What Comes With The Wind
14 13 - A última peça
Notas iniciais
HELLO GUUUYSS! So, pelos comentários, você gostaram bastante do capitulo passado certo?? Entãão, esse aqui é bem... bem...
Sem delongas, LEIAM!
Sem delongas, LEIAM!
O silêncio que se dá é tão profundo que eu poderia ouvir o alfinete caindo a quilômetros de distância. Meu cérebro está congelado, quase como ou estivesse dormindo, ou em coma. As únicas coisas que faço é respirar e encarar o garoto a minha frente.
Garoto esse que acabou de dizer que está apaixonado por mim. Depois do que parece uma eternidade, minha mente começa a trabalhar, como em espasmos, produzindo perguntas. Eu poderia simplesmente sair correndo, ou cair no chão e deixar quer as dúvidas e perguntas me consumissem, mas, ao invés disso, escolho a pergunta mais tola e insignificante: — Como assim... de novo? Peter desvia os olhos e dá um sorriso quase desapontado. Balança a cabeça lentamente, como se já estivesse esperando minha reação.
— Eu tinha uma queda por você, quando éramos crianças. Quase como um primeiro amor. — Seu sorriso falha e desaparece aos poucos. Sua expressão me faz duvidar da palavra "quase".
Mordo o lábio e desvio meu olhar para qualquer lugar além do seu rosto. Tenho que falar alguma coisa, qualquer coisa. Tudo para que aquela expressão de dor suma do seu rosto lindo, para que tudo volte ao normal. Mesmo que não dê para fingir.
— Eu... Peter, eu... — franzo a testa de frustração. É o máximo que você consegue, Melanie?
— Olha, você não precisa falar nada, ok? — ele me interrompe, e fico surpresa com o tom frio e cortante da sua voz. — Isso é problema meu, não seu. Você quis saber, eu respondi, só isso. Agora, por favor, eu preciso terminar meu trabalho aqui.
Eu pisco, muda outra vez. Sinto um bolo na minha garganta, como se eu fosse chorar.
— Eu não...
— Por favor, Melanie. — ele me corta de novo. Desta vez balanço minha cabeça num movimento mínimo, mordo meu lábio e saio quase correndo.
O ar fresco que me atinge do lado de fora й frio, e sinto meu coração se apertar aos poucos, liberando toda a emoção escondida pela surpresa. Sinto algo subindo pela minha garganta, um soluço. Eu estou... chorando? Acelero o passo em direção á casa. Mas paro a alguns passos da porta. Não posso ir para lá.
Dou meia volta e vou andando pelo gramado, procurando um lugar para ficar. Encontro uma árvore grande, com um tronco largo e raízes grossas. Parece o lugar perfeito.
Encosto minhas costas no tronco e escorrego até chegar ao chão, me sentindo miserável. Encontro-me num estado que jurei nunca estar: sofrendo por um garoto. Mais um soluço sobe pela minha garganta e irrompe pela minha boca. Logo vem mais um, e mais um. Então estou soluçando descontroladamente, lágrimas caindo pelo meu rosto.
Choro por me sentir triste e culpada, por fazer Peter sofrer, por ter visto a dor em seus olhos. Choro por me sentir traída, por mim mesma, que jurou nunca chorar por um garoto, e por aquele que disse ser meu amigo, e mentiu, se apaixonou. Mas, acima de tudo, choro por me sentir confusa. Sei que não nos víamos há anos, mas sinto como se nada tivesse mudado. Eu, a garotinha de tranças curtas e ele, o garotinho loiro. Sinto-me próxima a ele, quase ligada a ele. Mas se o que sinto é amizade... Então por que tanta tristeza, tanta culpa?
Choro até minha garganta arder. Só então percebo a chuva fina caindo. Não estou me molhando, por causa das folhas, portanto não saio do meu lugar entre as raízes. Afundo mais na grama, até me deitar. Pouso minha cabeça em meu braço e suspiro, acalmando as soluços pós-choro. Não sei quando pego no sono, mas acordo com gotas grosas caindo em mim. Vejo que a chuva agora está forte e pesada. Levanto-me num pulo. Abraço meu tronco com força e saio correndo pela chuva. No caminho para casa, é claro, escorrego e caio na grama, bem em cima da minha mão. Imediatamente, sinto uma queimação embaixo da minha pele, trazendo lágrimas de dor. Não posso me preocupar com isso agora, preciso ir para casa. Continuo correndo, apertando minha mão contra minha barriga.
Quando finalmente chego em casa, estou ensopada até os ossos. Entro pela porta da cozinha, e encontro minha avó sentada б mesa. Assim que me vê, ela se levanta e se aproxima, preocupada.
