Watashi wa neko ni natte nani o suru ka wakarimase
1 Meu nome é João
Notas iniciais
Oi, meu nome é João
”Ah vá, nem tinha percebido pelo título.” É o que você tinha pensado né? Mas o que eu posso fazer? É costume se apresentar quando se conta uma história, além disso você está atrapalhando meu raciocínio. Então para de pensar merda e me deixa continuar minha história.
Bom, vamos lá. Oi, meu nome é João, João da silva. Tem como um nome ser mais comum que João da silva? Pra variar, sou, adivinha, brasileiro! Moro em São Paulo capital, a maior cidade desse nosso Brasil. A minha vida... bom, já dá pra imaginar, uma pessoa com o nome mais comum do Brasil não poderia ter uma vida nada mais que comum né? Trabalho numa repartição pública. Todo dia, saio de casa as seis da manhã, pego dois busões e chego no trabalho e, os meus colegas... Bom, pra entende-los é preciso explicar quem é o meu chefe primeiro. Wesley Medeiros, olha aí! Isso é que é nome! Nome de chefe! E um ótimo chefe por sinal! Até porque, se ele pelo menos pensar que tô falando mal dele, bye bye emprego. Ele tem lá seus sessenta e cinco anos, é alegre, camarada, mas tem um pequeno defeito. Ele é meio... Hum digamos... tarado. E tem um fraco por mulheres bonitas. Não que seja errado um homem ter fraco por mulheres bonitas, mas em algum lugar da cabeça torta dele, ele acha que vai conseguir pegar as mulheres que contrata. Então passa praticamente o dia cantando suas funcionárias. Ah e ele contrata somente mulheres.
E quanto aos meus colegas, quer dizer, minhas colegas... Isso mesmo são todas mulheres. Quer dizer, quase todas, eu e meu amigo Bruno somos uns dos poucos funcionários homens da repartição. Mas como dois marmanjos foram parar numa repartição onde noventa por cento do corpo de funcionários é feminino? Eu respondo, acontece que já estávamos aqui quando ele foi transferido pra cá. Naquela época éramos um corpo de funcionários normal, tinha homens, mulheres, alguns feios e outros bonitos. Com o tempo ele foi demitindo cada funcionário homem que tinha a cada pequeno vacilo que cometia e deu um jeito de transferir as funcionárias gordas, de mais idade e mais feinhas pra outras repartições, ele podia ser um velho tarado, mas não era um monstro. Só sobramos, eu o Bruno e o Maeda da contabilidade, mas nosso querido chefe só tá esperando que façamos besteira pra nos dar um passa-fora resumindo, estamos com a corda no pescoço o tempo todo.
“Do que esse cara tá reclamando? Tá trabalhando no meio de um monte de gostosa e ainda tá achando ruim?” Vocês devem estar pensando. Não que elas sejam daquelas gostosas desmioladas. Nosso chefe pode ser um tarado mas ainda é um bom chefe. Não contrataria qualquer uma sem qualificações só porque é bonita. Acontece que conviver com mulheres é bem menos glamoroso que vocês pensam. Por exemplo, um dia deu uma daquelas vontades loucas de ir pro banheiro do nada, depois que se toma uma garrafa de refrigerante, e lá ia eu todo apressado para fazer o número um, puxei a porta, a qual estava destrancada, e quase urinei em cima da Michele que tava sentada no vaso fazendo o número dois e ainda fez o maior escândalo.
—Que é isso João!? Sabe bater não!?
Perguntou ela, furiosa
—Mas a porta tava destrancada!
Respondi
—Eu esqueci de trancar oras! Mas você deveria ter batido pra ter certeza que não tinha ninguém! E o que você ainda está fazendo aqui e com essa rola fedorenta pra fora da calça!
Disse ela
—Pelo menos não é tão fedorenta quanto esse cú seu.
Sussurrei.
Parecia que tinha um bicho morto lá dentro.
—Que é que foi?
Perguntou
—Nada não, tô saindo!
Disse
Coloquei meus órgãos genitais pra dentro da calça e saí.
