Notas iniciais
Mais um capítulo para vocês, queridas leitoras ♥ Obrigada pelos comentários, como já dissemos, vocês nos fazem mais felizes quando nos falam o que pensam sobre o que escrevemos. Aproveitem. Boa leitura.

Deve ter passado algumas horas desde que eu deitei na cama de hospital com o Kurt. Foi tão bom sentir o seu calor outra vez, seu toque, mesmo que de leve. Eu quase o perdi, e eu o tinha de volta. Me movi lentamente na cama e agarrei meu celular que ficou na poltrona, chequei para ver se ele ainda dorme. Como um anjo ferido. 6:37. Coloquei novamente a jaqueta e dei uma última olhada no Kurt. Eu ainda tinha que resolver algumas coisas.

— Eu volto em algum tempo, meu amor. — sussurrei e soltei um beijo de longe, enquanto saia pela porta.

Liguei para Sarah antes de sair do hospital, ela havia deixado Sawyer com o Bill e já estava voltando para ficar com o Kurt. Depois que ela chegou, me encaminhei para o escritório.

Eu seria capaz de apostar que todos estão preocupados com o que aconteceu com o Kurt, afinal, eu não esclareci nada, apenas deixei tudo mais escuro do que já estava. Com Mayfair presa o team estava com os nervos à flor da pele, e o Kurt no hospital, eu nem podia imaginar como eles estavam lidando com tudo. Mentir não estava nos planos. Eu não iria dizer tudo, claro, existem coisas nesse meio que nem mesmo eu sei. Mas eles precisavam saber o que realmente havia acontecido. Eles mereciam.

Cheguei ao escritório e encontrei todos praticamente a minha espera. Eles estavam no salão principal conversando e quando saí do elevador eles me encararam.

— Como você está? – Patterson perguntou de forma preocupada vindo ao meu encontro.

— Cansada. — respondi sinceramente. — Mas estou aliviada por ele estar bem. — eu disse dando abrindo um meio sorriso a ela que apenas acenou com a cabeça.

— Vamos, o team está te esperando. — caminhamos juntas em direção à Tash e Reade.

— Bom dia. — eu disse forçando um sorriso e percebi Reade me lançar um olhar diferente.

— Bom dia, Jane. —Tash respondeu. — Algo do Kurt?

— Quando eu deixei o hospital ele ainda dormia, mas ele está bem. — confirmei e um silêncio cresceu entre nós quatro.

Reade foi o primeiro a quebrar o silêncio.

— Jane, o que você veio fazer aqui, realmente? — ele disse diretamente e receberam um olhar de Patterson e Tasha como se não acreditassem no que ele estava falando. Mas ele estava certo, ele não sabia de muito e era por isso que eu estava lá.

— Eu queria ter uma conversa com vocês, sobre o que aconteceu. — Patterson me encarou e acenou com a cabeça, Tasha continuou a encarar Reade.

— Eu tenho um lugar mais reservado. — Patterson falou e começou a andar. —Sigam-me.

Percebo ela se encaminhar para o consultório do Borden, ou pelo menos onde ele costuma fazer suas consultas. Pensei no que e como contar a eles, quais seriam as suas reações e como eu iria lidar com tudo quando acabasse. Eu tinha que contar.

Chegamos a sala que eu costumava fazer as consultas com Borden e Patterson fechou as portas.

Respirei fundo antes de começar.

— Eu sei que vocês, mais do que ninguém, merecem uma explicação por tudo. — respirei fundo novamente e continuei. Eles prestaram bastante atenção no que eu dizia. — Algumas semanas atrás, alguém do meu passado apareceu, eu já havia tido lembranças com ele…

— Por que você não nos contou? — Reade perguntou me interrompendo.

— Deixa ela continuar. — Tasha o repreendeu e ele cruzou os braços.

