What You Mean To Me
2 Capítulo 2
-Carole-
Meu cachorro me acordou novamente. Subiu na minha cama e começou a lamber minha mão. Doug sempre faz isso. Ele é um colie adestrado e sempre está comigo. Ganhei ele no natal do ano passado.
A casa estava agitada. Muitas vozes. Talvez minha mãe esteja aí, quem sabe. Levantei rapido e me segurei na quina da cama pra não cair.
- Bom dia bela adormecida! — Diana falou quando passou por mim. Ignorei e desci as escadas.
Dean estava deitado no cão e ao seu redor tinham muitos brinquedos. Doug já estava lá brincando com ele. Minha mãe passou com um cesto de roupa suja pela sala. É ótimo acordar num sabado e ver a sua mãe em casa, pelo menos pra mim.
- Mãe! Eu quero meu café! — Disse Dean correndo agora como um avião — Rápido!
Fui na cozinha. Minha mãe e Derick estavam lá. Converasando sobre algo que não era pra eu ouvir, tenho certeza. Derick é um padrasto muito bom, mas as coisas que ele faz me irrita. Por exemplo: ele fica chamando eu e a Diana de filha porque Dean ainda não sabe que somos de pais diferentes. E por isso ele também chama a gente de "docinho", "meu amor", entre outros apelidinhos que eu gostaria que só fossem usados pelo meu pai verdadeiro. Impossivel, mas...
- Vai ficar aqui o dia inteiro hoje? — Perguntei a minha mãe tirando uma caixa de suco da geladeira
- Acho que sim.
- Que bom...
Não sou muito de ficar conversando com minha mãe. Subi pro meu quarto que agora deixara de ser só meu, é da Diana também por conta do Dean, e fiquei lá, olhando para o gramado da entrada coberto de uma camada de folhas secas. Olhei para os meus desenhos em cima do criado mudo.Muitos deles eu ainda não terminei.
Eu não sei onde eu aprendi a desenhar. Nunca fiz curso de desenho, ou coisa assim. Mas eu desenho pra me sentir melhor. Na maioria das vezes eu desenho quando eu estou triste. É quando eu tenho mais inspiração.
Mas não sei o que estou sentindo hoje. Especialmente hoje. Acordei de um jeito diferente.
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No almoço, Justin veio pra cá. Sabe, o Justin tem sido mais meu amigo do que meu irmão ultimamente. Eu divido todos os meu segredos com ele e vice versa. Até porque eu não tenho muitos amigos. Verdadeiros pelo menos.
- Como vai a faculdade, filho? — Minha mãe perguntou
- Bem, eu creio... — Ele respondeu. Acho que Justin ainda não contou a minha mãe que ele não quer mais fazer medicina. Talvez seja porque ele vê o quanto cansativo é a profissão tirando como base minha mãe. — Fora que agora eu vou ter que fazer estágio...
— Que bom, filho! Você pode fazer estágio no hospital onde eu trabalho.
- É.... e eu estava pensando... em... — Ele olhou pra mim e pra mamãe — Ok, eu vou contar pra senhora depois.
Não tinha certeza se ele ia falar que não queria mais medicina. Geralmente com um olhar só, eu consigo decifrar tudo o que ele quer dizer ou está sentindo.
- Está bem... — Minha mãe olhou pra mim e Diana — E como vocês estão de volta às aulas?
- Ótimo!
- Terrivel... — Retruquei, creio que ninguem tenha ouvido, só mesmo minha irmã que me deu uma cotovelada — É, a escola está diferente esse ano...
- Como assim a escola está diferente?
- Não sei explicar direito. Talvez sejam as pessoas. Estão agindo de um modo diferente... mais falsas do que o normal.
- Carole, você tá delirando, né? As unicas pessoas falsas são seus amigos porque né...
- Você quer me atingir? — Ela sabe que eu não tenho muitos amigos e fica falando isso na frente do Derick. Não quero passar a impressão de "maluca" ou de "solitária" na frente dele
- Claro que não — Ela zombou
Não toquei mais no assunto. Mas fiquei pensando por horas sobre isso. Não foi um dia muito divertido hoje. Fiquei o dia inteiro estudando, lendo, desenhando, entre outras coisas.
Diana é popular, digamos que não muito, no colégio. Ela tem muitos amigos. Mas ela não sabe que eles fofocam pra todo mundo. Eu fico sabendo de muitas coisas. Já ouvi até dizer que ela fumou maconha. E ate mesmo que traiu o namorado. Mas enfim, se é isso que ela chama de pessoas totalmente leais... não posso fazer muita coisa. Mas de uma coisa eu tenho certeza: não estou ficando maluca
Minha melhor amiga é Julia. Ela sempre me ouve e me entende numa boa. Conheço ela desde a quinta série, mas ela mudou de colégio porque perdeu o ano. Tentei fazer minha mãe me mudar também, mas não consegui argumentos suficientes para isso. Desde então tenho falado muito pouco com Julia. É terrivel, não tenho muito com quem conversar e acabo explodindo por dentro.
Olhei pro Doug deitado no carpete. Bem, não posso ficar contando todos os meus segredos para um cachorro. Mas até achar um amigo de verdade...
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Na manhã seguinte eu acordei de um sonho. Não estava bem nitido na minha cabeça, mas eu conseguia lembrar que tinha um anjo. Sua pele era tão branca quanto a sua roupa. Ele chamava meu nome, mas eu não conseguia ver o seu rosto direito, só conseguia lembrar que seu olho era muito bonito, uma cor diferente.
Ao contrario de ontem, a casa estava silenciosa. E Doug não me acordou.
Ninguem aqui na cozinha, nem na sala. Ótimo, minha mãe saiu pra trabalhar e o resto da casa provavelmente está dormindo.
Dia perfeito para passar o dia inteiro no Central Park. Me arrumei, peguei a coleira de Doug e saí.
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