Notas iniciais
Oi gente! Desculpem pela demora >.< Eu estava quase terminando o cap quando peguei castigo, aí fiquei sem cel e sem computador. Agora que consegui terminar, tive que fazer um trabalho de artes ao mesmo tempo (desculpa professora, mas eu não sei pintar igual ao Romero Britto!) Então cá estou eu e.e pelo menos deu para postar hoje... enfim, enjoy!

Capítulo 16

Josh Agron

Alheio à cena que se passava pelo local, eu só conseguia pensar na pequena caixinha laranja que encontramos. Então escutei um pequeno zumbido, depois senti o ar bater em meu rosto e virei bem a tempo de segurar a lança que vinha em minha direção.

O faxineiro/guerreiro era extremamente bruto, dotado de fortes músculos e uma carranca na cara feia. Eu não conseguiria definir onde era o nariz dele, se este não fosse tão grande e rude.

Aproveitando seus dois segundos de distração, levantei o joelho e dei um golpe em seu abdômen, o que doeu mais em mim do que nele. O faxineiro segurou minha perna e a torceu, o que fez meu corpo virar no ar.

Bem, não seria um problema se minha perna não estivesse presa.

Impulsionando meu corpo para frente, tentei de certa forma, andar no ar. O movimento fez minha perna soltar-se da mão do Brutamontes bastardo (parece nome de banda de rock brega), e ainda me fez cair de pé atrás dele.

Analisando seus movimentos, percebo que ele é forte, mas não rápido. Seu corpo é grande demais para as pernas sustentarem, e seus músculos só dão ainda mais peso.

Se não posso vencer pela força, posso pela inteligência.

Meu corpo desloca-se pelo chão quase como se deslizando, e nunca me senti mais rápido antes. Repito o movimento de deslocação lateral por várias vezes, esquivando-me de seus braços gigantes e seus cabelos grandes e ensebados que me açoitavam o rosto (eca!), até perceber que por ali já bastava. Com um sorriso travesso estampado no rosto, ergo meus pés do chão e agora sim, ando pelo ar.

É divertido, de certa forma. Ver o brutamontes pulando e desferindo socos lentos no ar faz a cena cômica, embora ainda perigosa. Voo várias vezes, alternando entre alto e baixo, brincando com os punhos do tamanho de minha bela cabeça. Então resolvo arriscar e subir cada vez mais, até meus cabelos espetados roçarem no teto.

— Quer me pegar, grandalhão, huh?! Então venha me pegar!

O homem pula várias vezes e tenta puxar meus pés, sem sucesso. Então perco o foco do ensebado faxineiro e observo a luta que se desenrola ao meu redor.

Mia ataca ferozmente o faxineiro número dois (este mais baixo e franzino, graças a Deus) enquanto Amélia joga Nemos de pelúcia e DVDs nele, e ao mesmo tempo protege a caixinha em sua mão esquerda.

John e o balconista foram para os fundos da loja, embora ainda dê para ouvir o ouro da espada chocando-se contra o aço dos facões. Olho para frente, me deparando com um pequeno botão vermelho com o escrito “Emergência” nele. O que...

Meu momento de distração foi interrompido por um forte puxão em meu pé. O brutamontes me segura de ponta cabeça, esbanjando um sorriso de dentes podres e amarelos. Na mão esquerda, a lança se prepara para cortar minha garganta.

Então acontece.

A água atinge o cabelo ensebado do homem, e cara, você não gostaria de saber a quantidade de sujeira que saiu de lá. Sério, vai por mim. Brutamontes número 1 urra e parte para cima de Amélia, sem deixar de me soltar. Minha cabeça balança e eu sinto vontade de vomitar pelo nariz, o que seria constrangedor até naquele momento. Amélia joga os objetos mais duros que vê pela frente no faxineiro, embora quase todos acertem em mim. Quando o capacete do General Banks – “Nós salvamos a pátria!” acerta minha barriga, o vômito jorra no Brutamontes.

A cena foi estranha, bizarra e ao mesmo tempo, engraçada. O Brutamontes grita “Que nojo! Que nojo!” enquanto escorrega no vômito e na água que escorria de seu cabelo. Meu corpo é jogado em cima das prateleiras, então acho o que quero: O botão, do meu lado.

Engatinho por sobre a estreita superfície branca e me aproximo da parede, tentando não cair. Tonto demais para voar.

Pressiono o botão assim que o Brutamontes número dois tem uma faca enfiada entre os olhos e Mia o xinga de nomes que fariam sua madrasta lavar sua boca com sabão puro. Uma fumaça verde e asfixiante sai dos dutos de ar, e nos deixa em estado de alerta.

Pulo da prateleira e caio nos braços de Mia, que incrivelmente, me transporta sem problemas para fora da lojinha. Amélia pega um Nemo de pelúcia e a caixa e corre para a estrada.

