Notas iniciais
Pedimos desculpas pelo atraso da postagem (Vocês já devem ter acostumado mas desculpas!) e segue um capitulo novinho! ♥

Passaram-se semanas desde todos os acontecimentos com Fischer. Durante esse tempo eu mantive os meus encontros com Oscar. Ele me designava pequenas missões e sem outras opções eu as fazia. Meu consciente me dizia o quão errado aquilo. A dor e a culpa em meu peito eram descomunais.

Minha maior preocupação no meio a tudo isso sempre foi Weller. Ele esteve me dando todo o apoio que eu precisava e esteve me ajudando com as decisões sobre todas essas coisas que eu estive sendo obrigada a fazer. Coisas essas que acredito que podem vir a me ajudar a descobrir quem eu realmente sou e por que causei todas essas coisas.

— Vai ficar tudo bem. — Kurt sempre me dizia. — Nós vamos descobrir uma forma de acabar com isso logo. Nós vamos sair dessa. — ele sempre repetia essas palavras reconfortantes quando eu me deparava com situações em que teríamos de tomar escolhas difíceis.

E nós estávamos realmente conseguindo lidar com essas coisas apesar das dificuldades. Mesmo com peso na consciência eu continuei a fazer tais coisas.

Eu não estava fazendo tudo isso apenas a procura de respostas, eu fazia acima de tudo porque eu precisava proteger Kurt. Eu precisava proteger a pessoa que eu mais amava nessa vida. Não só Kurt, mas também a nossa equipe.

Eu não podia permitir que alguém os fizesse mal por minha culpa, por conta de uma decisão que tomei no passado.

Eu não conseguia parar de me martirizar pensando em qual seria a reação deles se descobrissem as coisas que venho escondendo deles durante todas essas semanas. Patterson, Tasha, Reade e Mayfair se tornaram pessoas importantes para mim com o passar desses meses. Foi difícil conquistar a confiança de todos ali e quando eu finalmente consegui, eu estava prestes a arruinar tudo. Eles não mereciam aquilo.

"Se você se recusar a cooperar, eles matam o agente Weller." As palavras de Oscar ficavam ecoando em minha mente e me impediam de dormir.

Me movimentei lentamente na cama para olhar no relógio na cabeceira da cama. 3h25.

Sabendo que eu não conseguiria voltar a dormir, resolvi me levantar.

Com cuidado retirei o braço de Kurt que descaçava em minha cintura e me levantei da cama. Ele dormia serenamente. Era bom o ver descansar depois de um dia como o de hoje. Na "missão" que Oscar designou para mim, eu tive que colocar uma escuta na sala da Mayfair. Eu não queria fazer isso. Eu sabia o quão errado e sujo isso era. Pensei em não o fazer diversas vezes, mas após avaliar aquilo com Kurt decidimos que era o melhor a ser feito.

Passaram-se horas desde esse ocorrido, mas eu não conseguia parar de pensar naquilo. Que diabos eu estou fazendo com minha vida? O pior é que qualquer fosse minha decisão, tanto desistindo ou seguindo adiante, Kurt sairia em desvantagem.

Saí do quarto em silêncio e fui para a sala. O apartamento de Kurt se localizava em um lugar não tão quieto da cidade, mas naquela madrugada o silêncio tomava conta do lugar e aquilo me fez sentir em paz. Sarah e Sawyer não estavam em casa naquela noite, o que me fez sentir mais confortável.

Sentei-me no sofá e fiquei observando as luzes que vinham da rua. Comecei a refletir sobre tudo o que estava acontecendo e se aquilo realmente valia a pena.

Se era justo tudo o que eu estava fazendo. Toda essa pressão estava a ponto de me enlouquecer.

Senti as lágrimas rolarem pelo meu rosto. Lágrimas essas que estiveram acumuladas por dias. Me encolhi ali e fiquei chorando em silêncio por alguns minutos até que senti o toque da mão de Kurt em meu ombro.

Levantei meu rosto para encarar ele que também aparentava estar muito cansado. Kurt não falou nada, apenas se sentou ao meu lado no sofá e me puxou para perto dele. Aconcheguei-me nos braços dele e permiti que as lágrimas continuassem a cair. Ele ficou ali fazendo carinho em meu cabelo e me abraçando até que eu resolvi falar.

— Eu estou exausta. — murmurei contra o peito dele.

