Weaken
18 Protection
Notas iniciais
Os primeiros dias de recuperação de Kurt em casa estavam sendo mais tranquilo do que eu havia imaginado. Eu havia ganhado dias de folga da Agência, o que estava sendo ótimo. Embora não gostasse muito de estar afastado do trabalho, Kurt estava aproveitando também. Passávamos horas e mais horas conversando e assistindo programas de TV, já que ele não podia fazer esforço. Estávamos conseguindo nos distrair.
Sarah também vinha nos visitar com Sawyer às vezes até com Reade . Ainda era difícil para Kurt aceitar o relacionamento deles por completo, porém ele estava se esforçando. Era evidente que Sarah estava feliz naquele relacionamento e tudo o que importava era isso. Sawyer também parecia estar aproveitando, mesmo que agora passasse menos tempo, ele tinha o “Tio Reade”.
Em uma noite, decidi arriscar e fazer um jantar para nós cinco. Depois de muito pesquisar e não encontrar algo que eu considerasse fácil, acabei aceitando a sugestão de Kurt e decidi que faria a mesma macarronada que começamos – e não terminamos porque ficamos muito ocupados – enquanto estávamos na Pensilvânia. Ele me deu todas as coordenadas e no fim, tudo deu certo. Jantamos, conversamos sobre os acontecimentos recentes e rimos das coisas que Sawyer falava. Ninguém havia feito caretas ao experimentar a macarronada, então recebi com um elogio e fiquei feliz por aquilo.
Reade e Sarah estavam ali como casal e Kurt não parecia confortável com isso. Por mais que negasse, ele estava sentindo muitos ciúmes de sua irmã. Na verdade, era uma mistura de toda sua superproteção e ciúmes. Ele se via na obrigação de cuidar de todos, e com a irmã dele não era diferente. Eu admirava muito esse ponto nele, mas ele precisava entender que se Reade fazia de Sarah uma mulher feliz, eles deviam ficar juntos. Eu dava todo o apoio do mundo para os dois, e queria que Kurt fizesse o mesmo.
— Jane, eu gostaria de te pedir um favor. — Sarah disse após terminar de lavar a louça do jantar.
Voltei minha atenção para ela e indiquei para que falasse.
— Reade me convidou para passar o final de semana fora com ele. — a loira começou a dizer e eu sorri para ela.
— Você aceitou, certo? — questionei com curiosidade.
— Ainda não, Jane. — ela respondeu com um tom de lamentação.— A intensão é passarmos um final de semana sozinhos. Eu não teria como levar o Sawyer.
Fiquei pensativa por um tempo.
— Você pode deixar ele aqui, Sarah. — sugeri sorrindo.— Ele é uma ótima companhia para Kurt e nós amamos o ter por perto.
— Eu sei, mas Kurt ainda está se recuperando. Não quero atrapalhar vocês dois.
— Acredite, não será incomodo. Vai ser muito bom para nós e claro, para você e Reade. — eu disse com um sorriso insinuante.
Ela também sorriu.
— Você tem certeza?
— Sim.
Sarah ficou pensativa por um tempo antes de me encarar e me responder.
— Eu vou ficar te devendo essa. Muito obrigada, Jane. — ela agradeceu e me abraçou.
Voltamos para a sala onde Reade, Kurt e Sawyer assistiam ao jogo da NBA na TV.
— Meninos, já está ficando tarde. Já está na hora de irmos para casa. — Sarah disse.
— Mas já? — choramingou Sawyer. — Mãe, eu quero ficar mais tempo com meu tio Kurt.
— Você vai poder passar mais tempo com ele, filho. Mas hoje não. Você tem aula amanhã. — ela explicou. — Diga tchau para seu tio e sua tia.
Mesmo contra sua vontade, o pequeno se despediu de Kurt com um forte abraço. Depois ele veio até mim e me deu o mesmo abraço, de forma carinhosa e demorada.
— Tchau, tia. — ele se despediu.
— Tchau, pequeno. Se cuida. — eu disse depois de depositar um beijo na testa dele.
