Welcome To Hell
9 Domingo infernal
Notas iniciais
Pov. Izzy
Parecia que tinha uma boate dentro da minha cabeça, a dor estava ligeiramente insuportável a ponto da minha cabeça latejar. Rolei na cama abrindo os olhos devagar observando a luz do sol invadindo meu quarto. Mas que belo dia, que pena que eu não tava com saco pra dias bonitos!
Eu ainda estava com o mesmo vestido da festa, estava praticamente do mesmo jeito que eu sai de casa, acho que só me joguei na cama e dormi! Bufei encarando o teto tomando coragem pra levantar e no mesmo instante meu celular tocou. O alcancei na cabeceira e atendi antes que aquele barulho fizesse minha cabeça explodir.
–Alô! — Disse enquanto bocejava.
–Ai que caralho Isabelle! Você é louca? — Gritou Leah do outro da linha — Quer me matar de preocupação? Meu Deus do céu...
–Hey vamos com calma! — Disse me sentando na cama. Suspirei passando as maos no cabelo. — O que foi menina?
–Como assim o que foi? Você sumiu da festa bêbada ontem sem dar satisfação. Te liguei varias vezes e você não atendeu e os meninos também não sabiam de você e... — Falou atropelando as palavras.
–Eu estava dormindo, foi mal. Eu te procurei antes de ir embora, imaginei que estivesse com o Lucas e eu não tava afim de atrapalhar o seu momento!
Por um segundo imaginei ela sorrindo já que a mesma soltou um suspiro longo ao tocar no nome do Lucas.
–É eu tava com ele mesmo. Mas mesmo assim deveria ter me mandando uma mensagem! — Falou um pouco mais calma.
–Ta, foi mal! Desculpa!
–Com quem você foi embora?
–Hum... Acho que... — Forcei minha memoria, a ressaca tava demais! — O Peter!
Ela fez alguns minutos de silencio e depois voltou a falar surpresa.
–Oi? Espera ai, você disse o Peter? — Ela soltou um riso — Eu te deixo sozinha com o Liam e descubro que você voltou pra casa com o Peter. Me explica isso que eu não to entendendo! — Riu de novo.
–Não viaja Leah. Ele só me trouxe pra casa, nada demais. E vou deixar claro que foi contra a minha vontade.
–Mesmo assim é estranho! O Peter não deve ser gentil nem com a própria mãe!
–Provavelmente! — Nos duas rimos e eu ouvi duas batidas na porta do quarto e minha tia abrir a mesma e por a cabeça pra dentro do quarto — Então Le, vou ter que desligar agora. Agente se fala de noite! Pode ser?
–OK. Beijos! — Desliguei o telefone.
Minha tia não entrou no quarto só ficou me fitando por uns segundo pra vê ser eu estava realmente bem.
–Boa tarde! — Ela disse me fazendo encarar o relógio. Eram meio dia e meio. — Acho bom você tomar um banho e dar um jeito nessa cara! Sua avo acabou de chegar!
–Oh merda! — Foi a única coisa que disse antes de correr pro banheiro.
Tinha esquecido que hoje ela viria me infernizar!
Liguei o chuveiro e tomei uma ducha rápida lavando o cabelo. Sai do do banheiro e coloquei uma jeans escura e uma regata levinha, calcei uma sapatilha perdida no quarto, penteei o cabelo rápido e depois deixei solto pra secar. Arrumei minha cama e... Droga. Minha cara estava péssima. Passei uma maquiagem bem leve pra dar um jeito e sai do quarto!
Minha tia terminava o almoço na cozinha com a ajuda da Mary enquanto Arthur brincava no cercadinho. Minha avo estava parada ao lado do sofá com a única expressão que ela tinha: Seria! Os cabelos pintados de loiro estavam erguidos num coque os olhos verdes carregados de maquiagem e usava aquelas tipicas roupas caras. Assim que apareci ela estreitou os olhos pra mim sem nenhuma emoção. Bufei indo até ela.
–Até que enfim você acordou. Achei que sua tia tinha avisado que eu viria para almoçar e não jantar! — Ai que vontade de soltar um palavrão. Respirei fundo.
