What Comes With The Wind
8 07 - Festa das galinhas
Notas iniciais
Tudo que estava em minhas mãos vai para o ar. Me apoio na bancada para recuperar o fôlego.
- Droga, Peter! Com a faca é mais rápido! — reclamo.
Ele levanta as mãos num gesto de rendição.
- Foi mal, pensei que alguém tivesse arrombando a casa.
Eu dou uma risada sarcastica.
- Ah, tá, como se alguém viesse até aqui... arrombar. — minha voz vai morrendo enquanto levanto os olhos para olhá-lo.
Peter se encontra no mais indecente estado semi-nu, usando apenas uma calça de moletom. Isso mesmo, nada na parte de cima. Meus olhos vão se arregalando e meu queixo vai caindo, e tenho que lutar para manter minha expressão neutra.
- O que você está fazendo? — ele pergunta de novo.
- Ahn... Eu fiquei com fome. — respondo tentando não gaguejar.
- E você vai comer isso a? — Peter gesticula para o que restou do ovo no chão.
E é assim que todos meus instintos de defesa são ativados. Cruzo meus braços e levanto o queixo.
- Claro que não, seu idiota. Você me assustou e ele caiu. Você deveria limpar isso aqui, senão quando minha avó acordar...
Peter da uma risadinha.
- Você não tem vergonha não? Em 17 anos não aprendeu nem a quebrar um ovo.
- Claro que eu sei! — me defendo. Ele me olha sem dizer nada e levanta uma sobrancelha. — Ok, tudo bem, eu não sei. Feliz?
Peter dá de ombros.
- Pelo menos não sou eu que vou ter que limpar isso.
Ele se aproxima, e minha postura endurece. Abre a geladeira, pega outro ovo e o coloca bem em frente ao meus olhos. Depois o abaixa e o bate suavemente na beira da frigideira. Com as pontas dos dedos, ele abre o ovo, derramando seu conteudo dentro da frigideira.
- E é assim que se quebra um ovo. — ele diz.
- Puxa vida, muito obrigada, Ana Maria.
- Disponha. Agora, por favor, tente fazer menos barulho. Vamos acordar cedo amanhã. Ou melhor, hoje. — Peter me dá as costas (belas costas, a propósito) e volta para a escada.
Sozinha, respiro fundo e solto o ar lentamente. Ligo o fogo e preparo minha refeiçãoo. Satisfeita (ou nem tanto) subo de volta para o meu quarto.
Encontro-me em um campo cheio de flores, quando o terremoto começa. Começo a ficar extremamente irritada, mesmo no sonho. Mas que droga, não se pode mais ter uma porcaria de sonho feliz nesse inferno? A raiva destrói todo o cenário feliz e eu acordo. Só para encontrar Peter em pé ao lado da minha cama.
- Bom dia, Bela Adormecida. — ele diz com a voz estremamente simptica. E simpática é uma das nicas coisas que eu não consigo ser de manhã cedo.
- O que você quer? — pergunto entre os dentes.
- É hora de acordar, temos trabalho para fazer.
- Temos? O que temos que fazer que você não possa fazer sozinho?
Peter cruza os braços e dá aquele sorriso tordo.
- Parece que a princesa tem que por a mão na massa. E com temos, eu quis dizer você tem. Ordens do seu pai.
Meu queixo cai e quase me engasgo quando tento falar.
- Como assim, ordens?
- Dizem que você tem sido uma garota muito má. Seu pai me pediu para que eu não desse moleza para você.
Jogo o edredon (viu, eu lembrei) para o lado e me levanto num salto. , dane-se que eu não esteja vestindo trajes decentes. Esse garoto estava me dando nos nervos.
- Olha aqui, quem você pensa... — eu começo falando, indo em sua direção.
- Ok, o show pode ficar para depois. Espero você lá embaixo. — diz Peter indo para a porta. Antes de sair, ele se vira. — E se você nao descer em cinco minutos, eu volto para te buscar.
