Well, You Just Cant Tell

38 Cap. 38 – Love is pain


Notas iniciais
Pra quem estava curiosa, aí está!
Desculpem-me se ficou muito pequeno, mas tive que dividir o capítulo pra tentar um "suspense" ^^
Boa leitura!

PDV William

Merda. A música acabou. Fiquei a encarando por um tempo, sem saber o que fazer.

- Vamos pra casa? – ela perguntou com a testa franzida, preocupada. Assenti.

Entramos no carro e fomos em direção a sua casa. O caminho foi silencioso, estranho. Ela me encarava como se tentasse entender o que estava se passando comigo. Logo chegamos e subimos até seu quarto. Eu entrei atrás dela, fechando a porta sem fazer barulho. Então ficamos de frente um para o outro e o que era um silêncio estranho antes, agora era um silêncio torturante. Nós estávamos muito próximos, eu conseguia ouvir sua respiração profunda enquanto me perdia em seus olhos azuis que me encaravam com precaução. Seus lábios se abriram delicadamente para falar alguma coisa, mas pus meu dedo indicador interrompendo qualquer palavra que fosse. Com a mesma mão segurei seu rosto, aproximando seus lábios dos meus dando-a um selinho demorado e barulhento. Meu coração acelerou e comecei a ficar nervoso novamente. Eu estava mais do que louco ou apaixonado por ela. Eu não gostava dela, eu a amava, quer dizer, eu a amo.

Ela continuava a me encarar naquele silêncio e seus olhos pareciam gritar por mim, pela minha boca encostando-se à dela. Voltei a selar nossos lábios, agora colando nossos corpos. Suguei seu lábio inferior com cuidado e logo pedi passagem para minha língua encontrar a dela, mas ela estava sendo resistente. Mas com muita dificuldade, consegui. Nunca havia ficado tão nervoso na minha vida, nem ao menos no meu primeiro beijo. O que me deixava surpreso era o fato de que eu já havia ido muito mais além com ela, mas nunca com algum sentimento concreto. Foi naquele beijo lento, sereno e demorado que descobri tudo aquilo que as pessoas sempre falavam. As borboletas no estomago, a mente completamente confusa, sem capacidade para pensar ou ser racional, as pernas bambas, aquele medo de não estar a agradando. Cada toque, movimento era precioso. Tudo tão novo para mim, tudo tão estranho e surreal. Mas estava acontecendo.

Eu queria Michelle para mim e a queria para sempre do meu lado, eu tinha certeza disso. Separamos nossos lábios, mas continuei com os olhos fechados, soltando o ar de meus pulmões devagar. Ao abri-los mais uma vez, olhei para o rosto de Michelle, ela estava tão linda, tão angelical e tinha olhos inocentes bem abertos, assustados, ela estava como nunca a enxergará antes. Agora conseguia entender tudo o que Jeff falará para mim, tanto sobre amar alguém incondicionalmente quanto a beleza indiscutível de Michelle.

- Michelle...

- Bill... – falamos quase ao mesmo tempo.

- Fala você... – disse nervoso.

- Er... É que... Eu não sei bem o que eu ia falar na verdade, quer dizer... A gente prometeu que não ia mais transar... A nossa amizade... Sabe. – ela atropelava as palavras e desviava seu olhar do meu constantemente. – Enfim... O que você queria falar? – eu estava hipnotizado naquela imensidão azul que eram aqueles olhos dela. – Bill? – sussurrou me fazendo despertar.

- Ah... Vo-vo-você e-está Lind...da. – ela me encarou confusa. – Você está linda hoje. – falei rapidamente. Não era bem isso que eu queria falar, apesar de ser mais do que verdade. Ela estava encantadora.

- Obrigado... – ela falou tímida encarando o chão. Era muito raro ver Michelle tímida. Levantei seu rosto com os dedos, delicadamente, olhando-a nos olhos e a selando outra vez.

- Eu deveria ter percebido isso antes... – falei para mim mesmo.

- O que? – fiquei em silêncio, não sabia se conseguiria falar aquilo. Era tão difícil para mim. – Bill? – respirei fundo. Um, dois, três... Agora vai.

- Eu te amo... – falei com os olhos fechados e na mesma hora um frio de nervosismo subiu em meu corpo.

- William... – abri os olhos e vi seu rosto de porcelana. Ela continuou em silêncio. Aquilo me torturava, pois ela não tinha expressão alguma em seus traços delicados, eu estava com medo de sua resposta, estava com medo de perdê-la – Eu... – ela tentou falar, mas parou no mesmo instante, me encarando com os olhos surpresos, parecia não ter palavras.

