Well, You Just Cant Tell

39 Cap. 39 – Panic attack


Notas iniciais
Bem... Não sabia que o capítulo 38 ia deixar tanta gente curiosa kkk mas está aí, se deliciem!
Boa leitura!
P.S.: Leiam as notas finais.

PDV Michelle

-Vai. – eu estava me segurando ao máximo para não chorar e ser forte. Ele deu dois passos para trás, lentamente, ainda de frente para mim e parou. – Vai. – repeti. Ele voltou seu corpo para a porta com a cabeça baixa e a abriu, saindo do quarto.

Foi quando percebi o quanto dura e até injusta eu estava sendo com ele depois de todas aquelas palavras lindas que havia me dito, uma coisa que nunca esperaria de William. Nunca ninguém falou algo tão bonito para mim, e realmente... Nem ao menos Jeffrey. Além disso, eu estava me importando demais com a pessoa que havia ido embora e nunca mais me dado notícias e deixando de lado quem sempre esteve ali comigo. Mesmo com tantas oportunidades, Jeffrey nunca quis trocar uma palavra que fosse comigo e eu não sabia a razão. Então foda-se essa merda.

Bill estava fechando a porta por completo quando vi que não poderia ficar sozinha e nem deixá-lo sozinho. Eu sabia como era ficar arrasada daquela maneira quando Jeff foi embora, e bem, como eu já havia mencionado, ele ficou ao meu lado o tempo inteiro. Seria injusto fazer isso.

- William! – falei alto, num tom de urgência. A porta que já estava fechada abriu no mesmo instante que minha voz chamou aquele nome. Ficou me encarando, com cara de cachorro abandonado, provavelmente esperando por mais xingões. – Não vai... – falei com lágrimas começando a escorrer pelo meu rosto. Não havia mais o porquê de ser forte. Ele entrou lentamente no quarto, confuso. – Dorme aqui comigo? – ele assentiu sem entender nada do que estava acontecendo e sentou ao meu lado.

Escorei minha cabeça em seu ombro, chorando. Ele estava completamente equívoco com aquilo, mas mesmo assim não deu uma palavra. Apenas acariciava meus cabelos lentamente, me envolvendo timidamente em um abraço. Ficamos um tempo assim até eu me acalmar.

- Desculpa... – sussurrei.

- Tudo bem. – foi tudo o que ele disse. Ficamos mais um bom tempo em silêncio.

- Eu não estava preparada pra isso... E... Você não podia ter tocado naquele nome.

- Você ainda o ama muito, não é? – senti a dor saindo naquelas palavras.

- Não vamos falar sobre isso, não hoje. Vamos esquecer tudo que aconteceu, pelo menos por um tempo. Eu preciso... De um tempo.

- Tudo bem, tudo bem... Eu te entendo.

- É como se a mesma novela passasse por mim, pela minha cabeça outra vez... – ele suspirou, acho que não deveria ter falado aquilo.

- Eu... Sinto muito, a essas alturas só posso te pedir desculpas, pra variar...

- Se bem que ninguém pede pra gostar de alguém...

- Ninguém pede para amar alguém... – me corrigiu — Você poderia me amar, então tudo seria mais fácil. – dei um suspiro triste/assustado/irritado — Tá, vamos parar de falar sobre isso.

Levantei-me indo até o banheiro sem dar uma palavra. Aquilo realmente havia mexido comigo. Tranquei-me lá dentro e olhei para a minha imagem no espelho, com a maquiagem toda borrada. Eu estava estranha, eu me sentia diferente. Não foi a mesma coisa quando Jeff falou que me amava.

- Michelle? – Bill bateu na porta – Desculpa... – acho que nunca havia ouvido tanto uma palavra como “desculpa”.

- Eu só vim trocar de roupa...

- Ah, eu pensei que você estivesse...

- Bill... – o interrompi. Ele saiu de trás da porta sem mais uma palavra.

