Notas iniciais
Demorou, mas eu trouxe uma capítulo novo e bem grandinho ^-^ Desculpe não ter colocado a Marcy ou a Bubbs neste capítulo, mas estou trabalhando com elas no próximo ;)

Lumpy estava em um lugar lindo. A grama era cheirosa e a brisa cantava em seus ouvidos. Sentou no chão sem se preocupar em sujar seu vestido claro, ela queria poder observar as formigas chegando com migalhas de um piquenique. Olhou a sua volta e não viu ninguém. Decidiu então procurar no começo da trila das pequenas. Ela estava com fome.

Seguindo reto, fazendo curvas, ao redor de árvores, atrás de montanhas, ela continuava caminhando, e o apetite só fazia aumentar. Ela parou para descansar e as formigas continuavam para sempre. Caroço ouviu o som de uma risada e percebeu que estava perto. Seguiu a voz e viu um rapaz azulado, flutuando sobre uma toalha xadrez e dando pequenos pedaços do seu sanduíche para as formigas que faziam fila. Seu coração vibrou ao perceber quem era.

– Johnnie!

Ele se virou e viu a princesa voando pêra ele. Os olhos deles brilhavam e as palavras faltavam naquele momento. O garoto segurou em sua mão roxa e tomou coragem para dizer o que a tanto tempo guardava para si.

– Eu estou morrendo de fome – Lumpy exclamou antes que ele pudesse falar qualquer coisa.

– Eu tenho uma cesta cheia de lanches.

Caroço se serviu enquanto Johnnie continuava a repartir seu pão com as pequeninas. Ela não parou até que toda a comida acabasse.

– Isso me faz lembrar dos sanduíches que papai fazia quando eu morava com ele. Era a única coisa boa de lá.

– Queria ter visto a sua coroação.

– Eu ainda não fui coroada – explicou a princesa, penteando o cabelo com os dedos rechonchudos – Eu não voltei para casa.

– Ah. Por quê?

– Eu tenho aprendido tanto em Ooo, coisas que nunca teria aprendido com os encaroçados – Seu sorriso murchou – Brad quer que eu volte logo.

– Brad? Ah sim, aquele bobalhão engomadinho que se acha o rei de Lumpy Space – E ria-se.

– Ele vai ser rei em breve – A risada cessou – Quando eu voltar, vou me casar com ele e ele será rei. Um bom rei.

– Você não pode! Você não sabe! – Johnnie pareceu desesperado.

– Ele está mais do que preparado para o duelo, e papai não deixaria sua coroa para mais ninguém. Eu sei que Brad pode ser um grande governante se aprender um pouco do que eu aprendi.

– NÃO! – O azulado gritou, se levantando e assustando a garota – Você não pode se casar com ele! Ele não te ama! Ele só quer a coroa!

– Você não o conhece – Lumpy retrucou, levantando-se também – Ele tem muitas coisas boas dentro de si, ele só precisa ( )

– Ele nem ao menos consegue voar! {*}

Com este último grito, Caroço percebeu que talvez Johnnie tivesse razão. Brad não tinha sentimentos bons que pudessem o fazer voar. Ela se encolheu no chão.

– Me desculpe – pediu o rapaz, baixando-se para poder olhar em seus olhos.

– Tudo bem.

Eles permaneceram lá durante toda a tarde, calados. As formigas haviam ido embora. O Sol se pôs e as nuvens escuras anunciavam a chegada da chuva.

– Venha para a minha casa, você não pode ficar aqui sozinha.

Ela o ajudou a recolher as coisas e voaram rápido antes que se molhassem. A água batia nas janelas. Lumpy estava sentada numa poltrona confortável quando Johnnie chegou com o chá.

– Você realmente vive bem aqui. Falando nisso, que lugar é “aqui”?

– Ahnn... Eu também não sei. Estou preso neste lugar desde a última vez que eu te vi {**}.

– Como assim preso?

– Não importa o quão longe eu vá, estou sempre andando em círculos.

– Você está sozinho?

– Tecnicamente não. As outras pessoas vivem na cidade. Eu vou lá de vez em quando, mas prefiro ficar aqui. Não tenho mais você para me ensinar a ser confiante.

