We're not friends
2 Capítulo 1
Eu realmente não sei o que falar sobre mim, mas posso começar dizendo que eu sou uma garota, tenho dezoito anos, sou extremamente indecisa e confusa, se você conversar comigo vai me ver trocando de assunto a cada dez segundos e você provavelmente não vai entender nada o que eu disser, desculpe.
Me descrever fisicamente é mais difícil ainda, sou o tipo de pessoa que quando vou comprar roupas nunca encontra alguma coisa que sirva bem, ou alguma coisa bonita que sirva bem.
Emocionalmente já é uma confusão que eu entendo, passei por muitos calmantes para finalmente entender que: 1- Para eu ser socialmente aceita tenho que estar a base de comprimidos. 2- A decisão de parar de tomar remédios é tão ruim quanto a de decidir tomar, mas eu prefiro assim. Ou eu vou sentir um amor profundo por você ou um ódio profundo por você, minha raiva é explosiva e minha alegria é extrema, por isso eu decidi que tentaria ficar o mais longe de pessoas que eu não entendo, e longe das que não me entendem.
Vida amorosa é uma coisa que eu não tenho, não desejo, pois sinceramente eu não me vejo na posição de me sacrificar por alguém, e relacionamentos são basicamente isso. Mas daí você vai me perguntar: Então você não tem ninguém? Vive em uma caverna ou algo assim?
A resposta é não, eu não tenho amigos, mas tem umas pessoas que fazem parte da minha vida que estão em uma categoria inimaginável, o significado disso é que são pessoas que estou tão profundamente ligada que um arranhão nelas dói em mim.
...
Tem tantas coisas acontecendo atualmente, a primeira delas é que uma das partes mais importantes para mim está se mudando, finalmente saindo da cidade que gosto de chamar lugar de pessoas perdidas e condenadas, Duda a parte mais inteligente do círculo de relacionamento de categoria inimaginável, conseguiu sua glória ao ser escolhida para passar um tempo em Londres, e de certo modo eu estou extremamente feliz por ela, melhores pessoas merecem as melhores coisas, mas estou vendo outra parte de mim perder o sentido, mais um lugar vazio que não vou conseguir preencher.
E então sobrarão eu, Gabriel e Eduardo, o resto de pessoas que não posso chamar de amigos, somos mais do que isso.
Não somos o tipo de pessoas que se conhecem desde a infância e passamos por incríveis aventuras durante os anos de nossas vidas, na verdade só nos tornamos o que somos hoje porque em um certo trabalho em grupo do ensino médio nós quatro sobramos e depois disso não nos separamos.
Não éramos o grupo em que outras pessoas queriam fazer partes, na verdade éramos o grupo que geralmente as pessoas não sabiam que existiam, isso era bom
E então chegou a segunda parte das “tantas coisas acontecendo atualmente”, nós estamos no fim do E.M. todos com dezoito anos, sem nenhuma perspectiva de vida, e uma viagem com os outros quarenta alunos da classe para comemorar a formatura.
Se alguém perguntou se queríamos ir?
Não.
Só queriam fingir que eram um grupo de ensino médio bonito em que todos se amam e para declararem esse “amor” decidiram que pela primeira vez aquelas quatro pessoas estranhas que vivem entre elas deveriam ser incluídas na vigem.
Então embarcaremos em um ônibus para alguma praia da costa sul, com outras quarenta pessoas e passaremos os próximos dez dias harmoniosos e invisíveis.
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