Warriors of Light - A Busca
8 Capítulo 7
Capítulo 7
Mia Jones
Passei a manhã toda na Biblioteca. Não sou do tipo “nerd”, mas era preciso várias pesquisas, ou não concluiríamos a missão. Era o vigésimo sexto livro da segunda estante que eu lia. Era sobre a guerra os imperadores. Já estava na última página. Nada.
Fechei o livro, e peguei outro. Quando fui abri-lo, John entrou pela porta da biblioteca.
– Mia. – disse ele – Precisamos de você.
– Estou ocupada. – murmurei, dando uma lida rápida na primeira página.
– É importante.
– Mais do que isto? – mostrei o livro à ele.
Voltei a ler.
– São os treinos de Amélia.
Ergui os olhos.
– Tudo bem, já entendi o recado.
Enfiei o livro dentro da minha bolsa do Green Day e saímos da biblioteca. Andamos por longos minutos, até chegarmos à Arena. Logo vimos Josh tentar ensinar Amélia, sem sucesso, à usar um arco- e – flecha.
– Não, mais para o alto... NÃO! FOI MAL CARA! DAQUI A POUCO MELHORA!
– Vergonha alheia... – murmurei.
John assentiu.
– Ela é péssima com isso.
– Percebi.
Andei em direção à eles.
– E aí, povo lindo? Como vão?
Josh arqueou as sobrancelhas.
– Eu não tenho chocolate.
Revirei os olhos.
– Não é isso... é que o treino está indo bem.
– Está indo bem? – Josh perguntou – Ela acertou o mesmo cara na perna duas... três vezes.
– Isso é ótimo. Assim, sabemos que ela é realmente uma domadora d’água.
– Como? – Josh perguntou – Atirando nas pessoas?
– Acho que entendi o que Mia quis dizer... Arco-e-flecha é correspondente ao elemento ar. As flechas voando, o arco posicionado para cima... Você por acaso já viu água flutuando?
– Oh, sim. Entendi. – disse Josh – Bem, minha prioridade é o elemento ar. Então...
– Deixe comigo. – coloquei a mão no bolso – Já sei o que vamos fazer.
***
– Ei, Amélia.
Ela se virou para mim. O arco posicionado.
– Não vai querer matar sua treinadora, não?
Ela abaixou o arco.
– Não sirvo para isso.
– Com certeza não. Pode jogar esse arco fora, antes que mate alguém. Se já não matou alguém.
Ela revirou os olhos.
– Se não veio para ensinar arco-e-flecha, veio para que? Não pode me ajudar a usar o elemento água, porque...
– Ei, relaxa. – eu disse – Vou te ensinar o mesmo que eu aprendi. Uma modalidade... que não é de nenhum elemento.
Ela arqueou as sobrancelhas.
– Como assim?
Tirei a mão do bolso, e estendi uma faca para Amélia.
– Essa é a minha reserva. Não vá se acostumando com isso. É só até arranjarmos uma para você.
– Você carrega facas no bolso?
– Quando eu era novata, não sabia controlar meus poderes. Meu treinador me ensinou a usar a faca. Qualquer um pode usar uma. Até os humanos. Sabe, os normais.
– Sei, mas...
– Sem mas. Ou é aprender a usar uma faca, ou é matar meio mundo com um arco-e-flecha.
– Ótimo, como se segura isso?
***
Ensinei para Amélia como segurar a faca, como posicioná-la em diferentes posições, como atacar e se defender com ela... até atirar em alvos, nós tentamos.
Amélia não era assim tão ruim. Só precisava de mais uns treinos, e já saberia o básico. Nada mal para uma principiante.
– Acho que hoje é só. Agora está na vez de John. Provavelmente, vai te ajudar com seus poderes. Vou buscar uma água, enquanto isso. Volto já.
Amélia me devolveu a faca, enquanto eu fui buscar água. O bebedouro mais próximo ficava na esquina, o que significava que eu tinha que ir até lá para beber uma mísera água. Peguei dois copos de plástico da minha bolsa, e andei até a esquina. Enchi os copos com água.
