Waterabout: island in the sun
2 Todos os dias quando acordo
“my father crossed the ocean and left me a mere memory”
Mais um dia no qual eu acordo com o sol batendo na minha cara. Provavelmente eu chegaria atrasada de novo na escola tomaria uma advertência e depois uma bronca do meu professor, diretor e por fim da minha mãe. Então eu deveria levantar-me. Apesar que tudo que eu queria é dormir mais um pouco e terminar de ver os sonhos.
Toda noite e a mesma coisa. Eu acabo sonhando com uma mulher muito parecida comigo e todo sonho parece ser um pedaço da vida dela. E vai de coisas mais simples como ela lendo um livro, comendo, dormindo ou então momentos mais importantes como seu casamento. Em todos os sonhos eu estou consciente porém sou incapaz de fazer qualquer coisa eu apenas observo. Para mim é como assistir um filme preto e branco das crônicas de uma mulher ordinária.
Hoje o sonho foi sobre a infância dela. Ela com um vestido velho corria e brincava em meio a um bosque nele tinha uma árvore bem grande com um balanço. E então ela brincava.
Eu imediatamente levanto e anoto em um caderno o sonho que tive. Eu peguei esse abito depois que comecei a esquecer do que acontecia em algum deles.
Agora de pé eu já me arrumo para ir para a escola assim como todos os dias. Visto meu uniforme, pego minhas coisas, tranco a casa e vou.
Agora percebo que não me apresentei. Bem eu me chamo Caroline ____ completei meus 15 anos e estou no primeiro ano do ensino médio e não sou nada mais do que uma garota ordinária. Minha mãe trabalha como gerente de uma loja de departamento no centro de _____ e um dos bônus do emprego dela é uma bolsa de estudo para bullholt academy, uma das melhores escolas da cidade. Sobre meu pai... Eu não quero falar muito sobre ele. Mas, por causa dele minha mãe tem que trabalhar até mais tarde e sempre fica fazendo hora extra e nunca tem tempo para nada.
Como em todos os dia depois de me arrumar eu pego minhas coisas tranco a casa e vou para escola a pé. Minha mãe achou que seria uma boa ideia morar perto da escola já que assim a gente economizaria com passagem de ônibus e gasolina. É meio longe da minha casa mas, uma caminhada matinal é bem vinda.
No caminho pra escola eu acabo passando por frente a um outdoor que exibe uma propaganda política vinte e quatro horas por dia. É sobre o governo ajudando a população com a purificação do mundo e como isso ajuda a ter um mundo melhor e que todos devem cooperar. Sendo sincera eu não me importo nem um Pouco com essa causa.
Chegando na escola eu sou reprendia pelo porteiro dizendo que ele não devia deixar eu entrar por estar atrasada e quando eu chego na sala é a mesma coisa só que com meu professor de português. Eu vou para minha carteira e me sento. Ele pega um giz e começa a escrever a matéria no quadro.
E como todos os dias minha amiga Andrea que senta ao meu lado me cumprimenta e faz a mesma pergunta.
—Então? Sonhou com oque essa noite?
—Nada de especial.
—Como não? Pelo tanto que você se atrasou hoje deve ter sido algo bem mais excitante?
—neh... Só foi uma dia da infância dela. Ela no meio daquele bosque brincando na árvore. E eu acho que ela gosta de piratas.
—Você gosta de piratas?
—Não muito, prefiro cavaleiros ou então sultões de terras árabes tipo o Aladin. Mas o que isso tem a ver?
—Bem eu tenho quase plena absoluta certeza que você é um reencarnação de um espírito zombeteiro que voltou para terminar assuntos pendentes!
—Você continua insistindo nisso?
—sim! esses sonhos não passam de memórias da sua vida passada.
—Ei vocês duas! Parem de conversar e terminem de copiar o que está escrito no quadro!- o professor ao ouvir a nossa conversa reprime nós duas.
Não se passaram nem dois minutos e a Andrea me cutucou com um lápis. Eu tentei ignora-la mas ela continuou tentando chamar minha atenção. No final eu cedo às provocações dela.
—Que foi?- respondo cochichando as provocação dela.
—Como eu gostaria de ser você.
—Já falei para você parar de dizer esse tipo de coisa.
—Eu vou ver se arrumo um tabuleiro de ouija* e amanhã a gente se esconde na escola e espera para anoitecer e...
—Não. Eu não vou e não sou uma reencarnação. E deve ter uma explicação lógica pra o que está acontecendo. E o tabuleiro é uma farsa.