–É tao bom te ver também! — Sorri falso. Demos um abraçado tao rápido que eu quase não senti. É melhor assim.
Ela me fitou de cima a baixo com a expressão mais irônica que ela podia ter. E la vai ela...
–Já caiu no mundo né! — Disse ela — Essa sua cara não mente. Os pais mau morreram e já esta curtindo a vida adoidada!
A encarei pasma. Como ela podia dizer aquilo? Na verdade isso era tipico dela.
–Curtindo a vida? — Me exaltei — Explica pra mim, como que se curte a vida naquele lugar que você me colocou? Fico presa a semana inteira lá sem poder sair e fazer ligação. E você vem me dizer que eu to curtindo a vida? Não existe pessoa no mundo que esta sofrendo mais do que eu agora!
–Abaixe o tom pra falar com a sua avo! — Disse erguendo a voz — E se eu te coloquei lá, foi para o seu bem!
–Sabe, você pode repetir isso pelo resto da sua vida que eu nunca, nunca vou acreditar!
–Não me importa no que você acredita, um dia você vai entender e talvez até vá me agradecer!
Não conseguir não rir das palavras dela que surtiram um efeito artificial em mim.
–Acho difícil vó, acho difícil!
Só eu sei o que eu passo no instituto! Agradecer? Piada essa hora do dia era demais pra mim.
Minha tia surgiu da cozinha me fitando com um olhar que dizia "Não surte". Respirei fundo passando as maos no cabelo, ela se dirigiu ate mim segurando na minha mao.
–O almoço já esta pronto May! — Ela sorriu pra minha vo.
–Até que enfim, achei que ia ter que esperar até meia noite pra comer! — Minha avo disse.
Se dirigiu até a sala de estar onde a grande mesa já estava arrumada para o almoço! Revirei os olhos socando o ar quando estava sozinha com a minha tia! Ela passou as maos no meu ombro de modo confortante.
–É só manter a calma! — Sussurrou ela pra mim.
–Manter a calma? Na próxima alfinetada dela sou capaz de mata-la com a faquinha de serra!
–Esse almoço vai ser longo! — Suspirou minha tia.
Tudo bem que ela é minha avo, mas olha, o velha amarga! Só reclama, parece que sente prazer em destruir a vida da própria neta. Tipo, eu sempre fiquei sonhando em ter aquelas avos normais sabe, que contavam historias antes de dormir, que faziam chás pra você tomar com ela a tarde, que cozinhavam bem, que tricotavam um suéter pra você no natal. Mas infelizmente eu nunca tive! A minha outra avó, mãe da minha mãe, eu nunca convivi muito com ela. Se eu gostava dela? Muito, tipo demais! Ela era louquinha de pedra, ela mora longe demais. Só vejo ha em aniversario, natal e agora... Velórios! Eu daria tudo pra eles terem conseguido a minha guarda, mas infelizmente a justiça avaliou que a minha avó May por ser rica, poderia me criar melhor.
Eles não tem noção de como estão errados!
Esse almoço pra mim foi quase que em câmera lenta, foi o domingo mais longo da minha vida. A cada palavra que minha vo dizia eu retrucava com raiva, eu não queria que ela estivesse aqui, mais ela tava se divertindo as minhas custas. Nem parece que acabou de perder um filho!
–Bom Isabelle! — Se dirigiu a mim enquanto ajeitava a bolso nos ombros — Vê se você, se comporte melhor no instituto. Gasto uma fortuna naquele lugar e você não esta honrando o nome da familia com suas atitudes, já fiquei sabendo que até advertência já levou. Saiba que tudo que você faz eles me ligam pra avisar. Enfim... — Dei um beijo na minha bochecha e foi até a porta! — Agente se vê em 15 dias querida! — Mandou beijos no ar antes de sair batendo a porta.
A mais não se vê mesmo! Prefiro a morte ao vê-la outra vez!
–Já vai tarde! — Tia Josie reclamou se jogando no sofá ao meu lado. Suspirou me encarando — Você ta bem?
