Well, You Just Cant Tell
25 Cap. 25 – Let’s get high
Notas iniciais
Nos vemos nas notas finais.
Boa Leitura!
PDV Michelle
Eu estava na cozinha procurando algo para comer. Passei na frente da geladeira e olhei para o pequeno calendário preso ali por um imã. “Dezembro, 1978” o mês que Jeff havia ido embora. Comecei a arrancar as folinhas. “Janeiro, 1979”, “Fevereiro, 1979”, “Março, 1979”, “Abril, 1979”. Exatamente quatro meses que ele tinha fugido para Califórnia. Nunca mais havia recebido uma notícia de como ele estava, ou se a menos havia chegado lá. Balancei minha cabeça, me livrando dos pensamentos sobre Jeff que nunca me faziam bem. Abri a geladeira pegando um suco de laranja, pois minha fome havia passado devido ao maldito calendário preso na geladeira. Servi em um copo e comecei a tomar lentamente. A campainha tocou e eu fui até lá atender.
– Ah, oi Bill. – falei ao abrir a porta.
– Oi Mi. Fui entrar pela sua janela, mas você não estava e estava trancada.
– Ah sim, estava aqui na cozinha...
– Você parece um pouco desanimada. O que houve?
– O de sempre.
– O que temos aqui para esquecer “o de sempre”? – sorri para ele, um pouco desanimada. – Por que eu trouxe coca e heroína. – falou arqueando as sobrancelhas com um sorriso.
– Vamos subir. Tenho whisky, maconha e Tequila lá no meu quarto.
– Então vamos lá. Você precisa ficar animada. – passou seu braço nos meus ombros e subimos as escadas até meu quarto. Ao chegar, Bill sentou no chão enquanto eu procurava a erva e as bebidas. – Ei Michelle... Você já sabe o que vai fazer quando chegar em L.A.?
– William, você não está ajudando... Não quero falar sobre Jeff agora. – falei enquanto procurava a maconha nas minhas gavetas.
– Vish... Não estou falando sobre ele...
– Ah... Tá... Desculpa. – parei de procurar por um segundo, virando para ele, constrangida – O que você quis dizer afinal? – voltei minha atenção para as gavetas novamente.
– O que você vai fazer lá, não sei... Qual o seu objetivo além de... Er... Desculpa. – sim ele ia falar do Jeff.
– Você é um retardado, só pode... Eu não sei o que vou fazer além de ir atrás do Jeff, William. – falei revirando os olhos – Finalmente! Achei essa merda! – falei pegando o pacote com os baseados já prontos. Peguei meu isqueiro no criado-mudo e me sentei na frente do Bill, ascendendo o primeiro baseado.
– Você não quer fazer nada? Não tem nada que você tenha vontade de fazer? Sei lá...
– Não, vou deixar para você e Jeff me sustentarem.
– Rá. Rá. – debochou pegando o baseado de mim.
– Ah... Não sei... Queria ser produtora musical. Mas não sei se vou conseguir.
– Consegue sim...
– E você?
– Hm... Eu tenho quatro alternativas: Morrer, vender drogas, ser preso ou virar um cantor. – comecei a rir.
– Boa sorte nisso.
– Obrigado. Onde está a bebida?
– Aqui... – falei puxando as duas garrafas debaixo da cama. – Onde está a coca e a heroína?
– Coca... – falou balançando o pacote que havia tirado da mochila – E... Mr. Brownstone, pronto para ser injetado... – disse balançando as duas seringas. – comecei a rir – O que? Já tá chapada? – também começou a rir.
– Não. De onde você tirou isso? Mr. Brownstone? – eu o vi ficando sem jeito.
– Er... É que... Hm... É o jeito que o... – ele tinha receio de continuar a frase, então parou de falar na mesma hora.
– Jeff... Enfim, vamos injetar essa merda logo.
