Waterabout: island in the sun
3 Venha como você é
Novamente eu sonhei, o sonho dessa vez mostrou um pedaço da vida adulta dela mas o sonho era diferente dessa vez eu não estava como uma telespectadora eu conseguia ver o sonho pela perspectiva da mulher misteriosa. Na época referente a esse sonho ela já é mãe e tem um bebê em seus braços. Gentilmente com aquele toque que apenas uma mãe é capaz ela nina a criança e a coloca suavemente em um berço enquanto dorme despreocupado.
Como sempre tudo parecia ser um filme dos anos setenta. Digo isso por que eu era incapaz de distinguir qualquer cor e por conta disso tudo parecia ser um filme perto e branco.
Logo após ela o colocar para dormir, desse as escadas ao encontro de seu marido. E então ele vão para a cozinha para um jantar a luz de velas. Uma estranha mistura de simplicidade com chiquesa.
Eles estavam comendo e tomando vinho quando de repente alguém bate na porta. Marido dela se levanta e vai ver quem é. Só wuey mesmo tempo que ele faz um gesto com a mão dizendo para ela esperar. Ele vai mas ela se levanta e de longe o observa. Ele abre um pouco a porta e conversa com quem quer que seja pela fresta. Ela pacientemente os observa. A conversa entre os dois que parece tomar um rumo mais tenso e os dois começam a discutir e então de repente um flash rápido surge e o seu marido cai para trás enquanto jorra sangue de seu olho. A porta é arrombada e entra membros do exército junto a um homem caipira dentro da casa. Eles entregam algum dinheiro a esse homem que rapidamente deixa o local. Ela corre para os fundos abre a porta e tenta fugir mas então ela toma um tiro que pega no braço. Eu sinto a sua dor, a sua aflição, seu medo. Ela começa a correr o mais rápido possível para longe enquanto os soldados a perseguem com cachorros e armas. Ela está sendo caçada como um pobre coelhinho.
Correndo em direção ao bosque que ela sempre brincava passando pela árvore que sempre fez suas fantasias e então por um rio. Esse rio já apareceu em outros sonhos ela gostava de ir nele para pescar e as vezes tomar banho. Mas ela não o atravessa, ela caminha sobre as suas águas seguindo o seu curso correndo sobre suas ondulações usando da água para aumentar a sua velocidade afastando rapidamente de seus perseguidores sobre o reflexo da luz da lua. Mas de repente mais uma aflição. Por mais rápida que se torna-se não poderia jamais ser mais rápida que uma bala. Ela rapidamente afunda e tudo fica escuro a única coisa que sou capaz de ver é seu sangue subindo junto a bolhas de ar iluminadas pela luz da lua refracionada.
Finalmente eu acordo desse pesadelo. No susto eu me levanto. Eu e meus lençóis estão molhados de suor. Eu não sai por que mais eu olho meu braço e passo a mão nas minhas costas para ver se eu realmente tomei os tiros. Eu estou ofegante e sentindo muito frio. Mas, o que Merda foi essa? Eu sei que foi apenas um sonho eu quero acreditar que foi apenas um sonho mas, foi tão lúcido, tão real e tão assustador. Eu quero chamar minha mãe mas, minha voz não sai. Eu fico um tempo tentando respirar e tentando não chorar.
Depois que eu me acalmo eu desço e tomo um copo de água. Ao olhar pela janela vejo que já é dia. Provavelmente minha mãe já foi trabalhar. Ter dois empregos é algo que mata a pessoa lentamente. É melhor eu ficar quieta em relação a isso. Enterrar o assunto e manter o que eu vi... Sonhei em segredo.
Por favor Deus que nada disso tenha correlação...
Eu me arrumo para ir pra escola mas não consigo tirar aquele fatídico sonho da minha cabeça. Eu ainda estou com medo. Trêmula e ainda sim eu sou obrigada a ir a escola. Mas que saco.
Eu faço meu caminho como de costume. E por consequência eu passo na frente daquela casa. Ela está vazia e silenciosa. Até parece que nada aconteceu ali. Eu ainda tento não pensar muito nisso então apenas viro meu rosto e continuo em frente.
Chegando na escola eu sou novamente reprimida pelo porteiro por está atrasada. Pra falar a verdade eu nem sei que horas são, nem a hora que acordei e nem a hora que eu sai de casa.
Eu vou diretamente para minha sala e me sento no meu lugar. O professor de geografia falou alguma coisa sobre meu atraso mas eu acabei ignorando completamente. Eu não tava com cabeça pra isso, na verdade minha cabeça doía tanto que eu nem estava mais conseguindo pensar direito.
—Carol!
Alguém chama pelo meu nome e eu por impulso respondo de uma maneira nem um pouco educada.
—Que é!?
—Calma criatura!
Era apenas Andrea vindo me encher o saco como todos os dias
—Que foi..
—Você tá bem? Você parece meio pálida e sua pele tá meio quente?- Diz ela colocando a mão sobre minha testa.
—Nada não comi alguma coisa ontem que não caiu muito bem.- Eu obviamente mentir.
—Então qual foi o sonho de hoje? Alguma coisa interessante dessa vez?