— Como eu dizia, — continuei. — ele reapareceu na minha vida e me deu missões, coisas para cumprir e ele não me deu escolhas. — me lembro da ameaça que o Oscar fizera a vida de Kurt e engulo seco. — Ele ameaçou o Kurt e disse que eu não poderia confiar em vocês. Eu tentei manter Kurt longe disso, mas vocês sabem como ele é. — percebi Tasha acenar afirmativamente com a cabeça, como se concordasse comigo. — Ele estava atrás dessa pessoa quando tudo aconteceu, a explosão era uma emboscada e infelizmente eu havia levado o Kurt direto para lá. — me lembro do corpo e do sangue de Kurt manchando minha roupa e logo sinto uma lágrima queimar minha pele.

Continuei explicando a eles como todas as missões funcionaram e como serviram para incriminar Mayfair pela morte de Carter. Reade não parecia muito satisfeito e quando eu terminei de falar, ele foi o primeiro a se pronunciar.

— Você não podia ter escondido isso de nós, independente do que esse cara tivesse dito. — ele disse inconformado.

— Se fosse a vida da Sarah você faria mesmo. — Tasha logo rebateu, ficando entre mim e ele. Patterson concordou.

— Eu teria dito a vocês. — ele disse se alterando. — Eu confio em vocês o suficiente.

— Eles ameaçaram a vida do Kurt, Reade. — Patterson interviu. — Você tem noção do quão difícil é decidir algo quando implica a vida de quem você ama?

— Mayfair está na cadeia por culpa dela. — ele acusou apontando para mim.

— Ela não sabia o que estava fazendo, e mesmo que soubesse, todo sistema tem suas falhas. O FBI é um deles. — ela disse firmemente depois de empurrar a mão dele que se direcionava a mim. Tomei isso como um chega, pedindo calma a todos.

— Eu entendo sua relutância, Reade. — falei com calma, porém com firmeza. — Acontece que eu não sabia com o que eu estava lidando. Eu não sabia o quão forte eles eram, e ainda não sei. Era muito arriscado contar para vocês antes de ter pelo menos uma parte esclarecida. — percebi ele ceder um pouco e continuei. — Foi difícil ver Kurt naquela cama de hospital e saber que fui eu que o coloquei lá; ver Mayfair ser presa por um crime que não cometeu, mas que eu havia a incriminado. Seria mais difícil ainda ver todos vocês machucados por minha culpa, eu não poderia aguentar. —deixei outra lágrima cair e a Patterson me abraçou, dizendo que me entendia.

— Você sabe que nós não podemos manter isso fora dos papéis. — Reade falou depois de um longo tempo de silêncio, mais calmo do que antes.

— Eu sei, se vocês quiserem usar o meu depoimento como prova a favor da Mayfair eu vou dizer tud...

Fomos interrompidos pelo som do tablet da Patterson e ela o agarrou rapidamente, batendo seus dedos contra a tela e lendo o que parecia ser um e-mail.

— Acabamos de receber algo e eu tenho quase certeza que podemos usar o seu conteúdo para o caso da Mayfair! — ela disse e nos reunimos atrás dela para prestar atenção ao que ela dizia.

Cade.

Eram diversas acusações de corrupção sobre o Carter, mas não era apenas isso. Documentos que negavam que as gravações da sala da Mayfair haviam sido conseguidas de forma limpa, digitais achadas no corpo do Carter que eram de outra pessoa, provavelmente do Oscar.

Tivemos uma reunião com o Diretor Pellington sobre a nova forma de trabalhar e superar os recentes acontecimentos. Ficamos trabalhando no conteúdo do e-mail até tarde, checando as acusações sobre Carter, a autenticidade dos documentos que impediam que as gravações da Mayfair fossem usadas e tudo mais que estava lá. Não conseguimos semelhanças das digitais no banco de dados, Oscar era um fantasma com eu também era. E Marcos.

Era quase noite quando meu telefone tocou. Era a Sarah.

— Sarah? O que aconteceu? O Kurt está bem? — pergunto nervosa e todos me encararam preocupados.

— É melhor você vir, eu te explico quando você estiver aqui. — ela disse e logo me despedi dela e do team, me dirigindo para o hospital.

Um turbilhão de coisas que podiam ter acontecido atormentavam minha cabeça. E se ele tivesse piorado? Se alguém tivesse ido atrás dele e eu não estive lá para protegê-lo? Eu não podia lutar contra essas perguntas.

