Welcome To Hell
23 De volta ao lar!
Notas iniciais
Pov. Izzy
Aline estava fazendo um escândalo daqueles, que eu nunca tinha visto antes. Ela chorava e gritava pra dona Addans enquanto tentava tirar o feno grudado do seu cabelo, cheirava a fezes de cavalo e suas roupas estavam um trapo assim como seu rosto sujo de maquiagem.
Ela definitivamente estava destruída.
Leah ria descaradamente enquanto ela a acusava de tranca-la a noite toda na salinha, a senhora Addans não estava se convencendo muito de ambas as historias.
–Eu juro, senhora Addans, aquelas duas me prenderam naquele quartinho fedido só porque a Isabelle Monroe estava trancada no quarto com Peter e ela temia que eu contasse isso a você — Gritava ela.
Peter do meu lado tentou segurar o riso mas ele não teve muito sucesso o que fez a senhora addans acreditar menos ainda na versão dela.
–Ta vendo só, essa garota ta falando loucuras — Leah disse totalmente despreocupada enquanto a inspetora encarava a mim e meus amigos — Todo mundo sabe que nos estávamos na festa o tempo todo, pode pergunta pra quem quiser. Mas essa garota... — leah apontou pra Aline — Ela estava completamente bêbada ontem!
–Ah, ela estava sim — Reforçou marina. — Eu partircurlarmente jamais acreditaria nela, e se você pensar por justiça... A maioria ganha!
Aline começou a gritar novamente fazendo escândalo. A inspetora respirou fundo por mais de duas vezes e finalmente deu de ombros.
–Não faço ideia do que houve ontem pois ninguém diz nada com nada. Pois então Aline, recomendo que vá tomar um banho porque você esta fedendo!
–O que? — Gritou ela inconformada.
Isso formou uma histeria de risos em quase todos os alunos que concordaram que Aline não estava la no seu melhor estado. Ela ignorava a todos e encarava somente a mim furiosamente como se fosse me atacar, apesar deu não ter dito uma única palavra desde então. Eu não me deixei abater e sustentei seu olhar com minha pior cara. Ate porque ela quase arruinou a melhor noite da minha vida.
Ficamos nessa guerra de olhares durante pouco tempo graças a Peter que me deu um cutucao.
–Para com isso! — ele se inclinou sobre meu ouvido e sussurrou.
Me virei para encara-lo e ele, apesar da situação, sorria e eu não tive como não sorrir também.
–Não estou fazendo nada — Sussurrei de volta. E ele revirou os olhos.
–Só não piore a situação.
–Eu já disse que não estou fazendo nada — Eu parecia uma criança falando assim o que fez ele rir e eu bufei o ignorando.
Tudo bem que tive umas das melhores noites da minha vida com o cara mais idiota do mundo, que fez eu me sentir como eu nunca me sentira na vida. Porem, as vezes tenho vontade de mata-lo!
–Eu recomendo que arrumem suas coisas pois vamos voltar hoje para o instituto! — Ela disse depois de assoprar um apito pra que todos calassem a boca. — Depois da festa a professora achou melhor voltarmos logo, a dona da casa não ficou muito contente com a bagunça de ontem!
Houvesse um murmúrio de insatisfação da maioria dos alunos, eu mesma fiquei surpresa em termos que ir embora hoje. Esse lugar era inacreditável e eu esperava passar mais um dia aqui.
–Sairemos depois do jantar, vocês ainda tem um tempo! — Avisou a inspetora que depois sumiu pra dentro do casarão.
Meus amigos se encararam por um tempo enquanto alguns alunos saíram pra se despedir do lugar.
–E se fossemos andar a cavalo mais uma vez antes de arrumarmos nossas malas? — Sugeriu Marina para o meu completo desespero.
–Não — Eu disse apavorada — Tudo, menos cavalos, pelo amor de Deus!
–Porque? Eu sei que você adora cavalos. — Peter disse sorrindo do meu desespero. Imbecil. — Eu curei seu trauma, lembra?
–Idiota. Você é tao idiota — Murmurei pra mim mesma mas todos ouviram.
–Eu achei que estivessem numa boa depois da noite de ontem! — Jonah passou um braço pelo ombro de Peter sorrindo malicioso — Não conseguiu acalmar a fera meu amigo?
–Não sei fazer milagres, jonah! — Peter disse brincando — Pra ter um bom resultado, eu vou precisar de muito mais que uma noite!
–Humm — Leah murmurou com um sorriso safado — Entendeu a indireta né Izzy?
Eu a ignorei revirando os olhos. As vezes tenho vontade de matar a todos eles!
–Já que a moça aqui tem um serio problema com cavalos — começou Peter — Vamos fazer algo em que ela não de pit, ou sei la tente me matar.
–Cachoeira — Sugeriu Jonah — Mas ainda assim, ela pode te matar afogado!
–Ela não vai. Eu vou dar um jeito nisso — Peter sorriu e piscou pra mim. Tenho certeza que devo ter ficado vermelha.