Enquanto bebericava meu copo, pensamentos me vieram à cabeça: Será que descobriríamos quem são os guerreiros da luz? E como encontraríamos o tal objeto misterioso? E aquele corredor? O que tem nele de tão importante, para esconder?
Quando me dei conta, já estava de volta à arena. Sentei nas arquibancadas, ao lado de Josh.
– E então, como está indo?
– Nada mal. Pelo menos ainda não matou ninguém.
Observei-os com atenção. John pedia para Amélia se concentrar, mas ela não conseguia. Foi quando tive uma ideia.
–JOHN! – gritei – A ATAQUE COM FOGO!
– O QUE? – ele gritou de volta – ISSO SERIA...
– ANDA LOGO, HOMEM!
John fez o que eu pedi. Mal deu tempo de Amélia se preparar. Bolas de fogo já voavam em sua direção. Elas estavam à centímetros de seu rosto.
Então, aconteceu a coisa mais bizarra do mundo.
Ela cruzou os braços, como um escudo em seu peito. Fechou os olhos e murmurou palavras estranhas. Sua pele ficou num tom claro de azul, e golfinhos em azul escuro brilharam em seu corpo. Um escudo de água se formou em sua volta. As chamas batiam nele, e evaporavam.
As pessoas treinando largaram suas armas, e olharam, boquiabertas para Amélia.
Ela gritou algo em uma língua diferente, e uma onda saiu de seu peito e atacou John. Em um segundo, ele estava encharcado, deitado em uma grande poça d’água no chão.
Amélia cambaleou.
– Vá busca-la, eu ajudo John.
Josh assentiu, e correu em direção à Amélia.
Fiz o mesmo com John.
– Ei, cara. Que balde de água fria, hein? – um sorriso debochado surgiu em meu rosto.
– Cale a boca, Mia. Está pegando a doença do Josh.
Revirei os olhos.
– E você está pegando a de Jenn. Anda, levanta.
Ele fez o que eu mandei.
– Ei, que ideia foi essa, hein? – ele perguntou – Estou encharcado! Nem preciso tomar banho.
– Você já vai ver...
***
Corri até Amélia e Josh.
– Como você está? – perguntei.
– Ótimo, obrigado. Como vai sua família? – Josh sorriu.
Fuzilei-o com o olhar.
– Okay, okay, eu fico quieto.
Olhei para Amélia novamente.
– Como está se sentindo?
Ela esboçou um sorriso irônico.
– Estou ótima! Nunca estive melhor! Não está vendo, não? – e deu uma risada irônica.
– Quero saber como se sentiu quando se defendeu.
– Sei lá... um puxão na barriga, e me lembrei de uma praia da Grécia que eu vi no Google Images... aí eu me imaginei lá e de repente, estava jogada no chão.
– Isso é... – começou Josh.
– Estranho. – completei.
– Não saber controlar seus poderes... é o que mais acontece aqui. Relaxe, só com mais alguns treinos, você vai saber como controla-los. – disse John.
– O estranho... – murmurei – É que ela só os usa para se defender...
– ...Mas e se ela tiver que atacar? – Josh completou a fala.
Amélia estava com uma expressão preocupada. John colocou uma mão em seu ombro direito.
– Vai dar tudo certo, okay?
Ela assentiu.
– Então, bora cambada! – exclamei- Ainda temos muitos treinos pela frente!
***
Entrei no meu dormitório e bati a porta. O dia de hoje foi exaustivo. Só quero deitar e... relaxar.
Me deitei na minha cama e fechei os olhos. Deixei o sono me levar. O único problema, é que ele não veio.
Abri um olho de cada vez e peguei minha bolsa do Green Day, para ver se tinha algo que eu pudesse me interessar, até o sono vir. Só encontrei meus headphones, livros da série Divergente, um chiclete e um... livro antigo. Peguei o livro. Era o que eu ia ler na biblioteca, quando John me interrompeu.
Eu sabia que não ia encontrar nada, mas abri o livro.
Comecei à ler a introdução, só para me distrair do assunto dos Guerreiros da Luz e blá blá blá.