Depois que ele fecha a porta eu ainda fico alguns segundos congelada em pé. Ninguém nunca falou desse jeito comigo, nem mesmo meu pai. Os meus shows são sempre escutados em silêncio.Orgulhosa do jeito que sou, não vou mesmo deixar isso passar. Visto uma roupa, calço uma bota (sem preconceitos, é bonitinha e confortável) e desço a escada. Encontro Peter encostado na parapeito da varanda de braços cruzados.
- Aleluia. — diz ele.
Eu reviro os olhos.
- O que nós vamos fazer? — pergunto.
Peter dá um sorriso torto.
- Já brincou de caça aos ovos?
- Você deve estar brincando comigo.
Aqui estou eu parada na porta do galinheiro. O cheiro que vem de dentro não é o dos agradáveis, e já existem penas no meu cabelo.
- Não mesmo. Pode ir entrando. — Peter gesticula com a mão.
Dou uns passos para frente e entro no local mal iluminado. As galinhas estão sentadas (não sei bem se galinhas sentam) em fileiras. Parecem olhar desconfidas para mim, como se penssassem " Ei, ela quer roubar nossos filhos! Não tirem os olhos dessa vadia! ". Essas aqui não parecem nem um pouco com as galinhas da Fuga das Galinhas.
Peter atira uma cesta em mim.
- Vá em frente.
Eu olho alarmada para ele.
- E que eu faço?
Peter revira os olhos.
- É só tirar o ovo de debaixo da galinha. Sem segredo. — Ele anda até uma das galinhas e delicadamente enfia a mão por debaixo dela. A galinha bate um pouco as asas e cacareja, mas Peter murmura um "Shh" e ela se acalma. Depois estende um ovo branco para mim. — Viu, é fácil.
Faço uma careta para a galinha á minha frente. Se ele consegue eu também consigo, pensei.
Me aproximo lentamente da galinha á minha frente. Ele me olha descofiada (eu não tinha idéia que galinhas podiam ser tão ameaçadoras) mas continuo indo. Estendo minha mão lentamente e a desliso por debaixo do animal. Fecho os olhos e faço uma careta enquanto rocuro um ovo. A galinha começa a cacarejar muito alto. Finalmente acho alguma coisa e puxo minha mão rapidamente. Sorrio com a vitória.
A galinha olha para mim, e vejo raiva em seus olhos.Então ela me ataca, batendo suas asas e cacarejando mais alto do que nunca. Nem precisava de uma tecla SAP para descobrir o que ela gritava para mim. Desesperada, jogo o ovo para cima, na esperança que ela me deixasse viva. É claro, que depois de algumas voltas no ar, o ovinho venho parar bem na minha cabeça. A galinha parece satisfeita, e volta para o seu lugar.
O conteúdo do ovo escorre para minha cara, e eu solto um rugido de nojo. O pior é que Peter está quase se engasgando e morrendo atrás de mim. Viro-me lentamente para lançá-lo um olhar transbordando ódio. Seu rosto está vermelho e os olhos estão cheios de lágrimas. Rindo de mim. Aí não. Empurro uma galinha de seu ninho, sem nem me importar com os protestos incansáveis, e tiro de lá dois ovos. Ando em passos duros até Peter e esmago um deles com força em sua cabeça. Ele para de rir imediatamente. Sorrio dá sua cara de idiota e esmago outro em sua testa. Ele cospe uma quantidade de ovo da sua boca enquanto continuo rindo dele.
- Gostoso, né? — pergunto.
- Ah, sua pirralha! — ele rosta. Vai até o ninho mais proximo e recarrega suas mãos com três ovos. Dou um gritinho e saio correndo dali.Peter sai correndo atrás de mim. — Volta aqui! — ele grita.
Saímos correndo pelo campo verde. Peter gritando xingamentos e eu rindo dele. Então algo duro bate nas minhas costas e eu caio de cara. Drora, fui atingida por um ovo. Quando me viro para respirar, ele já está em cima de mim.
- Quem está em desvantegem agora? — ele diz, dando um sorriso quase maníaco. — Peça desculpas, e te deixo ir.
- Desculpas? Pode esperar sentado.
- Você pediu. — E abre um ovo bem na minha cara. Tento me senta
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