–Então vamos, só temos uma hora ate voltar e arrumar as malas. — Marina disse.
Não nos importamos em ir colocar biquínis ou roupas de banho. Fomos do jeito que estávamos mesmo.
[...]
Quase duas horas depois voltamos. Tínhamos ainda a missão de arrumar nossas malas e faltava apenas poucas horas pra partimos. Quando entrei no quarto quase tive uma síncope, estava tudo tao desarrumado que parecia que eu iria levar dias pra juntar tudo dentro da minha pequena mala. E foi praticamente isso.
Parece que minhas roupas duplicaram de quantidade e eu tive que pular em cima da mala e sentar em cima dela enquanto Leah fazia força pra fecha-la.
–20 minutos pessoal. Se apressem o ônibus já chegou! — Gritou a professora enquanto eu me matava pra conseguir descer minhas malas pela escada. Parecia um esforço em vão.
–10 a 0 pra mala! — Peter apareceu sorrindo do meu lado. Carregava sua mala numa mão só sem nenhum esforço.
–Não precisa jogar na minha cara!
Ele riu e tomou as malas da minha mão, desceu os últimos 5 degraus sem dificuldade nenhuma. Depois olhou pra minha cara que continuei parada no meio da escada olhando pra ele.
–Não sabia que você conseguia ser um cavalheiro!
–Gosto de salvar Donzelas em perigo nas minhas horas vagas — Ele estendeu sua mao pra mim. Eu desci as escadas correndo agarrando a mao dele o que foi um pouco infantil da minha parte, mas ele não pareceu se importa quando apertou minha mao. Começamos a caminhar pro lado de fora aonde estava o ônibus.
–Desde quando eu estava em perigo?
–Ué, desde quando eu tava te observando do andar de cima, a mais de vinte minutos vendo você xingar a sua mala e não conseguir move-la um centímetro escada a baixo — Ele riu enquanto falava.
–E você não teve a capacidade de descer antes pra me ajudar? Preferiu esperar pra me ver sofrer, é isso mesmo?
–Eu já te ajudei e você ta reclamando? — ele me olhou indignado.
–Não to reclamando, só acho que da próxima vez você poderia ser mais rápido!
–Já ta pensando na próxima vez que vai precisar de mim? — Eu me virei pra olhar seu rosto e ele tava com as sobrancelhas erguidas em espequitativa. Ele riu. — Eu gosto disso!
Eu revirei os olhos pra esse idiota. O dia que eu conseguir ter uma conversa normal com esse cara aplaudam de pé porque vai ser pra glorificar mesmo.
Depois disso andamos em silencio até o ônibus junto com a maioria dos alunos. Eu tenho certeza que ele deve ter falado comigo em algum momento mas eu estava completamente perdida em pensamentos da noite passada e ficava observando nossas mãos juntas. Como elas se encachavam perfeitamente uma na outra, os dedos dele finos e longos apertando os meus. Isso embrulava meu estomago, não sei bem que sensação era aquela mas aquilo era estranho e tava começando a me deixar agoniada.
–Oi casal maravilha! — Ouvi a voz do Jonah quando chegamos no ônibus. Alguns alunos já estavam la dentro e a professora organizava tudo enquanto a inspetora arrumava as malas na traseira do ônibus — Preparados pra voltar pra vida real?
–Não — Eu respondi. — Nem um pouco.
Toda vez que eu lembrava que daqui a poucas horas eu estaria de volta ao do instituto me dava vontade de chorar, de sair correndo, de fugir. Ou de fazer as três coisas juntas ao mesmo tempo.
Aquilo era meu inferno particular e eu não queria voltar pra la.
[...]
Pov. Peter
Depois de ajudar a Isabelle a colocar aquele saco de cimento que ela chama de mala na traseira do ônibus ela entrou praticamente arrastada pelo furacão chamado — Leah Fray. Já eu tava tentando fugir da outra parte da familia Fray que não queria me deixar em paz por um segundo.
–Eu estava certo! — ele murmurou pra mim antes de entrarmos no ônibus. — Eu sabia que eu tava certo!
–Sobre o que?
–Sobre você... E a Izzy é claro! — eu revirei os olhos já pronto pra dizer "me deixa em paz" mas ele me cortou! — Eu to tao feliz por você, sério, não estraga tudo. Por favor, a Izzy também é importante pra mim agora e principalmente pra leah, eu iria odiar vê-la machucada por sua causa. Entendeu?
–Não se preocupe, eu sei o que eu to fazendo!
Essa foi a mais pura mentira. Eu não fazia ideia do que tava acontecendo comigo, muito menos do que eu tava fazendo. Mas ele não precisava saber disso.
–Juro que também não vou tocar mais no assunto!
–Eu agradeço imensamente!
Pra entrar no ônibus foi um sufoco, tava a maior bagunça. A professora nem se dava ao trabalho de gritar com todo mundo, tava sentada la na frente com o fone no ouvido fingindo não ver o que passava em volta dela.
