Notas iniciais
Estamos aguentando firme Blindspotters, tudo vai melhorar. Mas enquanto não melhora, mais um capitulo pra vocês....esperamos que aproveitem ♥

Com certeza essa foi a melhor noite de sono que eu já tive em semanas. Mesmo dormindo no sofá e sentir dores por causa da posição desconfortável que passamos a noite, acordar com os braços de Weller em volta de mim era melhor do que todas as sensações. O observei dormir por um tempo até que percebi algo diferente do lado de fora da janela. Não era chuva, mas sim algo branco caindo. Patterson havia comentado comigo sobre a “primeira nevasca” que poderia acontecer, mas eu não sabia exatamente como era esse fenômeno. Eu não me lembrava.

— Kurt? – sussurro enquanto coloco as mãos levemente sobre o peito dele, mas não é suficiente para acorda-lo. — Kurt. — chamo um pouco mais alto e ele se mexe
rapidamente agarrando minha mão, dou um sorriso da sua preocupação.

— Jane, o que aconteceu? – ele pergunta assustado e sorri junto comigo.

Ainda no aperto do abraço dele, eu aponto para a janela. — Isso é neve, não é?

— Sim, é. — ele olha para a janela e sorri. A primeira nevasca é sempre linda, mesmo chegando atrasada nesse ano.

— Atrasada? — olho para o relógio e vejo que já era 6h45. — Estamos atrasados, Kurt. — digo o encarando.

— Com a neve, pensei que ainda fosse cedo. Temos que ir para o escritório. — ele fala, mas não se move do lugar, então eu o faço.

— Vamos, temos coisas a fazer. — vou até a poltrona e pego um roupão, o coloco rapidamente e me viro novamente para ele. — Faz sempre muito frio assim? — pergunto apertando o roupão ainda mais no meu corpo.

— Sim, estamos em NY. Dezembro é sempre muito frio por aqui. — ele se levanta e anda até mim, num segundo e eu já estou abraçada a ele. — Essa é a melhor forma de definir a primeira nevasca: fria.

— Como você consegue ser tão quente enquanto o mundo está congelando lá fora? — levanto a cabeça para encara-lo.

Ele segura meu rosto entre as mãos e sussurra com os lábios muito perto dos meus. — Eu tenho alguns motivos. — ele sorri maliciosamente e me beija, e não tem como ser apenas um beijo com o Kurt, a sensação dos lábios dele dançando contra os meus, cada vez mais ansiando por algo.

— Você vai para o escritório com a mesma roupa de ontem? — pergunto quando paramos o beijo.

Ele olha para sua camisa amassada, a jaqueta jogada no sofá e sorri.

— Acho que eu não tenho muitas opções. Não vai dar para passar em casa antes. — Ele se levanta e coloca a jaqueta. — Não é tão ruim assim, admita.

Não posso deixar de sorrir para ele.

— Claro que não. — ajeito as almofadas no sofá e me viro para ele — Acho melhor você ir na frente, vou tomar banho e encontro você depois.

— Sim, eu já vou... é melhor evitar a situação de ontem. — sorrimos. —Tasha não perde uma.

Ele se encaminha até a porta e eu o sigo.

— Até mais. — Nos despedimos com um beijo rápido e ele se vai.
***
As investigações do assassinato do Carter não pararam. Não descobriram mais nada na Black Site, mas a Polícia Federal indicou o carro dele em uma rodovia no centro de Nova York, fomos até lá e o carro estava repleto de casos, alguns da CIA e outros do FBI, não sabemos como foi parar nas mãos dele, mas é algo a ser investigado.

Andávamos todos juntos em direção ao carro do Carter.

— Qual o problema com o seu guarda-roupa Weller? — Reade alfineta e Kurt se faz de desentendido.

— Nenhum. — ele olha pra as próprias roupas. — Por quê? — Kurt estava envergonhado, mas a vantagem dele era que ele sabia como disfarçar muito bem.

— Se eu não me engano, você estava com essa mesma roupa ontem. — Reade afirma e agora todos os olhos estavam em Kurt.

— O quê? – Kurt ajeita a jaqueta no corpo e me olha de relance. — Você está enganado, eu tomei banho antes de vir para o escritório, troquei a roupa normalmente, nada errado.

— Depois nós descobrimos isso Reade. — sorrio, tentando desviar a atenção de todos. — Temos um carro para examinar agora. — aponto para o carro de Carter e Reade se encaminha para dentro junto com Tasha e um policial.

Depois dessa situação, Kurt tem muito que me recompensar. Vejo Kurt sussurrar um “ufa” pra mim e sorrio da sua reação.

— Alguns casos aqui já foram arquivados há muito tempo, um deles... — depois de um tempo, Reade sai de dentro do carro com um arquivo do FBI na mão. — Saul Guerrero, ele estava metido com algo bem pior do que pensávamos, mas tráficos de armas? O que ele ganharia salvando Draclyn do caos?

— Eu não sei, mas precisamos levar isso ao laboratório da Patterson, temos que saber o que ele queria com todos esses casos e o mais importante: como ele teve acesso aos casos com jurisdição do FBI. — Kurt diz e todos nós assentimos.

Volto com no carro com Kurt para o escritório, Reade e Zapata em outro e alguns carros da Polícia Federal também nos acompanhavam.

Durante o trajeto começo a pensar em tudo o que aconteceu em tão pouco tempo. Em poucos meses Kurt havia ocupado um lugar tão importante em minha vida que eu sequer conseguia me imaginar em outro lugar que não fosse ao lado dele. Eu definitivamente não estava disposta a perder Kurt. Independentemente do que “meu plano” mandasse, eu não iria deixa-lo. Talvez ainda fosse cedo, mas, eu queria poder sair normalmente com ele em público sem preocupações. Mas isso não seria possível com três seguranças atrás de mim, eu tinha que dar um jeito nisso.

