What Comes With The Wind

5 04 - Encontro forçado


Notas iniciais
Olá, leitores fantasmas. Postando hoje porque vou viajar no final de semana :)
Leiam as notas finais, ok? É importante.

Peter volta alguns minutos depois com duas garrafas de água e um cara gordo. Ele dá um gole na dele e joga uma para mim.
– Muito obrigado. — eu digo carregando no sarcasmo. Peter nem responde. Ele abre a traseira da caminhonete e puxa alguns caixotes para a borda.
– Você é a famosa Melanie? — o cara gordo pergunta para mim.
Eu olho para ele e levanto uma sobrancelha.
– Eu conheço você? — pergunto.
O gordo ri.
– Sim, mas talvez você não se lembre. Era um bebê da última vez que te vi. Sua avó me disse que você estava voltando. Ela contou para a cidade toda, na verdade.
Eu faço uma careta.
– Emocionante.
Peter coloca o último caixote no chão.
– Essa é a última.
– Ótimo. — o gordo diz olhando para as caixas. — Eu te ajudo a levá-las para dentro.
Cada um pega dois caixotes e atravessam a rua, indo em direção a um pequeno mercadinho. Sinceramente, já estou esperando que Peter caia duro no chão. Eu estou tão quebrada que mal consigo levantar!
Fico sentada no meio fio, na frente da caminhonete desmaiada, tomando água e olhando o movimento da rua. Uma menina loira, com os cabelos presos em duas tranças em seus ombros, passa por mim. Ela dá um bom dia animado, que eu respondo com um aceno com a cabeça, e continua andando. Então ela para, volta e olha para mim.
– Melanie? — ela pergunta, franzindo o nariz. Depois abre um sorriso. — Melanie!
Eu olho para ela e levanto as sobrancelhas, dando meu melhor sorriso não-sei-quem você-é.

Ah, você não deve estar lembrando porque eu tirei o aparelho. Sou eu, a Joana!
Depois de mais alguns segundos de esforço, me lembro dela. Ela era minha prima, que eu também não via há anos, filha de Paul e Ellen.
– Jo! Oi! — eu digo, me levantando. Jo me aperta num abraço de urso. Lembro que quando era pequena, a considerava minha melhor amiga, mas uma atitude como essa, hoje em dia, não me aproximaria de ninguém.
Jo se afasta e me segura pelo ombro, olhando-me de cima para baixo com os olhos arregalados.
– Eu mal acreditei quando sua avó me disse. Olha só você! Deixou o cabelo crescer e tudo!
– É, acho melhor assim.
– E como vai sua vida na cidade? Não tenho notícias suas faz anos, sabe? Nós éramos melhores amigas, lembra? Eu nem sei quando foi seu primeiro beijo!
Olho para os lados completamente desconfortável. Como ela conseguia falar tanta coisa sem recuperar o fôlego? E porque diabos fazia tantas perguntas sem nem dar um espaço para respostas? Com certeza ficaria pirada (ou a estrangularia) se tivesse que passar um dia completo com ela.
Para minha sorte (e talvez essa seja uma das únicas vezes que eu diga isso), Peter aparece.
– E aí, Jo. — ele diz casualmente.
– Olá, Peter! — ela responde, dando um beijo em sua bochecha. Eu observo a cena com as sobrancelhas erguidas de surpresa. Peter e Jo conversavam naturalmente, como dois amigos que se encontraram no parque. Nós três costumávamos ser assim, tipo "amigos para sempre". Sinto uma pontada de... inveja?

– Vai almoçar lá em casa hoje? — ele pergunta.
– Claro que sim! Nós temos muito o que conversar, certo Mel? — Jo dá um beliscão fraco na minha bochecha. Eu discretamente (ou não tão discretamente assim) me afasto meio passo dela.
– Bom, tenho que dar uma passada no Gus.
– Quem é Gus? — pergunto.
– Ele é o melhor mecânico da cidade. — responde Jo. Grandes merdas, penso comigo mesma. Não é difícil ser o melhor quando é o único. — Problemas com a Flor?
Peter me olha com as sobrancelhas erguidas como se dissesse "Viu? Carros também merecem respeito".
– É, eu vou ter que dar um jeito na bomba de combustível. Vocês podem conversar enquanto isso. Talvez demore um pouco.
Eu lanço meu melhor olhar vou-te-matar-seu-filho-da-mãe. E o desgraçado me lança um sorrisinho do tipo se-fudeu. Jo parecia radiante. Ela passa o braço pelos meus ombros e eu me esforço para não empurrá-la e sair correndo.
– Ah, que bom! Vamos, Mel, temos muuuito o que conversar.
Dou um gemido e deixo ela puxar meu corpo para longe daquele traidor.

Eu não sei quais são as definições de "pouco" para as outras pessoas. Aparentemente, para Peter, demorar um pouco significa "vou te fazer esperar duas horas".
Tudo bem, eu esperaria duas horas calmamente se ficasse em um canto, sozinha, com meu iPod. Mas, para completar minha desgraça, tive a companhia da Jo, que tinha aquele dom incrível de quase não precisar de ar para falar. Ela despejava as perguntas em mim e ainda adivinhava as respostas, tudo que eu precisava fazer era balançar a cabeça. Eu estava tão entediada e chateada que quando Peter aparece, quase dou um beijo nele. Depois lembro que foi ele quem me meteu nessa, então tenho vontade de apertar minhas mãos naquele pescoço.
– Se divertindo? — ele pergunta. Cínico. Ô ódio.
– Ah, sim! Puxa, é tanta coisa para falar, e tanto pouco tempo. — lamenta Jo.
– Mas vocês ainda vão ter todo o verão para conversar. Certo, Melanie? – ele olha para mim com aquele sorrisinho torto superior que eu já estava começando a odiar. O que na verdade era complicado, porque ele ficava muito fofo com aquele sorriso.

– Certo. – eu concordo dando um sorriso forçado e lançando mais um olhar mortal para ele. – Mas temos que ir agora.

Eu me levanto e praticamente corro para dentro do carro. Jo abraça Peter, depois passa os braços pelo meu pescoço através da abertura do vidro, o que foi bem desconfortável. O carro começa a andar e ela grita um “Vejo vocês mais tarde!”.

Quando estamos longe o suficiente para que ela não nos visse, dou um soco no braço de Peter.

– Ai! – ele reclama. – Para quê isso?

– Porque você fez aquilo? – pergunto, falando alto.

– Aquilo o que? – ele tenta fazer uma cara inocente. Mas como ele é um idiota, não consegue disfarçar por muito tempo, e começa a rir. – Ah, qual é, achei que você quisesse um momento entre amigas.

– Nós éramos amigas. Não a vejo há... Puxa, deve fazer uns seis anos. Ela foi nos visitar uma vez. – penso em voz alta.

Peter desvia o olhar da pista por um segundo e olha para mim.

– Tento flashbacks? — ele pergunta.

Dou outro soco no seu braço.

– Ei!

– Cale a boca e dirija.

Notas finais
Fiquei chateada por não ter os reviews (salve a Cacau, que foi a única. Valeu, anjo). Então, não sei se vou conseguir (ou melhor, não sei se vou querer)continuar sem o apoio de vocês. Sério, acho que ninguém consegue passar muito tempo dando o melhor de si, e sem receber nenhum reconhecimento. Desculpem pelo drama :/
p.s.: ainda quero fazer a capa para a fic, então por favor, me dêem dicas de Melanies!