— Minha querida, onde você estava? Eu aqui morrendo de preocupação, e essa chuva lá fora...
— Eu estava... Por aí. Acho que caí no sono, quando acordei já estava chovendo. — explico enquanto ela põe uma toalha seca em meus ombros.
— Temos que cuidar para que não pegue uma gripe... — Antes que ela terminasse, acabo espirrando. Ela me olha com olhos bondosos, ainda preocupados. — Vamos fazer assim, você sobe e toma um banho quente. Mais tarde preparo uma sopa, tudo bem? Tente dormir um pouco enquanto isso.
Concordo com a cabeça e subo até o meu quarto. Pego uma roupa quente no armário, minha toalha e vou para o banheiro. Depois de trancar a porta, olho-me no espelho. Minha cara está péssima, como se eu tivesse voltado dos mortos. Suspiro a parto para um banho quente, que й a melhor coisa que podia ter feito. Depois do banho, me visto e volto para o quarto. Enfio-me embaixo das cobertas, já sentindo minha cabeça doer. Que maravilha, uma gripe nas férias. O que mais dói é minha mão. Ela costumava ser desse tamanho?
Fecho os olhos e pego no sono novamente. Acordo com batidas na porta.
— Pode entrar.- digo, e me surpreendo ao ouvir minha voz rouca e pesada.
Minha avó entra segurando uma bandeja com um prato de sopa e um copo de suco. Minha barriga ronca, e lembro que só comi no café, e já estamos no final da tarde. Sento-me e ela pousa a bandeja no meu colo, depois se senta na minha frente.
— Como está se sentindo? — ela pergunta.
— Como se tivesse rolado montanha abaixo e caído numa poça se lama. — respondo.
Faço uma careta quando tendo segurar a colher com a mão direita. Minha avó observa minha expressão de dor, e seus olhos se arregalam ao ver minha mão imobilizada e inchada.
— O que houve com sua mão? – ela pergunta preocupada.
— Eu... caí. Escorreguei e caí mal jeito. – digo enquanto franzo a testa no desafio de comer com a mão esquerda.
— Oh querida... É melhor ir logo ao médico, ver se não é nada sério. Vou pedir a Peter...
— Não! – eu a interrompo, quase gritando. Minha avó me olha espantada e sinto meu pescoço quente. – Quero dizer... Não precisa! Não é nada demais, é sé colocar um pouco gelo e tudo volta ao normal, você vai ver. — tagarelei. Depois de alguns segundos de silêncio, minha avó me olhando com suspeita, comecei a imaginar se ela me amarraria e me levaria á força ao médico. Já vi histórias sobre velhinhas demoníacas. Não pode se confiar em ninguém.
Por fim, sua expressão se suavizou. Ela deu um sorrisinho.
— Tudo bem então, querida. Mas se o gelo não funcionar, vou ser obrigada a te levar ao médico. Agora tome sua sopa.
Balanço a cabea e prontamente tomo minha sopa. Quando acabo, estou completamente cheia, e até um pouco sonolenta. Minha avó sorri satisfeita e sai levando a bandeja.
Fico sozinha no meu quarto. Escapei por pouco. Imagine só, eu e Peter numa viajem de quase duas horas! Só de pensar já me sinto constrangida. Pensar em Peter me faz ficar triste de novo. Mas desta vez não choro.
Acordo como se alguém estivesse apertando minha mão com toda a força. Gemo e me sento, fazendo minha cabeça girar. Jogo minhas pernas para fora da cama e me levanto. Preciso de gelo, alguma coisa para parar a dor. Me arrasto para a cozinha, tomando cuidado duplo ao descer as escadas, já que ainda estou um pouco tonta e me recuperando de uma quase-gripe.
Abro a geladeira e pego a encubadeira. Abro um pano e despejo alguns cubos de gelo dentro. Enrolo o pano, molho um pouco a ponta e coloco encima do meu punho.
— Aai! — murmuro e mordo meu lábio quando o gelo toca em minha pele sensível. Algumas lágrimas até chegam a escapar. De qualquer forma, o gelo alivia minha dor. Mesmo assim, se eu achasse algum remédio.
Abro uma das gavetas e cavo fundo com minha mão saudável, procurando algum remédio para dor. Em minha casa, lá em Nova York, você os encontraria em quase todas gavetas. Abro mais uma, sem sucesso. Quando termino de vasculhar todas, xingo baixo, frustrada. Resolvo procurar no banheiro.
Assim que me viro, quase tenho um ataque cardíaco. Peter estava parado atrás de mim, me observando de braços cruzados. Fecho os olhos e pouso minha mão na minha testa, tentando acalmar minha respiração.
