Weaken
6 Lies
Notas iniciais
Quando passaram-se 10 minutos, eu pensei que talvez fosse um atraso comum; mais 5 minutos depois e eu comecei a me preocupar. 20 minutos se passaram desde a hora que eu disse a ela, então comecei a me conformar que ela não viria.
Esperei por mais cinco minutos antes de decidir voltar para casa. A cada minuto que eu passei ali a temperatura caia mais e mais. Um vento frio vinha da direção do mar e a minha jaqueta já não era o suficiente para me aquecer.
Começo meu trajeto para casa me perguntando o porquê Jane não apareceu para me encontrar ou se quer mandou-me uma mensagem dizendo que não iria.
Quando a convidei para me encontrar ela parecia animada com a ideia. E quando descobri que ela havia dispensado os seguranças eu vi que aquilo seria uma ótima forma de começarmos a resolver o que estava acontecendo entre nós.
Senti alguns flocos de neve em minha pele enquanto andava e logo comecei a pensar em como seria bom ter Jane aqui comigo. As ruas estavam devidamente enfeitadas para o Natal, já que faltavam três dias para o feriado mais esperado do ano. A cidade estava mais iluminada e bonita do que o normal. Eu queria mostrar aquilo tudo para ela, já que ela não se lembrava das noites de Natal e Ano Novo.
Por um momento eu considero ir até a casa dela conferir se ela estava bem, mas penso que é melhor não. Ela precisava de privacidade. Começo a acreditar que talvez ela não tenha vindo a meu encontro apenas porque estava cansada e por conta do frio quase congelante que fazia nessa noite.
Resolvo pegar um atalho para casa passando por uma rua menos movimentada. Eu estava perdido em meus pensamentos quando vejo duas silhuetas de mãos dadas conversando baixo. Para minha surpresa eu reconheço com clareza uma das silhuetas em meio a pouca claridade; era Jane. E ela estava de mãos dadas com um homem em que não reconheço. Seja lá quem fosse a pessoa, ele me viu. Mas eu logo me virei e retornei a fazer o caminho de minha casa.
Aquela fora a explicação que eu precisava. Jane estava se encontrando com outro.
Chego em casa e me deparo com as luzes apagadas, o que significava que Sarah e Sawyer já estavam a dormir. Antes de eu ir fazer o mesmo pego uma garrafa de Whisky, um copo e me sirvo com algumas doses, mesmo sabendo que ainda teria um longo dia de trabalho no próximo dia.
***
Amanheço com uma forte dor de cabeça. Mal dormi durante a noite pois os acontecimentos da noite passada pairavam minha cabeça e me impediam de descansar. Passei a noite inteira me perguntando quem era o misterioso homem, por que ele estava de mãos dadas com Jane e como eles haviam se conhecido, até que me lembro do dia em que ela me contara sobre o encontro com seu “homem dos sonhos.” Aquela era a única explicação. Porém ainda não fazia sentido ela continuar a se encontrar com ele, e o pior, sem me contar.
Depois de tomar banho e me arrumar, vou até a cozinha e encontro Sarah aprontando algo para o café.
— Bom dia. – ela desejou um tanto animada.
— Bom dia. – tentei responder no mesmo tom.
— Como foi ontem?
— Como foi o quê?
— Ontem você se arrumou todo para sair e voltou tarde, eu sei. Como foi com ela?
Sinto minha orelha queimar quando minha memória volta para os acontecimentos da noite passada.
— Eu não saí com ninguém, Sarah. Só saí para beber um pouco. — digo e tomo um gole do meu café, tentando engolir minha própria mentira.
Sarah fez uma cara de decepção com a minha resposta.
— É uma pena, mas saiba que eu acho que você e Jane deveriam… tentar. — ela diz enquanto pega suas coisas para sair. — Inclusive, acho que você deveria a convidar para passar o Natal conosco.
Não a respondo e fico pensativo. Eu já havia pensado nisso antes, em chamar Jane para passar o Natal em nossa casa, mas depois da última noite eu já não sabia se eu realmente queria aquilo. Já não sabia como eu agiria com ela.
— Pensa nisso, ok? — a voz de Sarah interrompe meus pensamentos. — Ah, hoje eu vou chegar um pouco mais tarde.
— Qual é o nome dele?
— Eu posso te contar quando você me disser com quem você estava ontem.— ela disse sorrindo e eu revirei os olhos.
— Eu já disse que apenas saí para beber.
— Sério? Você estava muito animado quando saiu daqui para quem foi só beber.
Solto um suspiro cansado e não a respondo.
— Ok, mas você pode me dizer ao menos onde foi que você esteve noite retrasada? — ela me surpreende com a pergunta.
— Eu tive que dormir no escritório.
— Não, você não dormiu.— ela responde rápido.— Eu sei que você passou a noite em outro lugar, Kurt.
Sarah tinha um sorriso no rosto. Era como se ela soubesse por onde eu estive, ou pelo menos ela imaginava que eu estive em outro lugar. Mas como elas sabia que eu não estive lá?
— Quem te disse que eu não estive lá?
— Kurt, eu sei que você trabalha no FBI, mas você não é o único com talento para investigações.
A fala dela me faz rir, mas não a respondo. Ela olha em seu relógio e percebe o quão atrasada estava.
— Ok, já vi que você não vai confessar. Só não se esqueça que eu te conheço há muitos anos e sei quando você está mentindo ou não.— Sarah diz antes de sair e fechar a porta.
Depois que ela saiu, peguei minhas coisas e fiz o mesmo.