—Mais uma que risquei da minha lista.
Pensei.
Aposto que vocês tão rindo né? Queria ver se fosse com vocês. O Bruno, aquele sacana, também riu quando contei.
—E o pior é que eu ainda tive que esperar na porta.
Disse, enquanto conversava com ele durante o intervalo do café.
—Por que João?
Perguntou o bruno enquanto gargalhava.
—Por que eu ainda tava apertado cara!
Respondi. E o filha da puta do Bruno continuava rindo igual um maluco.
—Cara, elas peidam, arrotam, falam palavrão...
Continuei
—E como falam!
Me interrompeu o Bruno.
—Isso já é preconceito Bruno.
Rebati
—Não é preconceito João, Já foi comprovado cientificamente que as mulheres falam oito vezes mais que os homens cara!
Me explicou ele.
—E o pior são as conversas cara, não sei quantas vezes já tive que ouvir a descrição completa de como tinha sido a noite de uma delas, e com riqueza de detalhes, principalmente as pirocas, tamanho, cor, formato, curvatura, se tinha ou se não tinha veia, se o cara era circuncidado ou não, se gozou dentro se gozou fora, até o que o cara fez depois! Se dormiu se deu mais uma...
Continuou
—Para Bruno! Eu vou vomitar aqui!
Interrompi.
Como vocês puderam ver, resumindo, as mulheres podem ser tão porcas e escrotas como nós. Por isso, a minha atração sexual pelas minhas colegas de trabalho era praticamente zero exceto por uma pessoa:
—Oi João.
Disse Fernanda, quando passou por nós. Ela era linda, cabelos castanho-claros encaracolados, brilhosos e sedosos. Um par de seios médios perfeitamente delineados, com um decote levemente aberto que deixava transparecer uma lingerie de renda, rosa, por baixo de um terninho preto que ela usava com uma minissaia preta, não muito curta, mas que valorizava seu bumbum, de dar inveja as cariocas e, umas pernas que eram uma loucura! Além disso usava um óculos de armação redonda e dourada que combinava perfeitamente com seu rosto, nem muito comprido nem muito oval, no qual repousavam lábios que ela passava um batom vermelho sangue, que só realçava mais seu sorriso, e que sorriso! Tinha sido contratada a uma semana e era uma das poucas mulheres naquela repartição que me tratavam bem.
—Que vista hein!
Disse o Bruno
—Cara, você devia chamar ela pra sair!
Continuou.
—Ah Bruno, não sei.
Rebati
—João, aproveita que ela é nova aqui, não fez nada que te deixou sem tesão por ela, e ainda por cima ela te dá bola!
Disse ele
—Se você não for chamar, beleza! Eu chamo!
Continuou.
—Ok, Bruno! Eu chamo! Não precisa pressionar cara!
Respondi
—Aproveita que ela parou ali na cantina pra tomar um café e vai lá.
O pior é que sou tímido demais, sendo pressionado pelo Bruno, piora toda a situação. Mas não podia deixar essa chance passar, ainda mais com o Bruno querendo chegar também. Caminhei em direção a ela com o cú tão trancado que não passa nem uma agulha, juntei toda coragem do mundo pra fazer sair alguma coisa da minha boca, mas não saiu nada.
—Cara odeio ser tímido!
Pensei
Cheguei na cantina, peguei uma xícara de café e comecei a tomar.
—Oi João.
Repetiu ela, com aquela voz maravilhosa.
—Oi... Fernanda!
Respondi soltando um sorriso.
—Eu te cumprimentei quando você estava conversando com seu amigo, mas acho que você não ouviu.
Continuou ela.
—É, eu sou meio distraído mesmo!
Respondi com uma risada envergonhada seguido por um silencio meio constrangedor.
—Então! Nova no trabalho né, o que tá achando?
Disse.
—O que ela tá achando... Não é o primeiro dia dela aqui jumento, por que você fez essa pergunta? Devia ter perguntado isso no primeiro dia dela, não uma semana depois. Seu burro, idiota, estúpido!
Pensei
—Tá legal, tô gostando.
Respondeu ela.
