Waterabout: island in the sun
4 O mundo como conhecíamos
Meus pulmões ardem e minhas pernas doem. Eu nunca corri tanto assim na minha vida. Mas mesmo assim não me sentia nem um pouco cansada. Acho que correr por sua vida é um bom estímulo para ter uma vida mais saudável.
Voltando para o que aconteceu mais cedo, depois que eu acidentalmente prendi meus colegas em uma espécie de caixão d’agua, e recuperar-me do que aconteceu eu acabei que entrei em choque. Não podia, não conseguia e nem queria acreditar no que eu tinha feito ou no que me tornei. Posteriormente professores e outros alunos vieram ver o que aconteceu e eu assustada com tudo fugi o mais rápido que pude abandonando o local do meu “crime” mas, antes que eu pudesse sair pelo portão da escola alguém segurou meu braço. A mão pesada de um homem provavelmente o porteiro. Eu sem pensar muito mordo o braço de quem quer que fosse. Ele pela dor ele me solta e eu continuei a correr.
Eu corri o mais rápido possível pela cidade em direção a minha casa. No caminho pessoas que comumente eu via e até acenavam sorrindo para mim estavam me olhando com uma expressão árdua e desgostosa.
Eu morava a menos de dez minutos da escola entretanto, eu corri tanto que cheguei em dois. Com as mãos trêmulas eu pego minhas chaves e com dificuldade eu destranco a porta e entro para dentro. Eu tropeço no tapete e caio de cara no chão. Minha única vontade era de ficar naquela posição mas, agora definitivamente não era hora para isso. Eu me levanto e sento em uma cadeira para tomar um ar.
“Meus pulmões ardem e minhas pernas doem...”
Depois de refletir por um ou dois minutos eu dou um tapinha no meu rosto e volto para o presente. Eu vou até a cozinha e tomo um copo d’agua. Enquanto eu me hidratava eu noto meu reflexo no copo de vidro e novamente volto a correr dessa vez para o banheiro.
Eu abro a porta e diretamente encaro o espelho.
Essa sou eu: uma garota de cabelos longos castanhos escuros e bastante ondulados, não chega a ser cacheado mas é quase. Minha pele é branca, suave e quase sem espinhas. E meus olhos são também castanhos escuros.
Bem... Essa era a imagem que eu queria ter visto a imagem da eu de todos os dias a versão ordinária de mim. Mas a garota que eu vejo afrente do espelho tem todas essas características porém com algumas diferenças. Seus cabelos continuam majoritariamente castanhos só que agora além de apresentar uma coloração levemente mais clara tem suas pontas azuis com grande destaque a uma mecha que faz parte de sua franja que é completamente azul. E seus olhos se tornaram azuis escuro como o mais profundo dos oceanos.
Eu não queria acreditar que isso estava acontecendo. Ao ver aquela imagem eu começo a ficar ofegante. Até que de repente com um estouro a torneira explode e a água jorra para todo lado. Eu com o surto caio para trás enquanto eu choro em desespero enquanto minhas lágrimas flutuam.
Mas, daí meu telefone toca e isso interrompe meu sofrimento por alguns segundos. Minha mãe está no outro lado da linha. Eu com muita dificuldade engoli o choro. Se minha mãe está ligando para mim é que ela provavelmente já foi informada pela escola sobre o que aconteceu por tanto eu não podia deixar meus sentimentos transparecerem.
Eu atendo a ligação foi um pouco difícil fazer isso com a tela molhada e a mão tremendo.
—... Alô Carol? É... a escola me ligou e eu gostaria de saber o que você aprontou?-
Minha mãe aparentemente não sabia de toda confusão. Mas, por quê eu sinto que tem alguma coisa estranha?
—É mãe eu acabei brigando na escola. Foi com aquela garota que eu te falei aquela vez.
—Entendo filha. Quando eu chegar em casa a gente conversa... Inclusive... Onde você está?...
—Eu estou em c... Eu tô indo pra ai, perdi minhas chaves. Até mais.- E desligo o telefone as pressas e corro para a janela e olho com atenção. Até agora nenhum caminhão da U.I.P. Eu tenho quase certeza que eles pegaram minha mãe. Mas, que droga. Eu sabia que tinha alguma coisa de errado e provavelmente era isso.
Eu subo para meu quarto e pego um moletom com touca, ele é azul escuro quase preto. É só questão de tempo até eles aparecerem por aqui. Então eu tenho que pensar em um plano rápido. Só que é tarde demais para isso. Ao olhar pela janela vejo uma van deles dobrando a esquina. Eu tomo um susto e corro para os fundos.
Eu lembro do que aconteceu com aquele cara ontem e nem quero pensar em o que eles vão fazer comigo. Sem nem trancar a porta eu saio correndo pulando as cercas dos vizinhos.
Para trás eu ouço sirenes e cachorros latindo.