Logo atras dela Aline tava me encarando. Sentada sozinha com a maior cara de bosta. No fundo eu tinha pema dela, mas bem no fundo mesmo. Quando ela fez menção em falar comigo eu ignorei e fui pro fundo do ônibus quando vi Leah sentada do lado da Izzy provavelmente fazendo um interrogatório porque a cara dela não estava a das melhores.
–Cai fora Leah! — Falei.
As duas me encararam. Leah abriu um sorriso de 35 dentes pra mim. Ela fazia isso toda vez que eu me aproximava da Izzy.
–Tem outros lugares nesse ônibus sabia, Wayland? — ela disse.
–Jura? Vai procurar você então, porque eu vou sentar aqui.
Ela olhou pra Izzy que deu de ombros e depois pra mim. Se levantou num salto.
–Tudo bem, tudo bem. Boa viagem!
Eu esperei que ela saísse e observei quando ela sentou do lado do Lucas duas fileiras depois. Isabelle tava me encarando quando eu sentei do lado dela. Eu sorri pra ela enquanto ela erguia as sobrancelhas.
Me inclinei na direção do seu rosto enquanto seus olhos verdes me fitavam. Olhei sua boca entre aberta e reprimi um desejo louco de beija-la agora.
–Espero que não seja um problema pra você eu passar 3 horas do seu lado! — Sussurrei baixo o suficiente pra apenas ela me ouvir.
–Ah com certeza vai ser!
A senhora Addans cortou qualquer chance que eu tinha de beija-la agora com a gritaria que ela fez ao entrar no ônibus, avisando pra todo mundo colocar o cinto e repetindo as 50 mil regras do que não fazer durante 3 horas de viagem. Logo em seguida o ônibus começou a andar.
Foram poucos minutos ate eu não conseguir enxergar mais o casarão e nem os animais, nem a cachoeira nem mais nada. O pessoal também acalmou os ânimos e se aquietou, depois de um tempo o ônibus ficou quase em silencio, tinha a impressão que tava todo mundo dormindo.
–Izzy — Chamei com a voz baixa pra que ninguém prestasse atenção.
–O que?
Ela virou o rosto pra me encarar e seus olhos estavam cheios de agua, como sempre estavam quando ela ficava quieta demais, pensativa demais. Eu não conseguia me acostumar em ver ela depressiva, chorando sem razão e com suas tentativas falhas de disfarçar.
–Pode ser sincera comigo?
–Eu sempre sou sincera. — ela disse confusa.
–Não comigo.
Quando dei por mim estávamos sussurrando. Eu sabia que ela não era completamente sincera comigo, só não entendia o porque disso.
–Promete pra mim que vai ser sincera agora! — Pedi. Ela me olhou confusa e pensou por um segundo mas assentiu com a cabeça. — No que você esta pensando?
–O que? — Sua voz subiu umas oitavas ao falar isso. Ela se endireitou ma cadeira desconfortável e finalmente me olhou como se eu fosse louco — Quer dizer, porque quer saber?
Não sei!
–Só me fala! — insisti e ela bufou — Você prometeu que ia ser sincera!
Tudo bem eu pareço maluco fazendo uma pergunta dessa. Mas desde que Isabelle entrou no instituto, eu observava ela quieta demais e as vezes chorando e eu sempre quis saber o que se passava na cabeça dela pra passar 90% do dia assim.
Eu estava a uns cinco minutos olhando pra ela e esperando a resposta. Já tava achando que ela não ia falar mas finalmente ela disse.
–Eu tava pensando... — ela hesitou desviando os olhos de mim e olhando pra janela — Em como vai ser agora no instituto. Tava pensando em você, na minha avo, em mim, nos meu pais. No geral!
Eu não podia negar que também estava preocupado com isso, mas não estava na hora de demonstrar. Afinal tinha uma garota chorando na minha frente e eu ainda não tinha aprendido a lidar com isso.
–Isabelle, pelo amor de Deus — eu respirei fundo procurando por palavras que não fossem piorar as coisas. Segurei em seu queixo fazendo ela me olhar. Eu odiava vê-la assim. — Eu não sei fazer isso... Droga! Me desculpa por ser um idiota a maior parte do tempo, vou tentar mudar isso. Se em troca você tentar não chorar o tempo todo por besteira.
–Ta pedindo demais pra uma depressiva! — ela brincou. Eu passei os dedos por seus olhos e limpei suas lagrimas.
–A gente vai trabalha isso quando chegar em casa. No instituto. — ela fechou a cara e eu sabia porque — Já deveria ter se acostumado.
–Sou difícil pra essas coisas.
–Eu sei!
O assunto morreu ali quando a senhora Addans (mais uma vez) passou atrapalhando tudo. Ela tava conferindo os alunos pela segunda vez e encarou a nos dois que deveria ser os únicos acordados no ônibus, mas ela não disse nada.
Isabelle suspirou cansada e sem dizer uma palavra deitou no meu ombro e foi questão de tempo ate o balanço do ônibus fazer ela dormir.
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