—Você tá aqui a uma semana, o certo era perguntar isso no primeiro dia. Mas nós não tivemos chance de conversar ainda. Foi por isso que eu... perguntei.
Disse em meio a risadas envergonhadas.
—Cara, foi um erro muito grande ter vindo aqui. Como eu vou olhar pra ela de agora em diante? Eu não devia ter cedido a pressão daquele filha da puta do Bruno!
Pensei.
—Ah não! Tá ok! Na verdade ninguém veio conversar comigo ainda. Você é o primeiro. Acho que as meninas não gostam de mim.
Disse ela.
—Ah, sobre isso fica tranquila. Eu tô aqui a mais tempo e sei, elas fazem isso com todas as novatas, gostam de te estudar e te observar primeiro pra depois tentar contato. Fica tranquila elas virão.
Disse eu já mais relaxado. Apesar dos pesares a conversa tava fluindo!
—Você acha?
Perguntou ela com um sorriso no rosto.
—Claro! Até por que, esse sorriso cativa todo mundo!
Elogiei.
—Ah, que gentil. Obrigada.
Disse ela.
—Seu namorado deve achar ele muito bonito também né?
Perguntei, lançando aquela leve indireta.
—Mas eu não tenho namorado.
Respondeu dando leves risadinhas
—Então... eu tava aqui pensando... tipo... depois do expediente... será que você vai fazer alguma coisa? Porque... se não tiver compromisso... Eu tava pensando em te chamar... pra tomar umas brejas quem sabe...
Arrisquei, agora é tudo ou nada.
—É... hoje não dá. Eu tenho um compromisso...
—É claro que ela tem um compromisso, ela é solteira. Deve ter marcado de sair com alguém, só por que ela não tá namorando não significa que ela queira sair comigo. O fora dela foi até gentil. Pode deixar, entendi o recado vou me afastar lentamente e fingir que isso nunca aconteceu.
Pensei
—Pode ser amanhã?
Perguntou ela enquanto eu já iniciava a minha discreta saída pela direita.
—O que?
Perguntei.
—Pode ser amanhã? Pra gente sair. É porque hoje é realmente ruim pra mim, não dá mesmo, mas amanhã... Se você quiser... agente pode sair pra... tomar umas brejas.
Disse ela sorrindo envergonhada
—Cl-claro! Amanhã então! Depois do expediente a gente sai!
Disse, já animado com a notícia.
—Então... Até amanhã!
Disse ela também animada.
—Eh... o intervalo acabou eu tenho que trabalhar ali agora. Mas, estou ansioso por amanhã!
Disse, sorrindo, enquanto me afastava.
—Até amanhã!
Disse ela sorrindo também.
—Ah moleque! Vou sair amanhã!
Pensei.
Quando estava voltando para a minha mesa o bruno estava lá:
—E aí João? Como foi o fora?
Perguntou ele.
—Não teve fora.
Disse sorrindo.
—Pera ela topou?
Perguntou.
—Sim!
Disse sorrindo mais ainda.
—Não acredito! Me conta essa história direito.
Disse ele cético.
—Eu fui lá, bati um papo, chamei ela pra tomar umas brejas depois do trabalho e ela topou.
Disse.
—Então vocês vão sair depois do expediente hoje?
Perguntou.
—Não, hoje não. Amanhã.
De repente o Bruno começou a rir loucamente como se não houvesse amanhã. Ele gargalhava tão alto que estava começando a chamar a atenção da repartição.
—Por que você tá rindo!? Menos cara!
Implorei.
—Ai ai, desculpa João, é que eu não aguentei a sua felicidade em ser dispensado.
Disse ele.
—Como assim dispensado cara, ela topou! Só não pode hoje.
Argumentei.
—João, você foi gentilmente dispensado! Sabe quando você não quer fazer alguma coisa com alguém e você diz que naquele dia não dá?
Perguntou ele.
—Sei
Respondi
—Pois é, foi isso que ela fez com você.
Disse ele.
—Não, Bruno. Ela deu certeza cara. Disse que não podia ir hoje mas amanhã a gente vai sair. Será que ela me dispensou?
