What Comes With The Wind

4 03 - Salve a caminhonete doente


Notas iniciais
Oooooooi!!! desculpa a demora, prometo que agora vou tentar postar todo sábado, ok? Tá aí o cap fresquinho, enjoy!

Sonho que estou andando em uma praia. Logo a reconheço: é Montauk, onde meus pais costumavam alugar uma casa de verão quando eu era pequena. O sol é forte e a areia, macia. O mar é azul, e é um dos motivos que levaram essa praia a ser um dos lugares que eu mais amava no mundo. Vou me aproximando do mar, enterrando meus pés na areia molhada. Sinto a água gelada tocando meus dedos. De repente, tudo começa a balançar violentamente. Terremoto!, penso alarmada. Perco o equilíbrio e caio na areia. A água se aproxima com força...

- Melanie! – alguém me grita.

Abro os olhos assustada e me sento reta na cama. Sem praia, sem areia. Olho para cima e vejo Peter, de braços cruzados, com um sorrisinho satisfeito no rosto.

- Que droga, Peter! – reclamo, batendo nele com o travesseiro. – Qual é o seu problema?

Ele desvia do travesseiro e ri de mim.

- Nenhum. Eu só vim te acordar.

Eu coço o olho e bocejo.

- Que horas são?

- 6 da manhã.

Olho irritada para ele.

- 6 da manhã?! Ah, vai se ferrar, Peter, pelo amor de Deus.

- Pois é, querida, as coisas aqui são um pouco diferentes. A vida começa cedo. Agora levanta e desce pro café, estão te esperando lá embaixo.

- Ha-ha. Eu não vou descer. Ainda não acordei. – eu digo, afundado minha cabeça no travesseiro e me cobrindo até a cabeça.

Peter dá um suspiro cansado, como os que os pais dão quando as crianças começam a fazer birra, e puxa minha coberta. Eu dou um grito de indignação quando ele começa a puxar as minhas pernas e me joga no chão.

Me levanto num salto.

- Seu idiota! – eu grito e parto para cima dele. Peter segura meus braços sem muita força enquanto eu tento estapear sua cara.

- Ok, ok, chega disso. Anda, vai trocar de roupa. – ele se interrompe. Me dá um empurrãozinho para trás, ainda segurando meus braços, e me olha de cima para baixo. – Você não sente frio de noite não?

Meu rosto se esquenta imediatamente. Nem sequer me lembrei minhas roupas não estavam tão apropriadas para uma discussão com o cara daqueles. Meu pijama é simplesmente um short com menos de três palmos de cumprimento e uma blusa dois números maior que o meu.

Levanto o queixo, tentando parecer indiferente.

- Não. – respondo. Mentira, eu quase não consegui dormir, tremendo de frio embaixo da coberta fina. Tinha que me lembrar de pegar um edredom para essa noite.

Peter ri de novo.

- Então tá. – ele me solta e vai para a porta. Antes de sair, ele diz: — Rapidinho, viu? Tem trabalho para você.

Dou um urro de raiva. Não dá mais para voltar para a cama, já que estou completamente acordada. Pego uma roupa no armário, uma toalha, minha nécessaire e vou ao banheiro tomar banho. A água friazinha até melhora meu humor. Depois de um banho não tão demorado, prendo meu cabelo num rabo de cavalo e desço.

Na mesa, encontro minha vó, Peter, meu tio Paul e sua esposa, Ellen, que sorri quando me vê.

- Bom dia. – eu digo. Todos respondem um “Bom dia” animado, menos Peter, que apenas deu uma risadinha.

- Menina, você cresceu! – disse Ellen, levantando e me dando um abraço. Ela deve ter uns quarenta anos, mas aparenta menos, com seus cabelos cor de mel e seus olhos azuis-claros.

- Pois é, acontece. – eu digo, dando um sorrisinho educado. Por que as pessoas sempre me lembram do quanto eu cresci?

Sento-me e começo a comer. Na mesa há bolos, pães, suco, café e tudo que pode se ver nas mesas de café das novelas. Como até dizer chega e me recosto na cadeira.

- Peter, você pode levar a mercadoria para a cidade agora? – pergunta minha avó.

- Claro, sem problemas. – ele diz, dando de ombros e se levantando. Vai até minha avó e dá um beijo em sua cabeça.

- Obrigada, querido.

- Tchau, gente. – ele diz e sai.

Eu também estou quase saindo da mesa, para fazer alguma coisa que ainda não pensei, mas minha avó se vira para mim.

