Na manhã seguinte, Peter estava morto. Jake achou seu corpo em uma minúscula dispensa mal iluminada.

–O que ele estava fazendo aqui? – perguntei.

–Que diferença isso faz? Nós temos que sair logo daqui. Alguém matou ele, e esse alguém com certeza ainda está aqui.

Era estranho pensar que um de nós fosse o culpado por isso, mas Jake tinha razão.

–Já tentei arrumar o carro. – Josh balançou a cabeça. – Não sei mais o que fazer.

Kevin olhou para o chão.

–Nenhum táxi vem até aqui. – falou. – e os únicos com carro são meus pais, mas não sei quando voltam, não consegui falar com eles.

Ele mordeu o lábio.

–desculpa.

–Não é culpa sua. – Lucy botou a mão no ombro de Kevin. – Tudo bem, você nos convidou, mas fomos nós quem aceitamos.

Olhei novamente para o corpo de Peter. Seus olhos estavam fixos em um ponto qualquer e sua pele estava gelada. Se não fosse por isso, era fácil dizer que ele estava vivo e continuava o mesmo. Seu corpo estava inteiro e não se via sangue algum, fazendo-me questionar sobre a causa de sua morte.

Reparei que Jake observava o bolso da calça de Peter, então ele se agachou e tirou um pedaço de papel daquele bolso.

–O que é isso? – Lucy perguntou.

Ele abriu o papel e depois de ler entregou para Lucy, que arregalou os olhos. Então passou para mim.

Pisquei algumas vezes para ter certeza de que tinha entendido direito.

“Qual seu medo? Você é o próximo!”

–Donna foi embora. – disse Kevin entrando na sala. – Ela deixou esse bilhete em seu quarto.

Josh se inclinou sobre a mesa de centro para ler o papel que Kevin acabara de jogar.

Ainda não sabia dizer o porquê de seu sorriso ser tão familiar e, devo admitir, ele era a pessoa que mais me deixava desconfiada.

Levantei e fui até a cozinha, precisava ficar um pouco sozinha para poder pensar.

Peguei algumas coisas na geladeira e sentei em uma das cadeiras.

Kevin entrou na cozinha e sentou ao meu lado.

–A gente precisa conversar. Eu sei que você leu aquele diário no meu quarto. – olhei para xícara que eu segurava. – Imagino que você tenha perguntas sobre aquilo e estou disposto a responder. – ele olhou para a porta que dava para a sala. – mas agora não é uma boa hora. Encontre-me no meu quarto à noite.

Olhei para ele meio em dúvida, mas concordei.

–Mais uma coisa. – ele coçou a nuca. – sei que não seria certo falar isso com você, mas estou preocupado com tudo isso. – olhando nos meus olhos perguntou. – Você acha que Lucy seria capaz disso?

Olhei para ele confusa. O que ele queria dizer? Então entendi.

–O quê? Lucy não seria capaz nem de matar uma mosca.

–Não duvido disso, mas é que ela seria a última pessoa da qual desconfiariam. – ele caminhou até a porta, mas, antes de sair, disse: – Pense nisso.

Esperei no quarto até que todos dormissem, mas, quando percebi que não pegariam no sono muito rápido, dei a desculpa de que iria sair para pegar um ar.

Comecei a pensar no que Kevin havia dito enquanto fazia o caminho até seu quarto. Eu não confiava nele, sabia disso, mas precisava ouvir o que ele tinha a dizer. Lembrei-me de sua desconfiança sobre Lucy e um arrepio atravessou meu corpo. Conhecia-a desde pequena. Ela sempre foi muito doce e sensível, nunca seria capaz de machucar alguém.

Parei em frente à porta e bati. Ninguém respondeu. Bati de novo e a porta se abriu. Não conseguia ver nada então acendi a luz. Soltei um grito assim que vi kevin atirado na cama. Seu pescoço fora cortado e sua camisa estava vermelha com o sangue.

Naquele momento, me senti culpada por ter desconfiado dele.

Algum de nós quatro era o assassino.

Mas quem?

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Notas finais
Comentem!!