No trajeto até o Departamento fiquei pensativo sobre como agiria com Jane. Ela provavelmente não sabia que eu a vi com o outro, pois eu não deixei minha presença ser notada. Resolvi que o melhor seria esperar e descobrir até quando ela continuaria a esconder seus encontros de mim.
Chego e opto por não ir até o vestiário, e vou direto para minha sala, preencher alguns documentos intermináveis que ficaram acumulados. Era a quantidade suficiente para manter-me com os pensamentos ocupados.
Um tempo depois ouço batidas no vidro; era ela. Jane abriu a porta e entrou na sala.
— Hey, bom dia.— ela disse com a voz rouca.
— Bom dia. — respondo a encarando.
— Mayfair pediu para te chamar. Parece que Patterson descobriu algo novo.
— Está bem, eu vou daqui a pouco.
— Ok. — Jane respondeu e fez menção de sair da sala, mas parou. — Kurt, sobre ontem… Eu não fui porque peguei um resfriado por conta do frio de ontem.
Com meus olhos fixos nela, começo a perceber que ela realmente parecia doente. Seus nariz estava avermelhado, e a voz estava rouca. Mas eu sabia que não foi esse o motivo para ela não ter me encontrado.
— Sem problemas, eu também não pude ir. Tive que ficar com Sawyer e nevou muito ontem também.
Se houvesse um detector de mentiras naquela sala, provavelmente estaria apitando naquele momento. Porém ela resolveu me enganar, então resolvi entrar no jogo de mentiras dela.
— Então está tudo bem entre nós?
— Sim. — a respondo e forço um sorriso.
Ela retribui o sorriso e sai da sala.
Esperei alguns minutos para me recompor antes de sair da sala e ir até a sala de reuniões. Toda a equipe estava lá reunida.
O caso da morte de Carter ainda estava aberto e as pistas dos documentos que estavam no carro dele nos mostrou outro esconderijo. Tivemos que nos apressar e ir conferir o local antes que a CIA fizesse o mesmo e interrompesse nossas investigações.
Decidi não ir no mesmo carro que Jane, então fui junto a Reade; ela fora com Tasha.
O esconderijo era uma construção abandonada. Passamos a manhã fazendo investigações ali naquele local e descobrimos uma quantidade significativa de armamentos que não pertenciam a CIA ou a qualquer outra agência. Continuamos as investigações com foco em descobrir a quem aquele arsenal pertencia.
Quando nos demos conta, já era noite e nossos expedientes já estavam no fim. Eu passei o dia inteiro evitando Jane. Por mais que quisesse, eu não conseguia ficar perto dela sabendo de tudo o que ela escondia de mim.
Há um dia eu pensava que tudo entre eu e Jane ficariam bem e que nós poderíamos nos resolver. A noite que passamos na presença um do outro havia reforçado isso mais ainda para mim. Foi bom tê-la ao meu lado. Foi bom me aproximar dela de tal forma, entretanto eu via necessidade de afasta-la sob as atuais circunstâncias.
Fico perdido em meus pensamentos e não percebo a presença dela. O vestiário estava vazio, se aquele momento fosse há um dia atrás eu não hesitaria em beija-la ali mesmo, porém tive de me controlar.
— Hey, você já vai? — Jane perguntou com a voz rouca.
— Sim, preciso ir para casa. — evito olhar nos olhos dela e finjo estar procurando algo no meu armário.
— Nós vamos sair para beber um pouco. Vim saber se você vai também.
— Hoje não posso, Jane. Eu preciso ficar com Sawyer hoje.
Ainda consigo sentir os olhos dela sobre mim.
— Entendo. — ela responde com uma pontada de frustração na voz.
Ficamos em silêncio por um momento até que ela o quebra.
— Kurt, o que há de errado? — Jane pergunta e eu finalmente me viro para encara-la. — Você esteve distante durante o dia inteiro. Eu pensei que estivesse tudo bem entre nós.
— Por que você não me diz o que há de errado, Jane? — fecho meu armário e me viro para ela, ainda a encarando. — Eu sei você não ficou em casa ontem. Sei onde você esteve.— faço uma pausa.— Eu sei com quem você esteve.
— Droga. — ela suspirou de olhos fechados. — Veja bem Kurt, eu não sei o que você viu, mas não é o que você está pensando.
— Não é o que estou pensando?! Jane, eu sei o que eu vi. Foi por isso que você dispensou os seguranças? Para se encontrar com ele?
— Kurt, ele veio atrás de mim. Ele me seguiu. Não é minha culpa.
O tom de nossas vozes começava a ficar levemente alterado.
— Então por que você não me contou, Jane? Por que você preferiu esconder isso de mim?
— Por que eu não sabia como te contar, Weller. Eu não conheço o Oscar direito. Seja lá quem ele tenha sido na minha antiga vida, ele não significa mais nada para mim. Mas você precisa entender que eu preciso de respostas e ele tem as respostas.
— Isso significa que você ainda quer continuar a se encontrar com ele?
— Você não entende. Você não sabe como é ficar sem memórias e sem saber sobre o próprio passado.
A voz dela estava um pouco embargada e pude ver lágrimas se formarem em seus verdes olhos.
— Você está certa, eu não sei. Porém eu pensei que estivéssemos tentando descobrir juntos, Jane. Mas você foi atrás de outros recursos e...— tenho minha fala interrompida quando um agente entra pela porta e nos encara.
Respiro fundo, abro meu armário para pegar minha jaqueta e faço menção de sair.
— Boa noite.— me despeço com pesar, raiva e mágoa, deixando Jane para trás.
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