Cheguei ao hospital e corri para a sala de espera, onde encontrei Sarah. Ela estava calma e isso me acalmou momentaneamente. — O que aconteceu? — perguntei e a vi abrir um sorriso.

— Ele vai receber alta hoje, Jane. — ela falou com um suspiro de alívio. — Eu pedi ao médico que esperasse até você chegar. — um sorriso enorme tomou o meu rosto e nos abraçamos.

Encontramos o médico no quarto e ele nos passou todas as recomendações. Disse diretamente a Kurt que era preciso repouso e nada de esforço pelo menos até a retirada dos pontos, que aconteceria em algumas semanas. Escutei tudo que o médico diz e percebi Kurt bufar quando o médico falou que ele não poderia trabalhar nesse tempo.

O médico se despediu e saiu do quarto.

— É isso aí, irmão mais velho. — Sarah disse batendo no ombro dele. — Você vai ficar de molho por um tempo. — sorrimos e eu percebei o mau humor de Kurt ao ouvir isso.

— Eu não garanto nada. — ele disse emburrado e eu dei um tapa leve em seu ombro.

— Mas eu garanto, Sarah. — afirmei e ela sorriu. — Prometo que vou manter ele bem quietinho até o final da recuperação. — ele me encarou com uma carranca e sorrimos.

Ele estava indo pra casa e eu iria cuidar para que ele ficasse bem.

— Bom. — percebi a feição de Sarah ficar divertida. — Mesmo que seja difícil para vocês, crianças — rimos juntos. — Vocês dois vão ter que ficar de molho. — ela disse e pude ver a ponta das orelhas de Kurt ficando vermelhas e eu tive certeza que também corei fortemente.

— Novamente, — Kurt começou. — Eu não garanto nada. — ele colocou a mão em volta da minha cintura e gargalhamos mais uma vez.

Sarah checou a hora no celular e se despediu de nós, mas antes de sair ela me chamou no canto. Ficamos do lado de fora do quarto do Kurt. — Eu vou passar um tempo na casa do Reade. — ela contou e eu fiz uma cara de surpresa. — Depois eu conto tudo... — ela sorriu envergonhada. — Enfim, Sawyer também vai comigo, então — ela pausou para pegar a chave da casa e me entregou. — a casa é de vocês.

Segurei o chaveiro e senti um arrepio tomar meu corpo. Eu tomaria conta do Kurt, sozinha. Teria que lidar com todas as responsabilidades que vinham junto a isso. Eu estava pronta. Acenei afirmativamente com a cabeça.

— Isso não significa que eu vá sumir esse tempo. — ela explicou sorrindo e bateu no meu ombro, me tirando dos pensamentos. — Se precisar de qualquer coisa é só me ligar.

— Se eu precisar de ajuda para domar a fera... — rimos juntas, encarando Kurt de longe.

— Você sabe doma-lo. — ela falou mais séria. — Melhor que ninguém. — senti a sinceridade em sua voz. — É por isso que eu confio em você, pelo que você faz com e para ele, Jane.

— Obrigada, Sarah. — agradeci balançando seu chaveiro na mão. — Eu vou cuidar do seu irmão.

— Você vai cuidar do seu namorado, Jane. — ela disse balançando a cabeça em direção ao Kurt. — Esse grandão está apaixonadinho por você. — senti meu rosto queimar com o comentário e vi o Kurt se sentar na cama. — Vai lá com ele. — ela disse antes de abrir a porta do quarto e quase me empurra para dentro.

Era muito bom ver Kurt fazendo as coisas por conta própria. O ver sorrir, o ver vivo novamente. Ele se levantou para ir até o banheiro trocar a roupa e sua bunda apareceu pela abertura do vestido de hospital. Soltei uma risada alta e ele me encarou confuso.

Sussurrei “a sua bunda” em meio as risadas. Ele não fez nenhuma menção de esconder, apenas sorriu junto comigo e continuou caminhando para o banheiro. Eu continuei olhando sua bunda se mover enquanto ele mancava em seu caminho.

Depois de me recuperar da visão, comecei a arrumar as coisas em seu quarto e coloquei a pequena mochila com seus itens pessoais nas costas. Foi quando eu escutei seus passos vindo em minha direção e me virei para encara-lo. Ele vestia uma camisa azul, moletom folgado e um casaco.