–To sim! — Respondi fitando o chão. Apesar desse almoço ter sido um completo terror.
–Deixa eu te pergunta. Quem era aquele garoto que te deixou aqui ontem? — Perguntou se ajeitando no sofá com um sorriso no rosto.
–Um cara que eu odeio! — Dei de ombros.
–E que trouxe você em casa? Que ódio mais estranho!
–Tia num viaja ta, eu tava bêbada e ele também! — Seu sorriso se alargou — E sim, ele só me trouxe em casa!
–Tudo bem! E a festa como foi? Se divertiu?
–Foi ótima, obrigada!
–Percebi pelo horário que chegou e o seu estado deplorável! — Eu ri do jeito que ela falou.
Chega desse assunto né?
–Tia, seu filho ta engolindo o controle da TV! — Falei desviando sua atenção de mim.
–O que? — Se espantou e o bebe estava no chão babando o controle todo — Ah, Arthur! Larga esse controle!
Ele se levantou assustado com o grito dela e a mesma fez menção em levantar pra pega-lo. Ele saiu correndo com o controle nas maos e dando aquelas gargalhadas gostosas de bebe.
–Acho melhor você ir atrás dele heim! — Falei rindo e ela bufou correndo atras dele.
–Vou afogar esse menino na banheira! — Gritou ela correndo atras dele e me deixando gargalhando no sofá.
Ela não é normal. Jesus! Coitado do meu primo, vai crescer traumatizado!
Ainda rindo no sofá ouvi o som da campainha tocando. Sera que era a minha vo de novo? Essa velha num cansa de me atazanar não? A empregada não apareceu então me levantei indo até a porta e fiquei surpresa com quem estava parado lá sorrindo pra mim.
–Liam? — Perguntei. Eu não tava acreditando que ele tava ali, parado na minha porta!
De bermuda preta uma camisa branca e um tênis da mesma cor. Óculos escuros e um sorriso brilhante.
–Oi Izzy! — Deu um beijo na minha bochecha — Desculpa vim sem avisar é que...
–Como você sabe aonde eu moro?
–Bom, a Leah me contou! — Deu um sorriso sem graça. Leah cachorra, ela me paga!
–Você quer entrar?
–Não, obrigada. Só vim mesmo pra ver você, eu tava preocupado! — Falou me fazendo encara- lo surpresa.
– Mas porque?
–Você sumiu na festa não consegui falar com você depois. Imaginei que veio embora sozinha!
–O Peter me trouxe em casa — Falei engolindo em seco e me arrependendo no mesmo em que disse. Sua expressão mudou, ele fechou a cara e cruzou os braços.
–O Wayland? — Perguntou e eu assenti — Pensei que não gostasse dele!
–E não gosto, é só que... — Perdi a fala e ele continuou me olhando. Oh merda, porque eu fui falar isso. — Bem, eu não achei nenhum de vocês e ele tava vindo pra esse lado da cidade mesmo e bom, eu tava bêbada demais pra discutir. Acabei aceitando uma carona. Só uma carona! — Fiz questão de deixar claro.
–Então ta, já que você ta bem e o super Peter cuidou de você. Eu já vou indo!
–Não espera! — Eu o segurei pelo braço. Ele me encarou — Foi só uma carona, é serio!
–Eu já entendi Izzy! — Ele disse forçando um sorriso gentil pra mim — Só que tenho que arrumar minhas coisas pra voltar pro instituto!
–Tem certeza?
–Absoluta! Agente se vê la então! — Ele se curvou e me deu um selinho que eu não consegui impedir mas também não deixei que virasse algo mais.
Depois do beijo ele entrou no elevador e foi embora. Eu fiquei encarando a parede do corredor por alguns segundos antes de entrar em casa. Minha tia com o bebe no colo me encarava com um sorriso malicioso que só Deus!
–O que foi isso?
–Não faço ideia! — Disse e ela riu da minha cara pasma. Ainda absorvendo essa aparição dele aqui!
–Vai arrumar suas coisas, eu preciso te levar de volta!
E chegou o pior momento do dia pra mim.
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