Notas iniciais
"Where there is desire there is gonna be a flame, Where there is a flame someone's bound to get burned. But just because it burns doesn't mean you're gonna die. You gotta get up and try, and try, and try... You gotta get up and try, and try, and try... You gotta get up and try, and try, and try." P!nk - "Try"

Charlô sabia que Edward não era o homem da sua vida. Nunca pensou nisso, de fato, mas o silêncio quase que constrangedor no carro indicava isso. Ela não estava tão segura assim. Ela estava arrependida.

Mas quem está na chuva é para se molhar. E querer a ele ela queria. Talvez não para sempre. Mas aquela noite ela queria.

Quando aceitou o convite de Edward para sair, ela não imaginava ouvir aquilo que ouvira naquela noite. Ela não imaginou que ele se declararia, que ela a desejasse tanto, e que há tanto tempo já planejasse retornar para sua vida. Apesar de ter se envolvido e muito nos últimos dias, não poderia pensar no tamanho das reais consequência do seu sim. E ela sabia que aquele era um caminho sem volta. Sem volta para ela, sem volta para Edward, sem volta para Otávio. Mesmo que fosse apenas uma noite ali, nada mais seria igual. Para o bem ou para o mal.

O carro parou naquilo que deveria ser o estacionamento do prédio. Era pouco iluminado mas não oferecia perigo, por ser reservado apenas aos moradores.

Conhecendo a Charlô como conhecemos, sabe-se que isso não vai prestar.

Ela estava nervosa. Era agora ou nunca. Depois da conversa com Otávio estava insegura sobre o que fazer, como agir. No fundo ela queria ir embora sim. Se fechar no quarto e nunca mais sair. Ou beber conhaque até esquecer. Mas ela estava ali, no carro, com Edward a seu lado. Não teria como.

–Charlô, você tem certeza de que quer subir?

Então ela fez o impensável. Ela o beijou. Nem pensou nem nada. Encostou seus lábios nos dele e pressionou. E ficou assim até tomar fôlego e coragem. Antes que ele pudesse reagir, terminou.

–Tenho. E você? Está com medo? — sorriu divertida.

–Medo não. Mas você sabe que lá dentro as coisas mudam.

–Não sei nada disso.

–Vai descobrir.

–E por que só lá dentro? Eu estou bem aqui do seu lado e as coisas mudam lá dentro do apartamento?

– Você entendeu o que eu quis dizer, mas até que não é má ideia.

Dizendo isso Edward inclinou o banco e o afastou da linha do volante. Charlô observava curiosa, pois esperava que ele a beijasse e tal, mas ele se superou. A carregou pela cintura e colocou-a em seu colo, ajeitando para que ficassem frente a frente, o mais próximos possível, e as pernas dela ficassem em volta de seu tronco. O que só aconteceu pois o vestido, longo, tinha duas fendas, uma de cada lado, até o meio das coxas.

E que visão as pernas de Charlô ofereciam... Ela toda era um deleite. Parecia uns 25 anos mais jovem, ou mais.

–Você está louco? O que foi isso?

–Vantagens que um carro grande e moderno oferece.

–Me refiro a eu estar nessa posição!

Ele sorriu divertido, acariciando as costas (que o vestido deixava descobertas até o fim da coluna) e sentindo que ela se arrepiava sob o toque, por ansiedade do que aconteceria.

–Ué, não era para já começar o trabalho aqui?

–Bem, era, mas é um pouco juvenil demais, não?

–Onde estão os padrões que dizem isso, Charlô? Me admira muito ouvir de seus preciosos lábios tais palavras. O Otávio está fazendo mal a você, lhe deixando caretíssima.

–Não tem nada de Otávio, deixa o nome desse infeliz fora da conversa!

–Só disse a verdade.

–Deveria falar menos e fazer mais! Essa posição é incômoda!

–Até você se aconchegar certinho. Venha. Eu cuido disso.

Como um cavalheiro ele segurou ternamente o queixo de Charlô, analisou seus traços, sua expressão. Começou por vários selinhos na linha da mandíbula, na parte inferior do rosto, e no cantinho da boca. Ela não podia negar que ele era bom provocador; só aqueles beijinhos já estavam deixando-a louca. As bocas se encontraram, e de um selinho longo passaram para vários beijos, depois um beijo de língua. Ela não lembrava há quanto tempo não tinha aquilo, um beijo de verdade, um homem de verdade.

As mãos de Edward passaram das costas para os quadris e foram descendo, avançando os territórios sonhados da pele de Charlô. Ela também explorava o corpo dele, mas mais comedida, mais prudente... Provocadora, talvez. Com as pontas dos dedos deslizava e desenhava padrões, deixando a pele do homem queimando por onde tocava. Suas costas, seus braços, seu peito. Eles se beijavam e se tocavam, num conhecimento mútuo que muito antecipava da noite que viria.

E só pelo aperitivo já dava para notar que seria espetacular.

O beijo ficou ainda mais quente e mais intenso à medida que os toques avançaram. As mãos do homem, que haviam chegado aos tornozelos despidos da loira, subiram o percurso feito anteriormente, mas agora por dentro da saia do vestido. Charlô ficou tensa assim que sentiu s grandes e finas mãos de Edward subirem por sua coxa, mas ele não interrompeu o beijo nem o que fazia. Continuou a carícia, firme mas suave, até chegar no bumbum da loira. E parou ali com as mãos, carregando-a suavemente e posicionando-a mais próxima ainda. Ele a sentou diretamente em cima de sua excitação, que ainda era branda, mas já notável.

Em uma súbita crise de consciência, Charlô parou o beijo e encarou o parceiro. O desconforto tinha passado, mas era uma situação nova para ela, para os dois, ali, dentro de um carro.

–Edward, eu... Você precisa ter paciência comigo.

–Quer entrar então?

–Não, aqui está ótimo, eu só preciso... Isso ainda é novo pra mim. Intenso, mas novo. Você, esse lugar, a gente, isso... — ela gesticulou para a posição dos dois.

–Não é uma coisa difícil para me acostumar, rs.

–Nem pra mim, mas tenha paciência comigo. Por favor. É tudo bem recente.

–Você quer parar, Charlô?

–Não.

Ele se mexeu para se acomodar melhor no banco, e a posição dos dois fez com que a loira sentisse uma onda de prazer, vinda do contato das duas intimidades. Ela arqueou a cabeça involuntariamente, apoiando suas mãos nas coxas dele. Quanto tempo tinha se passado? Pareciam eras.

Aquela reação dela deixou Edward louco. Se com um simples movimento ela já estava daquele jeito, imagina o que faria na cama, entre os lençóis, em seus braços.

Ela voltou a encará-lo lentamente. Eles não sorriam. As pupilas dilatadas, as batidas audíveis do coração.

–Charlotte. É sua última chance de ir embora.

–Eu não quero ir.

–Pois bem. Porque eu vou fazer você esquecer o Otávio e qualquer outro homem da sua vida.

Notas finais
Será que vai?