Botei o meu pijama, tirei a maquiagem e voltei novamente a minha imagem no espelho a cima da pia. Eu estava ficando louca. Bill me deixou em transe. Aquelas foram às palavras mais bonitas que eu já havia ouvido em toda a minha vida. Mirei o teto, tentando controlar minha respiração que havia acelerado do nada. Eu estava entrando em pânico. Fazia tempo que isso não acontecia comigo, pensei que já nem tivesse mais este problema. Comecei a ter náuseas. Corri até o vaso sanitário e vomitei tudo que podia. Tontura. Suor. Dor no peito. Eu ia morrer. Tentei me segura em qualquer coisa.

- Respira... Merda! – fechei e sentei no vaso, virando o rosto para cima, com os olhos fechados – Está tudo bem... Está tudo bem... Está tudo bem... – comecei a chorar. A sensação de que a qualquer momento eu fosse morrer traziam lágrimas contra minha vontade. “Toc, toc...”

- Michelle? Você está bem?

- Pega um copo de água, rápido! – pedi desesperada.

Meus pés batiam ansiosos no chão, eu me sentia sufocada, tinha dificuldade em respirar. Era apavorante. Meus pés começaram a formigar e minhas mãos também, então as malditas formigas tomaram conta de minhas pernas e de meus braços. Essa era a parte mais apavorante de um ataque de pânico. A morte é tão realista agora. “Toc, toc, toc” três batidas desesperadas na madeira da porta.

- Michelle! Abre isso aqui! O que está acontecendo? Eu estou com a água! Abre! – ele bateu mais duas vezes na porta, com força. – Michelle! Porra! Abre essa merda! O que está acontecendo com você? – ele falava demais, eu entendia pouco. Tentava achar ar para poder respondê-lo, mas não conseguia, ele não me dava chance para respirar.

- Bill... – consegui falar, sufocada.

- Michelle! Abre!

- Sai da porta... – falei com o ar que consegui inspirar – Larga... O... Copo... – tomei mais um pouco de ar, como se fosse mergulhar por séculos em um oceano – No... Balcão...

- Mas Michelle!

- Porra! – eu tentei falar mais, mas não conseguia. Levantei rapidamente do vaso, levantando sua tampa para vomitar mais. Eu chorava desesperadamente. – Na... Primeira... Gaveta... – Eu estava me afogando, eu estava me afogando naquele oceano de medo e ninguém estava lá para me salvar – Tem... Um... Remédio...

- Porra! Tem muito remédio aqui! – ele gritou tão desesperado quanto eu, já longe da porta. Respira. Inspira. Respira. Inspira. Isso não estava ajudando.

- Prozac... – falei o nome do remédio com rapidez, como se tivesse encontrado a superfície depois de meia ora agoniando debaixo da água.

- Achei!

- Tira... – cadê o ar? Onde foi parar o oxigênio deste lugar? — Dois...

- Pronto! Que infernos você ainda está fazendo nesse banheiro?!

Fui cambaleante até a porta tentando abrir a mesma, mas eu não conseguia virar a chave, parecia estar emperrada, mas era apenas minha falta de coordenação motora devido ao pânico. Eu tremia cada vez mais, o desespero por não conseguir abrir a porta estava me tomando, eu já não conseguia me controlar, não conseguia controlar a ansiedade, o medo. Comecei a bater forte na porta.

- SOCORRO! – gritei.

- Michelle! Abre essa porra! SAI DAÍ, PORRA!

- Eu não estou conseguindo! Eu não estou... Eu vou morrer! – eu já estava fora de controle, já estava há muito tempo – Bill! Me ajuda! Eu vou morrer! Eu estou sem ar! Eu não consigo mais... Respirar!

- Sai de trás da porta! Sai agora! Vou tentar abrir isto!

Minhas pernas foram até o canto do banheiro, me atirando em um canto. Eu não queria chorar, mas não conseguia me conter. Acoquei-me no canto em que fui jogada por mim mesma, abraçando minhas pernas, como uma criança desprotegida em frente ao seu bicho papão. “Bum!” ouvi o pé de Bill chocar contra a porta, mas nada dela abrir. Dei um grito contra minha vontade. Barulhos muito altos me assustavam agora. “Bum!” gritei mais uma vez botando as mãos que tremiam muito em meus ouvidos. Fechei os olhos, sentindo meu corpo em um terremoto violento. Mãos desesperadas passaram por mim.

