Warriors of Light - A Busca
18 Capítulo 17
Notas iniciais
Capítulo 17
Amélia White
A escuridão dominou o local. Por um momento, fiquei eufórica e claustrofóbica; não via a hora de sair daquele local abafado, escuro e quente até demais.
O clima devia estar arejado para John, que não demonstrou problemas em estar lá; Mia se manteve calma, inesperadamente, mas afinal, eu meio que a entendo; deve ser bem quente no subsolo. Já eu e Josh... bem, nós estamos acostumados com liberdade, Josh principalmente, então foi bem difícil aguentar aquele compartimento apertadinho.
Então fiquei assustada. E se não conseguíssemos respirar? E se morrêssemos sufocados em um caminhão de cimento? E se não concluíssemos a missão?
Logo, comentei que estava com falta de ar. Josh logo tirou uma bombinha de asma de sua mochila.
– Você tem asma? – arqueei uma sobrancelha.
– Não, Lindsay tem, na verdade. Eu só carrego na minha bolsa caso ela se esqueça de pegar. – ele deu de ombros – Qual o problema?
– Nenhum, — esclareci – É que é um pouco irônico, o domador do ar ter asma.
Ele resmungou alguma coisa inaudível, mas ouvi John dar uma risadinha e bater nas costas do amigo. Então, tentei começar a me acostumar de que não iríamos sair dali tão cedo, e sobreviver de bombinhas de asma.
Mas não foi de todo o mal. Logo depois de um tempo, tentei me distrair e tratei de esquecer a situação em que estávamos. No tédio e no silêncio, abri a boca sem pensar e logo comecei:
– Traigo conmigo son del caribe de la tierra del sol
moviendo la cintura y ahora vamos a bailar
Baila la fiesta, es una fiesta pa´ gozar
Baila mi ritmo, y no se dejen de mover
Mia olhou para mim, talvez confusa, talvez surpresa, quem sabe? Então, para minha consideração, ela cantou:
– Baila la fiesta, es una fiesta pa´bailar
Baila mi ritmo y no te dejes de mover
Un baile caliente que te pone a sudar,
un baile... hey hey
Abri um sorriso ao ver que ela se lembrava da música que dançamos naquele dia. Ela deu um sorriso de canto, então voltou a vasculhar sua mochila.
Horas se passaram. Brincamos de adoleta, telefone-sem-fio e de “John roubou pão do João”. Depois de um tempo, Josh franziu o cenho. Ele levantou e foi até a porta do compartimento, onde encostou o ouvido. Ficamos alguns minutos em silêncio, esperando alguma resposta, então começou: O caminhão começou a tremer, e estávamos provavelmente, passando por buracos. Chacoalhamos nossos corpos junto com o compartimento; caí em cima de Mia, que caiu sobre John. Josh, o mais esperto, segurou numa haste de metal na porta.
Então, o caminhão parou. Levantei-me e me escorei numa parede, ofegante. Nenhum som foi produzido. Então os barulhos recomeçaram e um ruído foi ouvido.
A porta se abriu.
***
O homem nos encarou, surpreso. A claridade cegou meus olhos, e caí para trás, de pernas ao ar. O homem gritou conosco, e só senti meu braço ser puxado para frente, onde corri para encontrar a saída.
Senti meus pés baterem no chão de concreto e vi um breve vislumbre do posto de gasolina assim que abri os olhos. Corremos por ruas e ruas sem fim, o homem nos perseguindo. Fiquei preocupada. E se o homem nos capturasse, fôssemos para a delegacia e não concluíssemos a missão? Eu definitivamente não queria ser presa com 13 anos de idade. John dobrou uma esquina e todos nós o seguimos.
Me vi de frente a um muro baixo finalizando a ruazinha sem saída. Apoiados no muro, haviam alguns caixotes de madeira. Josh subiu-os com facilidade e pulou o muro com uma agilidade impressionante. Depois foi a vez de Mia, também ágil, mas não tanto quanto Josh. Já no último caixote, ela abaixou-se e olhou para baixo, nos esperando.
Ou vigiando.
Esperei John subir, mas ele fez algo que me surpreendeu: Estendeu a mão para me ajudar a subir nos caixotes, como um verdadeiro cavalheiro.
Senti meu coração bater mais rápido e minhas bochechas corarem. Balbuciei palavras como “obrigada” e “grata” enquanto o encarava. Eu nunca havia percebido assim, de parar e olhar, mas John era realmente bonito. Tinha um queixo marcado, nariz perfeito, pele lisinha e levemente bronzeada, cabelos loiros encantadores e olhos... ah, os olhos! Tão azuis quanto o céu, encantadores até demais, e pareciam me atrair para as profundezas de sua alma.
Abri um sorriso bobo e enrolei uma mecha de cabelo com o dedo. Ele franziu o cenho, confuso, mas parecia achar divertido. Então ouvi um barulho. Apavorada, virei-me para olhar, mas constei que era apenas uma pedra jogada por Mia.
Ela, quase pulando o muro, parecia aborrecida. Uma de suas mãos estava cerrada, e seu olhar em mim era fulminante.
– Venham logo! – exclamou, então pulou o muro.
Subi os caixotes com pressa, seguida por John. Sentei no alto do muro, de onde eu deveria pular. Me assustei: ele parecia ser bem menor.
Ao ver a expressão amedrontada em meu rosto, Mia deu um sorriso sarcástico e saiu correndo, mas não sem antes gritar:
– Quebre a perna!
Tive certeza de que era no sentido literal.
– Vamos! – John gritou.
Fechei os olhos, inspirei fundo e, num ato repentino de coragem, me lancei do muro.
Caí de pé, então cambaleei para frente, tentando recuperar o equilíbrio, para assim cair de cara no chão. Ouvi o barulho dos caixotes se rompendo e fiquei preocupada, mas logo percebi que ele já tinha pulado o muro. Ele me ajudou a levantar, então prosseguimos a corrida.
Já na avenida, encontramos com Josh e Mia, rodando sua faca nas mãos. Ao nos ver, ela deu mais um sorriso sarcástico.
– Acho que despistamos ele. – disse John, ignorando Mia.
– Ótimo, vamos! – chamou Josh.
– Vamos para onde? – perguntei, confusa.
– Procurar os Alves Pestejantes – ele esclareceu – Estamos em Miami, afinal.
E dito isto, os garotos saíram andando. Fiquei para trás com Mia, que antes de correr atrás deles, apenas disse:
– Tem alguma coisa na sua cara.
Levei minha mão ao rosto, onde descobri que ele estava ralado e sujo de fuligem.
Então, os segui pelas ruas de Miami.
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