What Comes With The Wind
11 10 - Máscara
Notas iniciais
Não vou mais tomar tempo de vocês. Desculpas e motivos da demora lá embaixo. Boa leitura!
A viajem de volta para casa é silenciosa e torturante. Me incomoda profundamente o fato da minha mente não conseguir se distrair da presença de Peter no banco da frente. Tenho certeza que mesmo que ele nem estivesse ali, eu estaria pensando na mesma coisa, remoendo o que havia acontecido. Ainda me esforço para entender sua atitude, tanto quanto me esforço para não ficar magoada.
"Esqueça isso, ok? Eu sinto muito, não deveria ter acontecido"
Ele deve estar brincando comigo.
Finalmente, chegamos em casa. Assim que o carro para, saio e vou direto para dentro, sem nem olhar para trás ou esperar nada. Vou direto para o meu quarto, batendo a porta atrás de mim. Tiro minhas botas e as jogo com força para o outro lado do quarto, xingando baixo.
— Aquele idiota, idiota. Deve ser bipolar, filho da mãe. — resmungo como uma velha.
Quero simplesmente deitar e dormir, mas do jeito que fiquei depois de toda aquela dança, não vai dar. Pego minha toalha e meu "pijama" e saio do quarto. Quando abro a porta, Peter está entrando em seu quarto, do outro lado do corredor. Ignoro-o e vou para o banheiro, mas antes que eu entre, ele fala:
— Olha, Melanie, eu realmente...
— Cale a boca, ok? — eu o interrompo, impaciente. — Só cale a boca. — e me tranco no banheiro.
Encosto na porta e respiro fundo. Meus olhos começam a arder, então os fecho com força, para me acalmar. O banho frio me relaxa, e até me deixa sonolenta.
Saio do banheiro e vou para o quarto. Jogo a toalha molhada no canto do quarto e me meto embaixo das cobertas. Adormeço rapidamente, mas meus sonhos não são tão calmos.
Acordo sozinha de manhã, sem precisar de ninguém me balançando. Olho para o
relógio na parede e vejo que são 6 horas. Belo timing, Melanie.
Como sei que não vou conseguir dormir novamente, arrumo meu cabelo e desço as escadas, de pijama mesmo. Encontro minha avó e Peter pondo a mesa. Ele fica sem reação por alguns segundos, olhando fixamente para mim. Então balança a cabeça e volta para o que estava fazendo.
— Bom dia, Melanie. — a diz minha avó — Acordou cedo hoje.
— É eu me acostumei... acho. — respondo me sentando. — Bom dia, Peter. — digo com a voz mais gentil, e até indiferente, possível.
Ele olha para mim como se nunca tivesse me visto. Então dá um pequeno sorriso, quase aliviado.
— Bom dia, Melanie. — ele responde calmamente.
Pois é, cheguei a conclusão de que, sabendo que não o enfrentarei, já que não saberia o que fazer e acabaria quebrando minha cara, apenas deixaria ir. Não esquecerei (ainda não acredito nisso, que besteira), mas ignorarei, fingirei que não aconteceu.
Então o café corre calmamente. Participo das conversas sobre a noite anterior e não poupo elogios.
— A propósito, Peter, Billy me disse que vem vindo uma tempestade essa semana. Você pode cortar lenha? Vai ficar frio.- diz minha avó. Peter concorda com um dar de ombros.
— Tempestade? Mas é verão! — reclamo.
— É só uma frente fria, querida. Não vai durar muito. Mas você poderia muito bem aproveitar o sol. O dia está lindo.
Decido aceitar a oferta. Depois de ajudar a tirar a mesa (viu, sou um anjo ), subo para trocar de roupa. Depois de tirar as que estava vestindo, vou para o armário pegar algo decente.
Ouço duas batidas rápidas na porta.
— Está vestida? — pergunta Peter. Antes que eu consiga abrir a boca para responder, ele entra no quarto. Nunca vou entender por que as pessoas batem na porta se nem esperam uma permissão para entrar. Se Peter usasse a lógica da batida na porta, ele não me veria num estado pior do que de pijama: apenas e calcinha e sutiã.
Seus olhos se arregalam e ele congela. Até eu paraliso, sem ação, até a ficha cair e eu me cobrir com minha coberta.
— Peter! — reclamo.
— Ah, droga, desculpa! — ele fecha os olhos e fica de costas. — Eu só vim avisar que Jo está vindo para cá.
— E você precisava invadir meu quarto para dizer isso?
— Anh... Sim? Quero dizer, não! Eu, hum... É, eu vou sair daqui. — e sai rapidinho.
Fico mais algum tempo parada, processando o que havia acontecido. Toda a vergonha que não veio na hora por falta de tempo, agora faz meu rosto queimar. Não acredito que Peter me viu assim Não que eu tenha vergonha do meu corpo nem nada, mas, sinceramente, nenhuma garota quer ser vista com roupas de baixo, muito menos por um cara gato como Peter.
Visto um short e uma camiseta. Calço minha bota, já que parece que nenhum outro tipo de calçado se encaixa aqui. Desço as escadas devagar, mais como uma espiã, tentando evitar encontrar Peter.
