Watashi Wa Anata O Aishite Wa Naranai
1 Inusitado
私はあなたを愛してはならない
Watashi wa anata o aishite wa naranai
(Eu não deveria te amar)
1- Inusitado
Haviam se passado séculos e séculos. Os tempos de alguns selos divinos estavam no fim da vida útil. O Santuário estava em polvorosa, não tinha completo a roda zodiacal dourada, os sagrados cavaleiros de ouro.
Pra piorar, Atena ainda não surgira aos pés da sua Estátua, o que sugeriria que havia reencarnado fora do Santuário por algum motivo.
Mas indiferente ao que ocorria naquele mundo secreto, mas não muito longe dali, na França. As terríveis provas de final de bimestre haviam chegado e Afonso tentava estudar tranquilamente na biblioteca, mas suas fãs se amontoavam atrás dele, querendo acompanhar sua leitura.
-Afonso, Afonso! Me explica a matéria de matemática?
-Afonso, estou com dúvida em gramática...
-Afonso, qual é a regra para nomear um composto orgânico?
Afonso era gentil demais para simplesmente rebater, mas queria mandar todas elas "p'raquele lugar". Do outro lado da enorme mesa da biblioteca, ele era observado pela única garota que não o tratava daquela forma, apesar de sentir que ela gostava muito dele, sua amiga de infância. Frida era quieta perto dos outros, e também tentava estudar, mas a barulheira era tamanha que nem a bibliotecária não estava conseguindo controlar a confusão.
Não era para menos, Afonso era inteligente, ótimo nos esportes e era muito bonito. Uma preciosa jóia da escola. Todos acreditavam que ele tomaria o rumo das artes políticas, alguns na engenharia, pois era o melhor xadrezista e seus projetos em desenho geométrico era bastante avançado.
Mas ele permanecia humilde e gentil, parecendo não querer pretenção alguma ou louros.
-Eis, vocês! — resmungou Frida. — Está atrapalhando os estudos do Afonso. Por que não vão pro canto de vocês?
-Ah, cala a boca, recalcada. Todos sabem que você só tá esperando ele pegar você.
-É, isso aí.
Frida fechou o grosso livro que lia com rispidez, o que gelou a alma das meninas. Afonso apenas sorriu disfarçadamente, já sabendo que era o suficiente para espantar as meninas incômodas.
Dito e feito, as garotas sairam de fininho. Frida abriu de novo o livro e voltou a lê-lo, sossegada.
-Invejo essa capacidade de ser malvada que você tem, Frida. — disse o rapaz, parecendo aliviado.
-Por isso sou a malvada, Afonso. pra proteger você.
Ele riu e voltou-se para a enciclopédia, buscando mais informações sobre a matéria que estudava.
O o o | [♥] | o o O
-Grande Mestre, como me chamaste, cá estou!
O cavaleiro dourado de Capricórnio se ajoelhou aos pés do comandante do Santuário.
-Obrigado por vir, Sinbad...
-Nenhum de nós encontramos Atena. Se ela não nasceu aqui, deve ter nascido fora. Mas não há sinal algum de cosmo divino dela.
O Grande Mestre suspirou. Aquilo era péssimo. Não tinham todos os seus cavaleiros, Atena e os inimigos estavam para eclodir. O que ele poderia fazer.
-Quem falta chegar, Sinbad?
-Kalisto de Peixes está na França e Noah de Leão foi para o Zimbábue. Soube que apenas estão terminando alguns detalhes para não sair inacabado e já estão voltando. — respondeu Sinbad.
-Ótimo. Irei enviar apenas cavaleiros de prata e bronze. Temo que tudo ecloda na ausência de vocês onze. Avise meu pupilo que quero que Kalisto e Noah venham me dar seus relatórios.
-Sim, senhor...
Sinbad se ergueu, seguindo rumo a primeira casa para dar o recado.
O o o | [♥] | o o O
Afonso e Frida moravam no mesmo condomínio, então iam e voltavam juntos da escola. O mesmo caminho há muitos anos.
-Sinto que a prova será fácil! — disse Frida, se espriguiçando.
-Não devia ficar calma com provas. — comentou o rapaz, coçando a cabeça. — Eu preciso ser perfeito se quiser entrar naquela faculdade que minha família quer.
-Não devia se cobrar tanto.
Afonso sorriu e bagunçou o cabelo de Frida.
-Você já escolheu pra onde vai. Me seguir com suas notas é impossível, você sabe.
-Minhas notas são boas!
-Não para me seguir.
Frida escondeu o rosto, quando se tocou de algo há muito perdido na cabeça. Ela guardou para si, ainda que sua expressão era entristecida.
-Ei, eu venho ver você.
-Não é isso... — resmungou a garota.
-Está com cólica?
-Idiota!
Tudo parecia maravilhoso, quando uma explosão quase os atingiu. Quando a fumaça se dissipou, eles viram um homem trajando uma armadura negra e estranha.
-Viva! Eu irei me divertir bastante com esses dois franguinhos!
Afonso e Frida ficaram espantados com aquilo. Mas afinal, que diabos ocorria?
-Morram, morram! — dizia o estranho homem, cantarolando enquanto mandava estranhos golpes iluminados.
A explosão aconteceu, mas quando a poeira baixou, tudo o que o estranho homem de armadura viu foi Afonso emanando um enorme cosmo, que criou uma barreira invisível, enquanto Frida continuava caída, observando a cena espantada. Afonso sentia seu cabelo dançar ao vento e o corpo quente. Estava furioso por alguém vir atrapalhar suas brincadeiras e conversas com a menina. Mas logo não entendia como impediu o ataque daquela criatura a sua frente.
-Impossível! — resmungava incrédulo o homem misterioso. — Esse tipo de cosmo... É cosmo divino... Esse moleque é um deus?!
Afonso nada entendia do que aquele estranho dizia. Mas entendeu menos ainda quando de repente uma rosa perfurou o corpo daquele indivíduo.
-Como ousa a sair atacando qualquer um a torto e direito, vingador de Nêmesis? — disse uma voz ao longe. Parecia a de um rapaz em mudança de voz.
-Apareça, seu verme! — berrou o homem de negro.
Então surgiu do alto de um muro uma figura, que ao saltar para o asfalto, ficando em proteção aos adolescentes, se mostrava ser uma figura de aparência andrógena e bela, longos cabelos cacheados dourados que se confundiam com a armadura que trajava.
-Apenas morre com seu sangue sugado, vingador.
-Um... cavaleiro de ouro...?!
-Kalisto de Peixes, seu mensageiro da morte.
Dito e feito, a rosa branco ficou vermelha e o vingador caiu ao chão, morto.
"Esse cosmo... parece..."
O cavaleiro de ouro se virou para trás e viu o jovem rapaz e ficou espantado de ver que o cosmo vinha dele. Kalisto se ajoelhou perante o garoto, ainda incrédulo.
-Atena-sama... Você se disfarçou de um rapaz nesta era?
-Quê?
Afonso olhava aquele homem de armadura, totalmente confuso. Como assim, ele era encarnação de Atena?
-Você não deve se lembrar, mas acabou de despertar o cosmo. Sem dúvida, é o cosmo de Atena-sama...
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