When I Look At You
5 Caipira
Notas iniciais
Jimin P.O.V
Ontem; enquanto voltávamos para casa, notei que YeBin ficou babando em frente a loja de sorvetes, e quando a apressei, ela disse querer um. Já havia gastado meu dinheiro no lanche; então não pude comprar, mas hoje não lanchei, então estava com dinheiro. Logo após o sinal bater, corri para a mesma sorveteria, poderia ter ido á sorveteria que tem na esquina da escola. Mas não, ela queria o sorvete DAQUELA sorveteria.
Comprei um dos melhores sorvetes, aposto que ela iria gostar. Voltei correndo para a escola, se não, ela iria achar que a abandonei. Não seria má idéia fazer isso qualquer dia desses. Jimin malévolo.
Me arrependi amargamente de ter comprado essa porcaria de sorvete. Ao chegar na frente da escola, vi YeBin conversando com aquele punk de antes, enquanto terminava de tomar um sorvete. Fiquei com fome a manhã inteira, quase tive um infarto de tanto correr, tudo isso pra nada?
Logo ela me olhou e sorriu, despedindo-se do garoto. Ela caminhou lentamente em minha direção, sorrindo fraco. Cínica. Que raiva!
Caminhamos em silêncio, e ao virarmos a esquina ela me olhou, ainda sorrindo.
— Por que não tocou no seu sorvete ainda? É pra mim? ~ Disse ela, com um bigodinho de morango no buço. Criança tola.
— Quê? Lógico que não! ~ Dei uma lambida no sorvete.
— Fala sério!
— Já disse que não! Porra... ~ Gritei irritado e comecei a caminhar apressado.
— Ah... Mas parece tão gostoso... Me dá um pouquinho? ~ Gulosa. Caipira morta de fome.
— N.Ã.O! ~ Ela consegue tirar-me do sério.
— Gordo!
— — -
A tarde de hoje não foi diferente das demais, cheguei em casa e almocei. Subi para o meu quarto, onde fiquei jogando meus vídeo games.
Resolvi que a noite faria algo de diferente, então separei uma roupa. Uma roupa realmente bonita. Acho que calças de couro me deixam ainda mais gostoso, deixam-me com cada coxão. Peguei minha toalha e meu celular, então liguei para meus amigos. Nenhum deles podia sair comigo, nem mesmo Kook. Vacilão morre cedo. Agora que estava decidido a fazer algo.
Peguei minhas roupas e minha toalha e saí no corredor, a caipira caminhava descontraída de volta ao quarto. Acho que não vou ficar sozinho esta noite.
— Pare aí mesmo, caipira! ~ Falei alto, assustando-a. Boba de mais.
— Não fiz nada! ~ Ela se auto defendeu. Será que ela aprontou algo?
— Arrume-se! Daqui a uma hora iremos sair! ~ Ordenei.
— Meu pai já chegou? Para onde ele vai nos levar? ~ Disse ela, virando-se para mim.
— Quê? Não. Você vai sair comigo! Se apresse.
— Há. Conta outra. ~ Disse ela entrando no quarto e fechando a porta.
— Uma hora... Nem mais um minuto! ~ Falei alto e logo fui para o banho.
— — -
Exatamente uma hora depois, lá estava eu, batendo na porta do quarto dessa caipira insolente.
— Vamos logo, você está atrasada! ~ Gritei batendo na porta. Nenhum sinal, será que ela morreu? ~ Vamos logo caipira. Estou ficando sem paciência! ~ Disse tentando abrir a porta, que por sorte, estava destrancada.
E se eu entrasse e ela estivesse pelada, ou então trocando de roupa? Não... Se fosse apenas isso, ela teria me respondido. Balancei a cabeça, tentando livrar-me dos pensamentos, e entrei no quarto.
Não. Não acredito. A caipira ainda estava com a mesma roupa velha de antes, jogada na cama.
— Caipira... ~ Falei a cutucando. ~ Feiosa... ~ Ela não se mexia.
Coloquei meus dedos em seu pulso, para verificar a pulsação.
— Búú! ~ Gritou ela, em um pulo, fazendo meu coração disparar. Ridícula. Retardada. Minha vontade foi de socá-la. Com o susto, dei um “pulo” para trás. ~ Se assustou? ~ Perguntou ela, rindo.
Ha ha ha... Quanta graça. To morrendo de rir.
