Wasteland
1 Prólogo
PRÓLOGO
A cidade cheia de fumaça ficou para trás, e entre ele e seu destino encontrava-se o deserto. As areias tomaram o que era delas de direito desde o início de tudo, além de porções que jamais as pertenceram. As dunas se expandiram com o tempo. Novos grãos nasciam do nada, brotavam do mar de areia e corriam por ele em uma direção qualquer. E assim elas tomaram casas, quintais, ruas, avenidas. Ali houvera uma cidade, ocupada por pessoas, carros e animais. Eram poucas pessoas, poucos carros e consideravelmente muitos animais. Não foi uma metrópole, era menor que isso, mas também não se resumia à uma aglomeração urbana qualquer, era maior que isso. Ficava no meio termo, com uma densidade que aumentava consideravelmente durante o alto verão ou inverno. Situada em uma região privilegiada do planeta, jamais fora alvo de calor ou frio anormais, era, de certa forma, perfeita.
Isso foi antes, em um período de tempo agora indeterminável. Os calendários se desmancharam e os relógios pararam de girar. Os mecanismos enferrujados não eram trocados, os ponteiros quebrados não eram colados. Podia-se dizer, que naquele lugar, na maior parte do tempo, o tempo não existia.
Não regia mais nada, inexistia, não era bem vindo e nem fazia questão de voltar. Mas vez ou outra, ele ressurgia, e aqueles que dependiam dele pra sobreviver naquele novo mundo, tinham de se apressar. Foi por isso que ele deixou a cidade anterior e sua fumaça para trás, e pretendia fazer o mesmo com a cidade das dunas. Antes, no entanto, tinha uma missão à cumprir. Talvez não fosse exatamente essa a palavra, tal qual o conceito perfeito. Objetivo, quem sabe, podia descrever aquilo de forma mais justa e sem gerar grandes expectativas por ter um significado estimado demais.
Um motor rugia sobre aquelas areias, as quatro rodas envoltas em uma tração improvisada com correntes desenhavam no chão amarelado um rastro disforme. A poeira erguia-se numa altura maior que a do próprio veículo, mas não maior que o som único dom motor, que conseguia sobressair-se inclusive ao forte vento e todos os outros sons daquela natureza desértica.
Desceu um pequeno morro e desviou de uma vegetação nativa, um amontoado de galhos secos com algumas poucas folhas verde-acinzentadas brotando no chão em locais aleatórios naquela vasta imensidão arenosa. Repetiu o processo algumas vezes, sempre subindo um monte qualquer antes de descer e desviar de outra planta horrível. Vez ou outra era poupado dessa última parte.
Avistou lá longe, onde sua visão tinha grande dificuldade de chegar incomodada pelo forte Sol e insolação, uma grande construção. Tinha cerca de oito andares, talvez um pouco mais. Era retangular, pelo que podia-se ver até então, e alguém perderia um bom tempo tentando achar uma janela que não estivesse quebrada ou danificada de alguma forma.
Assim que chegasse mais perto, ele veria grandes letras avermelhadas, formando uma palavra intacta e perfeita, e outras de letras caídas e desaparecidas: “HOSPITAL” e mais alguma coisa que não se deu o trabalho de identificar.
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