Bem essa é minha amiga _____ ela deve ser espírita ou algo do tipo. A gente se conhece desde o início do ano Então nunca discutimos sobre religião ou coisas desse tipo. Mas voltando a essa conversa bem estranha, desde que eu comentei com ela sobre meus constantes sonhos sobre essa mulher ela se demonstrou extremamente interessada no assunto e tenta sempre plantar em mim essa ideia maluca de que eu não verdade não sou eu e que eu reencarnei e outras baboseiras. Eu realmente sou uma pessoa bem cética em relação a tudo.
Ela é uma boa pessoa só que semana passada ela tentou me levar a uma oráculo sem que eu soubesse. Outro dia ela trouxe uma bola de cristal e tentou conversar com a minha “eu do passado “. Sem contar as vezes ela tacou sal e água benta em mim.
—Você é uma é uma estraga prazeres.- diz ela inconformada com minha resposta LÓGICA.
—Eu só não quero que mais boatos estranhos sobre mim se espalhem. Esses dias ouvi alguém me chamar de “a garota dos espíritos”.
—Serio? Como isso acabou acontecendo?
—Não sei, só sei que provavelmente a culpa é sua!
—Carol! Gostaria de compartilhar o interessante assunto que você e sua amiga tanto discutem.- o professor agora bravo veio até minha carteira reclamar.
—Claro senhor é sobre um livro que eu estou lendo que é sobre uma garotas que...
—Basta apenas pare de conversar e preste atenção na aula!
Sorte a minha que essa é a aula de português e que eu tenha um bom álibi que é gostar de ler então a desculpa funcionou mas, por que ele só reclamou comigo? Pelo menos a Andrea parou de falar.
Depois de mais alguns horários chegou a hora do intervalo. Eu fui até meu armário e peguei meu almoço. No refeitório eu me sentei junto com outra amiga minha a Luana. Nós comemos enquanto falávamos de assuntos aleatórios até que começou uma briga entre dois garotos do terceiro ano. No momento eu achei muita imbecilidade da parte deles. Tipo por que os homens tem que resolver as coisas no soco. Só que depois eu descobri que eles começaram a brigar por que um falou alguma coisa bem ofensiva sobre a irmã do outro e ele sem pensar duas vezes caiu pra cima. Eu sou filha única então eu me pergunto como seria ser uma irmã mais velha ou a mais nova.
—O que você acha deles?- luana me pergunta.
—Dois imbecis.
—Eu até concordo sobre você dizer isso sobre o Clark mas, e sobre o Erick?
—Outro imbecil.
—Eu não acho isso e ele até que é bonitinho sem contar que é tão romântico ver ele defendendo a irmã dele! ~suspiro~.
—Estranho... Sinto que já li isso em um livro.- De repente eu começo a sentir uma forte dor de cabeça.
—Que foi? Você tá bem?
—Tô é que o que você falou foi tão idiota que até meu corpo concordou.
—To falando sério quer que eu te leve pra enfermaria?
—Não, eu estou bem tanto que a minha cabeça tá até parando de doer.
—Eu já te falei pra ir no médico todo dia você chega aqui com uma dorada diferente.
O que ela falou meio que está certo. Constantemente eu sinto dores em tudo que e parte do corpo, sempre estou com febre ou sentindo calafrios. Bem eu espero que não seja nada demais por que ir fazer uma consulta vai me custar caro.
Depois do almoço eu vou para a minha próxima aula mas, antes eu passo no meu armário para pegar minhas coisas. Eu ainda acho que é muito azar ter o armário no primeiro piso sendo que a maioria das aulas são no segundo andar. Mas, quando eu abro o armário sinto um forte cheiro de enxofre. Alguém jogou um ovo podre pela abertura do armário. E eu já sei exatamente quem foi.
Quando eu entro na sala eu vejo ela: Débora ou como eu prefiro chama-la de Bitch (Pelo menos na minha mente). Ela é o tipo de pessoa que gosta de ver o sofrimento dos outros, tem um grande complexo de superioridade mas, ainda sim não consigo sentir nada de especial vindo dela. O pai dela é algum ricaço e ela uma esbanja o dinheiro dele. Só é uma pena que não dá pra comprar um cérebro.
Eu olho pra ela e ela vagorosamente sorrir. Infelizmente eu não posso fazer nada contra isso já que o “papai” vai fazer todo mundo passar pano. Essa garota já aprontou todo tipo de crueldade comigo. Teve uma vez que ela trancou meu armário com um cadeado diferente e quando eu tentei reclamar com o diretor pelo o que ela fez, ela acabou de vitimizando e eu acabei como a culpada da história. Teve outra vez que ela colocou um balão de tinta dentro da minha mochila e a história teve o mesmo desfecho. Eu ainda vou me vingar e vai por todas as coisas que ela me fez, eu só não sei como.