— Eu sei, Jane. Sei o quão difícil isso tem sido para você, mas você não está sozinha. Eu estou aqui com você. — ele respondeu baixo contra meus cabelos.

— Quero que volte a ficar tudo bem entre nós. — eu disse algum tempo depois. — Como estavam enquanto estivemos na Pensilvânia.

— Isso é tudo o que mais quero. Eu ainda quero te levar de volta para lá. Mas antes, — ele fez uma pausa e virou meu rosto gentilmente para que eu pudesse o encarar. —nós temos que concertar os atuais problemas. E nós vamos conseguir, meu amor. Tudo vai voltar ao normal. Eu prometo. — Kurt sussurrou enquanto secava uma lágrima que caia em meu rosto.

Eram momentos como estes que me faziam questionar o que fiz para merecer um homem tão bom como Kurt.

***

Mais alguns dias se passaram e nossa equipe foi surpreendida quando agentes chegaram com um mandato de prisão primária contra Mayfair. Momentos depois ela foi levada para a sala de interrogatório e começaram as perguntas e acusações. A princípio ela estava sendo acusada pela morte de Alexandra Harrison, mas depois foi se direcionando de volta para a morte de Carter. Isso fez meu coração bater mais forte. O peso da culpa simplesmente desmoronou em meus ombros. Mayfair estava sendo incriminada por uma coisa que ela não havia feito e eu sabia quem havia e por que.

Por um momento todas as coisas que eu havia feito nos últimos dias passaram pela minha mente. A troca das canetas, ter colocado a escuta na sala dela, ter plugado o pendrive que Oscar havia me dado nos computadores... Tudo! Exatamente tudo o que Oscar explicou que seria para um propósito foi para outro totalmente distinto: incriminar Mayfair. Eu sabia que ele não era uma pessoa confiável, mas naquele momento percebi que tudo o que ele havia me falado era mentira.

Não consegui ficar assistindo o interrogatório por muito tempo. Me retirei da sala discretamente. Se antes eu já sentia culpa, naquele momento o que eu sentia era remorso. A responsabilidade era minha. Mayfair estava sendo acusada injustamente por um erro meu.

Fui para as escadas de emergência, o lugar mais quieto naquele prédio, para poder organizar meus pensamentos. Fiquei ali por um tempo até que ouvi a porta se abrir e vi que era Kurt. Ele sabia onde me procurar. Aquele havia se tornado nosso local de encontro.

— Kurt, ele me enganou. — eu esbravejei antes que ele pudesse dizer qualquer coisa. — Eu deveria estar no lugar da Bethany. Eu deveria estar sentada naquela cadeira. Oscar mentiu para mim. Aquele desgraçado. Eu sabia que não devíamos confiar nele, Kurt. — eu falei descontroladamente. — Eu sabia que isso tudo o que ele estava me mandando fazer era errado, mesmo assim eu fiz. Eu sou uma criminosa e muito estúpida. Eu deveria estar naquela cadeira!

Parei de falar quando Kurt segurou meus braços com firmeza.

— Você não é uma criminosa e muito menos estúpida, Jane. O único culpado nisso tudo é o Oscar. Você apenas fez tais coisas por achar que era o certo. — ele falava tentando me acalmar. — Ele te enganou mais uma vez. Agora sabemos que não devemos confiar nele em hipótese alguma. Nós precisamos parar o Oscar o mais rápido possível. — Kurt me acalmou olhando em meus olhos.

— Sim, nós precisamos. Mas como?

— Ainda não sei, porém vamos pensar em algo. Agora precisamos voltar para assistir o interrogatório antes que sintam a nossa falta.

Concordei com ele. Eu estava me preparando para sair quando ele me puxou pelo braço e nos aproximou.

— Você não tem culpa nisso tudo, se lembre disso. — ele sussurrou antes de depositar um beijo em minha testa. — Eu te amo. — Kurt disse e saímos da sala.

***

Após o interrogatório, Bethany foi levada para uma prisão onde passaria a noite. Vimos que não tínhamos o que fazer ali e encerramos nosso expediente. Kurt e eu fomos para casa pensando no que deveríamos fazer. Chegamos à conclusão de que eu deveria ir ao encontro de Oscar, mas dessa vez eu precisava encontrar algo.