– Você não precisa de mim para te dizer o que fazer ou o que sentir. Você é um grande homem, deveria saber disso.

Lumpy parecia sempre saber o que dizer. A chuva havia cessado e a Lua brilhava no céu limpo. A princesa havia se acomodado no quarto sobressalente e assistia as estrelas, sentada no parapeito da janela. O amigo havia improvisado um pijama par ela com uma camiseta velha. E então Johnnie entrou no quarto, tentando não fazer barulho, mas sendo rapidamente notado.

– Desculpe, achei que estivesse dormindo.

– Entrando no quarto de uma senhorita desprotegida durante a noite? O que pretendia fazer? – O rapaz corou violentamente – Há há há, bobinho. Vem, senta aqui.

O azul foi até ela, que deitou a cabeça no ombro de Johnnie. Suas respirações estavam sincronizadas, coisas que ela nunca conseguia fazer com Brad {***} Lembrando-se dele, percebeu que se o companheiro estava preso naquele lugar há tanto tempo, ela também estava. Caroço ergueu a cabeça e olhou para o sorriso do amigo, prestes a chorar. A princesa estava engasgada em sua própria voz. Abraçou o rapaz e deixou que as lágrimas escorressem, com medo de nunca mais voltar para casa.

Johnnie a abraçava forte e esperou a garota se acalmar. A pegou no colo e a deitou na cama. Deitou-se ao seu lado e cobriu ambos, acomodando a roxa em seu travesseiro.

– Eu estou com medo.

– Não precisa. Eu estou com você. Eu te amo.

Ela fechou os olhos e permitiu que o rapaz usa-se sue corpo naquela noite.

O Sol invadia a janela sem cortinas e acordou os enamorados. Seus sonhos haviam sido bons. Não havia mais medo durante aquela manhã. Eles entrelaçaram seus corpos e se aqueceram. O galo cantava no quintal e eles levantaram. Lumpy sorria sem preocupação alguma no seu peito. Ela sorria e se sentia completa como nunca antes. Johnnie não parecia estar na mesma sintonia.

– Desculpe.

– Pelo quê?

– Isso foi um erro – O brilho de Caroço sumiu num instante.

– Eu não entendo...

– Eu achei que te amava, mas eu não amo. Na verdade eu te odeio.

Ele saiu da cama e deixou o quarto. Uma rachadura nasceu no rosto da princesa e desceu pelo pescoço, tronco e pernas, abrindo a cama, o piso, as paredes e o teto. A casa desmoronou em sua cabeça e tudo caiu no grande buraco escuro infinito. Lumpy gritou.

– Acorde! Acorde! – Ela ouviu a voz de Brad e abriu os olhos.

– O que aconteceu?

– Você teve um pesadelo.

Ela olhou em volta. Estava em sua cama, em seu próprio quarto. As paredes estavam em pé e Ooo brilhava pela janela. Brad estava sentado ao seu lado, a observando com seus olhos cansados.

– Está tudo bem?

– Sim, tudo bem. Foi apenas um sonho ruim.

– Ótimo – Caroço não acreditou que houvesse sinceridade naquela palavra.

Enquanto a princesa tomava banho, o verde preparou panquecas. Expulsou esquilos e espremeu laranjas. A garota apareceu e eles dividiram a mesa. Enquanto ela lavava a louça, Brad lia poemas na sala. Se despediram, deixando um sentimento de incerteza pelo caminho.

Notas finais
Eu estou preparando um "presentinho" para este capítulo, mas ele ainda não está pronto. Ficam algumas informações para contextualizar ~* {*} Segundo Natasha Allegri, "he can't levitate like other Lumpy Space People because of emotional baggage" {**} No capítulo 49 da quinta temporada - único episódio em que ele aparece - Caroço envia Johnnie para uma dimensão paralela sem querer. {***} Uma mini fanfic que eu escrevi no Polyvore (pode conter spoliers) (spoilers relacionados ao futuro dessa fanfic, não ao da série original) http://www.polyvore.com/lumpy_space_royalty/set?id=146344418&lid=4096201