgosto vinha da confirmação do que ele já suspeitava: Quinn adorava o seu corpo, adorava transar com ele e o achava bonito.

Mas não estava nem perto de estar apaixonada por ele.

– Sabe de uma coisa? – ela disse enquanto subia a calcinha. – Eu nunca dei a mínima para as entregas da UPS. Na verdade, acho que elas me irritavam! Hoje, eu torço tanto para que elas aconteçam que mais parece uma obsessão. Quer dizer, o que você trouxe é uma pilha imensa de trabalho pra mim, mas de repente essa não me parece uma perspectiva ruim, não depois do que acabamos de fazer. Uau! – ela disse ao parar os olhos em Sam que, em pé, tentava abotoar a bermuda com pressa. – Alguma vez eu já te disse o quanto você é gostoso?

– Se disse, eu não consigo me lembrar – Sam respondeu e riu, embora não houvesse sinceridade alguma naquele sorriso. – Você também não é de se jogar fora.

– E então é só isso o que você pensa de mim? Depois de toda essa arrumação a que me submeti?

– Você é a personificação da perfeição, Quinn.

– Essa é nova pra mim – ela disse e gargalhou, para a surpresa de Sam. – Onde tenho que assinar mesmo?

Por um momento, Sam se esqueceu do que ela estava falando. Bastou um olhar na direção da mesa para reconhecer o aparelho de assinatura eletrônica.

– Se continuarmos com isso – ele disse ao entregar o aparelho a Quinn –, vou me acostumar ao fato de que ter que pegar uma assinatura sua toda vez que quiser te ver nua.

– Não seja tolo! – ela disse e estapeou o peito de Sam. – Isso vai mudar algum dia.

– Algum dia?

– Algum dia – Quinn repetiu e, depois de assinar, caminhou de volta às persianas. – Eu tenho o meu número, você tem o meu. Se quiser combinar algo para os próximos dias, é só me ligar. Tenho que arrumar a minha bagunça antes de deixar essa sala.

Sam assentiu com a cabeça. Agia como um tolo na maior parte do tempo, mas conseguia reconhecer uma despedida disfarçada de simpatia quando ouvia uma.

Deu um tapa na caixa de papelão, uma guinada na aba do boné da UPS e se retirou da sala. Ainda tinha muito trabalho a fazer naquele dia.

~//~

Almoçou em um canto qualquer, num restaurante que ficava escondido no andar de cima de uma academia, um cujo acesso era uma porta sempre aberta que dava para uma grande escadaria. No andar de baixo, homens e mulheres bem torneados puxavam peso e corriam em esteiras. No andar de cima, gordos americanos dividiam atenção entre uma televisão e uma generosa quantidade de carne amontoada. Sam, aspirante da boa forma, optara por uma opção mais saudável, um prato que englobava filés de frango empanado, salada e grãos de milho e deixara, satisfeito, o restaurante.

Dirigiu sonolento até a unidade da UPS em que trabalha em Nova Iorque. Aquela fora definitivamente uma manhã cansativa e Sam nunca tivera tanta vontade de ir para causa tirar um longo cochilo de dez horas. Parou no estacionamento do pequeno prédio, ao lado de várias outras vans da UPS, e deixou o carro.

Quinn Fabray, Quinn Fabray..., pensava enquanto caminhava até a salinha dos funcionários, onde encontraria homens gritando insultos e risadas estridentes e desnecessárias. Por que é tão difícil conquistar alguém como você?

Empurrou a porta com o ombro direito e encontrou a multidão que já esperava: homens gordos em uniforme da UPS, rostos cheios com filetes de suor escorrendo pelas costeletas e um clima tão quente que tornava o ar difícil de respirar. Em uma mesa a um canto estava o chefe da seção, compenetrado em uma folha de sulfite, os óculos pousados sobre o nariz e as sobrancelhas curvadas em uma expressão que lhe concedia o aspecto de alguém difícil de lidar.

Sam parou em frente a ele e lhe entregou o aparelho de assinatura eletrônica. O chefe mal se deu ao trabalho de olhar na direção do funcionário quando disse:

– Essa Nova Iorque anda um caos, você não acha, Barbie? Um caos!

– Já esteve pior. Hoje até que estava um dia tranquilo.

– Está falando do tráfego?

– Também. Não tive problema nenhum para fazer as entregas. Até parece um dia de feriado nacional, sabe? Ou é isso, ou as pessoas de repente optaram por usar o transporte público.

– Você acha que hoje estava muito diferente da segunda-feira passada?

Sam deu de ombros.

– Não muito – disse.

– E quanto à segunda-feira retrasada?

– Nova Iorque tem tido mudanças, mas elas não tão súbitas assim, chefinho. É um processo lento. Já faz algum tempo que não sofro de verdade com o trânsito ruim, a não ser em horários de pico.

– Certo... – O chefe levantou o olhar e pousou sobre a mesa a folha de sulfite que lia. Parecia uma planilha de horários. – Então suponho que você tenha uma boa explicação para isso – disse e apontou a folha com um indicador velho e gordo.

Sam verificou o relatório e sentiu as narinas arderem. Conhecia aqueles dados. Era um relatório de horários de entrega, dados que eram coletados a cada nova assinatura eletrônica. A UPS tinha um sistema bem aprimorado de controle de horários a fim de garantir que suas entregas sempre chegassem na hora determinada, portanto, para cada região, havia um cálculo médio de demora para cada uma das entregas. Não era preciso ler muito mais para Sam compreender a razão de o chefe estar lhe mostrando aquilo.

A média de demora de entregas de Sam estava fora do especificado, portanto, classificada como ineficiente. As entregas de terça a sexta-feira estavam pontuais e perfeitas, mas eram as demoras imensas encontradas nos períodos matinais das segundas-feiras que manchavam o indicador.

Demoras essas que Sam usara para flertar com Quinn Fabray.

– Do que está falando? – perguntou ao chefe, tentando transparecer segurança e escondendo o fato de que sabia, sim, do que o chefe estava falando.

– Diga você, Barbie. Olhe para esses horários. Anda tendo algum problema com as entregas próximas à região da Times Square e das proximidades da Broadway?

– Nenhum!

– Nenhum? – O chefe fez um muxoxo. – Conheço alguém que pode encontrá-lo para você. Vou mudar a sua região de entrega, meu jovem. Há algo acontecendo em sua zona atual que anda trazendo insatisfação aos nossos clientes.

– Mas eu jamais deixei de entregar uma encomenda!

– E eu duvido que o Josh deixe de entregar também, mas ele conhece caminhos alternativos que nem a polícia seria capaz de descrever! Talvez seja mais eficaz que você nas manhãs de segunda-feira, você não acha? – Diante do olhar estupefato de Sam, o homem se sentiu na obrigação de dizer: – Tudo pelo bem da organização, Sam Evans, não leve para o lado pessoal! – Havia um sorriso malicioso nos lábios do chefe que fez com que Sam sentisse vontade de socá-lo.

Quinn Fabray...

Ele não pode fazer isso comigo! Não agora! Não enquanto ela não está totalmente apaixonada por mim! Será que ele não percebe que eu preciso de mais tempo?!

– Sua nova zona de entrega é o Bronx, Barbie. Fica melhor pra você?

Sam preferiu não responder a pergunta. Poderia se exaltar mais do que devia.

Notas finais
Não consegui pensar em nada pra escrever aqui. Tô com uma música na cabeça e ela está atrapalhando o meu raciocínio rs