Fui até o prédio abandonado onde eu me encontrava com ele habitualmente. Cheguei sorrateiramente ao lugar e por sorte pude o ouvi falar ao telefone com alguém.

— Ele vai estragar tudo... Eu não posso permitir isso. Eu preciso do endereço do lugar que ele foi visto por último...

Eu ouvia tudo a espreita, esperando para que ele dissesse algo de importância. Ele passou um tempo em silêncio, parecendo esperar por algo. Oscar aparentava estar nervoso com alguma coisa e eu não via a hora de descobrir o que estava o deixando daquela forma.

Ele interrompeu o silencio quando repetiu um endereço e logo desligou o telefone. Com pressa ele saiu dali, sem notar minha presença. Esperei um tempo antes de ir atrás dele.

Oscar pegou um carro que estava estacionado no outro lado da rua. Anotei o endereço em que ouvi Oscar falar antes de ligar para Kurt. Mesmo que eu soubesse que não deveria o colocar em perigo, eu sabia que não deveria seguir Oscar sozinha.

Passei o endereço para Kurt e marcamos de nos encontrar lá. Decidi pegar um táxi para chegar até o local. O endereço me levou a um antigo prédio com dois andares, em uma área praticamente deserta de NY.

O carro que Oscar usou para chegar até aqui estava parado do lado de fora do edifício quando eu cheguei até lá. Decidi esperar por Kurt antes de seguir Oscar e fiquei a espreita novamente esperando por algum movimento dele.

Um tempo depois Kurt chegou. Não tínhamos como adiar isso, então logo entramos no prédio. Aquele lugar parecia ter sido abandonado há anos. A estrutura parecia totalmente comprometida. Por dentro o lugar era bem maior do que aparentava. Kurt e eu levamos certo tempo para checar os compartimentos do primeiro andar edifício e encontramos tudo limpo. Fomos para o segundo andar e decidimos nos separar para fazer as buscas com mais agilidade.

Direcionei-me para a parte sul do prédio e ele para o norte.

Quando entrei em uma das salas que haviam em um corredor fui surpreendida por um homem que pulou em mim. Pensei que fosse Oscar, mas não era. Não tive muito tempo para analisar quem era, pois o homem avançou em mim tentando me acertar com socos. Tive que revidar na mesma proporção ou acabaria me ferindo gravemente, pois o homem estava enfurecido. Trocamos alguns socos e chutes até que consegui o derrubar. Me distraí quando consegui analisar o rosto dele por alguns segundos e uma lembrança veio em minha mente.

Eu, Oscar, esse homem e mais outros bebendo e rindo. Parecíamos estar felizes e confortáveis.

Eu conhecia esse homem.

— Quem é você? — perguntei me pegando minha arma e apontando para ele.

Novamente ele foi mais rápido e chutou minha mão jogando a arma para um canto da sala. Logo em seguida ele deu um chute na altura de meu estômago e depois acertou um soco em meu rosto. Ele era rápido e parecia conhecer todos meus movimentos. Estava sendo difícil o derrubar quando ele conhecia todos meus golpes e previa tudo com rapidez.

Ele me pressionou contra uma parede e apontou minha arma em minha cabeça.

— Onde está o Oscar? — ele questionou com fúria na voz.

— Eu não sei. — respondi antes de o acertar com um chute ganhando tempo para pegar a minha arma de volta. O derrubei no chão e o imobilizei. — Quem é você e por que Oscar estava te seguindo? — perguntei, mas antes que ele pudesse abrir a boca eu ouvi um alto som de explosão e um barulho de coisas caindo. Por um momento pensei que o prédio estivesse desabando. O som parecia ter vindo do lado oposto do prédio.

Kurt.

Não pensei duas vezes antes de soltar o homem e ir checar o que havia acontecido. Corri para a mesma direção em que Kurt havia corrido. Senti meu coração parar por um momento ao o ver desacordado por baixo de alguns escombros e estilhaços. Aquilo foi uma explosão. Foi uma bomba.

— Kurt! — gritei chegando perto do corpo dele.

Ele estava sangrando muito na região do abdômen e no chão uma poça de sangue já havia se formado. Eu o sacodi, mas ele estava desacordado. Eu não consegui o mover, pois havia um pesado pedaço de madeira sobre o abdômen dele. O pulso dele estava muito fraco e ele estava perdendo muito sangue.

