When I Look At You
4 Estranho
Notas iniciais
YeBin P.O.V
Após sair da enfermaria com dois tufos de papel enfiados em minhas narinas, voltei para a quadra na companhia de TaeHyung.
Sempre que ele olhava pra mim, começava a rir. Com motivos, eu deveria estar parecendo um alienígena.
Nos sentamos na arquibancada e ficamos observando os outros alunos.
— Ta doendo? ~ Perguntou TaeHyung, tocando meu rosto com a ponta dos dedos.
— Um Pouco! ~ Não podia esconder, estava ficando envergonhada.
— Me desculpe. Não foi minha intenção! ~ Disse ele, logo sorrindo.
— Pois é! Você já disse. ~ Ri, o vendo ficar sem graça.
Ficamos algum tempo em silêncio, observando os outros garotos jogarem.
— Hm... Você não vai voltar a jogar? ~ Virei o rosto para observá-lo e ele apenas negou com a cabeça. ~ Por que não?
— Sei lá! Não tenho amizade com quase nenhum deles. Fica meio chato! ~ Ele disse rindo baixo.
— Ah... Entendi...
— E você? Já arranjou amigos? ~ Disse ele encarando-me.
— Não.
— Seremos amigos então! Certo? ~ Ele estendeu a mão.
— C-Certo! ~ Apertei a mão dele, sorrindo.
Voltamos a ver os garotos jogarem, até que o sinal tocou e voltamos para a sala.
Sentei ao lado de TaeHyung e voltamos a assistir as aulas, hora ou outra ele me cutucava para conversar. Que pentelho. Já estava vendo o professor expulsar-nos da sala, logo em meu primeiro dia. Aff.
— Como você fala, TaeHyung! ~ Ri baixo e comecei a guardar meu material.
Pude ver Jimin passar em frente a porta de minha sala, observando o interior. Curioso. Mostrei a língua e ele apenas rolou os olhos e voltou a andar.
— Você vai pra casa? ~ TaeHyung perguntou levantando-se.
Fiz como ele e me levantei, pendurando as alças de minha mochila em meus ombros.
— Vou sim, e você?
— Também vou! Aceita companhia? ~ Disse ele sorrindo
Não sei. Jimin iria me “levar” pra casa, pois meu pai está trabalhando e não sei voltar sozinha.
— Hoje não precisa... Meu pai... Vem me buscar até eu aprender o caminho! ~ Respondi, um pouco nervosa.
— Jura? Você não sabe o caminho da escola até em casa? ~ Perguntou rindo. Qual é a graça?
— É... Eu não sou daqui!
— Ah sim... Ta explicado. Nos vemos amanhã? ~ Perguntou ele, sorrindo.
— Sim, até amanhã!
Logo me afastei, ouvindo um “até” como resposta. Fui á procura de Jimin; pátio, quadra de esportes, nada. Já estava a ponto de desistir e ir sozinha, quando o encontrei no portão da saída com os amigos. Precisava arranjar uma maneira de chamar atenção dele; poderia pular enquanto acenava, ou então andar em círculos, em volta da roda de amigos, enquanto fazia gestos com as mãos. Nada disso foi necessário, ele olhou pra mim, e logo se afastou dos amigos.
Ele caminhou logo á frente, aproveitei para ir conhecendo a “cidade”, Jimin me apressava a cada vez que eu parava em frente a alguma loja.
Estava morrendo de fome quando passamos em frente á uma loja de sorvetes. Ai que vontade de tomar sorvete. Ai como queria estar com dinheiro para comprar um. Droga.
— Vamos logo... Caipira! ~ Disse ele, voltando-se pra mim.
— Mas... Eu queria um... Sorvete! ~ disse baixinho.
— O que? Vamos logo!
Fiz bico e o segui até em casa, hora ou outra, ele começava a me encarar. Eu hein. Garoto estranho.
Ao chegar em casa, subi para meu quarto e coloquei minha mochila sobre a cama, logo desci para almoçar.
Fui até a sala de jantar e Jimin já estava comendo. Gordo. Não podia esperar?
Peguei meu prato e comecei a me servir, logo me sentei á mesa.
— Hm... Jimin... E a senhora MiYeon... Onde está?
— Voando é que não esta! ~ Ele começou a rir sozinho da própria piadinha. Sério. Que piada enfadonha. Menino bobo.
Fiquei parada com a colher entre os lábios. Apenas o observando. Credo. Ele estava ao ponto de debulhar de tanto rir. Como pode?