Porém, algo chamou minha atenção. Era uma pequena parte da introdução, mas eu senti que ela tinha um significado importante.
“Quando tudo estiver perdido
Abra os olhos,
Descubra um novo mundo
Vá além da curiosidade
E desafie a autoridade
Para decifrar a verdade.”
O que aquilo significava? Eu não sei. Porque o achei importante? Não faço a mínima. Mas me identifiquei, de certa forma, com esses versos. Resolvi grifá-los.
E passei a noite assim, procurando versos, grifando o livro com o marca-texto... até cair no sono.
***
Eu estava deitada em uma poça d’água. Grunhia. Minha perna direita sangrava, e havia uma faca cravada nela. Me xinguei mentalmente. Porque diabos eu fiz aquilo? Agora corria risco de morte.
Fui me arrastando até a calçada da rua onde eu estava. O machucado na minha perna doía mais quando eu me movia, mas se ficasse ali, morreria, de uma forma ou de outra.
Escutei passos distantes. Me arrastei mais rápido, tentando ignorar a dor. Os passos se repetiram, desta vez mais próximos. Me arrastei mais rápido, reprimindo um grito.
Eu estava quase na calçada. Mais um pouco...
Levei um chute nas costelas. Gritei de dor.
Pude ouvir risadas.
–Nem devemos nos preocupar com ela, Garry. Chefia nem vai se importar se matarmos essa fracote.
Merda...
Tentei esticar minha mão lentamente, para alcançar a calçada despercebida. Porém, parece que um dos homens notou.
– Ei, Simon, olhe só. Ela acha que pode fugir!
O outro riu, mas logo parou.
– Estou escutando passos, ande logo com isso.
Espiei com o canto dos olhos. Um homem alto, careca, de pele morena e terno preto estava ao meu lado. O outro homem era anão, de pele clara e cabelos castanhos caindo nos olhos. Ele veio mancando até mim.
O que diabos ele iria fazer?
O anão tirou algo do bolso. Era pequeno e afiado. Uma faca. Ele se ajoelhou ao meu lado, o que não fez muita diferença.
– Ande logo, Garry. – disse Simon.
Observei o homenzinho levantar a faca.
Engoli em seco. Era o meu fim.
Garry abaixou a faca, e eu fechei os olhos.
***
–Mia! Ei, Mia! – uma voz familiar soou.
Abri os olhos, e me deparei com John.
Eu estava suando frio. Estava enrolada no edredom verde, e estava metade fora da cama.
–John...? – perguntei, estreitando os olhos.
– Sou eu mesmo.
Olhei em volta do quarto. Estávamos sozinhos.
Me sentei na cama, e encarei aqueles olhos azuis por uns 2 segundos.
E o abracei.
– Obrigada... – murmurei. Lágrimas caíam dos meus olhos.
– Hã... não foi nada. – e deu tapinhas nas minhas costas.
Saí do abraço, constrangida.
– Então... – funguei – Para que me chamou?
– Temos que treinar. Amélia e Josh já estão impacientes.
– Certo. – fechei a cara – Vamos logo. Só vou... me trocar.
Fechei a porta na cara de John antes do mesmo poder falar algo. Pensei no pesadelo. Porque eu fui me lembrar disso? Porque?
Preciso lembrar de que tudo deu certo. Simon e Garry não voltaram ao refúgio dos seguidores de Nakérion. Eles... foram mortos. Se dissolveram. Evaporaram. Fim.
Mas não consegui tirar as cenas da minha mente. Eram torturantes. Como se eu estivesse dado o replay várias vezes em uma única cena de um filme de terror.
Toc, Toc, Toc
– Já estou indo! – gritei.
Corri até o armário. Coloquei uma calça jeans, uma camiseta preta de caveira, e uma camiseta xadrez, cinza e preta. Calcei all stars Chuck Taylor pretos, peguei minha bolsa e agarrei uma escova de cabelos. Saí do quarto.
Penteei os cabelos rapidamente.
John me puxou até o elevador, no fim do corredor. Apertei o Térreo, e esperamos o elevador descer. Quando as portas se abriram, corremos para fora do prédio.