- Michelle! Calma! – ouvi, mas não conseguia obedecer. Apenas chorava, um choro sem descanso – Mas o que... Michelle! Olha para mim! – tentei, mas não consegui. Se abrisse os olhos, tinha a sensação de que ficaria cega ou de que alguém arrancaria meus olhos. Senti sua mão passar pelo meu rosto e me agarrei em seu pescoço, quase fazendo seu corpo cair sobre o meu.

- ME TIRA DAQUI! ME TIRA DAQUI! – gritei como se algo estivesse atrás de mim, prestes a me matar. Como se eu estivesse sendo a presa inofensiva de algo monstruoso. Senti seus braços tomando conta de meu corpo, me tirando do banheiro. Ele me sentou na cama, ao lado do balcão onde estavam meus remédios, mas não consegui soltar seu pescoço. Segurava apertado, como se pudesse cair de um penhasco se o soltasse. – Não! Não me deixa! Por favor! Não faz como o Jeffrey! Não me deixa!

- Mi... Calma... Eu estou aqui, não vou te deixar. – ele falou em meu ouvido tentando parecer calmo. Aos poucos fui me soltando, mas continuava tremendo muito. Ele me entregou o copo e os remédios, mas acabei derramando um pouco de água em mim e minhas pílulas foram parar no chão, eu não tinha o controle de minhas mãos. Comecei a ficar desesperada mais uma vez. Bill tirou o copo de mim rapidamente e juntou as pequenas esferas brancas no chão – Calma... Por favor... – ele me olhava perdido, assustado, como se não soubesse o que fazer. Pegou o copo de água e o remédio – Ó, vem cá... Abre a boca... – fiz como ele havia mandado – Isso... Agora toma a água... – falou botando o copo na minha boca. Consegui tomar. Respirei fundo ao sentir aquelas coisas gelatinosas passando pelo meu esôfago.

Eu continuava com a respiração acelerada, mas agora meus olhos apavorados estavam vidrados no rosto de Bill, que também estava apavorado. Vi sua boca se movimentando, mas não ouvi nada, eu não conseguia mais escutar. Ele voltou a falar algo, agora eu escutei, mas apenas sua voz fraca, como se estivesse longe de mim, não compreendia o que ele havia dito. Meus olhos continuavam em seu rosto que brilhava por causa das lágrimas as quais eu não havia percebido antes.

- Michelle! Você está me ouvindo? – fiquei mais aliviada ao ouvir sua voz perfeitamente outra vez. Parei de chorar, botando ar em meus pulmões.

- Sim... – continuava estática, fora do ar.

- Pelo amor de Deus! O que está acontecendo?!

- Ele disse pra eu dormir... – falei com a respiração já mais normalizada, olhando para a caixa do meu remédio atirada no balcão.

- O que? Quem? – Bill perguntou sem entender, aproximando seu rosto do meu.

- Meu psiquiatra... Depois do remédio...

- Ah... – fiquei olhando para lugar nem um em silêncio. Eu estava completamente fora do ar – Pelo jeito vou ter que te ajudar... Vem... – ele tirou as cobertas e me ajudou a deitar, me cobrindo. Bill deitou do outro lado, por cima da roupa de cama, acariciando meus cabelos. Ele não vai me deixar, ele nunca faria isso comigo, ele nunca fez. Eu estava segura, adormeci facilmente com seu cheiro em meu nariz e com a segurança que seu toque me passava.

Notas finais
Vou deixar meu msn aqui, caso vocês queiram me adicionar: alicemuller.95@hotmail.com
É que sabe... Em dezembro acaba tudo e eu não queria que vocês sumissem de vez ://
Vou esperar os reviews e logo posto o próximo capítulo.
Bjos ♥