Michelle realmente não esperava por aquilo. Respirei profundamente. Agora não havia mais como voltar atrás. Ia falar tudo que sentia por ela, esse sentimento tão novo e assustador para mim me queimava por dentro. Eu tinha que por para fora. Um, dois, três... Lá vai outra vez...

- É isso... – falei olhando rapidamente para baixo e logo mirando seus olhos outra vez. – Eu percebi que... Mesmo antes de começarmos a transar e sinto algo por você, mas não sabia. Simplesmente não me toquei por que sou um desligado, um idiota como você sempre diz. Quando nós começamos com essa coisa de sexo sem compromisso eu... Não sei, eu pensei que fosse apenas a nossa amizade ficando cada vez mais forte, eu sentia sim alguma coisa a mais por você. Eu transava com outras o tempo inteiro, você sabe disso, e estava tudo bem. Você “saía” com outros caras, eu sabia e estava tudo bem para mim... Mas nada que você fazia com os outros era na minha frente, por isso achei que estava tudo bem. Quando vi você se... Agarrando com um cara hoje – cuspi a palavra “agarrando” – subiu um calor no meu corpo, uma raiva, uma vontade de matar quem estava tocando na sua boca, te pegar pela mão e te tirar dos braços dele e gritar que você é minha, só minha, mesmo que isso não seja verdade. Bem... Acho que você entendeu o que eu quis dizer... Eu estou completamente apaixonado por você, e te amo mais do que Jeff possa ter te amado, por que nunca vou te deixar, e estou disposto a fazer tudo pra você ficar comigo. – Quando sua expressão começou a mudar, fiquei em choque, como se ela estivesse escapando por entre meus dedos para algum lugar e nunca mais voltaria.

PDV Michelle

- O que eu quero dizer com isso você já sabe... Eu estou completamente apaixonado por você, e te amo mais do que Jeff possa ter te amado, por que nunca vou te deixar, e estou disposto a fazer tudo pra você ficar comigo.

O nome “Jeff” no meio daquela declaração foi como uma facada. Ele não poderia ter dito aquilo, não poderia diminuir o amor que Jeff sentia por mim só por que ele foi para Los Angeles. Bill estava sendo muito egoísta e também não foi nada esperto colocando o nome de Jeff no meio. Escondi meu rosto entre minhas mãos enquanto sentava na minha cama, tentando absorver tudo aquilo. Jeff não havia ficado comigo, ele precisava ir, levantar a cabeça e seguir em frente. Ele sabia que eu não o amava da mesma for que ele me amava, queria me ver feliz e sabia que não poderia me prender a ele pra isso. Ele fez tudo por amor a mim e ao seu sonho de ir para L.A. O silêncio continuou predominando o quarto como antes de Bill começar a falar. Fui para o banheiro e me fechei lá por um tempo.

- Mi... Por favor, abre essa porta... – o ouvi falando depois de dez minutos trancada lá dentro. Ele tinha uma voz arrasada. – Eu... Não deveria ter te falado, não deveria ter te contado... Mas... – ele estava chorando? – Por favor, não faz isso comigo. Você é a única pessoa que eu já amei em toda a minha vida, nunca senti algo assim por alguém e... Estava sendo tão bom, eu estava me sentindo tão bem enquanto você estava no meu lado, mesmo não sabendo de nada. Por favor, sai daí, conversa comigo... – ouvi sua cabeça se escorando na porta do banheiro.

Sai de lá lentamente sem olhar nos olhos dele e voltei a sentar na cama, com um olhar perdido, eu estava completamente perdida, não sabia como reagir àquilo tudo. Ele se agachou na minha frente e tentou segurar minha mão, mas eu recuei, com muito esforço. Olhei para seu rosto com o canto do olho, rapidamente para ele não perceber. Bill realmente estava chorando e parecia tão perdido quanto eu.

- Michelle...

- Não. – falei tentando ser firme, pensando em Jeff. Ele levantou e continuou de frente para mim. E eu ficava encarando o nada.

- Por favor... – disse começando a chorar outra vez.

-Vai. – eu estava me segurando ao máximo para não chorar e ser forte. Ele deu dois passos para trás, lentamente, ainda de frente para mim e parou. – Vai. – repeti. Ele voltou seu corpo para a porta com a cabeça baixa e a abriu, saindo do quarto.

Notas finais
Vou esperar os reviews. Queria muito mesmo a opinião de vocês nessa etapa da fic, ficaria muito grata se todas me dissessem o que estão achando. Ficaria não só grata como mais segura...
É isso amores.
Até o próximo ^^
Bjos ♥