Whatever
6 As Memórias de Carrie Hudson
Notas iniciais
Às vezes me pego pensando no Leon.
Como seria nossa vida se não o tivesse matado? O que estaríamos fazendo? Onde estaríamos vivendo? Será que seríamos felizes? Será que ele mudaria?
São tantas perguntas e tantos serás! O que teria de fato acontecido?
Quando me deito todas as noites antes de dormir o vejo, tão plácido quanto nunca foi. Ele sorri, parece estar sempre feliz, ou eu apenas desejo que esteja. E como antes, os seus olhos são o que mais me atraem. Aqueles lindos e brilhantes olhos verdes, que vasculhavam o meu corpo nos momentos mais íntimos, quando eu ainda era sua refém.
Eu sempre me pergunto como e por que eu teria me apaixonado por ele. Mesmo depois de tanto sofrimento, eu o amei. O amei mais que tudo nessa vida e por isso nunca deixei de pensar nele um dia sequer. Então, passaram-se anos e eu continuo a visitar o seu túmulo, continuo a levar-lhe flores que murcham e secam naquele lugar no meio da floresta, onde o vento se encarrega de levar as pétalas para bem longe, como se ele mesmo fugisse daquele santuário macabro, onde tantas vidas foram cessadas.
E o que me machuca em todas essas visitas é a terrível e inconsciente lembrança que tenho sempre que olho para o lugar onde o enterrei.
Eu o matei!, digo dentro de mim.
Mas ele disse faça!, respondo tentando em vão um conforto que nunca terei.
Porém, independentemente de quantas vezes ainda me restam para visitar-lhe antes de minha morte, sempre me culparei pela sua, pois eu jamais poderia tê-lo ouvido.
Não lhe dei um voto de confiança, mesmo depois dele ter salvado a minha vida.
Leon me poupou. Ele me estendeu de bandeja uma segunda chance e abdicou a sua própria. O mínimo que me restava a fazer era dar-lhe esperança. Ao invés disto fui fraca e a angústia do último ato da trágica história da minha vida, estará para sempre pulsando ao mesmo tempo que meu coração, até que o beijo da morte os pare.
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