Capítulo 5.

Depois do almoço, voltamos para o hotel, para chegar até o lugar que Gabriel queria nos levar tínhamos uma longa caminhada antes.

Com a máquina fotográfica pronta, uma blusa e um cobertor na mochila, mais uma garrafa de café quente, estávamos prontos.

Gabriel levaria algumas bebidas e Eduardo tinha comprado alguns – muitos – chocolates.

A caminhada foi lenta, tropecei em pedras e me arranhei com galhos, não estava nenhum pouco preparada fisicamente para essa caminhada, em poucos minutos eu já estava ofegante, os outros dois garotos na minha frente não estavam em situação diferente.

—Vamos parar um pouco.

Pedi.

—Já estamos chegando, só mais um pouco, sério!

Disse Gabriel. Ele não mentiu, alcançamos algumas pedras grandes perto do mar, subimos e nos enrolamos nos cobertores, o frio do Sul se tornava mais frio perto da água.

—Os outros garotos estão tentando se juntar para ir em uma balada.

—Como você sabe disso?

Perguntei ao Eduardo.

—Eles passaram no quarto ontem, o Gabriel estava no banho.

—Vocês estão pensando em ir?

—Talvez, não sei, ainda seríamos nós três, certo?

Perguntou Gabriel.

—Vamos então, depois de nossas super tatuagens.

—Nós poderíamos fazer tatuagens iguais sabe, ia ser legal.

Disse Eduardo.

—Eu sei exatamente o que poderíamos tatuar – comentou Gabriel, animado – Vocês lembram quando eu contei o que eu tinha passado — confirmamos com a cabeça – e então vocês me disseram que tudo o que eu precisava era amor, então vamos tatuar amor e nossos corações.

—Como?

Perguntei.

—Pense Lua, aquele lugar perto das costelas, do lado esquerdo, seu coração está lá.

E então rimos.

Perto das 6:00 o sol começou a desaparecer, dando o lugar ao crepúsculo, a câmera de Gabriel filmava enquanto eu e Eduardo nos revezávamos para fotografar a paisagem e aproveitar a luz.

Se chegar nesse lugar foi difícil, voltar foi 30 vezes mais, o caminho já estava escuro e ficava cada vez mais frio, quando finalmente conseguimos encontrar a estrada eu já estava com folhas e pequenos galhos enroscados no cabelo.

No saguão do hotel ao me olhar no espelho não contive a risada, não sei como, mas tinha terra no meu rosto, Gabriel e Eduardo riam cada vez mais alto diante a minha situação, não podia culpa-los.

...

Próxima parada, tatuador.

Aproveitamos as bebidas de Gabriel, que não tínhamos tomado ao pôr do sol, mas o tatuador disse que não doeria.

Primeiro Gabriel se deitou na maca sem sua camiseta, tínhamos decidido que a palavra amor seria eternizada em nossos corações, ou quase isso.

Em meio as caras de dor e risadas de Gabriel chegou a vez de Eduardo, e mesmo com a bebida ele dizia que estava doendo e então ria como uma criança, quando o som da máquina do tatuador parou eu senti o meu coração acelerar, eu senti medo.

Ao reparar na minha expressão Gabriel disse:

—Não dói, eu prometo. Agora tire sua blusa.

Ele começou a abrir os botões da minha camisa, eu olhei para baixo sentindo meu rosto esquentar, nunca mais teria tantos sentimentos constrangedores de uma vez.

Eduardo me ofereceu sua garrafa de bebida pela metade e eu lhe entreguei minha camisa, eles já tinham me visto apenas de sutiã antes, mas eu nunca tinha me sentido envergonhada por causa disso, era a primeira vez.

Deitei na maca nervosa, um gole, o tatuador ligou a máquina, um gole, a agulha encosta na minha pele, dor insignificante.

—Como está se sentindo?

O tatuador perguntou.

—Bem, não dói nada.

—Ok, a tatuagem de vocês é simples, vocês devem ser bem ligados, não é? — assenti com a cabeça – você pode levantar segurar aqui — ele indicou e eu puxei meu sutiã para cima.

Sobre minha vida intima com alguma pessoa, eu sinceramente nunca descobri se gosto de meninas ou meninos, então eu apenas decidi que gosto de pessoas, se elas me dão amor eu devolvo amor, se não, nada feito, mas eu nunca estive com ninguém, nunca alguém me viu sem roupas, e minha experiência de contado físico nunca passou de alguns abraços, mãos dadas e pequenos beijos com os três.

Bobeiras que compartilhávamos.

—Tudo bem Lua?

Eduardo perguntou.

—A garota de vocês aqui é mais corajosa que vocês dois juntos.

Comentou o tatuador, e nós rimos.

—Nós sabemos disso.

Confirmou Gabriel, e eu nunca tinha percebido até o momento o que eles pensavam de mim.

Sempre me achei monótona, eles sabiam o que eu tinha passado e foram os únicos que conseguiram se fixar em minha vida, e agora eu sabia que eles me achavam corajosa, sorri para mim mesma.