Notas iniciais
Aí está, para as curiosas de plantão. Eu não gostei muito, acho que poderia ser melhor. Desculpa se deixei vocês esperando para isso :/
Boa leitura!

PDV William

Continuei por mais meia hora sentado naquela calçada imunda, da rodoviária imunda da imunda cidade de Laffayete. Minha cabeça ficou o tempo inteiro abaixada, apoiada em meus braços que estavam apoiados em meus joelhos. Não conseguia parar de chorar, eu me sentia mais uma vez aquele menino desprotegido, sem amigos, sem família. Michelle era tudo que eu tinha, mas já era tarde demais para notar isto.

Ouvi alguém se abaixar na minha frente, e logo senti uma mão em meu braço, o acariciando. Sem olhar para cima, retirei bruscamente a mão da pessoa dali. Eu tinha vergonha de levantar o rosto encharcado de lágrimas. Não sabia mais como retomar minha vida. Não podia ir atrás da Michelle assim, sem mais nem menos. Ela estava louca comigo. A mesma pessoa agora tinha pegado na minha mão. Pela primeira vez levantei meus olhos para ver de quem se tratava. Não acreditei no que meus olhos estavam vendo, eu deveria estar sonhando.

– Michelle?! – perguntei assustado. Ela também estava na mesma situação, com o rosto encharcado e inchado.

– Eu... Eu não consegui... Eu vi você pela janela... E... POR QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO ISSO COMIGO? – gritou começando a chorar novamente.

– PARA! POR FAVOR! – não consegui me conter, eu chorava cada vez mais. Ela tentou se acalmar, mas não adiantou. Sem mais uma palavra a abracei forte, mergulhando meu rosto em seu cabelo. – Não faz mais isso comigo... Por favor... Eu preciso de você aqui. Você é a única pessoa que eu tenho... Desculpa, eu fui um idiota.

– Eu tenho raiva de você Bill. – aquilo me entristeceu como eu nunca imaginara.

– Com razão... Mas... Então por que você saiu daquele ônibus para vir até aqui?

– Eu vi você pela janela... Eu vi seu rosto e... Lembrei de como me senti quando Jeffrey foi embora. Eu já estava a alguma distancia quando fiz o motorista parar. Peguei minhas coisas e vim até aqui... Não pensei que você fosse ficar assim...

– Como?! Óbvio que eu ia! Quando as merdas acontecem, a gente fala e faz as coisas sem pensar. Eu... Sei que você tinha razão, nossa amizade estava... Apagando.

– Então por que você foi tão rude comigo? Você me chamou de vadia!

– Desculpa! Por favor! Eu falei sem pensar, por medo...

– Medo?!

– Na minha cabeça, se acabássemos com o sexo sem compromisso, nossa amizade também acabaria.

– Como assim?! Você é idiota ou algo do tipo? Não escutou o que eu te falei no dia?! Puta merda Bill!

– Eu sei, eu sei! Eu estou te pedindo desculpas por tudo!

– Você está sempre pedindo desculpas, mas sempre fazendo merdas! Idiota! – comecei a me irritar novamente.

– Então por que você saiu da porra do ônibus?! Por que veio até aqui?! Vai atrás do Jeff que é quem realmente importa! Vai atrás de quem te abandonou! – ela abriu a boca para falar alguma coisa, mas desistiu, assentindo negativo com a cabeça e virando de costas para mim, caminhando para longe – Ei! Onde você vai?! – perguntei preocupado.

– Não te interessa, e mesmo se te interessasse, nem eu saberia como te responder. – respirei fundo a seguindo e ao alcança-la, puxei seu braço, a virando de frente para mim.

– Desculpa...

– Você viu? Desculpa, desculpa, desculpa. Só isso que você sabe dizer depois de fazer alguma merda, pra depois que eu te desculpar, fazer alguma coisa errada outra vez.

– Eu estou sendo sincero. Se tem mais alguma coisa que eu possa fazer para ter sua amizade de volta, eu faço. – ela ficou me encarando por um tempo. Parecia não saber direito o que dizer. Ela olhou para o chão, depois voltou o olhar para mim.

– Lambe o chão.

– O que?! – perguntei complexado. O chão da rodoviária estava imundo, pense em algo REALMENTE sujo.

– Já disse o que você tem que fazer. – me abaixei para fazer o que ela havia mandado, mas senti sua mão em meu ombro antes de minha língua chegar ao chão.

– Seu idiota. Capaz que vou deixar você fazer isto! – olhei para cima e me levantei outra vez, olhando a garota novamente centímetros mais baixa que eu. Ela deu um sorriso tímido e eu a olhei confuso. Afinal, estava ou não brava comigo? – Eu te desculpo... – falou dando os ombros. Parecia estar cansada. – Eu nunca consigo rejeitar suas desculpas. – ela veio até mim e me abraçou – Obrigada por vir atrás de mim...

– É claro que eu viria... Obrigada por voltar para o seu idiota aqui... – falei com um meio sorriso.

– Mas eu ainda não disse o que você realmente tem que fazer... – a olhei, esperando pela ordem.

– Fala...

– Chega de sexo sem compromisso. Somos amigos agora, melhores amigos. Nada de colorir isto. – sorri para ela.

– Claro... Tudo bem.

– Obrigado.

– Tudo bem, você está certa, não precisa agradecer. Agora vamos para sua casa... Está tudo muito... Vazio por lá. – passei meu braço pelos seus ombros seguindo o caminho para sua casa. Ao chegar lá, a ajudei com as coisas, arrumando tudo como era antes, me sentindo completamente aliviado com sua volta.

– Sabe... Se eu fosse embora hoje, um pedaço de mim ficaria aqui com você, eu nunca seria completamente feliz, mesmo se achasse Jeff... – ela falou enquanto pendurava algumas roupas no cabide.

– Se você fosse, eu morreria por dentro, não sobraria nada. Sabe... A gente ficou esse tempo sem se falar, isso já estava me matando, imagina se você fosse embora. Você sabe que se não fosse por você, eu já estaria morto.

– É Bill... Acho que nossa amizade é algo que não pode ser convertida. É para ser eterna.

– Exatamente...

– Foi melhor eu não ter ido encontrar Jeff. Eu sei que acabaria brigando demais com ele pelo que aconteceu aquela vez, por ele não ter falado comigo até hoje.

– No final do ano nós vamos juntos procurar por ele, você sabe disso.

– Sim, e talvez até lá eu não esteja tão chateada com ele. Mas vamos parar de falar nele...– continuamos a arrumar o quarto, conversando sobre qualquer coisa que não fosse Jeffrey. Terminamos tudo eram quase uma da manhã. – Bill...

– Sim? – perguntei deitando em sua cama, exausto.

– Dorme aqui comigo? Faz tempo que você não dorme aqui, tipo, dormir mesmo... – dei uma risada, assentindo.

– Claro, mas não tenho minhas coisas de escola.

– Vamos gazear amanhã.

– Que feio dona Michelle... – falei rindo.

– Eu tenho maconha aqui. Comprei pra usar durante a viagem, já que não fui, vamos usar amanhã.

– Tudo bem então, vou dormir aqui. – ela me abraçou forte e retribui o abraço.

– Obrigado por voltar a ser como era antes.

– Está tudo bem, pequena... – ele falou selando minha testa.


Notas finais
Então, o que acharam? Tenho quase certeza que não foi bem isso que vocês esperaram. Vou esperar os reviews e vou tentar postar o próximo mais rápido possível.
Bjos ♥