What is Love?
6 Six
Notas iniciais
Lumpy estava em um lugar lindo. A grama era cheirosa e a brisa cantava em seus ouvidos. Sentou no chão sem se preocupar em sujar seu vestido claro, ela queria poder observar as formigas chegando com migalhas de um piquenique. Olhou a sua volta e não viu ninguém. Decidiu então procurar no começo da trila das pequenas. Ela estava com fome.
Seguindo reto, fazendo curvas, ao redor de árvores, atrás de montanhas, ela continuava caminhando, e o apetite só fazia aumentar. Ela parou para descansar e as formigas continuavam para sempre. Caroço ouviu o som de uma risada e percebeu que estava perto. Seguiu a voz e viu um rapaz azulado, flutuando sobre uma toalha xadrez e dando pequenos pedaços do seu sanduíche para as formigas que faziam fila. Seu coração vibrou ao perceber quem era.
– Johnnie!
Ele se virou e viu a princesa voando pêra ele. Os olhos deles brilhavam e as palavras faltavam naquele momento. O garoto segurou em sua mão roxa e tomou coragem para dizer o que a tanto tempo guardava para si.
– Eu estou morrendo de fome – Lumpy exclamou antes que ele pudesse falar qualquer coisa.
– Eu tenho uma cesta cheia de lanches.
Caroço se serviu enquanto Johnnie continuava a repartir seu pão com as pequeninas. Ela não parou até que toda a comida acabasse.
– Isso me faz lembrar dos sanduíches que papai fazia quando eu morava com ele. Era a única coisa boa de lá.
– Queria ter visto a sua coroação.
– Eu ainda não fui coroada – explicou a princesa, penteando o cabelo com os dedos rechonchudos – Eu não voltei para casa.
– Ah. Por quê?
– Eu tenho aprendido tanto em Ooo, coisas que nunca teria aprendido com os encaroçados – Seu sorriso murchou – Brad quer que eu volte logo.
– Brad? Ah sim, aquele bobalhão engomadinho que se acha o rei de Lumpy Space – E ria-se.
– Ele vai ser rei em breve – A risada cessou – Quando eu voltar, vou me casar com ele e ele será rei. Um bom rei.
– Você não pode! Você não sabe! – Johnnie pareceu desesperado.
– Ele está mais do que preparado para o duelo, e papai não deixaria sua coroa para mais ninguém. Eu sei que Brad pode ser um grande governante se aprender um pouco do que eu aprendi.
– NÃO! – O azulado gritou, se levantando e assustando a garota – Você não pode se casar com ele! Ele não te ama! Ele só quer a coroa!
– Você não o conhece – Lumpy retrucou, levantando-se também – Ele tem muitas coisas boas dentro de si, ele só precisa ( )
– Ele nem ao menos consegue voar! {*}
Com este último grito, Caroço percebeu que talvez Johnnie tivesse razão. Brad não tinha sentimentos bons que pudessem o fazer voar. Ela se encolheu no chão.
– Me desculpe – pediu o rapaz, baixando-se para poder olhar em seus olhos.
– Tudo bem.
Eles permaneceram lá durante toda a tarde, calados. As formigas haviam ido embora. O Sol se pôs e as nuvens escuras anunciavam a chegada da chuva.
– Venha para a minha casa, você não pode ficar aqui sozinha.
Ela o ajudou a recolher as coisas e voaram rápido antes que se molhassem. A água batia nas janelas. Lumpy estava sentada numa poltrona confortável quando Johnnie chegou com o chá.
– Você realmente vive bem aqui. Falando nisso, que lugar é “aqui”?
– Ahnn... Eu também não sei. Estou preso neste lugar desde a última vez que eu te vi {**}.
– Como assim preso?
– Não importa o quão longe eu vá, estou sempre andando em círculos.
– Você está sozinho?
– Tecnicamente não. As outras pessoas vivem na cidade. Eu vou lá de vez em quando, mas prefiro ficar aqui. Não tenho mais você para me ensinar a ser confiante.
– Você não precisa de mim para te dizer o que fazer ou o que sentir. Você é um grande homem, deveria saber disso.
Lumpy parecia sempre saber o que dizer. A chuva havia cessado e a Lua brilhava no céu limpo. A princesa havia se acomodado no quarto sobressalente e assistia as estrelas, sentada no parapeito da janela. O amigo havia improvisado um pijama par ela com uma camiseta velha. E então Johnnie entrou no quarto, tentando não fazer barulho, mas sendo rapidamente notado.
– Desculpe, achei que estivesse dormindo.
– Entrando no quarto de uma senhorita desprotegida durante a noite? O que pretendia fazer? – O rapaz corou violentamente – Há há há, bobinho. Vem, senta aqui.
O azul foi até ela, que deitou a cabeça no ombro de Johnnie. Suas respirações estavam sincronizadas, coisas que ela nunca conseguia fazer com Brad {***} Lembrando-se dele, percebeu que se o companheiro estava preso naquele lugar há tanto tempo, ela também estava. Caroço ergueu a cabeça e olhou para o sorriso do amigo, prestes a chorar. A princesa estava engasgada em sua própria voz. Abraçou o rapaz e deixou que as lágrimas escorressem, com medo de nunca mais voltar para casa.
Johnnie a abraçava forte e esperou a garota se acalmar. A pegou no colo e a deitou na cama. Deitou-se ao seu lado e cobriu ambos, acomodando a roxa em seu travesseiro.
– Eu estou com medo.
– Não precisa. Eu estou com você. Eu te amo.
Ela fechou os olhos e permitiu que o rapaz usa-se sue corpo naquela noite.
O Sol invadia a janela sem cortinas e acordou os enamorados. Seus sonhos haviam sido bons. Não havia mais medo durante aquela manhã. Eles entrelaçaram seus corpos e se aqueceram. O galo cantava no quintal e eles levantaram. Lumpy sorria sem preocupação alguma no seu peito. Ela sorria e se sentia completa como nunca antes. Johnnie não parecia estar na mesma sintonia.
– Desculpe.
– Pelo quê?
– Isso foi um erro – O brilho de Caroço sumiu num instante.
– Eu não entendo...
– Eu achei que te amava, mas eu não amo. Na verdade eu te odeio.
Ele saiu da cama e deixou o quarto. Uma rachadura nasceu no rosto da princesa e desceu pelo pescoço, tronco e pernas, abrindo a cama, o piso, as paredes e o teto. A casa desmoronou em sua cabeça e tudo caiu no grande buraco escuro infinito. Lumpy gritou.
– Acorde! Acorde! – Ela ouviu a voz de Brad e abriu os olhos.
– O que aconteceu?
– Você teve um pesadelo.
Ela olhou em volta. Estava em sua cama, em seu próprio quarto. As paredes estavam em pé e Ooo brilhava pela janela. Brad estava sentado ao seu lado, a observando com seus olhos cansados.
– Está tudo bem?
– Sim, tudo bem. Foi apenas um sonho ruim.
– Ótimo – Caroço não acreditou que houvesse sinceridade naquela palavra.
Enquanto a princesa tomava banho, o verde preparou panquecas. Expulsou esquilos e espremeu laranjas. A garota apareceu e eles dividiram a mesa. Enquanto ela lavava a louça, Brad lia poemas na sala. Se despediram, deixando um sentimento de incerteza pelo caminho.
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