— O que eu você acha de sair? — Kurt quebra o silencio intenso que se formou no nosso carro e me encara de relance. — Talvez hoje à noite.

Ele só pode ter lido minha mente, impossível!

— Eu adoraria. – sorrio suavemente colocando minha mão sobre a sua coxa. Mas antes, eu preciso resolver uma coisa. — falo já quando nos aproximamos da Agência. — Hoje à noite. — falo saindo do carro sem dar a oportunidade dele perguntar o que eu faria.

Passamos a tarde toda examinando os casos achados no carro do Carter, era um conteúdo denso e aparentemente sem ligação com o que tinha acontecido na Black Site ou comigo algumas noites antes. Mas quando falamos com Mayfair sobre o caso Guerrero ela simplesmente recolheu a pasta e levou pra sua sala.

Já era noite quando Mayfair liberou todos. Então esse seria o momento exato de fazer meu pedido.

Sigo para sala da Mayfair e bato no vidro, ela sinaliza que eu posso entrar.

— Algo que eu possa ajudar? — ela pergunta.

— Eu gostaria de dispensar meus seguranças. — falo diretamente.

— Algum motivo em especial? Você sabe que eles estão lá para sua proteção. — ela parece confusa com o meu pedido.

Quem, em sã consciência, recusaria segurança?

— Eu sei, mas acho que já provei a confiança necessária para não precisar mais da escolta deles. — Permaneço firme.

— Se você prometer ficar na Casa Segura eu retiro os seguranças, Jane. Porém você precisa entender os riscos.

— Eu entendo. — falo um pouco surpresa, não achei que seria tão simples. — Obrigada, senhora. — ela acena com a cabeça e eu me retiro da sala.

Como de costume fui para o vestiário pegar minha jaqueta antes de sair dali.

— Mayfair me disse que dispensou os seguranças. — não há nenhum modo de eu não reconhecer essa voz, o arrepio é inevitável ao sentir a presença do Kurt atrás de mim.

Me viro para ele ainda ajeitando a jaqueta.

— Eu fiz. — Respondo com um sorriso. — Algum lugar especial?

Ele olha para todos os lados e caminha em minha direção, parando alguns centímetros longe de mim. O suficiente para manter o controle. — No caminho para a minha casa, tem um parque de estacionamento. Eu estarei lá, às 21h. — ele sorri e eu vejo as pontas de sua orelha ficarem vermelhas.

O rubor em nossos rostos aumenta quando Reade e Zapata entram no vestiário. Abaixo a cabeça tentando controlar a vontade de sorrir e vejo Kurt se mover ao meu lado.

— Vejo vocês amanhã. — ele se despede e sai.

19:59

Volto para a Casa Segura de metrô, por serem rápidos e porque sempre me davam tempo para pensar sobre algo que está me perturbando. O que não era o caso.

Eu senti o nervosismo aumentar ainda mais quando desci do metrô. Não preciso caminhar muito até a Casa. Tomei um banho, coloquei uma camisa preta simples, jaqueta de couro, um jeans escuro e as botas de campo que sempre estavam lá.

20:53

Tranco tudo e saio de casa. Quanto mais eu me aproximava da praça que o Weller mencionou me encontrar, mas nervosa eu ficava. Nos poucos minutos caminhando eu senti minhas mãos ficarem geladas e também pude sentir uma sensação estranha em meu estômago.

— É muito bom ver você novamente. — reconheço a voz antes mesmo de encara-lo. Não era a de Kurt e sim de alguém que de todas as pessoas, era a que eu menos queria ouvir. Oscar.

— O que você faz aqui? — olho ao redor, porém não acho mais ninguém. Era apenas ele e eu, novamente.

— Eu vim para lhe dar respostas. — penso que provavelmente eu já deveria estar ao lado do Kurt agora.

— Quais? Eu sou realmente Taylor Shaw? — o questionei com uma das perguntas que mais me martelavam desde o nosso primeiro encontro.

Ele se aproxima de mim e eu recuo, ele segura minha mão.

— Sim. — ele responde e eu suspiro aliviada. Aquele foi um peso tirado de minhas costas. Porém muitas dúvidas pairavam em meus pensamentos. — Mas antes você tem que provar sua lealdade e então, mais respostas virão. — ele ainda segura minha mão por um tempo, quando eu finalmente assimilo a informação que ele me deu, eu puxo a mão de volta.

— Eu não vou machucar eles. Não vou trocar a confiança deles pela sua. — falo seriamente.

Ele olha para o lado rapidamente, como se tivesse visto alguém.

— Eu acho que você deveria ir. Nos falaremos em outro momento. — antes que eu pudesse questiona-lo ele volta do local onde saiu, um beco escuro e deserto, logo desaparecendo da minha visão e me deixando mais confusa.

Por que eu fiz isso para mim mesma? Se eu sou Taylor, por que eu não voltei para Kurt antes? Quem ele viu que o fez ir embora?

Eu teria que esperar se quisesse mais respostas. Agora eu tinha um homem para encontrar, o homem certo.

21:34

Corro para atravessar a rua e chegar ao parque, que não era tão distante.

Tudo estava escuro, mas eu tinha certeza que aquele era o lugar correto. Consigo ver a entrada da rua do Kurt, a torre de transmissão, o mar... Porém não vejo o mais importante: Kurt. Droga!

21:37...

Notas finais
É, mais uma complicação com Jeller...vamos ver onde isso vai dar. Vemos vocês na próxima terça