— Você tem que parar de fazer isso! — reclamo.
— O que você está procurando?
Respiro fundo novamente, ajeitando o pano com gelo na minha mão. Agora que já estou relativamente calma, tenho que lidar com a situação. E o pior de tudo: não babar na frente dele, que estava sem nada cobrindo seu peitoral musculoso.
— Eu... ahn... Estava procurando alguma coisa para dor.
Imediatamente, Peter descruza os braços e dá um passo á frente, me olhando de cima a baixo, quase como se checasse se não há nada faltando em mim.
— Por que? Você está bem? — ele pergunta preocupado.
Meu coração se aperta. Como manterei minhas defesas se ele continuar me olhando desse jeito?
— Nada, eu só... caí de mal jeito e... Não é nada demais, na verdade...
— Deixe-me ver. — ele diz num tom quase autoritário.
Antes que eu pudesse responder, ele pega minha mão com cuidado e a examina. Tento ignorar a corrente elétrica que sobe pelo meu braço quando ele me toca. Peter franze a testa.
— Deve estar torcido, ou alguma coisa assim. Você precisa ir ao médico.
— Não, eu estou bem. Só está doendo um pouco... — Tento tirar minha mão das suas, sem sucesso.
— Não foi uma pergunta, Melanie. Pode ser coisa séria.
Solto um gemido de frustração.
— Mas eu não quero ir a médico nenhum!
Peter olha para mim e levanta as sobrancelhas.
— O que foi? Você tem medo de médicos? Quantos anos você tem, sete?
— Eu não tenho medo de médicos. Eu só não...
— Está decidido, amanhã eu vou te levar ao médico.
— Mas...
— Ah, ah, ah, sem discussão. Agora vamos dormir.
Solto um grunhido de raiva. Como ele conseguia mudar de fofo e preocupado para chato e mandão?
— Você é... impossível! — explodo.
— E você vai me agradecer depois.
Não que eu tivesse dormido muito, mas estava num sono profundo quando sinto alguém me balançando. Achei que a rotina de sonhos interrompidos por terremotos havia parado. De qualquer forma, não é tão ruim ter Peter como a primeira visão do dia.
— Bom dia, Bela Adormecida. — ele diz quando abro meus olhos.
— Hmmm. — É o que eu respondo.
— Ok, vou dar cinco minutos para você ficar pronta para sair.
— O que? — pergunto desnorteada, me sentando.
— Visita ao médico, lembrada? Por falar nisso, como vai sua mão?
Então me lembro da dor latejante que vinha da minha mão. Dou uma espiada por debaixo da coberta. Ainda inchada.
— Ahn... Bem. — eu digo, mas soa mais como uma pergunta.
Peter revira os olhos.
— Te espero lá embaixo. Cinco minutos. — E sai.
Gemo e enterro minha cara nas cobertas. Se não soubesse que ele tinha razão, eu o deixaria mofando naquilo que ele chama de carro.
— Não me faça te jogar no carro de pijama, Melanie. Eu não estou brincando. — ouço sua voz atrás da porta.
Gemo novamente, mais alto, para ter certeza que ele ouviu, e me levanto. Procuro uma roupa, o que é difícil com duas mãos, imagine com uma. Pego um short e uma blusa simples azul. Calço meu All Star (lê-se: missão quase impossível) e arrumo meu cabelo de qualquer jeito com os dedos. Por fim, saio do quarto e vou para a cozinha.
— Finalmente. — diz Peter se levantando.
— Tente se arrumar com uma mão só, gênio. — digo. Ele revira os olhos e vai em direção á porta. — Ei, eu não posso nem tomar café da manhã?
— Claro que pode. — diz minha avó. — Sente-se e coma, querida. Peter tem que aprender a ser mais paciente.
Peter revira os olhos. Eu rio.
— É, Peter, paciência. — zombo dele me sentando.
Mesmo ganhando crédito extra da minha avó, não estou com muita fome. Depois que como o que posso (e um pouco mais), saio da casa e encontro Peter encostado no seu "carro".
— Finalmente. — ele comenta. Eu lhe dou língua e entro.
A viagem é tranquila, contando o fato dele ter se declarado para mim ainda ontem. Eu não saberia o que fazer caso o clima ficasse como no celeiro.
Quase duas horas depois, finalmente chegamos á cidade. Peter dirige até um pequeno posto verde, onde deve ser o consultório. Eu suspiro e ele me guia para dentro. Depois de um exame doloroso (aquele velho gagá não parecia entender quando eu dizia que estava doendo), o médico finalmente chega ao diagnóstico de um punho torcido. Peter ficou o tempo todo ao meu lado, segurando minha mão, sempre mantendo aquela expressão preocupada no rosto.
