When I'm Gone
4 Acuada
Notas iniciais
Tora sempre viajou com os pais. Estivera em diversos países, entrara en contato com ínumeras culturas e, claro, rodará o próprio Japão. Vira e estudara a arquitetura das torres mais famosas, desde a de Pisa até a de Belém, as cúpulas do Taj Mahal, da Mesquita de Omar e da basílica de São Pedro. Sabia as diferenças entre um santuário xintoísta e um budista.
Não era uma profissional, claro, sempre há o que se aprender, mas orgulhava-se da cultura que absorvera nas viagens em família, viagens estas que não aconteceriam mais.
Afastou os pensamentos mórbidos com um chacoalhar abrupto de cabeça, concentrando-se no que estava na sua frente, algo que não sabia distinguir entre um templo, um palácio, um local de oração esquecido ou uma moradia luxuosa milenar abandonada e entregue ao tempo. Quem sabe pudesse ser, assim como o suntuoso Taj Mahal, um antigo mausoléu erguido em homenagem a um amor perdido. A idéia a fez arrepiar-se.
Os gritos de pavor, clemência e completo desespero, misturados a um rosnado gutural que fazia o chão tremer, fizeram-na acordar do estado imóvel e admirado. Olhou em volta e não enxergou a passagem por onde chegara até ali, também não achou prudente voltar por lá ou tentar embrenhar-se naquela mata desconhecida com criaturas gigantes e assassinos à moto.
Sinceramente, alguém botará um preço na sua cabeça e ela não sabia?
Um uivo profundo ecoou por toda a extensão daquele lugar e Tora fez o que sabia de melhor: não pensar duas vezes. Acendeu o farol baixo de sua moto e correu com ela para dentro da construção, tentando fazer o mínimo de barulho possível, mesmo sabendo que falharia miseravelmente, e torcendo para não encontrar lá dentro outros animais bizarramente gigantes.
Não estava mais preocupada com as motos atrás de si, mas com aquele cachorro-lobo-mutante-beelzebud-enorme que, a qualquer momento podia aparecer e muito inocentemente confundi-la com a maldita sobremesa.
Não precisava olhar para trás para saber que era uma presa fácil, afinal, a fraqueza que sentia e a dificuldade de enxergar já denunciavam que uma boa parte de sangue havia sido deixada para trás, fazendo um adorável rastro de: "Garota indefesa nesta direção, não perca a oportunidade de devora-la!".
Entrando no local, notou o tamanho do primeiro ambiene. Okay, esprava um espaço grande, mas não algo super-hiper-mega-size como a construção que parecia ter sido construída perfuramdo e se embrenhando no coração da montanha rochosa.
Grande o suficiente para aquele animal entrar sem grandes problemas. Se bem que ela entrara ali com uma moto, logo não podia falar nada sobre merda nenhuma.
Seguiu sem rumo pelo lugar, passando por corredores, entrando em salas que não davam para lugar nenhum, tudo o que Tora queria era uma saída dos fundos. Não tinha muita certeza, mas da última vez que checou, estava no limite da cidade, se seguisse sempre em frente a partir dali, provavelmente chegaria na cidade vizinha, encontraria atendimento médico e avisaria as autoridades ambientais de que o bichos papão existe e que esquecera sua cria mutante naquela mata.
Continuou correndo pelo local, as vezes sentia que estava sendo seguida, não mais por passos de cão, mas de um humano que apenas caminhava enquanto ela se esforçava para correr e carregar sua moto ao mesmo tempo. O chão rangia e o som dos passos em sua mente pareciam cada vez mais reais, até o chão estalar.
Não houve tempo de correr, pensar ou tentar se chão de madeira antigo, gasto pelo uso e pelo tempo, cedeu e engoliu a moto e Tora para dentro da escuridão.
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