— Brincadeira. Ui. ~ Disse ele se recompondo. ~ Ela está trabalhando. Curiosa.
— Hm...
— — -
A tarde foi realmente chata, minhas atividades se resumiram entre deitar e olhar o teto, e estudar. Que saco. Decidi dar uma volta no quarteirão e, aproveitar para tomar um ar fresco. Desci e não vi Jimin pelo caminho, rumei porta á fora e comecei a andar de um lado pro outro em frente á casa. Não tinha coragem de sair dali. As possibilidades de eu me perder eram muito altas, passavam dos 98%. Era melhor não arriscar. Meus planos de conhecer os arredores foram completamente submersos pelo medo de perder-me. Droga. Por que eu tenho que ser tão medrosa?
Ouvi chamarem meu nome desesperadamente, mas que porra?
Entrei em casa e percebi que era Jimin, o escandaloso.
— Você está louca? Aonde você foi caipira? O que pensa que estava fazendo? Comeu merda? ~ Mal botei os pés pra dentro e ele já me bombardeou com essas perguntas sem sentido.
— Não. Não te interessa. Vá se ferrar! ~ Rolei os olhos. ~ Por que quer saber?
— Por que se você sumisse, eles colocariam a culpa em mim!
— Hum... Sei... ~ Sentei-me no sofá e assim fiquei, assistindo televisão. Jimin roncava no outro sofá, parecia um porco.
— — -
Acordei na manhã seguinte, muito cansada, meu pai não poderia nos levar então tivemos de ir a pé. Como todo tempo em que estive com ele, ele foi grosso e ignorante o caminho todo.
— É só você virar a esquina, e no meio da quadra é a escola! ~ Disse Jimin, e logo apressou o passo.
Garoto imbecil. Fiz como ele havia dito, e virei a esquina, podendo ver a escola. Caminhei lentamente e adentrei a escola, já procurando por TaeHyung. Ainda não somos muito amigos, mas seria legal ter um amigo como ele.
Vi ele acenar, sentado em um banco, próximo á porta de acesso ás salas. Comecei a caminhar em direção á ele, mas fui interrompida por um par de patas empurrando-me. Porra. Como um belo bicho preguiça, sou dotada de um ótimo equilíbrio. Só que não. Fui ao chão, um belo encontro para falar a verdade. Também não.
Olhei para cima e vi uma garota estranha. A testa dela era tão grande. 1, 2, 3 testando. Não! Sou uma ótima piadista, já posso fazer Stand Up.
Garota imbecil, vou meter a porrada nela.
Levantei-me e fiquei em posição de ataque. Nossa. Aonde essa menina foi fabricada? Quanto fermento ela comeu?
— Saia da frente, garota brega! ~ Disse a garota, com sua cara de vômito. Continuei parada, quem ela pensa que é? Garota louca, nunca vi ela na vida. ~ Mandei sair. Está surda?
— Não vou sair. Não quero. Não to afim! ~ Disse e senti alguém puxar meus cabelos, por trás.
Tae levantou-se imediatamente e veio em minha direção, logo meus cabeços foram soltos.
— Só avisando, saia de perto do Jimin. Se não... Será pior! ~ Disse ela. Há. Coitada. Nossa... Que ridícula. Mal ela sabe que agora moro sob o mesmo teto que esse otário.
Ela se afastou junto a três armários, digo, três garotas que mais pareciam homens. Guarda costas, para falar a verdade.
Tae me encheu de perguntas, como: “Como você esta?”, “Como conheceu HyeMi?”, “O que é essa história do Jimin?”. Eu apenas respondi com um “Depois te explico” e seguimos para nossa sala.
Tae é um mau exemplo. Um péssimo exemplo, pra falar a verdade. Não parava de conversar comigo durante as aulas. Aproveitei para contar sobre Jimin. Contei sobre ir morar na casa de meu pai, contei como Jimin era grosso e imbecil. Também pedi segredo de confissão para ele, que apenas concordou. Ele quis saber o porquê de eu ter ido morar com meu pai. Senti um bolo formar-se em minha garganta e meus olhos marejarem, só de lembrar. Tae pareceu perceber e logo mudou de assunto, perguntando o que eu faria hoje. Como não faria nada, falei da minha vontade de tomar sorvete.
— Então vamos ali, na sorveteria na esquina da escola e eu compro sorvete para nós! ~ Disse ele sorrindo.
— Mas não posso demorar muito, Jimin vai brigar comigo.
— Certo. Vai ser rapidinho.
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