Me aproximei dele e lhe dei um abraço. Era o suficiente naquele momento apenas afundar a cabeça em seu peito e sentir seu cheiro, o cheiro do seu amaciante, do seu perfume. Levantei um pouco minha cabeça, apenas o necessário para juntar nossos lábios.

Ele parou o beijo me dando um selinho, encostando sua testa na minha e nada precisou ser dito. Caminhamos para fora do quarto e eu entreguei sua alta na recepção enquanto ele se dirigia ao carro.

Senti o celular vibrar e era Patterson. Atendi enquanto entrava no carro.

— Jane? — ela pergunta.

— Sou eu, algum avanço? — coloquei a bolsa no banco de trás e liguei o carro.

— Nós conseguimos um habeas corpus para Mayfair, temos um advogado indo solta-la nesse momento. — ela falou animadamente e meu coração disparou. Mayfair estaria livre outra vez, nós tínhamos conseguido.

— Ah meu Deus, Patterson, que boa notícia. Me mantenha informada sobre isso, okay? — eu precisava dirigir e eu já notava a feição intrigada do Kurt. Me despedi da Patterson e comecei a dirigir para casa do Kurt.

— O que aconteceu com o Oscar? O que a Patterson falou que te deixou tão aliviada? — ele perguntou preocupado.

— Mayfair vai ser liberada. — falei sem o encarar, mas percebi seu olhar instigante.

— E o que mais? — ele sabia que tinha mais.

— Ontem eu encontrei o Oscar. — contei tudo a ele e percebi seu olhar de preocupação quando eu disse que Cade havia matado Oscar e toda história por trás da bomba que quase o levou a morte e que Cade e Marcos eram noivos, os surtos do Oscar, mudando os planos. Ele ficou perplexo com tudo.

— E como você conseguiu a liberação da Mayfair? Você se entregou, Jane? — Kurt questionou e eu não o respondi de imediato. — Jane, você não…

— Não, Kurt. — eu finalmente respondi. — Eu não me entreguei. Cade mandou um e-mail com documentos, ele disse que daria um jeito de livrar Mayfair em relação ao assassinato do Carter porque não era isso que o plano dizia.

Kurt sabia que para conseguir a liberação da Mayfair eu teria que contar tudo ao team.

— Você contou tudo para eles? — ele perguntou enquanto eu estacionava.

— Não tudo, preferi deixar algumas partes para quando nós tivemos mais respostas. — respondi sinceramente e ele concordou com a cabeça. — Você está bem com isso?

— Eu confio no seu julgamento, Jane. — ele disse passando a mão em meu rosto e eu fechei os olhos ao seu toque. — Se você acreditou que era o certo, eu acredito que é o certo. — nos beijamos mais algumas vezes antes de sairmos do carro.

Entramos em casa e eu deixei Kurt sentado no sofá enquanto cozinhei algo para comermos. Durante o jantar, as provocações começaram.

— Eu tenho que tomar banho. — ele disse entre uma garfada e outra. — Mas eu não posso fazer muito esforço, então…

— Você está pedindo para eu dar banho em você? — soltei uma risada. Que fogado!

— Só uma ajuda, talvez... — ele riu junto a mim.

— Que eu bem lembre, você que me deve um banho Special Agent… — eu disse cobrando a dívida e foi a vez dele de gargalhar.

— Você sabe que eu daria, mas estamos de resguardo... Eu não me controlaria com você sem roupa, no chuveiro... — Kurt provocou e eu sorri ainda mais.

— Kurt… — coloquei as mãos em seu rosto. — Você é mal.

— Aceita? — ele pareceu ignorar tudo o que eu disse.

— Só o banho, Kurt. — respondi depois de um tempo, me levanto da cadeira e estendo a mão pra ele. — Só o banho, ouviu? — ele concordou enquanto agarrava minha cintura e nos encaminhava para o banheiro.

Seria apenas um banho.

Notas finais
Esses dois são tão amorzinhos. Custa ser um pouco mais assim na série também?! O que acharam do capítulo? Adoraríamos saber a opinião de vocês. :)