What is your fear?
5 Capítulo 5
Levei a mão ao bolso em que estavam os bilhetes que encontramos no corpo de Peter e o que encontramos na noite anterior no de Kevin. Os dois traziam a mesma mensagem.
–Hey! – olhei para ele. – Não se preocupe. Nós vamos sair logo daqui. – forcei um sorriso e Jake me abraçou.
Estávamos sentados lado a lado no sofá da sala. Josh saíra para tentar mais uma vez fazer o carro ligar. Lucy foi junto.
–E se Josh não conseguir consertar o carro?
Ele deu de ombros.
–Tentamos usar o telefone mais cedo, mas está mudo. – ele coçou a nuca. – Os celulares não pegam e não há nada aqui em volta. Não sei se há outro jeito de sairmos daqui senão com o carro.
Estávamos no meio do nada numa casa extremamente assustadora em que, de tempos em tempos, alguém morria. Não sabíamos quem era o assassino ou o significado dos bilhetes. Donna havia sumido. Kevin estava morto. E seus pais? Deus sabe lá quando iam voltar.
–E se não conseguirmos sair daqui? – olhei em seus olhos. – E se morrermos aqui?
Ele acariciou meu rosto.
–Nós vamos ficar bem, ok?
E eu teria acreditado nisso, pelo menos por um segundo, se não fosse pelo jeito que Lucy entrou na sala.
–Vocês precisam ver isso. – e saiu.
Levantamos e fomos rapidamente até o lado de fora. Lucy estava agachada em frente ao lago, chorando. O corpo de Josh boiava na água, já sem vida.
Perdi o ar e caí no chão.
–Como? – perguntou Jake. Sua voz estava fraca.
Lucy balançou a cabeça.
–Ele me pediu para buscar uma caixa lá atrás. – falou apontando para uma pequena construção atrás da casa. – Quando voltei, o encontrei aí. – ela soluçava.
Jake segurou a cabeça com as mãos e se agachou. Só quando ouvi a voz de Lucy é que notei que ele havia levantado e começado a correr até o lago.
–Jake! Para! – corri atrás dele e segurei seus braços, mas ele se soltou. – Por favor! – implorei e só então ele olhou para mim. – Por favor, não vá. – uma lágrima escorreu por meu rosto. – Não posso perder você. – falei tão baixo que não sabia se ele tinha ouvido, mas veio até mim e me abraçou.
–Você não vai me perder. – Cochichou em meu ouvido. – Eu prometo.
Queria ficar em seus braços, mas uma coisa chamou minha atenção. Afastei- me dele e caminhei até o lago. Um papel boiava na beira. A tinta estava borrada por causa da água, mas ainda dava para ler.
“Qual seu medo? Você é o próximo!”
Permanecemos o dia no quarto, em silêncio. Lucy havia pegado no sono e eu fiquei o tempo todo olhando pela janela. Ouvi quando Jake saiu, então fui atrás dele.
–Aonde você vai? – perguntei já no corredor.
–Vou buscar um copo de água.
Olhei para Lucy. Ela parecia tranquila. As lágrimas haviam secado em suas bochechas e sua mão estava repousada sobre o peito que subia e descia a cada respiração.
–Vou com você. – falei fechando a porta.
Permanecemos em silêncio por alguns segundos até ele falar.
–Temos que achar outro jeito de sair daqui.
–Podemos sair andando em alguma direção. Deve haver pelo menos uma coisa aqui por perto.
Ele deu de ombros.
–É, talvez.
Jake pegou um copo e o encheu com água. Voltamos o resto do caminho em silêncio. Quando chegamos ao quarto, meu coração parou. A porta estava aberta e Lucy não estava mais lá. Alguns quartos adiante, uma porta batia com o vento. Jake foi até ela e eu o segui. Seu corpo enrijeceu.
–Não venha aqui. – ele disse bloqueando minha passagem. Senti meu coração acelerar.
–Eu preciso ver. – falei. Lágrimas começaram a escorrer por meu rosto. Ele me deu passagem. Caí no chão, já não conseguia me manter em pé. – Não! – gritei.
Lucy estava sentada num canto do quarto. Não parecia ela. Seu rosto estava todo deformado. Mas eu seria capaz de reconhecê-la em qualquer lugar. Uma boneca sem olhos estava sentada em seu colo. Um sorriso malicioso em seus lábios. A mesma frase que havia nos outros bilhetes estava escrita com sangue na parede.
–Não. – gritei mais alto. Minha visão estava embaçada. Jake me abraçou forte e ficou na minha frente, de um jeito que eu não conseguia enxergar Lucy.
Comecei a tremer. Passei tanto tempo preocupado com tudo isso que não fui capaz de perceber que nenhum de nós seria capaz de matar todas essas pessoas. Alguém mais estava na casa com a gente esse tempo todo.
Depois de um tempo, as lágrimas pararam e consegui me acalmar. Então várias coisas voltaram de uma vez só à minha mente.
–Meu deus! – falei. – Como não me lembrei disso antes? – segurei Jake pelo braço. – Vem comigo!
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