Well, You Just Cant Tell
35 Cap. 35 – Our friendship is over and she’s gone
Notas iniciais
Espero que gostem.
Leiam as nota finais.
Boa leitura!
PDV Michelle
“Setembro, 1979”
Um mês havia passado e tudo voltou a ser como antes. Eu e Bill apenas transávamos e mal nos falávamos. Eu já estava começando a cansar daquilo e teria que ter um fim, pois infelizmente estava saindo do nosso controle e estragando a nossa amizade. Eu tentava conversar com Bill quando ele vinha até minha casa, como antes, que nos divertíamos sem ter que por sexo no meio. Mas não adiantava. Acabávamos em minha cama sempre, sem chances de agirmos como simples amigos, que era o que eu mais sentia falta.
Eram dez horas da noite quando William bateu em minha janela. Ele chegou já por cima de mim, me agarrando, sem ao menos falar um simples “oi”. Estava sendo a gota da água, eu não aguentava mais aquilo. O empurrei de leve, me afastando dele.
– Oi pra você também, William. – falei irritada.
– Ah... Desculpa. Oi gostosinha... – falou chegando perto de mim novamente, o empurrei com força dessa vez – Ei! O que é agora? – perguntou com raiva.
– Não estou com vontade! – praticamente gritei. Ele foi até a janela, tentando se controlar.
– Rá, vai dizer que você não quer que eu durma aqui com você. – falou num tom pervertido, mas irritado ao mesmo tempo.
– Não acho uma boa ideia você dormir aqui... – falei para ele que estava apoiado em minha janela. – Ultimamente você só quer sexo e mais sexo, a nossa amizade está sendo deixada em segundo plano.
– Isso é mentira... – falou chegando perto de mim.
– Bill... Eu acho melhor a gente parar com isso. – levantei meu braço, tentando manter uma distância dele.
– Mas isso o que? – ele segurou minhas mãos, abaixando meus braços para conseguir chegar mais perto de mim.
– Sexo sem compromisso.
– Você quer sexo com compromisso então? – perguntou dando meio sorriso. Me irritei com isso, como ele poderia estar brincando comigo quando eu estava falando sério?
– Não, para de brincar, eu estou falando sério!
– Eu sei!
– Escuta... Eu só quero voltar a ser como era antes. Você era o meu melhor amigo, vinha pra cá, a gente conversava, ria, e tudo mais, a gente se divertia juntos. Mas agora você vem pra cá e nós só transamos. Está sendo ridículo e eu estou me sentindo uma vadia! – ele bateu o punho com força na parede, estava começando a ficar alterado mais uma vez. – Eu só quero nossa amizade de volta, Bill, mais nada.
– Está falando que é minha culpa?! – ele estava realmente irritado.
– Não! Quer dizer... É nossa culpa. – ficamos alguns minutos em um silêncio tenso. A única coisa que se ouvia era a respiração pesada de Bill tentando voltar ao normal.
– Se é assim, vamos ter que dar um tempo de tudo. Vamos ter que ficar longe um do outro por um tempo. – falou depois de um tempo. Meus olhos se encheram de lágrimas.
– Viu? Você viu como prejudicou nossa amizade? – ele ficou quieto me encarando. Pela primeira vez ele teria ficado sem graça a me ver chorar a ponto de não me consolar de alguma maneira.
– É um tempo, não o resto da vida... Só preciso respirar e reorganizar meus pensamentos...
– Por quê? Agora você me vê apenas como objeto sexual?
– Não, não é isso! Que absurdo!
– Então o que é? – perguntei pousando minhas mãos na cintura.
– Não é isso, já disse. – ele desconversou – Eu vou pra casa. Não vou ficar aqui ouvindo esse tipo de coisa!
– Então vai! Vai e não se atreve a olhar mais na minha cara!
– Se é assim que você quer, assim que vai ser! Vadia! – falou pulando a janela, com muita raiva. Fui até a mesma, fechando-a e escorregando pela parede, até sentar no chão, chorando.
– Eu não acredito que as coisas chegaram a esse ponto, não acredito! – falei com as mãos no rosto. Eu havia perdido a única pessoa que sobrara na minha vida, a única que de certa forma me amava.
PDV William
– MERDA! – gritei atirando o copo de vidro contra a janela de meu quarto. Ambos quebraram – POR QUÊ?! – gritei novamente chutando minha TV que caiu no chão.
De repente eu já não enxergava mais por conta das lágrimas que tomaram conta de meus olhos. Sentei-me no chão, chorando. Uma dor no peito terrível era o aviso de que eu havia perdido algo muito importante para mim. Eu estava inconsolável com aquela perda, que, pelo jeito, não havia mais volta. Eu agi por impulso, e ela tinha razão, aquilo estava matando nossa amizade, dando lugar para algo vazio. Mas eu não voltaria atrás, não poderia me culpar inteiramente pelo que estava acontecendo.
