What if?

3 Do you remember?


Notas iniciais
And we are back! Depois do gatilho enorme com jeller no episódio de hoje (5x05) achei que seria bom continuarmos com os corações quentinhos... Música do capítulo: https://youtu.be/QQ7XJG0Z2ho Playlist completa da história, já na ordem dos capítulos: https://open.spotify.com/playlist/7dD4sxl82HbG94FR6yzY65?si=8GIPDzbQQouqvbcnV7XD9A Boa leitura!

Daquele momento em diante, tudo estava acontecendo em câmera lenta. Seu corpo parecia não responder a seus comandos cerebrais. Ela tinha congelado.

Podia ouvir sua voz a chamando, podia ouvir os tiros, e podia sentir a adrenalina correndo em suas veias. Mas não conseguia se mover. O sangue deixava uma mancha escura cada vez maior em sua roupa e sentia que se não recebesse cuidados logo, iria desmaiar.

Mais tiros soaram aos fundos. Quatro, cinco, seis e o sétimo por fim.

Tudo limpo! – Aquela voz. Reade? Parecia com o Reade.

Eles estavam em cinco, todos caídos. Weller, vamos entrar! — e Zapata? Era difícil dizer. Tudo parecia um tremendo pensamento ruim rondando sua mente.

Ouviu mais algumas vozes mas não soube distingui-las. Algumas soavam familiar a seus ouvidos, porém tudo estava confuso.

Tentou se levantar, mas suas pernas fraquejaram. Havia levado um tiro, lembrava-se disso. Mas o que fazia seu corpo todo tremer? Adrenalina? Temia que a resposta fosse um pouco mais complexa que uma simples palavra.

De repente, tudo ficou mais escuro e ela agarrou o próprio corpo ao ouvir alguns passos firmes em sua direção. Podia ser alguém para ajudá-la, assim como poderia ser de fato seu fim. Não tinha como saber. A dor e o cansaço já haviam lhe consumido de tal forma a incapacitá-la de manter os olhos abertos, sentindo o peso de si levá-la de vez ao chão.

Jane… alguém me ajude aqui!

Podia notar a firmeza de alguém tomando-a em seus braços, e se não estivesse delirando suficiente, juraria sentir aquele perfume amadeirado sobressaltando o cheiro de sangue e suor que seu próprio corpo exalava.

Mais passos apressados e vozes vieram em sua direção, e utilizou suas últimas forças para se agarrar àquele porto seguro.

Kurt… me leve para casa.

Casa.

De volta ao escritório em NYC, as coisas não paravam. Horas se passaram desde o tiroteio, e o time se encontrava reunido tentando acalmar seus ânimos para achar alguma brecha ou conexão com o mandante do atentado. Estavam tão concentrados que sequer notaram a abertura do elevador; e muito menos a morena pálida e apressada que saltou para fora acompanhada por alguns seguranças, rumando a sala do diretor assistente.

O que diabos acabou de acontecer e o que eu estou fazendo aqui?

Surpresa, Patterson quase derrubou seu café ao ouvir o barulho que se fez.

O que ela está fazendo aqui? Deveria estar na ala médica descansando.

Eu estou bem, eles já…

Não estava falando com você. — ele a interrompeu. Silêncio. Todos na sala se surpreenderam com sua grosseria. Sem deixar que seus olhos a encontrassem, falou com os seguranças que se mantinham sobre a porta entreaberta. — Por favor levem ela de volta.

— "Ela" não vai lugar algum. — respondeu aos seguranças. — "Ela" está bem aqui tem um nome. Sabe falar por si e está bem. – Ponderou, sentindo o ombro latejar sobre o curativo do braço enfaixado. — Agora, quem irá se disponibilizar e dizer à "Ela" o que está acontecendo?

Jane… Alguém me ajude aqui! Fique comigo, Jane, não durma.


— Você está aqui… você…


— Estou, e não vou a lugar nenhum sem você. Está me ouvindo? Por favor, diga algo.


— Kurt… me leve para casa.

