Eu não esperava que fosse tão difícil me despedir de Duda, eu já passei por essa parte várias vezes, mudei muitas vezes de escola e tive que me despedir daqueles que estavam na categoria “amigos”, então eu achei que ia ser fácil, mas a Duda era uma parte maior em mim, não era minha amiga, e eu a amava profundamente.

—Por mais que eu sinta vontade, não vou pedir para você ficar, ninguém aqui merece ficar.

Disse olhando para as outras três pessoas que estavam sentadas comigo no único café com ambiente decorado da cidade, por falta de frequentação estava prestes a fechar as portas.

—Eu não sei como vai ser, estou com medo, quero dizer o meu inglês é bom, mas eu não vou ter ninguém.

Duda disse olhando para baixo, enquanto me segurava para não chorar ela já tinha os olhos vermelhos e lagrimas escorrendo para o rosto, fiz o pedido de sorvete para ela, afinal, ninguém no mundo pode ficar triste enquanto estiver com um sorvete.

Enquanto Eduardo segurava a mão dela Gabriel dava um abraço desajeitado, até todos nós rimos da situação, tinha quase certeza que eles sentiam a perda tanto quanto eu.

Vou explicar como acontece, você ama uma pessoa, daí vocês se afastam por algum motivo aleatório, consequência do destino, e então em poucas semanas você vai se ver com a janela de conversa aberta e não vai saber o que escrever, e então a dor da perda vai atingir o ponto máximo, você vai se lembrar todos os bons momentos e então vai se quebrar.

Foi assim que aconteceu comigo, mas para minha sorte dessa vez eu ficaria com esse sentimento com as outras duas partes da minha vida, Gabriel e Eduardo.

—Eu quero dizer uma coisa, na verdade não só para ela, mas para você Lua e Edu, também.

Gabriel se pronunciou pela primeira vez, seus olhos também estavam vermelhos de chorar.

—Vocês sabem pelo o que eu passei, e nunca na minha existência pessoas tiveram tanto significado para mim, como vocês. Não vou dizer o quanto porque: 1- é impossível e 2- não quero, mas é profundo, e isso está sendo tão doloroso, e o único consolo é saber que alguém aqui vai se dar bem.

— Estou atrasada – Duda disse conferindo o relógio -, mas eu quero dizer coisas bonitas também, como Lua sempre diz, não somos amigos, somos partes um do outro, e por incríveis e fáceis 10 meses nos tornamos isso, inseparáveis, agora uma parte está deixando, e a parte sou eu, mas se eu tiver o direito de pedir alguma coisa, eu peço que nunca deixem de se amar, quero que continuem se amando do mesmo jeito que me amaram enquanto eu fiz parte disso, eu lamento profundamente que tenhamos demorado tanto para perceber que aquelas pessoas sozinhas no funda da sala de uma sala de aula qualquer tinham que ficar juntas, eu vou sentir uma falta enorme de vocês.

Sua voz soava entranho, com seu nariz entupido de tanto chorar e secava as lágrimas com a manga da camiseta preta.

E então o abraço em grupo mais demorado e choroso aconteceu.

Enquanto Duda entrava no táxi, Gabriel tentou me dar o mesmo abraço desajeitado, enquanto Eduardo apertava minha mão com uma força que chegava a doer, suas lágrimas começaram a cair.

E essa foi a última vez que veríamos os olhos verdes e o cabelo ruivo enrolado da Duda.