What Is Your Sun Like?
2 Capítulo 2
Teruki foi o primeiro a sair do ônibus, esbaforido. Mal o veículo tinha parado, o garoto já saiu correndo, puxando Miku pelo braço para que resolvesse com Red Cafe os problemas de check-in; quanto antes o fizesse, mais cedo ele pularia na piscina. O vocalista saiu logo atrás, arrastado.
Também, não demorou muito para que os outros meninos vissem o porquê de toda aquela agitação: o lugar era mesmo um paraíso. Atrás da recepção ficavam nove piscinas — duas aquecidas, entre elas, uma enorme, coberta; outra com a quantidade de água calculada para um jogo de vôlei, além da rede; a quarta rasa, de águas claras; mais duas enormes, com show de chafarizes; outras duas eram ofurôs; uma última infantil.
Definitivamente, um paraíso. Ou quase, nos pensamentos de Takuya. Diferente de Teruki, Miku e Yu-ki que já estavam, respectivamente, brincando com um chafariz, pedindo litros e mais litros de refrigerantes em um kiosque, e tomando sol, o guitarrista preferiu ficar pra trás; não se sentia feliz o sifuciente pra nada — nem mesmo pra uma semana de folga. Nas poucas vezes em que se animava, logo voltava a encarar Kanon — que não parecia ter pressa em sair do ônibus — e voltava a se sentir mal.
Estava conhecendo o chalé cinco estrelas no qual ficariam – acrescentando-se um pouco de luxo, uma cama, abajur, televisão e banheiro -, ouviu alguém batendo na porta. Devem ser as malas, imaginou. Mas percebeu que tinha se enganado. Assim que antendeu, viu quem se encontrava do lado de fora:
-Kanon — sorriu. Já sabia que o baixista não admirava nem um pouco sua presença, mas não custava tentar de novo (e de novo, e de novo).
Continuava sorrindo quando o outro, desinteressado, acenou e entrou no chalé que também era seu, sem dizer uma palavra sequer.
-Então... você vem? — Takuya já tinha se trocado, se preparado para a hora em que Teruki apareceria lá, arrombando a porta, e arrastaria a todos para a piscina. Graças aos céus, conseguiu se trocar antes que o baterista viesse a fazê-lo; não queria correr o risco de ser jogado literalmente na água, como já havia sido ameaçado.
O outro se sentou na cama, ligou a tevê pelo controle remoto.
-Uhum, já, já eu vou — foi a resposta.
Ah, iria? Ligando a tevê? Era incrível a capacidade que tinha de se excluir quando queria.
-Posso te esperar? Você quer que pegue toalhas, ou alguma coisa?
Não obteve resposta em diálogo daquela vez; tudo que conseguiu foi um olhar cortante que o fez sentir até frio.
-Tudo... bem então — e tudo que o ruivo pôde fazer foi abaixar a cabeça, em sinal de desistência, e virar as costas para sair do quarto. — Hora que você quiser, vamos estar lá...
Saiu em silêncio. Sabia que o outro não iria, sabia. Se fosse Bou, ele iria, mas com Takuya? Oh, não. Kanon era bom demais pra se envolver com aquele tipo de pessoa. Aprendizes, não? Novatos, como ele devia pensar. Que raiva o guitarrista sentia de Bou, que raiva; se não fosse pelo infeliz que parecia pouco ligar agora para o estado da banda, ele não teria aquele tipo de problema.
Logo que foi para a piscina principal — a maior de todas -, viu Miku acenando. Se aproximou; se não podia vencer a tristeza, tentaria ao menos esquecê-la.
Mas não precisou se aproximar muito mais por conta própria, porque logo Teruki o viu se unindo ao resto do grupo, e não hesitou em sair correndo da piscina e, ainda molhado, derrubá-lo no chão; era a velha técnica que usava para jogar pessoas na piscina.
-Não, Teruki! — suplicou, rindo, e tentando se afastar, enquanto engatinhava.
Mas já era tarde: Teruki já tinha feito um sinal pra que Miku também viesse, e logo eles já estavam balançando Takuya de um lado pro outro, segurando suas mãos e pés, e fazendo a contagem regressiva:
-San... ni... ICHI...! — \"três, dois, um...\".
Lá se foi o pobre Takuya; a pessoinha que antes se esperneava no ar, agora já estava toda encharcada. Até Yu-ki, conseguiram molhar. Este levantou, irritado, e murmurando algo como \"kuso\", ou outro xingamento qualquer, voltou a subir a rampa que o levaria ao quarto. Mas também, aquelas eram as regras: unir-se ao grupo por vontade própria, ou unir-se à força. Takuya vinha conhecendo bem aquela força nas últimas semanas, ainda bem: era a única coisa que o divertia.
-Cuide-se, Teruki, vai ter vingança! — disse, depois de ter engolido não sabia ao certo quantos litros de água.
O baterista agora, rindo, havia se escondido atrás de uma das estátuas que jorravam água para o resto da piscina.
-Ei, Teruki! — Miku o chamou de volta, fazendo também sinal pra que se aproximasse. Não demorou nada, ele veio. — Quanto você quer pra ir até aquela garçonete ali? — perguntou, indicando uma menina usando trajes havaianos, com uma bandeija na mão, que se encontrava em frente a uma mesa de um casal idoso americano, que não parava de olhá-los com o que parecia ser medo da selvageria.
-E eu digo o quê? — Teruki perguntou, olhando-a com um sorriso.
-Diz que eu vou apresentar um show de mágica exclusivo hoje à noite, e que vou encontrá-la na recepção! — o vocalista riu, empurrando-o na direção da mesa.
Logo, Teruki havia se afastado em uma tentativa de conversar com a garota.
-E aí? — Miku perguntou, depois de ver que o outro havia saído.
-E aí...? — Takuya respondeu, sem saber o que dizer.
O outro riu, e fez menção de aproximar mais o rosto, como se estivesse para contar um segredo.
-Takuya, você não espera que eu acredite que você e o Kanon andam às mil maravilhas, certo?
O ruivo sentiu o rosto corar; será que era assim tão óbvio seu problema com Kanon?
-Será que vou ter que falar de novo que vocês precisam... — Miku pretendia continuar, mas foi interrompido.
-Não sou eu, Miku! Eu tento, eu tento de tudo pro Kanon gostar de mim, mas ele simplesmente... — foi murchando aos poucos, se dando conta de que estava narrando o próprio fracasso. — ... não gosta — parou com o olhar distante, se lembrando da última vez em que Kanon o tinha ignorado completamente.
O vocalista deixou por alguns minutos que o silêncio reinasse. Logo, vendo que Yu-ki já estava voltando, agora com novos trajes, voltou a falar:
-Escuta, eu e os outros não vamos aparecer lá até à noite. Vamos deixar que vocês dois passem o dia juntos, e que se entendam.
-Mas eu não...!
-Preciso que você faça isso, certo? Leve ele nas quadras, faça com que jogue alguma coisa, apresente o hotel... nem deve ter visto como é, trancado no quarto daquele jeito. E vocês precisam se entender agora, Takuya, é uma viagem pra gente se divertir. Você é esperto, vai conseguir — acrescentou, dando um tapinha nas costas do amigo, que parecia frustrado. — Posso contar com você?
A resposta foi desanimada, quase melancólica:
-Hai... — \"sim\".
Fale com o autor