Sem saberem como reagir, as agentes tomaram a frente. Explicaram tudo que sabiam desde os atiradores, o ataque, a recompensa por sua cabeça e a bala recolhida do ferimento em seu braço. Jane ouviu tudo em silêncio, fingindo ignorar o olhar pesado que recebia de canto de olho. Não se lembrava como havia chegado a Nova Iorque, mas tinha uma vaga ideia de que não fora da melhor maneira.

E o que faremos agora? — Tentando ignorar os acontecimentos das horas passadas, procurou se atualizar sobre o que estava por vir. — Devíamos nos reunir e bolar alguma tipo de plano ou…

— "Nós" não vamos fazer nada. — Ele a interrompeu novamente. Sua respiração pesada e o tom de sua voz demonstravam o quão irritado estava. — O time vai se reunir e tomar uma decisão. Enquanto isso, "Senhorita Dawson", pode se sentar e aguardar.

— Claro, eu devo me sentar e esperar aqui como se fosse algum tipo de suspeito ou testemunha?

Exatamente. Você não é mais uma agente. Não faz parte da equipe.

Okay, got It. Velhos hábitos nunca mudam. — Soltando o ar de forma irônica ao vê-lo sair pela sala sem olhar para trás, ela se sentou. Desde que acordada na ala médica do prédio, todos a trataram da mesma forma como sua primeira vez ali. Friamente, medindo cada palavra das quais eram proferidas quando estava por perto, sem que nem mesmo os assuntos que a envolviam fossem discutidos em sua presença.

Não fora nada fácil escapar dos médicos e dos tubos de soro. Levou um tempo para relembrar o layout do local e conseguir chegar até o escritório. Quando a porta do elevador se abriu, sua mente foi tomada por flashes de memória das vezes diárias que reviveu aquele lugar.

— Kurt…? Kurt!

Era como se estivesse vivendo aquele momento novamente, quando a seis meses atrás, achou que tivesse o perdido.

Vê-lo passando pelo elevador ao lado de Keaton a procurando fez seu coração pular algumas batidas, e imediatamente correu em sua direção. Mesmo ciente da gravidade do momento e todos os olhares que estavam sobre eles, ela não se importou. Pulou em seus braços e o teve de forma apertada, sentindo sua retribuição surpresa, mas vivida.

— Eu… pensei que você estava…

— Eu estou bem.

Só então pode perceber o buraco que havia aberto em seu próprio peito ao partir, e o quanto sentia falta de seu time; seus amigos. Sentia falta de acompanhar e compartilhar teorias no laboratório, as bebedeiras às escondidas, as missões, e acima disso, sentia falta dos olhares. Cada um deles. Sabia que ao partir para Califórnia estaria abrindo mão de todas essas coisas, mas agora que voltou, mesmo que por alguns instantes, daria tudo para ter sua equipe de volta.


Você não é mais uma agente. Não faz parte da equipe”.


Tensão.

Reunidos fora da sala, eles a observaram sobre o vidro. Kurt flexionava seu maxilar com tanta força que era surpresa para todos que nenhuma veia havia se rompido após aquela explosão no museu.

Olha, até sabermos a dimensão do perigo e se mais alguém da sua equipe é um alvo, nossa melhor chance é mantê-los juntos. Os atiradores sabiam exatamente a rotina de Jane, a hora que estava em casa, a hora de seu trabalho, tudo. Se não fosse pura sorte, eles teriam a pegado hoje. — Keaton não media suas palavras ao explicar a seriedade da situação, não se importando com os olhares raivosos recebidos pelo diretor-assistente ao seu lado. — Se estimarmos que o ataque individual seria como o de Jane, não teremos reforços suficientes para ajudar cada um de vocês. E se agirem ao mesmo tempo, o que eu acho mais provável, já era. Todos vocês têm uma rotina. Patterson fica até tarde aqui, Zapata e Reade saem ao mesmo tempo e ele… — Apontou para Rich — Está tão vulnerável quanto ela estava. Se eu que não fico aqui observando todos os dias já sei a rotina de vocês, imagina esses caras?!

