Notas iniciais
Boa leitura

Wednesday estava lendo na biblioteca um livro sobre história da magia, nada interessante. Na verdade nada estava interessante naquele dia de sol, mesmo assim não gostou quando algo a interrompeu.

— Posso sentar?

Ela olhou para cima e viu parado em sua frente o garoto loiro de pele pálida. Apenas o encarou e voltou a ler. Draco encarou aquilo como um sim, e se sentou.

— Quê? Vai ficar aí parado me olhando? – perguntou Wednesday, levantando seu olhar para ele.

— Não quero ler.

Wednesday ainda queria brincar com ele, mas sabia que ali não era o lugar ideal. “Gente demais”, pensava.

– Como se sente agora que se juntou ao Potter no clube dos órfãos? – Perguntou Wednesday com sarcasmo

Ele engoliu em seco – ainda não era fácil se lembrar do pai – mas prosseguiu.

– Olha, eu não quero brigar.

Essa frase a chocou um pouco. “Como não? Eu sou aquela que matou o seu pai!”. Mas nada que ela demonstrasse, apenas arqueou a sobrancelha e esperou para ouvir o que mais ele tinha para falar.

– Serio. Nós éramos... hã... tipo amigos, lembra?

O instinto de Wednesday dizia que havia algo errado ali. Ele falava como se calculasse exatamente o que ia dizer. Algo cheirava mal, ela só não sabia o que.

– Certo. Então pode ficar aí, me encarando – disse Wednesday, voltando a ler.

Draco sentia um pouco de tudo naquele momento. Rancor, raiva, entusiasmo, e um sentimento assassino que nunca havia sentido antes. Nem mesmo por Harry Potter. Havia um fogo queimando dentro de si.

E ele mal podia esperar pelo momento em que esse fogo se espalhasse.

Na aula de poções, Wednesday sentia como se estivesse sendo observada. Olhando de canto, pôde ver Draco sentado com Crabbe. Este tagarelava sem parar, mas o loiro olhava fixo para ela, e ignorava o fato de que ela havia se dado conta.

Ele começou a mexer a boca, como se quisesse dizer algo a ela. Ela dizia de volta que não entendia.

Draco parou e pensou um pouco. Em alguns instantes, arrancou uma folha do caderno, escreveu alguma coisa e fez a folha flutuar até as mãos dela.

Simas Finnigan. Vamos brincar com ele depois da aula. Ele gosta de explosões, certo? A não ser que esteja com medo de te pegarem.

Ela o fuzilou com os olhos pelo último comentário, mas não rejeitaria brincar um pouco com Simas. E podia aproveitar e já cuidar de Draco.

Nunca vão me pegar. Deixe que eu o levo até a Floresta Proibida. Tente você, não ficar com medo.

Assim que recebeu o bilhete, Draco sorriu, triunfante.

“Mãe”, ele pensou, “Em breve ela fará companhia ao papai”

A aula de poções acabou. Wednesday depois de muito procurar achou Simas na sala de troféus admirando os mesmos, ela tentou entender o motivo e como os troféus permaneceram ali depois de tudo, mas tinha outros planos em mente.

— Simas?

— Eu mesmo. Wednesday, certo?

— Isso. Eu estava procurando pelo Harry. Sabe onde ele está?

Simas se virou para apontar para alguma direção.

— Acho que eu vi ele ind... – e foi quando Wednesday sacou umtaserdo bolso, encostou no pescoço dele e o deixou inconsciente.

“Esses bruxos... Tão fáceis de apagar...”, Wednesday pensou, sorrindo para o garoto inconsciente, “Agora é só levar para a Floresta. Como era mesmo? Wingardium Leviosa!”.

Mais cedo havia roubado a Capa de Harry, e a jogou por cima de Simas. Ainda assim, tinha que ser cautelosa para que não esbarrasse em ninguém.

— Finalmente você chegou! Achei que tinha amarelado!

“Esse Malfoy está ficando abusado... ” – Pensou com dificuldades para ignorar o jeito dele falar.

— Anda logo. Ele já ta aqui. Preparou alguma coisa especial ou fica tudo por minha conta como sempre?

Draco apenas estalou os dedos.

Uma geringonça enorme apareceu. Wednesday levou alguns segundos para digerir a informação, mas logo entendeu para que servia cada milímetro da coisa. Logo, um sorriso maligno se abriu em seu rosto.

Amarrariam os braços e pernas de Simas em correntes ligadas a uma grande parede de madeira. Então, era só puxar a alavanca e o pobre garoto teria seus membros levemente afastados do corpo.

Se depois disso ele ainda aguentasse brincar, o explodiriam em pedaços.

Isso trouxe a Wednesday memórias do passado. Sentia falta de fazer isso com Pungslay. Como será que ele estava indo na França?

— Ei, em que planeta você está, Addams? Finnigan não vai ficar aqui para sempre. Falando nisso, cadê ele?

Ela tirou a capa de cima dele, fazendo os dois sorrirem, ao mesmo tempo.

Em questão de minutos, Simas estava amarrado, pronto para a diversão. Para a brincadeira começar, só faltava esperar que ele acordasse. O que rapidamente aconteceu.

— Hã? Onde eu estou? Wednesday, você achou o Harry? Espera, o que você ta fazendo aqui comele? Ei, o queeuestou fazendo aqui? – ele perguntava, confuso.

— Simas, fique calmo. Só queremos brincar um pouco. – disse Wednesday.

— Brincar? Com isso? Aliás. O que é isso?

— Armas trouxas – respondeu Draco rindo do fato de estar brincando com armas trouxas.

— Você, Malfoy, tocando em alguma coisa do mundo trouxa? Ha, essa eu quero ver! E o que isso faz?

— Isso. – responderam os dois juntos, ambos puxando a alavanca, fazendo o garoto uivar de dor.

— Q-q-que vocês e-estão fazendo? Enlouqueceram? – ele disse, após alguns minutos, juntando todas as suas forças para pronunciar essas sílabas.

— Impressionante! ele ainda consegue falar... – disse Draco, balançando a cabeça, como que com pena dele.

— Temos que dar um jeito nisso – disse Wednesday, também balançando a cabeça, e puxando novamente a alavanca em seguida.

Foi quando Simas deu seu último grito da vida.

Wednesday e Draco ficaram parados alguns segundos, olhando para ele. Não por pena ou arrependimento, mas para ter certeza de que estava morto.

— Ainda temos dinamites. Aceita?

— Pungslay ia gostar de estar aqui. – ela disse – Coitado, vai perder a diversão.

Eles pegaram dinamites e encheram cada mínimo espaço possível em volta do corpo de Simas.

Com apenas um estrondo, Simas Finnigan havia se tornado meras lembranças.

Wednesday e Draco sorriram por um instante e depois se entreolharam.

— Caramba, fazia tempo que eu não me divertia assim com você! – ele disse – Estou feliz que está de volta – e voltou seu olhar para a cratera no chão

“É, não devia.”, ela pensou revirando o olho.

“Esse vai ser um ano muito divertido. Você não sabe como”, eles pensaram, ao mesmo tempo, como se um pudesse ler a mente do outro.


Notas finais
Também acho que será um ano divertido kkk