Ele assentiu em silêncio me dando uma das seringas. Injetamos a droga e logo depois cheiramos todo o pacote de cocaína. Começamos a beber como loucos e acabamos com todo o baseado que havia na sacola. Olhávamos um para o outro rindo. Me joguei no colo dele que me abraçou, se jogando para trás. Deitamos um ao lado do outro no chão, rindo. Não estava compreendendo o que estava acontecendo, por que estávamos rindo, por que estávamos deitados no chão.
– Micheeeeelle... Quem sabe a gente dá um voltinhaa pelo bairro?
– Vamos Billie! – falei animada como uma criança, me levantando e cambaleando para o lado. Tentei me segurar no balcão e, com sorte, consegui.
– Ahahahahahahahahaha, você quase caiu! – Bill se contorcia de tanto rir no chão.
– Então levanta retinho que eu quero veeer, seu puto! – falei ainda agarrada no balcão.
– Tudo bem, se o chão não tivesse me segurando, eu até levantava... – comecei a rir.
– E se essas mãos não estivessem tampando meus olhos, eu te via.
– Mas que mãos? – ele ria bobo. – Porra! Me solta!
– Ahahaha ESSAS! Cacete, tá tudo mudando de cor... Quem tá te segurando Billie?
– O CHÃO! CARALHO QUE ISSO! AHAHAHAH!
– Anda seu folgado! Levanta! A gente tem que sair pra ver o sol brilhar como um navio!
– Hã?
– Só levanta porra! – foi o que ele tentou fazer, mas acabou caindo no chão – Ahahahaha! VIU! Fica falando de mim! Pelo menos eu to em pé! Anda! Quer ajuda?
– Ai... Eu quero... O chão fica me segurando... Você tem que trocar de carpete! – fui até ele, cambaleando e o ajudei a levantar. – Muito obrigado.
– Me lembra de trocar o carpete que eu te lembro de perder alguns quilinhos.
– Rá. Como se eu não fosse gostoso.
Comecei a rir, mas nada respondi. Apenas descemos as escadas, apoiando um no outro para não cair e, com alguns sustos, conseguimos chegar à parte de baixo da casa. O sol já havia desaparecido e havia apenas a luz dos postes iluminando a rua. Saímos pela calçada, andando torto, praticamente caindo. Minha cabeça começou a falhar e eu mal conseguia ficar em pé. Bill me segurou junto ao seu corpo, me levando a algum lugar. Senti algo áspero tocando minhas costas, parecia ser um jacaré, jurei ser um jacaré.
– AAAAH! Um jacaré! — Falei me agarrando nele, segurando forte no seu pescoço. Pude ouvir sua risada quente em meu ouvido.
– É uma árvore, pelo menos eu acho... Você vai precisar de equilíbrio agora. – comecei a rir.
– Como assim? Por quê? Hã? Onde? – eu falava com os olhos fechados.
Senti algo quente no meu pescoço e meu corpo ser pressionado contra a árvore. Agora senti algo macio tocando meu pescoço, me deixando arrepiada. Continuei com os olhos fechados, me sentindo entorpecida por aquele toque. Era incrível como as drogas deixavam qualquer coisa excitante. Abri um pouco os olhos e vi Bill no meu pescoço, com as mãos apoiadas no tronco da árvore. Minhas mãos automaticamente foram para sua nuca, puxando levemente seus cabelos. Agora ele lambia e mordiscava meu pescoço, me deixando cada vez mais excitada. Depois de um tempo partiu para minha boca, me beijando ferozmente e me apertando entre ele e o tronco da árvore. Como aquele beijo estava bom, mas não durou muito. Minha cabeça começou a falhar outra vez, como se latejasse, mas de um modo diferente, mais assustador. Minhas mãos começaram a falhar.
– Bill... – falei perdendo todo o ar, mas ele não parava – Bill!
– Hm? – ele ainda estava grudado no meu pescoço.
– Eu... Não... – minhas pernas começaram a perder toda a força, e fui deslizando até o chão.
– Michelle? – ele tentou me segurar, mas não conseguiu, estava muito drogado para isso – Michelle?