Perguntei.
—Olha, só tem uma forma de você saber com certeza. Amanhã você vai procurar ela e vai perguntar se o encontro depois do expediente ainda está de pé. Se ela disser que está de pé, então realmente ela tinha um compromisso, ou reconsiderou seu pedido e decidiu sair com você. Caso ela arrume outra desculpa pra não sair amanhã, então você foi dispensado meu caro.
Explicou ele
—Ok, amanhã é do dia então. Você vai ver ela não vai dar desculpa!
Disse pra ele.
—Tomara.
Sussurrei pra mim mesmo
No dia seguinte, o dia estava completamente corrido. Tinha muitos afazeres, não consegui tempo pra ir falar com ela. Então, esperei o intervalo do café. Chegada a hora do intervalo, como não via a Fernanda, procurei o Bruno pra ver se ele sabia aonde ela estaria:
—Bruno, você sabe onde a Fernanda tá?
Perguntei
—Sei lá cara, acho que foi no banheiro!
Respondeu ele.
Enquanto eu continuava a procurar pela Fernanda, uns detetives chegaram e foram direto pra sala do meu chefe.
—O que a polícia tá fazendo aqui? Será que eles vieram prender o chefe?
Pensei
Isso realmente chamou a atenção de todos no escritório, nesse momento avistei a Fernanda vindo na direção da cantina. Ao avaliar o ângulo da trajetória dela pude constatar que ela realmente estava no banheiro.
—Tomara que ela tenha lavado as mãos.
Pensei
Quando ela chegou perto de mim tratei logo de perguntar, aquela dúvida estava me matando, não tinha conseguido nem dormir direito pensando que talvez ela tivesse mesmo me dispensado:
—Não vou enrolar dessa vez, se ela realmente me dispensou é melhor eu saber disso logo, é melhor arrancar o curativo de uma vez só!
Pensei
—Então Fernanda, animada pra hoje?
Perguntei.
—Sim, animadíssima!
Respondeu ela e continuou:
—já sabe onde vamos?
Perguntou.
—Cara! Ah, eu sabia! Sabia que ela não tinha me dispensado! Tô louco pra jogar isso na cara do Bruno. Aquele filha da puta vai ver, aposto que tava me colocando deprê só pra convidar ela pra sair. Que belo amigo eu fui arrumar viu.
Pensei
—Tem um barzinho aqui na esquina muito legal...
Disse pra ela, enquanto a puxava para próximo de uma mesa mais próxima a cantina pra que ninguém nos incomodasse e continuei conversando:
—Esse lugar é muito bacana, tem música ao vivo, o serviço é ótimo eu adoro ir lá...
Mas parecia que ela não tava prestando atenção nenhuma em mim, só ficava com o rosto virado pra sala do nosso chefe:
—O que está acontecendo ali?
Perguntou ela.
—Não sei, uns caras da polícia chegaram aqui e estão conversando com o chefe.
Respondi.
—Polícia?
Perguntou ela assustada.
—É, acho que o chefe deve estar metido em alguma mutreta por aí. Daqui a pouco a gente vai ter chefe novo!
Brinquei, mas ela não compartilhou do meu humor.
— Acho que a piada não foi boa
Pensei
A expressão dela era de apreensão, parecia nervosa.
—Aconteceu alguma coisa?
Perguntei.
—Nada...
Disse ela quando olhou pra mim.
Nesse momento a porta da sala do meu chefe se abriu, os policiais saíram, junto com ele que apontava na minha direção.
—O que será que esses caras querem comigo? Será que eles vão me prender? Mas eu não fiz nada de errado. Pelo menos não tinha ninguém perto pra testemunhar, ou será que tinha?
Pensei, já com o cú completamente trancado novamente.
Antes que eu pudesse reagir, a Fernanda me segurou pelo pescoço, pegou um estilete que estava sobre a mesa, encostou na minha jugular e começou a gritar:
—Vocês fiquem quietos aí. Mais um passo e eu corto ele! Eu juro que eu corto esse filha da puta!
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