-Carole-

Como era de se esperar, eu estava novamente com Dean, levando-o para ver minha mãe. Ele estava com um desenho para entregar a ela. Ele ficava olhando para fora do vidro do carro. Coitado, ele é quem mais sente falta da mamãe.

Desde que meu pai parou de dar dinheiro para a minha mãe porque soube que ela se casou com Derick (meu padrasto chato), minha mãe está tendo que trabalhar dobrado para pagar a faculdade do Justin. Não que o dinheiro que meu pai dava a gente era lá grandes coisas, afinal, meu pai nunca ligou pra nós, principalmente pra mim. Não sei porque, ele sempre preferiu o Justin. Talvez porque Justin seja o irmão mais velho ou porque tenha notas melhores... nunca entendi essa parte na verdade.

Bem, não gosto de pensar muito nessa parte. Meu pai me deixou quando eu tinha apenas três anos. Foi horrivel pra mim naquela época. Eu via a minha mãe chorar aí eu perguntava se meu pai iria voltar, ela chorava mais. Enfim, o Dean me pergunta toda hora se minha mãe não vai vir dormir em casa com a gente. Eu me identifico muito com ele porque ele tem a mesma idade com que meu pai nos deixou.

- Já chegamos? — Dean me perguntou interrompendo meus pensamentos

- Não. — Olhei para ele do retrovisor, ele se ajeitou no banco e continuou olhando pra Times Square gelada. — Mas estamos perto.

A Times Square estava mais gelada que o normal. É certo que estamos só a três meses do natal, mas hoje estava muito frio. Montanhas de pessoas encapotadas estavam desfilando na rua. E a paisagem dos telões era quase uma constante: modelos estavam vestidas com roupas apropriadas para o clima frio.

Depois de atravessar aquele oceanos de pessoas e propagandas, estava bem perto do hospital onde a minha mãe trabalha.

- Ok, vamos descer do carro... — Carreguei Dean no colo e fechei a porta do carro.

Entrei no hospital frio. Na verdade tenho até nojo de entrar em hospital. Sei lá, parece que eu estou respirando ar infectado por milhões de bactérias. É um pensamento meio besta, mas deixa pra lá.

A area restrita geralmente não é usada por pessoas comuns, mas eu a minha mãe é a chefe do setor onde ela trabalha, ou seja: passe livre pela area restrita.

Fui até um balcão com uma pilha enorme de papéis onde tinha homem assinando muito deles.

- Oi... Posso falar com Sara Stone?

O homem me olhou. Não tinha cara de homem, na verdade parecia mais um cara de 17,18 anos. Mas estava trabalhando num hospital, o que praticamente aumentava sua idade em 5 anos.

- Acho que ela está no meio de uma cirurgia, não sei bem. — Ele soltou um sorriso e olhou pra mim. Li o crachá dele: Joseph C. Aaron. Estagiário. Bom, talvez ele relamente tenha uns 18 anos por aí.

- Ah... Obrigada

- Estou brincando. Ela subiu pra examinar uma garota, já vai descer. — Ele riu da própria "piada"

Tentei rir pra parecer que eu achei graça. Talvez ele achasse que eu ia falar: Credo! Ela está abrindo alguem?

- Você é filha dela?

Me surpreendi com a pergunta. Sei lá, acho que não perguntaria isso a alguem se eu tivesse acabado de conhece-la. Mas enfim, educadamente eu respondi:

- Sou. Por quê?

Ele deu de ombros, riu de novo e assinou mais papéis.

- Não se parecem nem um pouco... — Novamente, riu. Por que ele sempre faz essa merda?

Nisso ele acertou em cheio, sou a única dos três filhos que se parece com meu pai. Em excessão Dean que é filho do Derick. Mas meu cabelo é castanho bem escuro e ondulado, eu sou mais alta que minha mãe e meu queixo é mais fino que o de minha mãe. Mas eu não gosto de parece com meu pai, não mesmo.

- É, eu não puxei a minha mãe...

- Deve ser por isso que ela diz que tem uma filha que achou na lata do lixo... — Dessa vez ele riu bastante e encostou a cabeça no braço — Desculpa, sempre achei engraçado o jeito dela falar isso.

- Enfim...

- Meu nome é Joseph, mas pode me chamar de Josh.

- Achei que o apelido de Joseph fosse Joe...

- Não o meu — Josh franziu a testa. Olhou pra mim esperando que eu dissesse meu nome.

- Bem, me chamo Carole.

- Prazer em conhece-la, Carole.

Foi estranha a forma que ele pronunciou meu nome. Mas...

A minha mãe chegou e mal falou comigo, só ficou falando com Dean. Enquant isso eu reparei nos olhos de Josh. Eram cinza e estavam em sintonia com o cabelo marrom meio ferrugem. Engraçado que o marrom do cabelo dele era puxado para um ruivo...

Fui pra casa e fiquei pensando naquela conversa. Foi estranho o jeito que ele começou a falar comigo. Mas ele era bem espontâneo. Sei lá, achei o jeito dele bem legal. Meio geek, meio nerd. Na verdade não sei explicar direito...