- Vai também, Melanie. – diz ela. Faço uma careta. – A menos que você queira que ajudar na cozinha.

Levanto e vou em direção a porta num salto.

- Vou ver se Peter precisa de... alguma coisa. – digo e saio.

Desço as escadas da varanda e vou atrás dele. Peter está colocando os caixotes cheios de folhas e legumes na traseira da caminhonete. Mas uma vez, desvio meus olhos dos músculos dos seus braços. Por fim, ele olha para mim.

- O que foi? – ele pergunta.

- Eu vou com você.

Peter levanta uma sobrancelha.
— É mesmo? Por essa eu não esperava.
— Eu tenho a capacidade de surpreender as pessoas. — eu digo abrindo a porta do carro e entrando. -Você vai ficar ai o dia todo ou nós podemos ir?
Peter da a volta no carro resmungando algo sobre ter de passar o verão todo cuidando de pirralhas malditas. Eu reviro os olhos.
Quando Peter dá partida no carro, ele dá um rugido alto e falha. Tenta mais duas vezes até que a lata velha finalmente liga e anda.
— Você não tem medo dessa lata velha parar no meio do caminho não? — pergunto.
— Tenha mais respeito com a Flor. Eu confio nela.
— Flor? — eu rio. Fala sério, quantos anos ele tem? Seis? — Você... Cara, é só um carro, pelo amor de Deus.
Peter olha irritado para mim.
— Não é só um carro. Eu a salvei, portanto ela merece respeito. Agora cala a boca, senão eu te largo aqui no meio do nada.
Levando as mãos num gesto de rendição e me recosto no banco. Apoio meu pé no para-brisa e olho pela janela. Tudo que dá para ver são os campos verdes e as árvores passando. Eu bufo.
— Já estamos chegando? — pergunto impaciente.
— Pensei ter mandado você calar a boca.
Eu me viro irritada para ele.
— Porque você não para de ser tão idiota? — eu grito.
— E porque você não para de ser tão insuportável? — ele grita de volta.
— E porque você não vai...
Nesse momento, ouço um estalo e o carro morre. Peter tenta ressuscitar Flor, mas ela continua sem funcionar.

Mas que merda! — ele berra, batendo as mãos no volante, depois saindo do carro. Eu vou atrás dele.
— Ah, que ótimo! Era o que faltava essa lata velha morrer no meio do nada!
Peter respira fundo para se acalmar (eu causo esse efeito nas pessoas) e levanta o capô do carro. Olha por alguns minutos, mexe em algumas coisas e suspira aliviado.
— Boas notícias, ela não está morta. Só preciso trocar a bomba de combustível.
— Então ela só... desmaiou?
Ele pondera com a cabeça.
— Mais ou menos isso. Agora só precisamos empurrar.
Eu solto uma risada incrédula, que soa mais como um cachorro engasgando.
— Como é?
Peter abaixa o capô do carro e olha para mim.
— A cidade está a menos de um quilometro de distância. A menos que você tenha uma idéia melhor.
Eu penso por uns segundos, depois solto um grunhido de frustração. Vou atrás de Peter para a traseira da caminhonete.
— Pronta? Um... dois... empurra!
O carro parece pesar mil toneladas, com todo o peso extra, mas conseguimos fazê-lo se mexer. O sol está alto e eu estou suando muito por causa do esforço, minha respiração está pesada e minhas pernas doem. Peter parece estar em melhor estado do que eu. Bem, eu não tenho todos aqueles músculos.

Mil anos depois, finalmente chegamos na cidade. Empurramos o carro até o meio-fio e desabamos lá mesmo.

- Se eu morresse – eu digo arfando. – puxaria seu pé de noite.

- Não seja dramática. Não é minha culpa se você é fraquinha.

Dou um tapa em seu braço, provocando uma pontada de dor no meu.

- Mas a culpa daquela lata velha ter “desmaiado” é completamente sua. Ninguém mandou não fazer sua merda direito.

Peter se levanta.

- Ok, vou pegar água e chamar alguém para ajudar com isso aqui. – ele diz apontando para os caixotes. – Você fica... aí.

- É, eu vou ficar bem aqui. – rosno.

Notas finais
Entããão? Não esqueçam de comentar!
p.s.: quero uma capa nova, e quero ajuda. Já sei quem vai interpretar Peter, mas quem vocês querem que interprete Melanie?
beeijos , até a próxima!