What Comes With The Wind
9 08 - Memória molhadas
Notas iniciais
Espero que gostem!!
Rolamos na grama enquanto tento arrancar pelo menos um olho verde de Peter. Meu plano de ataque falhou quando pulei para cima dele, e o desgraçado segurou meus braços. Agora tudo que posso fazer é gritar e tentar me soltar.
- Ok, Melanie, me desculpe! — Peter se rende. — Agora chega disso!
- Só paro com seu sangue, seu idiota! — grito de volta.
Um segundo depois, ele me empurra com força para trás e minhas costas batem no chão. Peter se levanta rapidamente, recuperando o fôlego. Eu o olho estarrecida.
- Você me empurrou! — eu ofego. Fico em p num salto e parto para cima dele. — Seu filho da mãe!
Mas antes que eu pudesse acertar um soco em seu rostinho bonitinho, Peter se abaixa e encaixa sem ombro em minha barriga, ajeitando a postura em seguida. E começa a andar para o lado oposto da casa, me carregando como um saco de farinha. Um saco bem fedorento, devo dizer.
- Me coloque no chão agora! — berro.- AGORA!
- Você est muito estressadinha. Vou te levar para um lugar para você se acalmar.
Eu esperneio com mais fora.
- Para onde você vai me levar?
Peter solta um risadinha.
- Você vai ver.
Ele me leva para mais longe, até entrarmos numa mata. Estava comeando a ficar com medo dali. Seria um timo lugar para esconder um corpo. Ao longe, comeo a ouvir o que parece ser um rio. E mesmo. Peter me coloca no chão. Estamos numa pedra, e alguns metros abaixo est um rio largo, com uma cachoeira. É um lugar lindo, com flores coloridas nas margens.
- Bonito, não? — comenta Peter.
- Eu me lembro daqui. — murmuro. Tinha algo familiar naquelas flores e no barulho da água caindo.
- Vínhamos aqui quando crianças.
Eu olho para ele com desconfiança.
- Porquê você me trouxe aqui? — pergunto.
Ele dá alguns passos em minha direção. Minha postura enrijece.
- Est fazendo um dia lindo e nós estamos todos sujos. Nada melhor do que um banho de rio.
Eu travo. Faz anos que não nado, e por um bom motivo. Não sei nadar, e só em pensar em entrar naquela água quase desconhecida já sinto medo.
- Você quer dizer, tipo... nadar? — digo com a voz trêmula.
- Não, Melanie, plantar peixes. — diz Peter revirando os olhos — Sim, vamos nadar.
Cruzo os braços para esconder o medo.
- Não quero nadar. Vou voltar para casa. — Vou andando, mas quando chego ao seu lado, ele segura meus braços e me empurra de volta para onde eu estava.
- Qual é, só um mergulho. — ele tenta me convencer. Então olha nos meus olhos e diz a única frase que me faz topar tudo: — Eu te desafio.
Travamos uma luta de olhares durante alguns segundo, mas seu famoso sorriso irritante dizia que ele sabia que eu havia desistido. Bufo, reviro os olhos e me viro para a beira da pedra. Respiro fundo algumas vezes, reunindo coragem.
- Tudo bem aí? — pergunta Peter, me provocando.
- Cale a boca.- respondo. Puxo o ar mais uma vez e pulo.
O vento bate no meu rosto durante dois segundos antes da água gelada me engolir. Quando volto á superfície, me sinto ótima. A água gelada é realmente refrescante.
A felicidade dura apenas segundos, antes que eu afunde de novo. Não sei como bater rápido o suficiente, não consigo emergir. Meus pulmões gritam por ar. Consigo chegar à superfície por tempo suficiente para recuperar o fôlego, mas logo afundo novamente. As memórias me atingem em cheio enquanto bato minhas pernas com força. O desespero trava minha garganta, mas a única que faço ao retornar a superfície e berrar. Nem a tempo de respirar novamente antes da água tomar conta...
Eu tinha seis anos e estávamos de férias em Montauk. Haviam mais famílias se divertindo na praia, curtindo a areia clara e o mar azul. E era uma das crianças construindo castelos de areia. De vez em quando, olhava para meus pais, sentados em cadeiras de praia embaixo de um grande guarda-sol colorido, e gritava coisas como "Olha meu castelo, mamãe? " e "Não está lindo, papai? ". Eles sorriam e acenavam.
Num momento do dia, saímos para uma caminhada. Andamos até todos os outros ficarem longe o suficiente para serem apenas pontos negros. Eu me revezava entre correr na beira da água e entre meus pais, que andavam de mãos dadas. Acho que essa é uma das últimas lembranças dos dois demostrando afeto um a outro. A separação veio um pouco mais de um ano depois.
Eu estava andando no espelho d'água, até uma pedra larga e cheia de pequenas conchinhas. Peguei algumas e corri para mostrá-los, dando um pulinho para o que achava ainda ser o espelho d'água. Não era. A pedra na verdade era o limite do mar. Afundei com tudo na água, sem nem ao menos ter tempo de tomar ar. Balancei minhas pernas curtas com força, mas era o mesmo que nada. Meus pulmões queimavam.
- Melanie! — ouço meu pai gritar antes da agua se agitar ao meu lado e eu ser puxada para cima.
O mesmo acontece agora, mas não estou na praia e nem é meu pai que me salva. Braços fortes me puxam para a superfície. Abraço seu pescoço com força, com medo de afundar novamente. A água gelada já não é tão agradável, e estou tremendo violentamente. Começo a soluçar em sem ombro.
- Ei, ei, está tudo bem, eu peguei você. Está tudo bem.- Peter tenta me acalmar. — Vamos sair daqui.
Ele me carrega até a margem, e nem por um segundo, penso em soltar seu pescoço. Peter me senta encostada numa árvore, onde me encolho, encostando e cabeça nos joelhos. Os soluços vem mais fortes pelo meu peito, e continuo a tremer. Peter se ajoelha ao meu lado e põe uma mão no meu ombro, claramente sem ação.
- Você está bem? — ele pergunta.
Não consigo responder por um tempo. Talvez, se tentasse falar, morderia minha língua. Respiro fundo repetidas vezes para me acalmar. Levanto a cabeça e a encosto no tronco da árvore.
- V-vou fi-ficar bem.- murmurou.
De repente, Peter me abraça. Meu cérebro meio-congelado demora para processar o que esta acontecendo. Acabo cedendo e o abraçando de volta, parte porque me sinto aquecida em seus braços, parte porque simplesmente me sinto bem.
- Você quase me matou de susto quando não voltou para a superfície. Por quê não disse que não sabia nadar?
- Você me desafiou.- respondo.
Ele ri.
- Boa resposta. — e se afasta, me olhando com seus grandes olhos verdes azulados. — Desculpe.
Dou um sorriso fraco e reviro um pouco os olhos.
- Tá bom, que seja. Podemos voltar agora? Antes que eu tenha uma hipotermia.
Notas finais
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