Weaken
3 Reconciliation
Notas iniciais
Assim que Kurt saiu batendo a porta, fui para o quarto e deitei-me na cama na tentativa falha de descansar. Fiquei rolando na cama pensando em tudo o que acontecera nas últimas horas. Ainda não acredito que eu fui capaz de fazer todas essas coisas comigo mesma. Tatuar o próprio corpo por inteiro, causar uma amnésia, mudar a vida por completo... Quem em sã consciência faria algo assim?
Kurt tem os motivos para estar irritado por tudo isso, mas eu adoraria que ele se colocasse em meu lugar por um momento. Eu estou tão confusa quanto ele. Nas últimas semanas ele tem sido o único em que posso me apoiar. Ele tem se esforçado para me ajudar a descobri sobre meu passado. E como se não fosse suficiente, a dúvida se sou Taylor Shaw ou não continua a pairar no ar.
Em certo momento do dia, me pego pensando se eu estava melhor antes ou depois de Oscar aparecer. De algum modo eu estava começando a me sentir em paz. Minha relação com Tasha, Reade e Patterson estava melhor, eu já me sentia à vontade entre eles. Era como se eu fosse parte da equipe. Porém, a essa hora tudo já poderia estar arruinado. Da forma em que Kurt saiu daqui, eu tive quase certeza que ele fora contar tudo para Mayfair. Também tive certeza de que ele demoraria a falar comigo novamente. Talvez viesse a me ignorar por um longo tempo. Como ele poderia confiar em alguém como eu?
Ao mesmo tempo que tento compreender o lado de Weller, penso sobre meu lado. Eu estava confusa e ainda estou. Saber que eu mesma fui a causadora de tudo isso, me faz esquecer de algumas teorias que pairavam sobre minha cabeça sobre quem fizera isso comigo.
Penso também sobre as consequências de meu encontro com Oscar. Se Kurt foi até Mayfair e contou para tudo a ela, ele provavelmente seria afastado da missão. Seria difícil lidar com isso. Desde o dia em que surgi na Times Square, nua e com o nome dele tatuado em minhas costas, ele é quem tem me dado mais apoio. Nos finais de semana, quando não nos vemos, ele me envia mensagens para checar como estou e se estou precisando de algo. Eu aprecio muito os atos dele, significava muito para mim. E depois de nosso beijo eu esperava que as coisas fossem mudar; elas mudaram, porém não da forma que eu desejava.
“Pode confiar no homem que está te mostrando o vídeo. O nome dele é Oscar e ele está aqui para te ajudar. Sei que está confusa e sei que quer descobrir quem fez isso com você...”. Aquele vídeo não saía de minha cabeça. Eu estava mais do que confusa naquele momento. Tudo o que eu mais queria saber era o porquê de eu ter feito isso a mim mesma.
Tenho meus pensamentos interrompidos por batidas na porta. Antes de me levantar da cama, confiro o horário e me surpreendo ao ver que já passam das 21h. Passei todo o dia na cama e nem me dei conta disso. Cambaleando vou até a porta e abro a mesma. Quando ponho meus olhos sob a pessoa parada na minha frente, meus batimentos aceleram. Lá estava Kurt me encarando com seus profundos olhos azuis, que carregavam um pouco de tristeza e cansaço. Em uma das mãos ele carregava uma sacola e na outra uma caixa de pizza.
— Nós precisamos conversar. — ele disse com firmeza na voz. — Posso entrar?
Nada respondi, apenas assenti com a cabeça e abri caminho para que ele entrasse. Quando ele passou por mim eu pude sentir o cheiro do perfume dele. Fechei a porta e parei por um momento para respirar fundo antes de me virar para encara-lo. Ele deixou a sacola e a pizza na mesa e se virou para me encarar. Esperei que ele desse a primeira palavra.
— Escute, eu sei que eu fui grosseiro e infantil agindo com você daquela forma. Eu não deveria ter gritado. Fui um tolo ao ignorar seus sentimentos. Sei o quão difícil isso tem sido para você. — Ele faz uma pausa e passa a mão na nuca, demonstrando estar nervoso. Permaneço o ouvindo em silêncio encostada na parede. — Mas espero que você entenda o quão difícil tem sido para mim. Eu não compreendo o porquê de você ter me escolhido para isso, acho que nem você sabe ainda, mas nós vamos descobrir isso juntos. — ele se aproximou de mim e passou suas mãos na lateral de meus braços. O contato da pele dele com a minha causou uma espécie de choque, fazendo com que eu me arrepiasse.