Cansados, suados e ofegantes, desabamos no acostamento e nos deixamos desmoronar.

— Tudo bem? – Mia pergunta.

— Tu...tudo. – é Amélia quem responde. Ela está curvada, as mãos apoiadas nos joelhos e a cabeça entre as pernas, o cabelo claro caindo em cortinas.

— Ei cara, como... – arregalo meus olhos ao ver a ausência de John – Ei, cadê o John?

Mia arregala os olhos e Amélia fica eufórica.

— Ele estava nos fundos da loja... lutando com o balconista... – Mia diz.

Respiro fundo e tomo coragem:

— Eu vou até lá.

– O que? Josh, não! – Amélia protestou, mas já era tarde demais.

Entrei no estabelecimento.

Meus olhos logo arderam, como se tivessem espremido pimenta neles. Instantaneamente, levei minha mão à boca e tentei expirar o mínimo de ar possível.

Tossindo, cambaleei pela loja cheia de fumaça verde, até chegar em uma porta que levava aos fundos. Abri-a, e então me deparei com a cena:

John estava no chão, caído e tossindo, o corpo tendo convulsões. Corri para socorre-lo, apoiando seu corpo no meu. Era pesado, devido à todos aqueles músculos (que tipo de cara de 13 anos tem músculos?).

Cambaleando, segurando John e ao mesmo tempo, tentando sobreviver, caminhei em direção à porta e girei a maçaneta. Antes de abri-la, porém, tive uma surpresa: A faca encravada em minha mão.

Um urro de dor saiu de minha boca. A dor era imensa. Esquivei o tronco bem na hora que outra faca era lançada na direção onde estava meu abdômen antes.

O balconista, sem tirar o trago da boca, ria alto.

Meu sangue ferveu. Arranquei a faca encravada na porta e lancei-a no balconista. Infelizmente, ela passou raspando por seu braço esquerdo, arrancando um pouquinho de sangue. Pelo menos serviu para tirar o sorriso ridículo de seu rosto.

O homem saiu correndo com toda a sua fúria em minha direção. Revidei, lançando lhe um chute em seu abdômen. Socos e chutes foram distribuídos por ambos os corpos, até que o safado acertou-me um nas costelas. Desabei no chão, o braço pêndulo pela faca.

Ele se ajoelhou em minha frente, o sorriso ainda no rosto.

– Você tem esperanças de se salvar, foguinho? – ele riu, então levantou-se e ficou de costas para mim, observando as armas armazenadas no local.

Olhei para o lado. John, ainda se contorcendo no chão, ao lado da faca que lancei no balconista.

– Você acha que pode me matar, para depois fugir com seus amiguinhos?

Se eu ao menos conseguisse pega-la...

– Deixe-me lhe contar algo... quando eu fui resignado pela Ordem dos Seguidores de Nakérion para matar vocês... digamos que eu ganhei alguns poderes em troca...

Uma rajada de gás voou até meu rosto.

– Legais, não? Você não pode controlar o ar neste lugar, foguinho. Ele me pertence!

Controlar o ar...

– Ah, e outra coisa! A irmã do seu amiguinho ali... foi bem generosa. Além disso... só eu posso me matar.

Agora!

Puxei a faca para mim quebrando a distância e o ar entre nós. Ainda suja de sangue, a joguei bem na hora em que o balconista virou-se para mim com o barulho.

A faca entrou em seu peito.

Ele caiu no chão, tossindo, e assim continuou por um tempo. Então não houve mais barulho. Tirei a faca encravada com um grito de dor, girei a maçaneta e fui arrastando John até fora da loja.

Caímos no asfalto, tossindo.

– John! – gritou Amélia.

Ela correu até o loiro e distribuiu tapinhas por seu rosto.

– Vamos, acorde! Acorde!

Mia observava tudo de longe, os olhos arregalados. Então virou o rosto para a cena e bebeu um gole de água.

John tossiu e abriu os olhos lentamente.

– Você está vivo! – Amélia deu um abraço de urso em John.

– Não por muito tempo... – ele brincou, esmagado.

Um pigarreio foi ouvido.

– Então... acho que precisamos seguir viagem, não? – disse Mia.

Amélia soltou-se do abraço com um sorriso que rasgava seu rosto, então virou-se para Mia:

– John ainda está muito fraco.

Espera aí! John está muito fraco? E o pobre Josh, ele está perfeitamente bem?!

– Então vamos...

– Com licença – interrompi Mia – sei que não sou muito adequado para opinar, mas... aquilo serve?

Apontei para um caminhão de cimento. A porta da caçamba estava aberta, revelando um compartimento vazio.

Chegamos perto do caminhão.

– Isso, vou pra Miami. – dizia o caminhoneiro – Só vou carregar o compartimento lá. Até.

Subimos no compartimento e nos escondemos na parte não-iluminada do local. O caminhoneiro fechou a porta.

E partimos para Miami.

Notas finais
Até o/