Depois de duas horas, um gesso novinho, e alguns remédios, estávamos livres para ir. Isso antes de eu avistar uma sorveteria. O tempo não estava tão quente, e eu passei por uma quase-gripe, mas ainda estava de férias e... bom, não há tempo ruim para sorvete.
Puxo Peter naquela direção.
— Ei! — ele reclama.
— Cale a boca. Você me fez passar por tudo isso, agora vai me pagar um sorvete.
Antes que ele pudesse falar alguma coisa, eu já estava sentada e com o pedido pronto.
Não voltamos para casa depois do sorvete. Ainda ficamos sentados por um tempo, apenas conversando. É tão natural e... gostoso. As horas passam depressa, e nenhum dos dois percebe. A única coisa que nos faz sair da nossa bolha é o barulho de uma trovoada, anunciando a chuva. Olho para o céu e vejo que já é de tarde, e o céu está nublado. Nos levantamos e vamos para o carro.
Quando ele pega minha mão no caminho de volta, meu coração acelera.
Levanto o rosto o olho. Peter está com um sorriso quase bobo no rosto. Olho para baixo e percebo que estou com uma cópia do seu sorriso. A simples sensação de sua mão na minha me faz querer rir. Será que é normal me sentir tão bem... só por um toque?
Quando entramos no carro, começa a chover, mas não estou preocupada com isso. Estou preocupada com o que está acontecenndo comigo. Agora me dou conta do quanto a presença de Peter me afeta, de um jeito bom. Meu coração ainda deveria estar batendo tão rápido? Isso nunca aconteceu antes. Será que...
Não, isso é besteira. Peter é meu amigo, só isso. Eu o conheço desde pequena. Mesmo que não admita, adoro passar o tempo com ele. Ontem ele disse que me amava, mas que isso não é problema meu. Eu não deveria me preocupar...
— Está tudo bem? — ele pergunta, mas não presto muita atenção.
Por que, subitamente, eu me importo tanto? Ele é meu amigo, claro que me importo se ele está sofrendo. Ele é meu amigo. Mas será que...
— Melanie? — ele pergunta.
— Pare o carro.
— O que...
— Pare o carro! — insisto. Peter pisa no freio.
Isso não pode estar acontecendo. Eu não posso estar... me apaixonando. Não, não, não. Peter é meu amigo. Amigo... É errado me sentir tão atraída e querer tanto beijar um amigo?
— Melanie, o que está acontecendo? — Peter pergunta, agora preocupado.
— Você tem certeza?
Ele pisca, confuso.
— Certeza de quê?
— Do que você me disse ontem. — digo olhando para ele. — Você tem certeza?
— Ah... — ele diz, finalmente entendendo. Pisca novamente. — Sim, eu tenho.
Balanço a cabeça devagar, coração batendo mais rápido. Eu o olho nos olhos, deixando que a ideia de estar apaixonada afundasse na minha mente... e se encaixasse perfeitamente.
— Melanie, o que... — ele começa a perguntar.
Eu o interrompo, colocando uma mão em sua nuca e pressionando meus lábios contra os seus. Apenas alguns segundos depois, e antes de qualquer reação, me afasto. Encaro seus olhos confusos, ofegante, e sorrio. Peter me olha como se eu fosse louca.
— Ok, o que...
— Cale a boce e me beije. — digo sorrindo.
Ele fica sem reação por mais um tempo, antes de esmagar meus lábios com os seus. Assim como da outra vez, a coisa muda rapidamente, e logo o beijo se torna urgente. Ainda há uma distância muito grande entre nós, e eu a zero, passando para o seu colo, com as pernas nos lados do seu quadril. Apoio um cotovelo em seu ombro, a mão boa bagunça seu cabelo. Suas mãos descem e sobem pelas minhas costas, ora parando na minha cintura.
Por fim nos afastamos centímetros, só para colar nossas testas. Abro os olhos só para ver que ele não abriu os dele. Não há o que dizer. Então Peter sorri, e eu o acompanho. É o suficiente para substituir as palavras
Notas finais
Eu não aguentei :/ Pensei em dividir, mas não ia ficar tão legal,então foi inteiro mesmo :)
O QUE VOCÊS ACHARAM?? Minha opinião não vale, já que fui eu quem escrevi. Na verdade, nem gostei muito, mas enfim.
Espero que tenha gostado!! Reviews pleeeease!
O QUE VOCÊS ACHARAM?? Minha opinião não vale, já que fui eu quem escrevi. Na verdade, nem gostei muito, mas enfim.
Espero que tenha gostado!! Reviews pleeeease!
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