Sarah e Reade também se despediram de nós.
— Muito obrigada por tudo mais uma vez, Jane. — Sarah agradeceu deixando o apartamento.
— A janta estava ótima, Jane. — Reade disse seguindo Sarah e carregando Saywer nas costas. — Você já pode casar. — ele brincou nos fazendo rir.
Depois que eles se foram eu retornei à sala, onde Kurt me aguardava sentado no sofá.
— Você ouviu isso? — perguntei rindo e me sentando ao lado dele.
— Sim, ouvi. — ele respondeu rindo e me deu um beijo nos lábios. — Concordo completamente. A comida estava ótima. E concordo com Reade. Você já pode casar. Principalmente se for comigo.
Senti meu coração disparar na medida em que ele disse as palavras.
Não era a primeira vez que ele falava isso. Na primeira vez, chegamos à conclusão de que ainda era muito cedo e que ainda precisávamos resolver algumas coisas.
Passaram semanas desde que comentamos sobre isso, e ainda era cedo. Eu não enxergava necessidade de fazer isso com tanta rapidez. Então, resolvi não responder a sua insinuação.
— É, talvez eu realmente leve jeito para isso. — comentei de modo convencido.
Ele sorriu para mim e mais uma vez nos beijamos demoradamente.Trocamos algumas carícias e quando percebi que aquilo se intensificaria, resolvi interromper.
Esse dias de repouso de Kurt já estavam me enlouquencendo, preciso confessar. Mas se eram para o bem dele, eu me controlaria.
— Preciso te contar uma coisa. — eu disse contra os lábios, depois de o interromper.
— Conte. — ele pediu de modo curioso.
— Sarah e Reade vão passar o final de semana juntos, e eu sugeri que Sawyer ficasse aqui conosco durante esses dias. O que você acha?
Ele demorou um pouco para me responder.
— Eu vou adorar ter o Sawyer aqui por perto. — ele fez uma pausa. — Só não sei se gosto muito da ideia dos dois sozinhos. — Kurt disse cruzando os braços.
Não resisti e soltei uma gargalhada da reação infantil dele.
— Kurt Weller, não seja ridículo. Eles são adultos! — eu disse um pouco mais séria.— Você viu o quão feliz ela estava com ele aqui. Sua irmã é uma mulher crescida, ela já pode tomar as próprias decisões. — fiz uma pausa para olhar nos olhos dele.— E outra, Edgar é seu amigo. Vocês se conhecem há anos. Ele não vai fazer mal para ela.
— Jane, isso vai muito além disso. É perigoso, ele—
— Nós também temos um relacionamento muito perigoso, e veja, estamos juntos.— o interrompi.— Se você está nesse estado, — eu pausei apontando para o ferimeto na barriga dele.— é por conta do quão perigosa é essa nossa relação. Mas olhe para nós, ainda estamos aqui. Mesmo sabendo dos riscos, eu não deixei de amar você. — ponderei e levei minha mão ao rosto dele. — Deixe ela ser feliz.
Depois de um tempo em silêncio, Kurt se deixou sorrir.
— Ok, você tem razão. — ele confessou. — Ela merece ser feliz.
Sorri para ele e um tempo após ficar encarando seus olhos azuis, eu capturei os lábios dele com os meus.
***
Na manhã de sábado, Sarah deixou Sawyer em nossa casa antes de partir para sua viagem.
Passamos a manhã jogando alguns dos jogos de tabuleiro que Kurt tinha e nos divertimos muito. Na hora do almoço demos boas risadas com as histórias que Sawyer contava.
Ele era uma criança iluminada e maravilhosa. Eu havia me apegado a ele tanto como me apeguei a Sarah. Os dois sempre foram muito importantes para Kurt, agora eles também eram para mim.
— Tia Taylor, você vai morar para sempre com o meu tio? — a criança perguntou aleatóriamente durante o almoço.
— Eu ainda não sei, Sawyer. — respondi sinceramente e percebi Kurt me olhar. — Mas espero que sim. — sorri para os dois.