– Eu... Não... To... Legal. – então tudo se apagou e minha capacidade de sentir e ouvir havia sumido.
PDV William
Já não sabia mais o que eu estava fazendo, simplesmente comecei a me agarrar com Michelle. Aquilo estava muito bom, nunca havia me sentido com tanto tesão na vida. Pena que durou pouco. Ela estava retribuindo tudo que eu estava fazendo, mas depois de um tempo começou a ficar estranha. Suas mãos já não me puxavam para perto de seu corpo, estavam soltas em cima de meus ombros. Ela estava ficando cada vez mais pesada.
– Bill... – pude ouvir ela chamar, mas não tinha certeza se aquilo era uma ilusão, então continuei o que estava fazendo – Bill! – ouvi outra vez.
– Hm? – perguntei beijando seu pescoço.
– Eu... Não... – ela começou a deslizar lentamente pelo tronco da árvore, sentando no chão. Seus olhos estavam fechados e sua cabeça se movimentava de uma lado para o outro, lentamente.
– Michelle? – a chamei, não estava entendendo aquilo. Tentei levantá-la, sem sucesso. – Michelle? – a preocupação já estava me tomando, mesmo sem conseguir raciocinar direito.
– Eu... Não... To... Legal. – falou dando um último suspiro profundo. Ela havia apagado completamente.
– Michelle?! Merda! Michelle! Fala comigo, por favor! – tentava acorda-la com tapas leves em seu rosto – Não faz isso comigo... Por favor. – segurei seu rosto, selando sua boca repetidas vezes. – Acorda Michelle... – falei começando a chorar. O desespero havia tomado conta de mim.
PDV Charles
(Para quem não lembra quem é Charles, volte no capítulo 11, é o delegado)
Estava em minha viatura dando voltas por alguns bairros de Laffayete para ver se estava tudo ok. As ruas eram silenciosas, ouvia-se apenas o balançar das folhas nas árvores e o motor da minha própria viatura rugindo. Ao passar por uma das ruas de lá, comecei a ouvir algo estranho, parecia um choro. Comecei a vasculhar o lugar com os olhos, de dentro do meu carro, quando vi alguém de frente para uma árvore. Estacionei o carro e fui chagando perto, com cuidado. A pessoa tinha cabelos compridos e ruivos.
– Ei! Garota! Está tudo bem? É a polícia... – a pessoa virou para mim e pude ver claramente de quem se tratava.
– Eu não sou uma garota... – ele tinha os olhos inchado e a voz estranha.
– William Bailey?
– Por favor! Me ajuda... – falou sentando ao lado da garota que eu conhecia muito bem.
– Michelle! O que você fez com ela?! – perguntei com raiva.
– Nada... – ele começou a chorar mais. – Eu juro que eu não fiz nada... Por favor, traz minha amiga de volta. Ela é a única pessoa que eu tenho... – ele chorava cada vez mais, estava visivelmente drogado e bêbado.
– A respiração dela está fraca... Vamos... Vai para viatura.
– Eu vou ser preso?! NÃO! Eu não fiz nada! Por favor... Só me ajuda com ela!
– Cala a boca William! Vamos! Vou levar vocês dois para o hospital!
– Obrigado, obrigado, obrigado! – falava rapidamente. Nunca havia visto aquele menino falar. Era a primeira vez. Entramos no carro e eu comecei a dirigir rapidamente. William havia ficado no banco de trás, cuidando de Michelle. Ele não tirava os olhos dela, como se cuidasse de sua respiração. Olhei pelo retrovisor e vi que suas mãos estavam entrelaçadas.
– Você vai ficar bem Michelle, você tem que ficar bem... – ele disse dando um beijo em sua bochecha. Enfim chegamos ao hospital e entramos rapidamente para Michelle ser atendida.
Notas finais
Mas então, o que acharam? Me falem :D
Estou com a sensação de que tenho algo importante pra falar, mas não consigo me lembrar o que. Acho que vou deixar por isso mesmo, quando me lembrar eu falo kk'
Até o próximo!
Bjos ♥
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