— Isso é uma trégua? — pergunto olhando nos olhos dele.
— Sim, Jane. Uma trégua. — Kurt diz e quando eu menos espero ele envolve meu corpo com seus braços. Fecho meus olhos sentindo o contato dele e encosto minha cabeça no peito dele. — Nós vamos ficar bem, eu prometo.
Ficamos ali parados no meio da sala abraçados. Me sinto relaxada nos braços dele. Eu queria poder passar mais tempo assim. Era como se por um momento, todos os nossos problemas desaparecessem.
Após um momento nos desvencilhamos e ele volta a segurar meus braços carinhosamente.
— Eu trouxe pizza e cerveja para você. — ele disse e eu abri um pequeno sorriso.
— Você sabe que não precisava fazer isso.
— Era o mínimo que eu podia fazer por você.
Nos sentamos no sofá e começamos a comer em silêncio. Me interesso mais em beber. Ultimamente tenho me alimentado pouco. São tantos problemas que comer é a última coisa que penso.
Fico preocupada se ele contou sobre os últimos acontecimentos para Mayfair ou não, mas resolvo não perguntar diretamente.
— Como estão as investigações?
— Eu ainda não sei. — respondeu me encarando após dar um gole em sua cerveja.
— Como não?
— Depois que eu saí daqui, não fui até lá. Apenas peguei meu carro e dirigi. Eu precisava pensar um pouco.
— Entendi... — assenti mesmo estranhando tal atitude vinda da parte dele. Pelo que eu sei, Kurt nunca fora o tipo irresponsável.
Meus pensamentos são interrompidos pelo toque de meu celular. Me levanto e vou até onde ele estava; na cabeceira da minha cama. O identificador de chamas mostra que era Tasha.
— Hey Tasha. — atendo.
— Jane? Como estão as coisas? — a voz dela demostrava preocupação.
— Estão bem... Algo aconteceu? — pergunto por um momento esquecendo do que acontecera mais cedo.
— Você e Weller sumiram e não deram notícias. Nós não conseguimos contatar vocês...
— Ah, estamos bem. Deve ser algo errado com nossos telefones.
— Você tem alguma notícia dele?
— Kurt também está bem. — respondo e o olho de longe ainda sentado no sofá, os olhos dele também estavam em mim. — Ele está aqui.
Ouço algumas risadas abafadas e sinto meu rosto enrubescer, já sabendo o que ela está pensando. Mas pelo horário, era normal que ela pensasse o que estava pensando.
— Agora tenho certeza de que está tudo bem. — ela brinca e eu reviro meus olhos sorrindo. — Preciso desligar. Boa noite, se cuidem.
Também me despeço e desligamos o telefone.
Volto para a sala e me sento ao lado de Kurt novamente.
— Era Tasha. Ela queria saber notícias sobre nós. — o informo. — Ela disse que não conseguiu te ligar hoje e que se preocupou.
— Meu celular descarregou. Sawyer usou ele para jogar ontem. — ele diz e sorrio ao me lembrar de seu sobrinho. — Jane, está ficando tarde e você precisa descansar. Acho melhor eu ir embora.
— Kurt...— chamo baixinho — Você pode ficar aqui hoje? — peço timidamente.
Ele me encara com seus lindos olhos azuis e sorri.
— Sim, eu fico. — ele responde com suavidade na voz. — Eu durmo aqui no sofá mesmo.
— Ok, vou pegar um travesseiro para você. — volto ao meu quarto e pego um travesseiro e algo para ele se cobrir.
No momento que fico ali sozinha me pego imaginando no quão bom seria se pudéssemos compartilhar aquela cama enorme na qual eu passava minhas noites sozinhas.
Balanço minha cabeça na tentativa de afastar o pensamento e volto para a sala. Ele estava na cozinha jogando nossas garrafas vazias foras e guardando a pizza. Deixo o travesseiro e o cobertor em cima do sofá.
— Aqui está tudo. Se você precisar de algo a mais é só dizer.
— Obrigado. — ele diz vindo em minha direção. — Tenha um boa noite.
Mais uma vez fui surpreendida pelos braços dele me envolvendo e seus lábios depositando um beijo no topo de minha testa. Fico desconcertada quando nos soltamos e sorrio para desejar o mesmo.
— Boa noite, Kurt.
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