— Posso saber por que ainda não está pronta? ~ Perguntei sério, cruzando os braços.
— Poder até pode!
— Então... Comece a se explicar.
— Não estou pronta, por que não estou nem um pouco a fim de sair hoje á noite. Muito menos pra fazer companhia pra você.
— Eu não pedi pra que fosse comigo. Eu mandei! ~ Falei irritado.
— E eu não me importo!
Abusada. Não acredito que levei um fora dessa caipira, não que eu realmente quisesse sair com ela. Mas também não queria sair sozinho.
— Você tem dez minutos para se arrumar! ~ Informei e saí do quarto.
Não demorou muito e logo a caipira saiu, vestida em um jeans velho e desgastado, um tênis comum e uma blusinha surrada. Vergonha alheia. Isso é tudo o que senti. Não creio que ela realmente iria sair assim. Ela só podia estar brincando.
— Pronto. Satisfeito? Vamos logo. ~ Disse ela passando por mim. Segurei seu pulso, fazendo-a parar.
— Não... Nem um pouco... Está feio assim... Vá se trocar! ~ Disse baixo.
— Mas que merda! Eu já estou pronta! Não vou mudar de roupa!
— Por favor! Está muito feio! Vão rir de você... E de mim! ~ Terminei a frase em um tom mais baixo do que eu gostaria.
— Ah... Claro... Você está preocupado em rirem de você! Aff! ~ Pude vê-la rolar os olhos e entrar novamente no quarto.
5, 10 minutos... Nada. Já estava impaciente, quando pude ouví-la.
— Chega... Desisto... Ou eu vou assim, ou não vou! ~ Gritou ela.
— Se apresse e escolha qualquer coisa menos feia que isso! ~ Disse e continuei esperando.
Sim, eu ainda tinha esperanças de que a caipira tivesse algo decente no armário. Bati três vezes na porta, já impaciente. Daqui a pouco nossos pais chegam e ela ainda está no quarto. Logo a porta se abriu, e de lá, saiu uma caipira ridiculamente linda. Não. Devia ser minha mente criando ilusões. Ela trajava um casaquinho de lã marrom, em conjunto á uma botinha, que já estava bem... Velhinha. Fiquei observando-a por longos segundos.
— Ei... Fedelho... Está melhor assim? ~ Perguntou ela, empurrando meus ombros. É uma ogra.
— Não digo melhor, mas não está tão feio! ~ Respondi indiferente.
Comecei a caminhar e pude ouvir seus passos pesados a me seguir, logo, já estávamos fora de casa. Ela me seguia silenciosamente, será que não estava nem um pouco curiosa em saber onde o grande Jimin a levaria? Não. Acho que ela só está tímida.
Já que essa caipira só conhecia o sertão, resolvi mostrar uma Seul panorâmica, a qual ela desconhecia.
No caminho, alguns garotos ficavam olhando-a e cochichavam entre si. Babacas. Não gostei nada disso. Que porra de sentimento é esse?
— Que prédio grande! ~ Disse ela admirada, assim que bateu os olhos na grande torre Namsan.
— Não é prédio, é uma torre. Idiota! ~ Como ela podia ser tão ignorante?
— Ah ta... Desculpe... ~ Disse ela, sem graça.
Por dentro eu estava rindo, mas mantive expressões sérias. Puxei-a pelo pulso para dentro da torre. Ela estava curiosa, sei que estava.
Descemos do elevador e a levei até o observatório. Ao deparar-se com a altitude; ela deu alguns passos para trás, fiquei sem entender, apenas observando.
— Podemos descer? Aqui é muito alto! ~ Choramingou ela.
Sério? Vai dar showzinho aqui em cima? Na frente de todo mundo?
Tinha que ser caipira.
— Caipira... Pare de graça... Venha ver... É lindo! ~ Falei baixo. Já estava ficando envergonhado.
— Não quero. Eu to com medo! Não... ~ Disse ela, afastando-se cada vez mais.
Deus me ajude. O que eu faço com essa caipira?
— Pare com esse showzinho e venha ver! ~ A puxei pelo braço, até as grades de proteção.
Ela tentou relutar, mas a segurei firme ao meu lado. Virei o rosto para encará-la, seus olhos brilhavam vidrados nas luzes da cidade.
— Sim... Realmente, muito lindo! ~ Disse ela, encantada.
Não consegui desviar meus olhos, tudo o que consegui fazer, foi sorrir ao vê-la sorrir.
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