Depois de correr muito eu paro um pouco para descansar em um beco estranhamente não tem tantas pessoas na rua e eu consigo caminhar sem chamar atenção. Bem eu estou na parte sul da cidade por mais que seja uma área mais tranquila ainda é estranho.
Começo a pensar comigo mesma: Eu preciso de um lugar para me esconder até a poeira abaixar mas onde?
Logo eu penso em ir para casa da Andrea a casa dela é mais afastada do centro do que a minha e ela não estava na hora que eu inundei a escola.
Eu logo corro para lá, felizmente eu já tinha ido na casa dela algumas vezes e sabia exatamente onde ficava. Eu vou caminhando olhando cada esquina antes de atravessar. Também fico de olho em câmeras de segurança e olhos vivos e sempre os evito quando possível. Eu sinto que estou começando a parecer suspeita andando desse jeito.
Depois de uns vinte minutos eu chego na casa dela e olhando pela janela tem alguém lá dentro. Eu olho em volta e toco a campainha... Ninguém atende. Eu bato na porta... Ninguém atende. E para piorar as cortinas se fecham.
Mas o que diabos ela tá fazendo ?
Eu dou a volta na casa e subo em uma árvore para alcançar a janela do quarto dela que estava no segundo andar. Me pendurando até a ponta do galho eu chego na beira da janela. Eu começo a bater no vídeo esperando que ela abra.
Até que a cortina se abre e dentro estava a pessoa que eu estava procurando: Andrea.
Ela abre a janela com uma expressão chateada.
—Oque você quer?- pergunta Andrea com uma voz mórbida.
—Eu preciso de ajuda e de um lugar pra ficar. É complicado pra explicar agora mas eu...
—Eu já sei de tudo, na verdade todos já sabem
É claro que ela já saberia o que aconteceu, eu subestimei a velocidade de uma fofoca.
—Então isso facilita as coisas?
—Não... Sabe me perdoa mas, você não é o que eu pensei.
Essas palavras. Isso me abalou de tal forma que eu quase caí da árvore mas, acabei segurando no braço dela para recuperar o equilíbrio. E por causa desse balanço repentino a touca do meu moletom cai.
—Me solta!
—Oque!? Como assim eu Não sou o que você pensou? Nós não éramos amigas?!
Eu chorando falo a primeira coisa que veio a minha cabeça enquanto minhas lágrimas flutuam junto ao meu rosto.
—Me larga! Eu não quero pegar essa doença e me tornar uma coisa como você!
Ela grita isso e puxa o braço de volta fazendo eu perder o equilíbrio e por consequência cair da árvore.
A pancada da queda machuca minhas costas e eu sinto muita dor porém aparentemente eu não quebrei nada. Tanto que depois de alguns segundos eu me levanto. Só para ouvir a voz daquela vagabunda que eu um dia chamei de amiga gritar alguma coisa lá de cima.
—Você estava certa Caroline isso tudo não pode ser um simples por acaso essa cidade está cheia do coisa como você e isso me deixa doente.
—Então é isso? Nossa amizade nunca significou nada?
—Não me chame mais de amiga! Urg, você e um monstro!
Eu escuto o barulho de sirenes se aproximando. Nesse meio tempo antes de começamos conversar ela me denunciou.
Bem é isso se nós nunca fomos amigas eu não preciso me sentir mal ao dizer isso.
—E você é uma puta! E espero que você vá a merda!
E então eu fujo, Chorando, sem direção ou caminho até penso em tentar na casa da Luana mas, eu não deveria esperar uma reação diferente da Andrea. No final todos aqui vão ser farinha do mesmo saco e Infelizmente eu me incluo nessa conta.
Bem depois de correr mais alguns quilômetros eu me deparo com uma casa abandonada então resolvo me esconder nela até a poeira abaixar. Eu entro pela porta dos fundos ou oque sobrou dela e fico lá dentro. A casa está toda cheira de mofo e está toda empoeirada. Sem ligar muito para isso eu me sento no chão em posição fetal. Depois que o pico de Adrenalina cai meus olhos se fecham e eu acabo caindo no sono. É estranho pensar que apesar disso tudo eu ainda acabe conseguindo dormir. Se bem que desse que eu inundei a escola eu sinto meu corpo muito pesado.
Depois de algum tempo eventualmente eu acabei acordando. Dessa vez eu não tive nenhum sonho e isso de certa forma me preocupa não acredito que aquela história tenha acabado daquele jeito. Só espero que aquilo não seja um prelúdio do que estar por vir. Mas, ainda tem muitas coisas estranhas em relação a esses sonhos e tenho quase certeza que eles estão ligados diretamente com esse desperta. Mas eu teria que passar em casa para pegar meu diário. Só que eu sou uma fugitiva agora. E ainda tem a minha mãe. Eu não sei o que aconteceu com ela, nem se ela está bem e nem onde ela deve estar. Bem acho que a melhor ideia no momento é ver como estão as coisas em casa.
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