What Comes With The Wind
10 09 - Super ciente
Notas iniciais
Para todas que clamaram, imploraram, o tão esperado capítulo chegou-ou!!
Até lá embaixo!
Percebi que meu dia iria tomar um rumo desagradável quando minha avó me aparece com um vestido florido.
Tudo estava indo ás mil maravilhas. Eu estava com a cara enterrada (bom, não lateralmente) no meu café da manhã, que consistia em um prato com um pouco de tudo que havia na mesa. Peter estava do outro lado da mesa, comendo calmamente, como um ser humano normal.
- O prato não vai sair correndo, Melanie. — ele disse. Eu o ignoro, já que minha fome é mais importante
Faz uma semana desde o acidente na lagoa, e de alguma forma, e ele parecemos cada vez mais próximos. Talvez fosse inevitável que nossa amizade voltasse á tona, mesmo que agora Peter esteja um milhão de vezes mais chato e irritante do que quando tínhamos seis anos.
Voltando ao caso do vestido florido. Então, eu tinha toda minha atenção voltada para o meu prato, atá minha avó me chamar. Olho para trás e ela está segurando a peça de roupa mais alegre que já vi. O vestido é cor creme claro, com estampa de flores coloridas. Tem a cintura marcada e o comprimento era até os joelhos.
- O que acha? — ela pergunta para mim, com um sorriso cheio de expectativa no rosto.
- Ele é... hum... Bonito. — respondo sem jeito.
- Ah, que bom que gostou! Fiz especialmente para você usar no baile hoje a noite.
- Que baile? — pergunto.
- Chama-se baile da colheita. — Peter explica enquanto tira os pratos da mesa. — Só para comemorar a boa colheita, conversar, comer, beber...
- Beber não, mocinho. — disse Abigail em tom de brincadeira.
Eu olho bem para o vestido. Não é muito meu estilo, mas também não é tao feio, nem tão abominável. Dou o sorriso mais animado que consigo.
- Parece divertido.
- E é, a menos que você não goste de dançar. — comenta Peter.
Eu torço o nariz. Dançar?
- Dançar?
- Isso mesmo, baby. — diz ele. Depois faz um passinho do que parece ser uma lambada bem fajuta. Depois olha para mim e dá uma piscada- Dança. — ele diz no tom de voz mais galante possível.
A cena é demais para mim, e desmorono de rir. A cena foi tão ridícula que até minha avó começa a rir.
- Você é ridículo. — digo quando consigo me recuperar.
- Você gosta. — ele responde no mesmo tom de voz sedutor.
Nada mal, penso, me olhando no espelho.
O vestido é exatamente meu tamanho, com as flores coloridas se desacando em minha pele clara. Pus minhas botas (claro, depois de limpá-las) e arrumei meus cabelos negros em uma trança cai sobre meu ombro.
Estou parecendo uma caipira, mas pelo menos sou uma caipira decente.
- Voc est demais! — diz Jo, sentada na minha cama.
Jo havia aparecido aqui no final da tarde (literalmente aparecido, uma vez que ela surgiu do nada numa bicicleta vermelha), com a brilhante ideia de nos arrumarmos juntas. "Vai ser tão divertido! "ela exclamou enquanto me puxava escada acima. E não parou de falar desde que entramos no quarto. Juro que estava dando o melhor de mim para conseguir acompanhá-la, mas as informações eram jogadas em mim com tanta velocidade que me sentia uma boia perdida no meio do oceano.
Jo se levanta e para ao meu lado. Ela está usando uma saia rodada azul clara, acima dos joelhos, e uma camiseta amarela. Seus cabelos loiros estão soltos.
- A noite vai ser tão divertida! Seu primeiro baile da colheita! — ela diz me abraçando.
- Vocês querem ficar para a limpeza ou o quê? — Peter grita da sala.
- Ora, não as apresse, estão se arrumanado, como qualquer garota. Nos meus tempos jovens eu não gostava nem um pouco de sair desarrumada. — defende Abigail. É incrível como pessoas mais velhas conseguem relacionar tudo que acontece com seus "tempos jovens". Tenho certeza que Peter bufou e revirou os olhos, assim como eu.