Keaton está certo. — Conhecendo seu colegas, Reade sabia que não era o momento certo para discussões. Deu outra leve olhada para a mulher que se mantinha calada sobre a mesa de reuniões, e suspirou frustrado. — Eles devem estar nos observando desde a queda da Sandstorm meses atrás. Se mudarmos o comportamento agora, iremos chamar atenção e forçar uma ação precoce e perigosa.

E o que sugere então? Que vivamos nossas vidas normalmente como se não tivéssemos um alvo nas costas, só esperando pelo tiro? — Dessa vez, o comentário sarcástico veio da morena. Era audível a respiração pesada saltando os pulmões de Kurt, e temendo o rumo que a noite poderia tomar, Patterson deu um passo ao lado e tentou desmontar a bomba psicológica que havia se criado.

Jane não pode voltar para Califórnia como se nada tivesse acontecido. Ela levou um tiro, vocês a trouxeram de volta, e agora eles sabem que ela ainda tem contatos no FBI. Não podemos simplesmente confiar em colocá-la em uma casa-segura porque sabemos que isso é besteira, não são seguras. A Sandstorm a achou em uma delas meses atrás e agora outros a acharam novamente na Califórnia. Não podemos deixá-la sozinha.

A resposta foi imediata.

Ela não ficará sozinha, Patterson. — Surpreendentemente, ele parecia mais calmo. Ponderou o que dizer, sem desviar os olhos à figura que o encarou fixamente sobre o vidro, como se pudesse ouvir cada uma de suas palavras. — Nenhum de nós ficará. Reade está certo, não podemos mudar nossas rotinas e precipitar outro ataque, mas também não podemos manter as coisas exatamente como estão. Vocês tem uma rotina, mas eu não, e além disso, pelo que sabemos até agora eu fui o único a quem eles não procuraram. Não notei nenhum movimento estranho aqui ou perto de casa. Então faremos o seguinte: vamos todos para o meu apartamento hoje. Patterson vigia as câmeras próximas onde cada um mora e se notarmos algo suspeito, saberemos se realmente temos ou não alvos nas costas. Amanhã nos reunimos aqui novamente e decidimos o que fazer.

Desculpa mas os 6? Todos nós no seu apartamento? — O hacker prontificou-se a falar o que todos pensavam. — Ao menos que você tenha feito alguma reforma desde a vez que eu invadi, não acho que seja o lugar mais espaçoso do mundo…

Sabe que ela não vai ficar feliz quando ouvir isso, certo? — Novamente, irônica. Reade chamou seu nome de forma baixa para alertá-la de seu tom. O clima já estava denso o suficiente por hoje.

Ela não tem escolha, Tasha. — Respondeu, ignorando o comentário nada delicado de Rich. — É isso, ou a mandamos de volta pra Califórnia e esperamos até recebermos o corpo dela em pedaços.

Sem tempo para discussões, abriu a porta e adentrou.

Dessa vez seus olhos azuis estavam mais nublados, resultado do cansaço das horas que se antecederam. Ao encontrar essa reciprocidade no pares verdes em sua frente, sabia que suas pupilas haviam se dilatado por sua reação; Ela engoliu seco e encolheu os ombros, mas não desviou de seu olhar. Weller não se deu o trabalho de rodeios. Explicou o que iria acontecer.

Observando ao lado de fora, todos constataram que Zapata estava certa sobre o que disse: Jane não gostou nenhum pouco da ideia. Levantou, protestou, se prontificou a dormir em qualquer uma das localizações — que deveríamos ser secretas — e até mesmo ali no escritório, mas ele não estava aberto para argumentações. Não é exagero dizer que de forma grosseira e direta, ele obrigou-a a acompanhá-los.

Vencida pelo cansaço e sabendo que diante a seriedade da situação não estava em posição de escolha, ela o fez.

Por hoje.

Devemos descansar. Todos nós. Foi um dia… complicado, e amanhã não promete ser diferente. — Tomou a frente do diálogo ao adentrarem o imóvel, ligando as luzes para revelar a pequena pilha de jornais e cartas ao pé da porta. As empurrando para o lado, seguiu para fechar as cortinas. — Já conhecem o esquema: sala e quarto de hóspedes. Se divirtam escolhendo.