Depois que a aula acabou eu fui diretamente para casa. Minhas amigas até me chamaram para sair mas, eu tive que recusar por que comecei a me sentir estranha novamente. E eu também tinha que resolver algumas coisas em casa.
Enquanto eu voltava para casa um comboios da U.I.P (unidade internacional de purificação) passaram por mim com as sirenes ligadas e pararam poucas quadras além de onde eu estava. Rapidamente e de forma ordenada vários soldados armados com fuzis de assalto e com coletes que mais parecem armaduras saíram dos caminhões e invadiram a casa. Eu fui pro outro lado da rua e os observei de longe. Se passou menos de um minuto e o real movimento começou deu pra ouvir barulho de tiros e gritos lá de dentro. Eu assustada cubro a cabeça e me escondo atrás de algumas latas de lixo. Eu deveria ir embora mas achei mais seguro ficar quieta e observar. Com menos de cinco minutos de operação eles saem lá de dentro com um jovem algemado. Ele estava sem camisa e seu rosto estava coberto de sangue e seus cabelos tinham várias mechas verdes. Provavelmente ele tentou resistir a captura e tomou uma surra.
Eles o jogam para dentro do caminhão e se preparam para ir embora só que aí dois dos agentes percebem minha presença e apontam as armas para mim. Eu sinto um frio subir a espinha e meu corpo para de responder por conta própria.
Um deles grita “saía daí com as mãos para o alto ” e eu Lentamente levanto as mãos e saio do meu esconderijo. Meus lábios estão trêmulos e meu rosto está pálido como um fantasma.
De repente um homem apareceu atrás deles. Ele com certeza e mais um dos agentes só que ele é bem diferente ele não está de capacete e também não carrega um fuzil mas, em sua cintura um revólver gigantesco e uma faca desproporcional. Seu colete também é diferente ele tem menos partes.
Ele dá dois toques no ombro de ambos e eles abaixam as armas. Logo depois ele olha para mim com um olhar de... Desprezo? Eu não sei explicar direito não e como se ele estivesse com raiva mas, definitivamente ele não queria eu ali. Nisso ele acena com a cabeça como um sinal de “Saia daqui agora antes que eu mesmo de dê um tiro”.
Eu sem pensar duas vezes saio correndo de volta para casa. E quando eu chego e abro a porta a primeira coisa que eu faço é cair no chão. Eu não sei se foi pelo susto, dor no corpo ou pela minha falta de sono mas eu acho que desmaiei por alguns minutos. Só que quando eu me levanto são três da tarde? Eu fiquei inconscientemente por mais de duas horas?
Pelo menos a dor no corpo passou. No final eu só precisava de um descanso se bem que eu poderia ter escolhido um lugar mais confortável para dormir.
De qualquer forma eu tenho muita coisa para fazer, eu tenho que arrumar a casa antes que minha mãe chegue, tenho dois trabalhos da escola para fazer e um deles é para amanhã. E para piorar é um trabalho de física a pior matéria possível. E sem muitas opções eu começo a lidar com minhas obrigações a minha casa não é muito grande mais pelo fato de eu ter deixado uma ou duas tarefas acumularem a limpeza acabou demorando um pouco mais do que deveria
Quando eu termino de limpar e lavar tudo já passou das seis e já está anoitecendo. Minha mãe vai chegar logo e eu ainda tenho os trabalhos de escola para resolver.
Eu subo para meu quarto e começo a estudar. O que é uma tortura, não é atoa que antigamente a lição de casa era um método de punição. O trabalho de física e sobre o carbono e suas ligações orgânicas o que eu julgo como a pior matéria dessa matéria. Por que eu sou obrigada a estudar sobre algo tão complicado?
Bem eu fico fazendo esse trabalho até umas dez da noite até que eu escuto a porta abrir. Eu desço as escadas correndo e lá está ela: minha mãe.
Eu dou um abraço nela e me devolve com um beijo em minha testa.
—Oi filha como foi o dia?
—Foi um dia como qualquer outro.- não é como se eu conseguisse contar que eu presenciei um cara ser preso e quase tomei um tiro. Minha mãe já tem problemas demais e a última coisa que eu quero é que ela fique preocupada comigo. Então é melhor manter isso em segredo por um tempo.
Ela sempre traz com ela comida do restaurante que trabalha e juntas a gente come enquanto falamos de assuntos aleatórios ou coisas bobas que acontecem no trabalho dela. Depois da janta ela foi tomar um banho para dormir e eu fui para meu quarto terminar minhas atividades.
Eu acho que fiquei estudando até uma da manhã e depois disso eu fui dormir. Bem esse é meu dia-a-dia; dia-a-dia de uma simples garota ordinária.
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