Puxo Jo para fora do quarto e a arrasto escada abaixo.
- Ah, finalmente- diz Peter. Sua voz vai morrendo durante a palavra, até que se cala. Ele está olhando para mim com os olhos verdes um pouco arregalados. Me sinto desconfortável, mas não posso também deixar de reparar em sua camisa gola V. Sinto meu pescoço ficar quente. Alguém precisa dar um cachecol para esse garoto.
- Bom, vamos logo- ele diz depois de alguns segundos.
Nós quatro andamos at o carro. Fico no banco de trás da camionete co Jo, que já recomeça o falatório. Fico calada a viagem toda, assim como Peter. Alguma coisa me faz olhar repetidas vezes para as costas do banco a minha frente, onde ele está sentado.
Depois de alguns (mentira, muitos) minutos, chegamos a outra fazenda, onde seria o baile. Lâmpadas decoram todo o gramado até a casa, também bastante iluminada. Estacionamos a camionete junto com os outros carros e saimos. A casa já está cheia de pessoas que nunca vi, e se vi, não me lembro. Mas essas mesmas pessoas nos recepcionam com alegria quando entramos, gritando cumprimentos enquanto passamos.
Nunca estive aqui, mas sinto como estivesse entre amigos. É agradável.
A noite corre maravilhosamente bem. Me divirto e rio bastante, sem ter que me preocupar em ser simpática. Até minha atenção se voltar para a comida. Juro, os cozinheiros dos deuses moram em fazendas. Como tanto quanto o maior homem daqui. Ignoro os olhares incrédulos que recebo enquanto repito uma das sobremesas.
Então algo além eo cheiro da comida enche a sala : Música. Uma melodia animada começa a tocar, e as pessoas prontamente se ocupam em afastar as mesas e cadeiras para os cantos. Fico em pé sem saber o que fazer. Então todos param, e alguns homens gritam incentivos para a pequena banda. Imediatamente a música começa a ficar ainda mais animada e ritmada, e a sala se enche de dançarinos. Penso em escapulir para fora, mas alguém me puxa para dentro da festa.
Sou conhecida por ter dois pés esquerdos, sem nenhuma habilidade em dança. Consigo estragar ate o famoso "dois para lá, dois para cá". Mas nunca dancei tanto na minha vida como nessa noite.
Sou rodopiada por entre as pessoas, mudando de par a cada conjunto de batidas da música. Rio alto, também nunca me diverti tanto. Aqui, as pessoas não se importam se pisam no seu pé, ou se seu par desajeitada como um pato. Se está se movendo no ritmo, está tudo bem.
Mais uma troca de duplas. Desta vez paro em braços fortes, conhecidos. Não preciso olhar para cima para saber a cor dos olhos que estariam me esperando.
- Finalmente, achei que encerraria a noite sem ter a honra de dançar com voc. — diz Peter.
Estou tão leve por conta da dança que nem penso em uma boa resposta para dar. Apenas rio e deixo que ele me conduza pela sala. Mas dança é diferente das outras. Eu estou super ciente do seu braço ao redor da minha cintura, e da sua mão apertando a minha. Estamos próximos, consigo ouvir sua risada e sentir sua respiração acelerada.
Quando a batida acaba, Peter não me solta.
- Vamos tomar um ar.- ele fala próximo ao meu ouvido, por conta do barulho. Meus pêlos da nuca se arrepiam. Eu digo que sim, e ele me puxa pela mão para fora da casa.
O vento do lado de fora e fresco e frio, delicioso em minha pele quente e suada. Me apoio na amurada de madeira da larga varanda, respirando o ar fresco, sem parar de rir. Peter se apoia ao meu lado e me acompanha.
- Isso foi... Incrível! — digo.
- Não tinha certeza você ia gostar. — diz ele.
- E porquê não?
Peter dá de ombros.
- Sei lá, não sei o que garotas como você gostam. Você sabe, duronas, sérias. .. baixinhas.
