Notas iniciais
Às vezes não notamos algumas coisas, deixamos que elas simplesmente passem... Às vezes somos fúteis demais, esnobes demais... Realmente estamos vendo além do olhar?

O DJ parecia ter colocado o volume no máximo. As pessoas dançavam de forma estranha, interagindo umas com as outras, enquanto eu apenas observava. Entre o bum e os bits, as batidas, os claps, os corpos dançantes e inquietos, encostando-se de forma obscena ou não, eu o vi.

Talvez se não estivesse tão entediada eu não o teria notado na multidão. Mas o que realmente me fez olhar para ele foi o seu jeito discreto e tímido, agindo como se quisesse fugir daquele barulho de música eletrônica e trancar-se no seu quarto, onde estaria em seu próprio mundo, fazendo o que quisesse, ouvindo o que te fizesse feliz ou triste. Ele cujos cabelos pareciam perder-se na confusão de luzes, holofotes e apagões, caminhava encostado as paredes, tentando não ser notado. Mas não havia quem não chegasse aos meus olhos de um jeito ou de outro.

Então, indo contra todo que eu poderia presenciar naquele ambiente superlotado e quente, onde as pessoas pareciam dançar e beber como se fosse seu último dia, ele me olhou. Não foi um simples olhar que acontece por acaso quando se mexe a cabeça de um lado para o outro. Ele estava mesmo me encarando, olhando-me como ninguém nunca fez em todo tempo que estive ali. E eu já estava há muito tempo.

O desconhecido caminhou na multidão, vindo até mim. Esbarrava contra mulheres e homens sem desviar o olhar uma única vez, chegando cada segundo mais perto. Até que então estava a menos de um passo de mim, bem ali na minha frente.

Permaneço intocável.

Mesmo tão próximo, era inútil tentar uma aproximação. Enquanto todos estavam lá fora, embriagados e perdendo o controle de suas vidas, eu estava ali dentro daquela caixa de vidro. Isolada no meio da multidão. Intocável.

O rapaz de cabelos negros tocou o vidro e sorrio para mim e eu retribuí, levando a minha mão até a sua, sentindo-se impotente por não poder tocá-lo, mas feliz por ter a certeza de que ainda havia pessoas lá fora que podia me notar... Era uma fagulha de esperança num mundo tão superficial, onde eu não era mais que uma partícula de poeira no vento.

Notas finais
Digam o que acharam! Bjs Estava ouvindo The Chainsmokers, fiquei um tanto inspirado demais...