Mesmo apavorada peguei meu celular e liguei para a emergência.

Enquanto aguardava o socorro, tentei estacar o ferimento com minhas mãos.

— Kurt, por favor, fique comigo. — eu pedi com a voz fraca. — Por favor, aguenta firme.

Quando o socorro chegou, Kurt já havia perdido muito sangue. Ele estava muito pálido, os lábios roxos e as mãos frias.

Eu nunca havia sentido tanto medo como senti ali.

Quando chegaram, retiraram os escombros que estavam em cima de Kurt ele foi socorrido pelos paramédicos. Fui com ele segurando sua mão no trajeto até o hospital. Eu estava apavorada. Mil pensamentos passaram pela minha mente naqueles momentos. Eu não podia perder Kurt.

Quando chegamos ao hospital ele logo foi levado para a emergência, onde eu não pude entrar.

Um momento depois eu me acalmei e peguei meu telefone. A primeira pessoa para quem liguei foi Patterson e a segunda foi Sarah. Já passavam das 2hrs da manhã e não demorou muito até que todos estivessem aqui muito preocupados. Quando eles chegaram, eu me retirei para me limpar do sangue de Kurt que havia sujado minha roupa. Eu não estava pronta para as perguntas. Eu não sabia o que dizer a eles quando me questionassem como aquilo havia começado. Eu não conseguia pensar em uma nova mentira. Eu só conseguia pensar no Kurt e o quão machucado ele estava.

Patterson foi a primeira a me procurar quando percebeu que eu estava demorando mais que o normal. Quando ela entrou no banheiro eu estava apoiada na pia chorando. Naquele momento eu havia percebido o que eu havia causado. Nós estávamos no lugar errado e na hora errada. Eu havia colocado a vida de Kurt em perigo, novamente.

Não consegui mentir para Patterson e logo contei tudo a ela. Todas aquelas mentiras estavam me consumindo. Patterson me escutou em silêncio, depois me abraçou.

— Eu não te julgo por isso. Entendo que você estava fazendo o necessário. — ela disse de forma compreensiva.

Um tempo depois, voltamos para a sala de espera. Ficamos esperando por algumas longas horas até que um doutor veio nos informar sobre Kurt.

— O paciente sofreu um traumatismo craniano e teve seis costelas quebradas. Ele também perdeu muito sangue, por isso será preciso uma transfusão de sangue. Houveram algumas complicações durante a cirurgia, porém ele se encontra instável na CTI. — o doutor explicou. — Ainda não posso dizer ao certo quando ele vai despertar, já que o traumatismo foi grave. Mas ele ficará bem.

Saber disso me aliviou, ajudou a tirar parte do peso que estava em meus ombros. Ainda sim eu tinha que ir atrás do culpado por tudo aquilo. Essa pessoa teria que pagar por isso. E eu sabia que ficar ali sentada esperando Kurt acordar não faria a pessoa pagar por esses danos. Mesmo com um pouco de receio decidi ir atrás do culpado. Eu disse a Sarah e aos outros que iria em casa tomar um banho e trocar de roupa. Pedi para que ela ficasse com ele e que me ligasse caso algo acontecesse.

Peguei um táxi e alguns minutos mais tarde eu estava no prédio abandonado em que eu costumava me encontrar com Oscar.

Não fui muito discreta ao entrar e ele logo percebeu minha presença. Andei até ele com passos firmes e quando me aproximei dei um forte soco na mandíbula dele sem pensar duas vezes. Ele se assustou com minha reação e me encarou surpreso.

— Taylor, o que aconteceu? — ele questionou.

— Não finja que não sabe do que está acontecendo porque eu sei que você sabia que eu te seguiria e por isso plantou aquela bomba lá. —acusei praticamente gritando.

— Eu não sei de nada. — ele fingiu e a cada palavra dele meu ódio aumentava.

Peguei minha arma e apontei para a cabeça dele.

— Chega. — eu falei firmemente. — Não quero saber dessas suas mentiras. Eu quero respostas. — praticamente gritei no ouvido dele. Eu estava estressada e ele me encarava de forma totalmente surpresa. — É melhor você começar a falar sobre quem está fazendo tudo isso e quem era aquele homem que estava no prédio. Agora!

Notas finais
Mexeu com Weller então mexeu com Jane. E mexer com Jane é pior que mexer com fogo! Comentem!