—Nem te conto. Não teve nada de interessante. – E melhor manter isso em segredo por enquanto.
—A... Eu ainda não desisti daquela ideia. Mas, fala pô vai que tem alguma informação relevante.
—Gente Gente gente! eu tenho uma notícia muito louca pra contar pra vocês.- De repente Luana aparece e interrompe a conversa entre nós duas. Ainda bem pois sou ruim em sustentar mentiras.
—Eu não tô com muita cabeça hoje pra fofocas não.
—É sério pô, vocês conhecem o Erick do terceiro ano B?
—Eu já ouvi falar – responde Andrea.
—O cara que tava brigando ontem? O que tem ele?
—Então ele não apareceu na escola hoje.
—Tá mas, e o Kiko?- A essa altura do campeonato eu apenas larguei o freio.
—Ignorante! Tô falando sério essa história rende matéria de jornal.
—tá, apenas prossiga.
—Ok deixa eu me lembra direito da história... Vocês sabem que ele tinha uma irmã mais nova certo? Então pelo que aparenta a irmã dele era uma Elemental esse tempo todo.
—Como é que é?!- Eu e Andrea respondemos ao mesmo tempo. O que ela disse me chamou muito a atenção.
—Tá, por favor explica isso direito.
—Ontem a noite eu estava indo no mercado comprar umas batatas e um refri que eu ia assistir um filme daí no mercado eu vi ele e sua irmã ambos estavam falando compras e pareciam um casalsinho. Quando de repente a irmã dele começa a passar mal.
—E aí?
—Eu como a pessoa caridosa que eu sou pensei em irá até eles e prestar ajuda.
(Ela queria uma desculpa pra falar com ele, certeza).
—Eu depois?
—Ela começou a pegar fogo... Depois disso foi uma gritaria ela explodiu o lugar e os dois fugiram do lugar.
—E o que aconteceu com eles?
—Em menos de cinco minutos apareceu caminhões da U.P.I então eles na devem ter ido muito longe. O que é uma pena eu até achava o Erick bonitinho.
—Bem é menos um. E você Carol o que acha disso? Parece verídico?
—Sendo sincera eu não me importo nem um pouco se isso é verdade ou mentira. Se não me afeta não é da minha conta.
—Eu já esperava essa resposta de você. Você tem parar com essa falta de interesse sobre as coisas é por essa e outras coisas que você não tem namorado. – Luana diz isso enquanto Andrea parece concordar plenamente.
—Tá mas, vocês não estão desviando o foco do assunto? Além disso vocês não acham estranho ter tido dois casos em menos de vinte e quatro horas?
—Como assim dois casos?- as duas dirigem essa pergunta para mim com ar de surpresa. Eu realmente falei demais.
“Eu explico o que aconteceu ontem enquanto eu voltava para casa e estranhamente foi como tirar um peso das minhas costas.”
—“Nada de interessante aconteceu “ foi o que você disse.
—Você perguntou sobre os sonhos não sobre esse tipo de coisa.
—Independente como você não conta esse tipo de coisa? Bem de qualquer forma são menos dois.
De repente o professor volta para sala e as duas voltam pro lugar delas. Parando pra pensar quando foi que ele saiu? Depois disso a aula segue normalmente apesar disso tudo. Mas para mim ainda é difícil engolir isso tudo. E novamente eu desejo a Deus que nada disso tenha correlação.
As coisas seguem normalmente até a hora do almoço só que eu esqueci minha carteira e não trouxe nada pra comer comigo. Então além de tudo existente pra tirar minha concentração agora tem a fome para me atrapalhar. E eu ainda ouvi algumas garotas me chamando de “menina dos fantasmas”... Eu juro que ainda vou degolar a Andrea.
Bem depois do intervalo voltamos para a sala para os últimos dois horários e assim eu poderia ir embora descansar e esfriar a cabeça. Bem esse horário era o de física e finalmente eu iria poder e entregar aquele maldito trabalho. Eu me sento na minha cadeira e espero quieta. O professor entra na sala faz os procedimentos padrões e então por ordem alfabética chama um por um para a entrega do trabalho. Quando menos se espera o professor já estava chamando pelo meu nome. Eu tiro a pasta com trabalho da minha mochila e o levo até o professor, deixo em cima da mesa dele e volto para a minha. Só que quando eu estou no meio do caminho de volta ele me chama.
—Carol!
—Sim?.
—Venha aqui.
—É... Alguma coisa errada?
—Eu dei uma foleada e tá tudo errado. Só isso.
—Que? Como?- eu rapidamente pego a pasta e começo a dar uma olhada no trabalho e por mais que a caligrafia pareça muito com a minha não tem nada do que eu escrevi ali. Além de muitas das questões em branco.
—professor sabotaram meu trabalho!
—Sendo desculpas Carol você teve mais de duas semanas para fazê-lo e ainda o deixou pra última hora.
—Que? Professor eu tô falando
—Sem desculpas. Agora voltei para seu lugar. E que venha próximo.
Eu derrotada apenas aceito a ordem quieta. Mas o que aconteceu? Quem foi que fez isso?