Eu ficarem por aqui… o wi-fi pega melhor na sala e preciso ficar de olho no circuito de segurança. — Rapidamente, Patterson largou suas coisas sobre um dos sofás e comendo uma maçã roubada da fruteira imediatamente conectou seu notebook a tomada, deixando marcado seu território.

Sem qualquer brechas para argumentos, Rich e Zapata se prontificaram a ajudar e fizeram o mesmo. Aquele era um território tomado. — Reade devia ficar com o quarto, ele ronca igual um urso. Vai acabar tirando o sono de todos nós ou atraindo os caras para cá.

Zapata! Eu não… okay, talvez um pouco, mas ainda sim

Tudo bem. — Cansado demais para argumentar, Weller apenas cedeu. Todos notaram quando o casaco que estava sobre o sofá fora tomado por suas mãos e ele parecia pronto para sair. — Jane, pode ficar com o meu quarto.

E aonde você vai dormir? — Ela perguntou surpresa, antes mesmo que algum comentário indecente viesse por parte de Dotcon.

Eu não vou dormir aqui. Volto pela manhã. — Sua resposta veio seca enquanto o agente recolhia sua carteira e chaves do carro de cima do balcão.

Isso é ridículo, nós deveríamos ficar todos juntos! — Inconformada, cruzou os braços diante do corpo, notando que assim como elas todos presentes na sala ficaram confusos com sua atitude. — Minha presença é tão sufocante ao ponto de valer o risco ir dormir num hotel?! Eu não mordo. E se alguém deveria sair, esse alguém sou eu. Você fica, ficarei bem com as almofadas, não se preocupe comigo.

Nem tudo precisa ser sobre você, Jane. — Dessa vez, seu olhar estava sobre ela.

Ela sentiu aquilo. No fundo de seu coração, ela sentiu. Nas últimas horas desde que pisara seus pés para fora daquele cubículo de aço, Weller deixou claro o quanto despreza sua presença todas as vezes que seus olhares se cruzavam;, o que honestamente, ocorreu com mais frequência do que gostaria.

Sabia que estava presa em um loop.

Suas vidas estavam sendo postas do avesso outra vez por sua culpa, e Jane carregava esse fardo nas costas como sua cruz constantemente, até mesmo quando partiu. Sabia que pessoas ainda se machucariam por ela.

Apenas fique. — Lutando contra todas as palavras que se acumularam em sua garganta, ela respirou fundo. Era seu apartamento, seu espaço, sua vida sendo invadida por seu furacão novamente. Não estava em posição para discussões que não seriam justas. — Nem vai notar que estou aqui.

Impossível.” Ele pensou.

Embora sua vontade fosse mandar que cuidasse dos seus próprios assuntos, sabia que estava certa. O combinado era que todos se mantivessem juntos, em segurança, para evitar mais trabalho desnecessário.

Com os braços envoltos ao corpo e o maxilar levemente pressionado, Weller notou vividamente a tensão que se formou entre eles. Ela mantinha o punho cerrado ao lado do corpo, e os pés firmes; assim como seu olhar de encontro ao dele. Tão forte e ao mesmo tempo tão vulnerável. Não queria dar um passo à frente e correr o risco de iniciar uma briga desnecessária, mas também não lhe agradava a ideia de ficar e dividir seu espaço com ela.

Reade, Tasha e Patterson se mantinham em silêncio ao canto da sala, apenas ouvindo o diálogo enquanto disfarçavam arrumar as coisas para dormir. Jane era o único obstáculos entre ele e a porta de saída. Sabia que com o ombro machucado e o braço enfaixado, não seria um problema para ele enfrenta-la e tirá-la de seu caminho, se não fosse por seu olhar.

Aquele olhar.

As chaves pesavam em sua mão mais do que a mágoa em seu peito, e por isso, as colocou no mesmo lugar de antes. Respirou fundo e deu-se por vencido, seguindo para o quarto.

Você fica com o lado direito da cama, tem cobertor no armário

Notas finais
Essa tensão entre eles... I see you when I see you