Primeira semana de outubro havia chegado. Um mês havia passado sem Michelle. Passamos por muitos momentos tensos na escola. Era estranho vê-la lá sem poder me dirigir a ela. Sem querer trocávamos olhares quando nos cruzávamos, era algo que me machucava muito. Todos haviam percebido essa mudança radical, todos comentavam e o assedio tanto para mim quanto para ela havia aumentado e tanto eu quanto ela estávamos saindo com várias pessoa diferentes.
Eu estava em meu lugar na sala de aula quando percebi um olhar rápido vindo de Michelle. Ela estava sentada três mesas antes de mim. Fiz que não tinha visto nada e depois de uns três minutos, vi ela virando para trás novamente. Parecia estar nervosa, com seus dedos inquietos batendo em sua mesa. Vi que começou a escrever algo, mas logo depois assentiu negativo com a cabeça e amassou o papel. Seu pé batia rapidamente no chão, mostrando seu nervosismo.
Ao tocar o sinal para a saída, todos recolheram suas coisas e saíram, Michelle também, mas antes parou no lixo para jogar no mesmo aquele papel no qual havia amassado nervosa. Ela saiu porta a fora e restara apenas eu dentro da sala de aula. Fui até o lixo recolhendo o pedaço de folha rasgada pela metade, botando no bolso. O caminho foi longo até minha casa. Subi as escadas ao chegar, retirando o papel do bolso.
“Bill.
Desculpa por tudo acabar como acabou. Não era o que eu queria e sei que também não era algo que você quisesse ou esperasse. Nossa convivência no colégio está estranha,é difícil te ver andando pelos corredores e não poder ir até você, conversar, rir, brincar, não poder tocar em você. Eu sinto falta de tudo e é algo que vem me matando todos os dias. Resolvi achar uma solução para essa dor. Hoje mesmo, depois da aula, estarei partindo para Los Angeles para procurar Jeff. Sei que vai ser melhor para você e para mim.
Obrigado por tudo, pelos momentos, pelo conforto, pelo carinho, pela companhia e pelas noites que passei com você. Você é e sempre será um grande amigo para mim.
Adeus,
Michelle.”
– O que?! Los Angeles?! Não! – falei guardando o bilhete no bolso novamente e, rapidamente, saindo pela janela em direção à casa de Michelle.
Meu coração batia acelerado de medo daquilo tudo, parecia pular para fora de meu peito. Ao chegar lá, subi rapidamente na árvore olhando pelo vidro trancado da janela, dando de cara com um quarto praticamente vazio. O guarda-roupa estava semiaberto, com apenas cabides vazios e algumas poucas peças de roupas espalhadas pelo chão. Sua cama estava desarrumada e muitos de seus porta-retratos não estavam mais ali. Os que ainda estavam, estavam virados de cabeça para baixo. Sua guitarra também já não estava no mesmo canto de sempre, havia restado apenas seu violão velho naquele mesmo lugar. Havia muito caco de vidro pelo chão, provavelmente havia quebrado alguma coisa de raiva. Aquele quarto parecia abandonado há anos, quando nem ao menos fazia uma hora desde sua saída.
Pulei da árvore correndo em direção à rodoviária de Laffayete, chegando lá em alguns minutos, muito ofegante. Parei na frente da vendedora, tentando recuperar o fôlego para poder falar alguma coisa. Limpei o risco de suor que escorria ao lado de minha testa, molhando meu cabelo levemente.
– Você está bem? – a mulher perguntou enquanto eu parecia ter um ataque de asma.
– Eu... Não... – respirei fundo para poder continuar a falar – Los Angeles... Tem algum ônibus... Indo para lá?
– Temos um único que está saindo... Mas não temos mais passagens... – olhei para o ônibus no qual ela havia apontado com a cabeça e sai correndo em direção a ele.
Ele já estava com as portas fechadas, dando ré para sair do estacionamento. Comecei a bater com força na lateral dele, olhando para todas as janelas do ônibus, e consegui ver o rosto confuso de Michelle olhando para mim em uma delas. Quando cheguei à porta, bati com força para o motorista abrir, mas a única coisa que consegui, foi um não irritado do mesmo que partiu com o ônibus em direção à L.A.. Comecei a chorar ao ver o veículo se distanciando de mim, distanciando Michelle de mim. Aquilo estava errado, mas estava acontecendo. Sentei na calçada, com a cabeça escondia em minhas mãos, sentindo minhas lágrimas quentes. Michelle havia ido embora. Eu estava sozinho.
Notas finais
Notei que algumas leitoras andam sumidas :// Assim que conseguirem, deem sinal de vida! O próximo capítulo está pronto, só vou esperar os reviews para poder postar.
Bom final de semana para vocês ^^
Bjos ♥
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