Enquanto eu voltava para meu lugar uma pessoa passou por mim sorrindo, era Débora em suas mãos uma pasta. Nisso eu matei a charada. E claro que tinha que ser ela. Por que será que eu não estou nem um pouco surpresa? E claro que tinha que ser aquela puta!...
Depois que a aula acabou eu fiz questão de ir atrás dela antes que ela fosse embora. Eu não podia mais ficar quieta e aguentar isso calada eu teria que enfrentar esse filhote do capeta ou então ela ficaria me atazanando pelo resto da minha vida.
Assim que o sinal tocou eu desci para o armário dela e esperei ela lá. Eu estava rangendo os dentes de raiva e meu sangue fervia sob a minha pele. Até que ela apareceu, sorrindo como se nada tivesse acontecido e isso foi para mim a gota d’água.
Eu estava com as costas escoradas no armário ao lado do armário dela. E ela veio calmamente abriu o seu armário guardou o que tinha que guardar e pegou alguma coisa.
—Então é isso? Sem nenhuma palavra, comentário nem mesmo vai rir da minha cara?
—Eu não faço a mínima ideia do que você está falaando.- ela fala isso puxando o “a” da palavra falando e isso de alguma forma causou uma profunda irritação no íntimo de meu ser. Isso soou como um deboche.
—Como assim “não sei do que você está falando”? O que diabos você fez com meu trabalho!?
—Eu até encontrei um trabalho de química por ai mas, como não tinha assinatura e eu não fazia a mínima ideia de quem era eu apenas peguei ele pra mim. Algo de errado?
—Que desgraçada! O trabalho tava na minha bolsa! Você teve a audácia de roubar ele desse jeito e ainda fingir na minha cara que não fez nada de errado?! Você tem alguma ideia de quanto tempo eu demorei pra fazer aquela poha?!!- Eu acabo me exaltando um pouco e isso chama a atenção de todos ao redor e quando menos se espera está todo mundo esperando uma briga. A para completar a minha barriga começa a doer muito forte mas, no momento o demônio em minha frente é mais importante. Eu coloco a mão no estômago fazendo pressão para tentar aliviar a dor enquanto continuo a enfrentar o dragão.
—Não sei e não me importo. Na verdade talvez eu me importe um pouquinho.
—Por que você faz esse tipo de coisa?
—Não sei provavelmente por tédio, e eu gosto de brincar com você. Tipo a cara que você está fazendo agora é impagável.
—Eu juro que vou...
—Fazer o que?- ela me interrompe e se aproxima do meu ouvido.
—Eu sei.- ela cochicha isso no meu ouvido.
—Do que você sabe?
Ela então cochicha algo que faz meu sangue que antes estava fervente, gelar. Eu sinto minha pressão cair e minhas pernas cederem. Mas não acho que foi só por que ela disse aquelas coisas meu corpo inteiro dói e sinto frio, e por conta disso tudo eu caio de joelhos. Quando? Como? e onde? Ela descobriu?
—Nossa que patética! Vem cá oque você acha de eu espalhar isso pra escola toda? Seria no mínimo Hilário! Quer saber de uma acho que vou soltar essa bomba é agora já estamos com uma boa plateia mesmo.
Por um segundo minha mente travou tudo ficou escuro e meio vermelho. Será que eu tive um enfarte?
E no segundo seguinte a dor parou. Eu ainda não conseguia enxergar direito mas, logo na minha frente tinha um borrão preto que eu reconhecia muito bem, era aquela loira burra.
Se ela contar àquilo para a escola eu não vou poder ficar aqui mesmo então acho melhor ser expulsa com alguma dignidade. Eu junto todo meu ódio e me levanto o mais rápido possível e avanço nela. Ela estava de costas para mim e eu agarro os cabelos dela. E com toda a minha força eu bato a cabeça dela no armário. O barulho da pancada consegue superar as vozes dos alunos que gritavam e loucamente. E então todos ficam em silêncio. O que eu achei estranho e nesse momento que ou a plateia fica ainda mais eufórica ou então aparece alguém para separar a briga. Foi ai que aconteceu.
De repente a terra começou a tremer e os alunos começaram a correr e então uma onda passou lavando o corredor e carregando todo mundo. Todo mundo menos eu e Débora. Estranhamente eu estava seca mesmo a água me atingindo. Na verdade eu sentia como se aquela correnteza não passasse de uma leve brisa. Mas eu não podia dizer o mesmo de Débora. Ela se debatia enquanto se afogava na água que rodeava nos duas. Claro que em nenhum momento eu soltei os cabelos dela. Como ela mesmo disse era bom olhar alguém sofre em desespero.
Depois de alguns segundos o pico adrenalina passou e eu recobrei meus sentidos. Eu imediatamente larguei os cabelos dela e então eu senti o peso da água cair sobre mim. Era como tomar um balde de água fria. Eu ainda de pé vi a água abaixa e os corpos dos alunos aparecerem também. Entre tosses e engasgos um por um segundo mostrava ainda está vivo apesar de nenhum deles ter tentado se levantar de fato. Foi quando a ficha caiu: Eu tinha feito isso.
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