Na varanda, encosto-me ao parapeito e olho para o horizonte, sentindo o ar fresco. Vejo a famosa bicicleta vermelha vindo pela estrada de terra. Jo encosta a bicicleta numa árvore e vem até mim.
— Ei, a aí? — ela diz. — Recuperada de ontem à noite?
— Não completamente. — respondo. Olho para ela e levanto as sobrancelhas. — Então, o que quer fazer?
— Não sei. Podíamos ver se sua avó precisa de alguma coisa.
Eu faço uma careta, mas acabo cedendo, sabendo que seria a melhor oferta que conseguiria. Entramos e encontramos minha avó na cozinha. Como sempre, ficamos com o trabalho de ajudá-la a cozinhar. Ela nos entrega uma bacia de legumes para cortamos. Sentamos na varanda e começamos a trabalhar.
Bom, Jo começa a trabalhar. Eu fico olhando enquanto ela corta os legumes em pequenos cubos, depois devolvendo-os para a bacia. Encaro minha faca afiada, e nem tento imitar os movimentos de Jo-ninguém quer encontrar um dedo na sopa.
Jo pigarreia.
— Então. .. tudo bem? — ela pergunta.
Eu olho para ela e pisco. Ela já não havia perguntado isso?
— Estou bem- respondo.
Jo muda de posição na cadeira.
— Quero dizer... — ela se aproxima de mim, como se tivesse dividindo um segredo. — Entre vocês dois.
Meus olhos se arregalam tanto que quase saem das órbitas. Minha boca se abre em um O perfeito. Tento recompor minha expressão.
— Do que você está falando? — pergunto com a voz baixa.
Jo me lança um sorriso confidente.
— Ah, não finja que não sabe. Eu vi vocês dois escapando ontem a noite. Eu não fui atrás, porque não sou boba, você sabe, mas vi suas caras quando voltaram. Não diga que não aconteceu nada.
Eu balanço a cabeça e desvio o olhar para o horizonte.
— Ainda não sei do que você está falando. Não aconteceu nada ontem a noite.
— Nada.... Nada? Nada mesmo? — ela pergunta desconfiada.
— Nada mesmo. — confirmo, aliviada por parecer confiante. Louca para mudar de assunto, me abano com a mão e me levanto. — Está calor aqui, não é? Vou beber água, quer também?
- Não, eu estou bem. – ela responde com a voz carregada de suspeita.
Ando rápido até a cozinha. Me encosto na pia e respiro fundo. Que situação! Imagine só minha cara de Jo tivesse visto alguma coisa... Não, ela não viu nada. Estava escuro, ninguém viu nada. Mas e se...
Tiro esse pensamento da cabeça e me viro para a geladeira, pegando a garrafa d’água. Ouço uma voz masculina na porta, e quando me viro me deparo com a figura suada e indecente de Peter, sem camisa. Minha respiração é interrompida e quase derrubo a garrafa, tanto pelo susto quanto por... Bom, aqui está Peter sem camisa na minha frente, e isso é motivo suficiente até para desmaiar.
- Meu Deus, Peter, que susto! – digo sem ar.
- Desculpe. – ele diz, vindo em minha direção. – Não desmaie.
Não respondo. Apenas pego um copo e o encho de água, bebendo em seguida. Sigo Peter com os olhos, observando-o pegar um copo e tomar a garrafa de minhas mãos. Depois se apoia na pia, bem ao meu lado. Bebemos em silêncio. Na verdade, secamos a garrafa. O silêncio não é algo que se possa dizer confortável. Há muita tensão, algo “pesado” no ar.
Depois de um tempo, Peter pigarreia.
- Bom, tenho que voltar ao trabalho. – ele diz.
- Eu também – digo. Encho a garrafa novamente, a coloco na geladeira e me viro para sair. Peter vem atrás de mim, e algo faz meus pelos da nuca se eriçarem. Quando chegamos á porta semiaberta da cozinha, posso ouvir Jo voltando rapidamente para sua cadeira. Reviro os olhos. Bela espiã, Jo. Ao voltar para onde estava, provavelmente os estábulos, Peter tenta bagunçar os cabelos de Jo, que desvia sua mão com um tapa de leve, rindo. Sento na cadeira onde estava e observo ele se distanciar.
- Tudo bem? – pergunta Jo. Eu a olho e ela está de novo com aquela expressão desconfiada, segurando um sorriso.
- Ah, cale a boca. – respondo.
Notas finais
1- Deixei meu blog de resources em hiatus por um tempo, então fiquem ocupada fazendo algumas alterações e materiais para postar.
2- Quem escreve sabe que é horrivel passar por um bloqueio criativo. Pois é, aconteceu comigo (de novo)
3- Meu dropbox parou de funcionar, então só podia escrever no PC, e eu acabava me distraindo
4- Achei uma fic liiiinda e me viciei completamente. Fiquei tão inspirada e leve que já comecei a criar o "esqueleto" da minha próxima fic.
Ok, quem leu isso já sabe porque demorei. Me desculpem (de novo).
Até o próximo cap!
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