Dou um tapa em seu ombro.
- Cale a boca. — digo sem conseguir esconder um sorriso. Aparentemente nada poderia me irritar de verdade essa noite.
- Mas uma coisa eu sabia. Você come como um homem. — ele continua, e recebe mais tapas.
- Você é um idiota, e precisei de menos 24 horas para descobrir isso.
Peter cerra os olhos, como se tentasse se lembar.
- Como foi mesmo? Ah, sim, quando você tentou me afogar com uma mangueira.
- Você começou. — me defendo. Ele continua me olhando, com as sobrancelhas erguidas. — O que foi? Eu não vou pedir desculpas!
- Claro que não.Você ê um monstrino sem coração. — E faz uma cara digna de pena, ou de um tapa.
- Cala a boca- repido, rindo da sua cara ridícula.
Dou as costas para ele, desço as escadas da varanda e começo a andar pelo gramado.
-Posso saber aonde você está indo? — pergunta Peter atrás de mim.
- Quero dar uma volta.- respondo sem me virar.
- Ok, então. Só não diga que tem medo do escuro.
E quanto mais nos afastamos da iluminação da casa pelo gramado, vai ficando mais escuro. Paro e me encosto em uma árvore, onde já fica difícil enxergar.
- Podemos voltar agora? — pergunta Peter.
Eu levanto as sobrancelhas.
- Estou começando a pensar que é você quem tem medo do escuro.
Ele bufa e vem para o meu lado na árvore. Eu respiro fundo e olho para o céu. As estrelas se multiplicam em milhões de pontos brilhantes campo escuro. Suspiro.
- Não me lembro de ver tantas estrelas de vez. — comento depois de alguns minutos de silêncio. — São tão bonitas.
- São mesmo. — diz Peter. Mas sinto que ele não está olhando para cima. Viro a cabeça para o lado e o pego me encarando.
- O que foi? — pergunto, mas minha voz não passa de um murmúrio.
- Nada. — ele responde, desviando o olhar. E se afasta do tronco. — Vamos agora?
Também me afasto do tronco, mas é claro que meu pé prende em uma raiz e eu tropeço. Peter me segura pelos cotovelos, o que faz minha testa bater em seu peito. Mais uma vez estou super ciente das suas mãos me segurando, sua proximidade me deixando corada no escuro, minha respiração se acelerando.
- Obrigada. — digo com minha voz fraca novamente. Tento evitar por mais tempo possível levantar a cabeça, mas não resisto de olho para cima. Seus olhos estão grudados em mim.
Peter não responde. Mas me beija.
No momento em que nossos lábios se tocam, minha mente sobre um blackout.Meus olhos se fecham. Quando o beijo se aprofunda, me sinto queimando por dentro, experimentando uma sensação nova, mas difícil de descrever como bos ou ruim.Quase não sinto o troco da árvore batendo de leve nas minhas costas, mas estou ciente das mãos de Peter apertando minha cintura. As minhas vão para sua nuca, bagunçam seu cabelo, e nem sei o que estou fazendo.Por fim, sem ar, nos separamos. No espaço mínimo se alguns centímentros, vejo que seus olhos ainda estão fechados. Não sei o que falar.
Então seus olhos se abrem e olham para mim, arregalados.
- Ah, merda. Merda! — ele murmura, como se desse uma bronca em si mesmo. Dá um passo para trás, se afastando o máximo. — Me descupe. Eu... ah,merda! Me desculpe.
Fico confusa, principalmente porque ele parece nervoso.
- Por que você...
- Esqueça isso, ok? Eu sinto muito, não deveria ter acontecido. — ele diz.
- Tudo bem, eu... — eu digo, tentando parecer indiferente.Peter parece mais aliviado, ainda se xingando e parecendo nervoso consigo mesmo.
- Vamos, voltar, ok? Está ficando tarde.
Concordo com a cabeça e ando atrás dele em silêncio.Nem morta esqueceria esse beijo.
Notas finais
Ok, foi horrive, mas me contem se gostaram do tão esperado beijo!!
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