Quando alcancei o centro de treinamento, meus joelhos tremeram. Não percebi o quanto estava cansada. Sentei em um banco próximo, e tirei uma garrafa d’água da mochila.
John veio em minha direção.
– Vamos logo. Amélia está matando as pessoas.
Assenti, e dei um gole na garrafa.
– Certo, vamos logo.
Andamos na direção dos dois.
– Não, Amélia. – dizia John – Tente jogar a lança nos bonecos, e não... certo, mas jogue apenas no Rick, ok?
Corremos até ele.
– Hey, Josh. – chamei – Eu assumo por aqui.
– Há, finalmente acordou! – exclamou ele, irritado – Está atrasada, mocinha!
– Sim, tia Emme! – revirei os olhos.
Andei na direção de Amélia.
– Hey, Amélia! Pronta para o treino?
Ela me fuzilou com o olhar.
– Vamos acabar logo com isso, estou cansada.
– Alguém acordou de mau-humor. – arqueei as sobrancelhas – E a culpa vai para a treinadora, lógico.
– Ande logo com isso, Mia! – ela exclamou.
– Povo irritado. – murmurei – Bem, pegue a faca. Vamos treinar. Está vendo o Josh? Ele está com uma garrafa d‘água na mão, não está? Tente acertar a faca nela. Quando eu disser “Já”.
– HEY, JOSH! – gritei.
Um...
Ele se virou.
Dois...
Amélia preparou a faca.
Três...
Ele arregalou os olhos.
– JÁ! – gritei.
Amélia lançou a faca. Josh ficou parado, em choque, observando a arma voar em sua direção.
A faca acertou o alvo. A água caiu sobre as calças de Josh, enquanto a garrafa murchava.
– Yey! – levantei o braço. – 5 pontos! Ganha mais cinco se acertar a cabeça.
– MIA! – Josh urrou.
– Ok, sem cabeça.
Josh jogou sua garrafa no lixo.
– Bem, se me dão licença... tenho que trocar de calça. – e lançou um olhar fuzilante para nós duas.
Rimos.
– Uou, aquilo foi demais! – exclamou Amélia – Você viu a cara dele?
Sequei uma lágrima.
– Eu devia ter filmado! –ri.
John nos encarava, sério.
– Ei John, o que foi? – perguntei.
– Caso tenham esquecido, nós precisamos treinar. – ele disse, me encarando.
– Deixa de ser chato. – disse eu – Amélia acabou de ganhar cinco pontos em meu treino.
– Termine logo o seu, para eu poder dar um treino de verdade.
– O QUE ESTÁ INSINUANDO, MCLEAN? – apontei um dedo para seu rosto.
– Não estou insinuando nada, Jones. – ele disse, estreitando os olhos- Não estou insinuando de ninguém.
– Ande Amélia. – continuei encarando John – Vamos treinar de verdade.
***
– Pegue a faca. – eu disse – E fique em posição de ataque.
– O que você vai...
– JÁ! – gritei.
Pulei para frente, atacando Amélia.
Instintivamente, ela se defendeu, jogando sua faca contra a minha.
Lanço o peso de meu corpo para frente, jogando a faca contra o peito de Amélia.
Ela se abaixou, então aproveitei a oportunidade. Saltei sob ela, aterrissando nas suas costas. Fiz um corte em seu braço.
Amélia gritou de dor. Se virou, quase imediatamente, e lançou a faca no meu rosto.
Passei a mão na bochecha esquerda. Um corte raso se encontrava. O sangue sujou minha mão.
Me estressei.
Me joguei na direção de Amélia, a atacando. Ataquei de lado, fazendo um corte em sua costela. Seu rosto se contraiu de dor.
Voltei à atacar de frente. Ela defendia e se esquivava, rapidamente.
Perdi a paciência. Segurei a faca com força, e bati no cabo de sua faca. Ela voou alguns centímetros, e caiu no chão.
Amélia me olhou, assombrada.
– Fim de treino. – falei, rispidamente.
Saí da arena.
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