— Eu quero que vocês fiquem juntos para sempre. E também quero que minha mamãe e meu tio Reade fiquem.
Não pude deixar de abrir um largo sorriso com o comentário dele.
Kurt estava comendo em silencio e eu resolvi o cutucar.
— Sawyer, você sabia que seu tio Kurt está com ciúmes da sua mãe?
— Por que, tio? — ele perguntou, mas não deu tempo para Kurt o responder. — Se você pode ter uma namorada, por que a mamãe não pode namorar o tio Reade?
Não pude deixar de soltar uma alta risada do questionamento da criança. Kurt também riu do comentário dele.
— Em primeiro lugar, eu não estou com ciúmes.— Kurt disse. — E em segundo lugar, se vocês tivessem um irmão, vocês entenderiam. — ele se defendeu e me fez rir novamente.
Sawyer me convenceu de que eu precisava aprender a jogar video games, então passamos a tarde nos dedicando a isso. Durante a noite, assistimos um filme enquanto comíamos pizza. Por último depois que já havia tomado banho, Sawyer pediu para Kurt ler um capítulo de Harry Potter para ele antes de dormir.
Aquele dia tinha sido melhor do que eu havia planejado. Ter uma criança por perto era melhor do que eu imaginava.
— Ele já está dormindo. — Kurt me surpreendeu sussurando no meu ouvido enquando envolvia seus braços em minha cintura.— A casa é só nossa.
Ele trilhou beijos por meu pescoço e descia para meu ombro enquanto eu ainda permanecia de costas para ele. Antes que eu perdesse meu controle, me virei para ele interrompendo seus movimentos.
— Eu não aguento mais ficar sem poder te ter por completo. — ele choramingou.
— Eu também sinto falta, mas ainda não podemos.
— Já se passaram uma semana e quatro dias. Eu já não sinto mais dores, Jane. — Kurt protestou.
— Ok, Kurt. Mas mesmo que você já esteja melhor, você realmente quer fazer isso com o seu sobrinho aqui? — questionei com uma sobrancelha arqueada.
— Ele nem saberia. — ele sussurou em meu ouvido e eu dei um leve tapa no ombro dele.
— Deixe de ser ansioso. Espere só mais um dia. — pedi antes de depositar um beijo nos lábios dele. Quando nos separamos eu desliguei as luzes da sala, peguei na mão dele e o puxei para nosso quarto.
***
No meio da noite, como de costume, eu me levantei para beber água. Talvez tenha sido por conta do barulho que fiz acidentalmente, mas não demorou muito até que eu ouvi passos.
Uma pequena silhueta se aproximou de mim e eu acendi a luz da cozinha.
— Hey, o que você está fazendo acordado a essa hora?
— Eu tive um pesadelo. — ele disse de modo cabisbaixo.
Me ajoelhei de frente para ele, ficando na mesma altura que ele.
— Tia Taylor, e se a minha mãe não me quiser mais? — a criança sussurou com a cabeça baixa.
O modo de falar dele me deixou comovida. Eu não havia percebido que ele estava preocupado com a mãe dessa maneira. Definitivamente a família Weller carregava preocupação em excesso em seu gene.
— Ei, é claro que não. — logo respondi. — A sua mãe te ama muito. Você é muito importante e ela nunca vai deixar de querer você. — eu disse enquanto acariciava o rosto dele.
Sawyer ainda estava triste, então o puxei para um abraço e ele retribuiu. Mantive meus braços ao redor dele por um bom tempo antes de o soltar.
— Todos nós amamos muito você. — eu disse com um sorriso e ele pareceu menos triste. — Você quer que eu te coloque para dormir?
— Eu não quero dormir sozinho.
Fiquei calada por alguns segundos em silêncio.
— Então tenho uma ideia melhor. Hoje você pode dormir comigo e com seu tio, ok? — propus a ele que logo aceito.
Sawyer dormiu tranquilamente entre eu e Kurt na enorme cama até a manhã do dia seguinte.
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