What Comes With The Wind

9 08 - Memória molhadas


Notas iniciais
Oláá gentees. Decidi dar um fim nesse papo de só postar nos sábados, porque não estava funcionando e porque prefiro ficar sem prasos. Por outro lado, os capítulos estão se escrevendo mais rápido, graças ao DropBox, então posso escrevê-los pelo celular, já que no pc eu me distraio.
Espero que gostem!!

Rolamos na grama enquanto tento arrancar pelo menos um olho verde de Peter. Meu plano de ataque falhou quando pulei para cima dele, e o desgraçado segurou meus braços. Agora tudo que posso fazer é gritar e tentar me soltar.

- Ok, Melanie, me desculpe! — Peter se rende. — Agora chega disso!

- Só paro com seu sangue, seu idiota! — grito de volta.

Um segundo depois, ele me empurra com força para trás e minhas costas batem no chão. Peter se levanta rapidamente, recuperando o fôlego. Eu o olho estarrecida.

- Você me empurrou! — eu ofego. Fico em p num salto e parto para cima dele. — Seu filho da mãe!

Mas antes que eu pudesse acertar um soco em seu rostinho bonitinho, Peter se abaixa e encaixa sem ombro em minha barriga, ajeitando a postura em seguida. E começa a andar para o lado oposto da casa, me carregando como um saco de farinha. Um saco bem fedorento, devo dizer.

- Me coloque no chão agora! — berro.- AGORA!

- Você est muito estressadinha. Vou te levar para um lugar para você se acalmar.

Eu esperneio com mais fora.

- Para onde você vai me levar?

Peter solta um risadinha.

- Você vai ver.

Ele me leva para mais longe, até entrarmos numa mata. Estava comeando a ficar com medo dali. Seria um timo lugar para esconder um corpo. Ao longe, comeo a ouvir o que parece ser um rio. E mesmo. Peter me coloca no chão. Estamos numa pedra, e alguns metros abaixo est um rio largo, com uma cachoeira. É um lugar lindo, com flores coloridas nas margens.

- Bonito, não? — comenta Peter.

- Eu me lembro daqui. — murmuro. Tinha algo familiar naquelas flores e no barulho da água caindo.

- Vínhamos aqui quando crianças.

Eu olho para ele com desconfiança.

- Porquê você me trouxe aqui? — pergunto.

Ele dá alguns passos em minha direção. Minha postura enrijece.

- Est fazendo um dia lindo e nós estamos todos sujos. Nada melhor do que um banho de rio.

Eu travo. Faz anos que não nado, e por um bom motivo. Não sei nadar, e só em pensar em entrar naquela água quase desconhecida já sinto medo.

- Você quer dizer, tipo... nadar? — digo com a voz trêmula.

- Não, Melanie, plantar peixes. — diz Peter revirando os olhos — Sim, vamos nadar.

Cruzo os braços para esconder o medo.

- Não quero nadar. Vou voltar para casa. — Vou andando, mas quando chego ao seu lado, ele segura meus braços e me empurra de volta para onde eu estava.

- Qual é, só um mergulho. — ele tenta me convencer. Então olha nos meus olhos e diz a única frase que me faz topar tudo: — Eu te desafio.

Travamos uma luta de olhares durante alguns segundo, mas seu famoso sorriso irritante dizia que ele sabia que eu havia desistido. Bufo, reviro os olhos e me viro para a beira da pedra. Respiro fundo algumas vezes, reunindo coragem.

- Tudo bem aí? — pergunta Peter, me provocando.

- Cale a boca.- respondo. Puxo o ar mais uma vez e pulo.

O vento bate no meu rosto durante dois segundos antes da água gelada me engolir. Quando volto á superfície, me sinto ótima. A água gelada é realmente refrescante.

A felicidade dura apenas segundos, antes que eu afunde de novo. Não sei como bater rápido o suficiente, não consigo emergir. Meus pulmões gritam por ar. Consigo chegar à superfície por tempo suficiente para recuperar o fôlego, mas logo afundo novamente. As memórias me atingem em cheio enquanto bato minhas pernas com força. O desespero trava minha garganta, mas a única que faço ao retornar a superfície e berrar. Nem a tempo de respirar novamente antes da água tomar conta...

Eu tinha seis anos e estávamos de férias em Montauk. Haviam mais famílias se divertindo na praia, curtindo a areia clara e o mar azul. E era uma das crianças construindo castelos de areia. De vez em quando, olhava para meus pais, sentados em cadeiras de praia embaixo de um grande guarda-sol colorido, e gritava coisas como "Olha meu castelo, mamãe? " e "Não está lindo, papai? ". Eles sorriam e acenavam.

Num momento do dia, saímos para uma caminhada. Andamos até todos os outros ficarem longe o suficiente para serem apenas pontos negros. Eu me revezava entre correr na beira da água e entre meus pais, que andavam de mãos dadas. Acho que essa é uma das últimas lembranças dos dois demostrando afeto um a outro. A separação veio um pouco mais de um ano depois.

Eu estava andando no espelho d'água, até uma pedra larga e cheia de pequenas conchinhas. Peguei algumas e corri para mostrá-los, dando um pulinho para o que achava ainda ser o espelho d'água. Não era. A pedra na verdade era o limite do mar. Afundei com tudo na água, sem nem ao menos ter tempo de tomar ar. Balancei minhas pernas curtas com força, mas era o mesmo que nada. Meus pulmões queimavam.

- Melanie! — ouço meu pai gritar antes da agua se agitar ao meu lado e eu ser puxada para cima.

O mesmo acontece agora, mas não estou na praia e nem é meu pai que me salva. Braços fortes me puxam para a superfície. Abraço seu pescoço com força, com medo de afundar novamente. A água gelada já não é tão agradável, e estou tremendo violentamente. Começo a soluçar em sem ombro.

- Ei, ei, está tudo bem, eu peguei você. Está tudo bem.- Peter tenta me acalmar. — Vamos sair daqui.

Ele me carrega até a margem, e nem por um segundo, penso em soltar seu pescoço. Peter me senta encostada numa árvore, onde me encolho, encostando e cabeça nos joelhos. Os soluços vem mais fortes pelo meu peito, e continuo a tremer. Peter se ajoelha ao meu lado e põe uma mão no meu ombro, claramente sem ação.

- Você está bem? — ele pergunta.

Não consigo responder por um tempo. Talvez, se tentasse falar, morderia minha língua. Respiro fundo repetidas vezes para me acalmar. Levanto a cabeça e a encosto no tronco da árvore.

- V-vou fi-ficar bem.- murmurou.

De repente, Peter me abraça. Meu cérebro meio-congelado demora para processar o que esta acontecendo. Acabo cedendo e o abraçando de volta, parte porque me sinto aquecida em seus braços, parte porque simplesmente me sinto bem.

- Você quase me matou de susto quando não voltou para a superfície. Por quê não disse que não sabia nadar?

- Você me desafiou.- respondo.

Ele ri.

- Boa resposta. — e se afasta, me olhando com seus grandes olhos verdes azulados. — Desculpe.

Dou um sorriso fraco e reviro um pouco os olhos.

- Tá bom, que seja. Podemos voltar agora? Antes que eu tenha uma hipotermia.

Notas finais
Soo? Sentiram o cheiro? Porque eu sinto cheiro de ship novo!! Acho que vou chamá-lo de "Penie" (porque é fofo e fica melhor do que "Meter")
Gostaram?